Pôster | A Vingança de um Pistoleiro

RIDE IN THE WHIRLWIND

Direção: Monte Hellman

Roteiro: Jack Nicholson

Ano: 1965

Elenco: Jack Nicholson, Cameron Mitchell, Millie Perkins

Duração: 82 minutos

Apesar da curta duração, o pouco aprofundamento em detalhes e o lento desenvolvimento da história tornam o filme positivo.

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Quer saber o que achamos de mais esta parceria entre Hellman e Nicholson? Clique aqui.

Crítica | A Vingança de um Pistoleiro

RIDE IN THE WHIRLWIND

(A VINGANÇA DE UM PISTOLEIRO)

Direção: Monte Hellman

Roteiro: Jack Nicholson

Ano: 1965

Elenco: Jack Nicholson, Cameron Mitchell, Millie Perkins

Duração: 82 minutos

Apesar da curta duração, o pouco aprofundamento em detalhes e o lento desenvolvimento da história tornam o filme positivo.

Análise: A Vingança de um Pistoleiro é o título brasileiro resultado da primeira das parcerias, no vasto e complexo interior do western, entre o diretor Monte Hellman e o ator Jack Nicholson, este responsável pela condensada escrita dos roteiros de ambos os filmes feitos com o diretor – o outro é Disparo para Matar (1966). Realizados entre pequenos períodos de tempo, os dois trabalhos da dupla (que ainda contava com a atriz Millie Perkins) tem uma curtíssima duração, a qual não chega nem à média de 90 minutos por trama; entretanto, o desenvolvimento da história não necessita parecer monstruosamente labiríntico: apenas fazer sua pequena e decisiva parte.

Toda a trama é iniciada com a amostra de um bem-sucedido assalto contra uma diligência, feito pela gangue liderada pelo pistoleiro caolho Blind Dick (Harry Dean Stanton).

Logo após, o filme já vai se transferindo para ares mais frescos, ao estampar três caubóis viajando pelo deserto a caminho da cidade de Waco: Wes (Nicholson), Vern (Cameron Mitchell) e Otos (Tom Filer). Perto do anoitecer, eles encontram uma cabana para se alojarem, onde há um esconderijo para os homens de Blind Dick; mesmo assim, o esquisito líder autoriza a estadia dos três pela noite. Mesmo com a desconfiança rondando suas mentes, os amigos resolvem ficar por lá, porém, ao acordarem, eles se veem no meio de uma troca-de-tiros entre os criminosos e um grupo de vigilantes da cidade. Apenas os inocentes Wes e Vern conseguem escapar, deixando Otos para morrer junto aos outros membros da gangue.

Sendo assim, os vigilantes locais partem a busca dos então dois foragidos, acreditando na possibilidade de que eles façam parte da perigosa gangue responsável pela chacina. Uma caçada implacável está prestes a passar pelos seus olhos!

Em uma fase passageira entre o início e o intermédio de carreira, o hoje famoso e aclamado ator Jack Nicholson é responsável pela história um tanto quanto curta, sem aprofundar nem divagar a obra em detalhes superficiais, mas mesmo assim apresentando um bom desenvolvimento dos personagens, dos quais são passadas algumas informações do passado e, acima de tudo, aparentam ser solitários. Tais esclarecimentos são conduzidos durante os ótimos diálogos ao longo do filme, tornando cada minuto mais tenso conforme o fim vai se aproximando, com Wes e Vern sendo encontrados por um profundo golpe do acaso, no rancho do Evans (George Mitchell).

Assim como em seu projeto posterior, o já citado Disparo para Matar, Monte Hellman utiliza-se do deserto de Utah para criar o intenso pano de fundo. Além disto, as semelhanças de ambos não param, havendo o fato de terem sido gravados na mesma época, e a estética ser praticamente a mesma. O diretor, também, não procura esclarecer o lado para qual rumariam seus personagens: quem era do bem, quem era do mal? Os vigilantes não faziam mais que a obrigação, enquanto que os caubóis tentavam fugir do enforcamento sem nunca cometer qualquer tipo de violência. Nem os ladrões são apontados como elementos do mal...

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

Pôster | O Cangaceiro

O CANGACEIRO

Direção: Lima Barreto

Roteiro: Lima Barreto e Rachel de Queiroz

Elenco: Alberto Ruschel, Vanja Orico, Milton Ribeiro...

Ano: 1953

Duração: 105 minutos

Do Brasil, direto para o mundo. E com muito fervor!

Clique para conferir a resenha do primeiro clássico e sucesso de bilheteria brasileiro, escrita por Bruno Barrenha.

Crítica | O Cangaceiro

O CANGACEIRO

Direção: Lima Barreto

Roteiro: Lima Barreto e Rachel de Queiroz

Elenco: Alberto Ruschel, Vanja Orico, Milton Ribeiro...

Ano: 1953

Duração: 105 minutos

Do Brasil, direto para o mundo. E com muito fervor!

Análise: Eclodindo repentinamente como um fenômeno social no nordeste brasileiro, em meados do século XIX, o cangaço serviu em nosso país assim como o velho-oeste prevaleceu nos Estados Unidos. Caracteriza-se pelas violentas ações dos chamados “cangaceiros” – grupos de homens armados que eram responsáveis por acometer os mais diversos crimes, como o sequestro de coronéis, roubos a latifúndios, e saques a comboios e depósitos. Vivendo das fugas contra as autoridades por tais delitos, eles não possuíam moradia fixa e a única certeza que tinham era a perambulação pelo sertão, com seus olhos pregados sem o mínimo de tranquilidade e segurança. Apesar de tudo, já era de suas sabedorias como sondar os mais diferentes mananciais de água, plantas curativas, trilhas de fuga e lugares com alimentos por aquelas regiões.

Fora este grupo de cangaceiros com princípios do “banditismo” em sua ideologia, havia mais dois tipos deles: aqueles que ofereciam serventias aos latifundiários, e os que recebiam o nome de “políticos” por desfrutar de grandes terras. O primeiro grupo surgido no contexto foi por volta de 1870, comandado por Jesuíno Brilhante; entretanto, o mais famoso dos “cabras-da-peste” recebe o nome de Virgulino Ferreira da Silva, ou simplesmente, Lampião. Ao lado de sua mulher, Maria Bonita, tornou-se uma das mais notáveis figuras nacionais.

Não é à toa, portanto, que a resenha de hoje vá para o primeiro clássico e sucesso do cinema nacional: O Cangaceiro, de Lima Barreto, produto da extinta Vera Cruz. A repercussão do filme foi tão grande que, além dos dois prêmios ganhos no importantíssimo Festival de Cannes, houve sua distribuição para cerca de 80 países ao redor do globo, sendo que, na França, permaneceu em cartaz por mais de quatro anos. Sem dúvida, é a película brasileira mais bem-sucedida de todos os tempos, com um acúmulo de sucesso internacional sem tamanho... Pelo menos na época de seu lançamento.

“Qualquer semelhança com fatos, incidentes e pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.”

Fluindo por meio de uma época “imprecisa; quando ainda havia cangaceiros” (como cita o próprio início de filme), a primeira imagem que nos aparece à retina é um grande exemplo de beleza e perfeição, a qual oferece o som da música Olê Muié Rendeira e um “grande plano geral” dividido em duas camadas: em uma delas, está um céu nuvioso e consumido de tensão e, em outra, uma escuridão em que se figuram as sombras dos cangaceiros do bando do perigoso Capitão Galdino Ferreira (Milton Ribeiro), o qual cultiva o medo e o pavor pelo sertão nordestino.

Durante um dos assaltos da trupe de Galdino, a professora Maria Clódia (Vanja Orico) é raptada e conhece o pacífico Teodoro (Alberto Ruschel), apaixonando-se pelo mesmo e gerando conflitos no bando, justamente por este romance ser contra alguns preceitos. E, como ambos não querem viver naquela situação de tensão e desordem pelo resto de suas vidas, o que lhes resta é a arriscada fuga, da qual serão tiradas muitas vidas.

Portanto, é plantando o terror nos vilarejos, que Galdino colherá os frutos na mesma moeda: a morte de vários de seus integrantes por conta das mãos de Teodoro. Sedento por vingança, é colocado em cheque não só a vida do antigo companheiro do Capitão, mas também uma das sequências finais mais emblemáticas e poderosas de nosso cinema.

Milton Ribeiro e Alberto Ruschel em seus respectivos papéis: o Capitão Galdino, vilão até o último segundo, e o mocinho sofredor Teodoro.

Escrito pelo próprio Lima Barreto em conjunto com Rachel de Queiroz, a trama é transportada para os tempos do cangaço com merecida propriedade, limitando-se não só às cenas de aventura muito bem construídas pelo diretor, mas também dando o espaço apropriado para o romance, que serve mais como um elemento de “destruição das culpas, salvação dos pecados” do que de sentimentos propriamente ditos. A divisão de águas com que o público terá de líder se dá justamente pelas caracterizações representando o bem e o mal, sobrando para nós o desafio de escolher – durante os pouco mais de 100 minutos de projeção – para quem torcer.

Presenteando-nos com um fundo musical de ótima qualidade, o compositor Gabriel Migliori acerta em cheio na dose que diz respeito à mistura de batidas sertanejas com um traço mais clássico, musicalmente. O resultado, de fato, controla o filme em seus mais variados momentos, funcionando da melhor maneira possível.

A fotografia, propondo um preto-e-branco muito tonificado, por parte do inglês Henry Edward Fowle esmiúça os sentidos do seu espectador, relacionando o sofrimento do protagonista em seu último suspiro com a dramaticidade proposta por suas lentes, a qual nos transporta para outra realidade com aquelas maravilhosas paisagens em contraste com o pôr-do-sol. Apesar de ser natural da Inglaterra, H.E. Fowle prestou grande parte de seus serviços como fotógrafo para filmes brasileiros; inclusive, outro de nossos maiores clássicos tem sua marca: O Pagador de Promessas (Anselmo Duarte, 1962).

Com uma direção bastante lapidada para a perfeição, Lima Barreto remonta os planos primordiais utilizados no “gênero estadunidense por excelência” (o western), sobretudo aqueles que demostram com mais detalhamento a paisagem de uma caatinga “artificial” (as gravações se deram no interior de São Paulo, e não propriamente no Nordeste), com toques que vão desde John Ford até outros lendários diretores, porém sempre nos levando à conclusão de que aquilo é uma obra minuciosamente brasileira, com suas devidas características para tal.

Considerado o melhor produto da grandiosa e extinta Companhia Cinematográfica Vera Cruz, O Cangaceiro foi premiado duplamente no Festival de Cannes, como Melhor Filme de Aventura e, esfomeado pela vitória, ainda teve a felicidade em trazer outro prêmio para casa, este devido à já citada canção Olê Muié Rendeira, interpretada pela atriz Vanja Orico – acompanhada pelo grupo musical Demônios da Garoa – em uma de suas mais belas imagens durante a projeção.

Epopeico a sua maneira, o filme de Lima Barreto também regou toda uma geração de cineastas que se baseavam no peculiar cangaço brasileiro, como o exemplar diretor Glauber Rocha em sua sequência que conta com Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), sendo que o último dos citados também conquistou um lugar em Cannes pela vitória de Glauber na categoria de Melhor Direção.

O que podemos tirar de tudo já explicado, é a superioridade de O Cangaceiro sob as demais obras realizadas em território brasileiro. Ele é, com toda certeza, o primordial trabalho nacional responsável por representar a cara de nosso país para o exterior, ganhando as telas de todo o mundo. Era como se disséssemos para os gringos: “Não é só de futebol que vive o povo tupiniquim... Nosso cinema também é de qualidade! E de muita qualidade, pode apostar”.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.