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4 de fevereiro de 2012

Crítica: Réquiem para Matar

REQUIESCANT

(RÉQUIEM PARA MATAR)

Direção: Carlo Lizzani

Roteiro: Lucio Battistrada, Andrew Baxter, Adriano Bolzoni, Armando Crispino, Denis Greene e Edward Williams

Produção: Carlo Lizzani e Ernst R. von Theumer

Ano: 1967

Elenco: Lou Castel, Mark Damon, Barbara Frey...

Duração: 92 minutos

Mais um desconhecido e pobre faroeste responsável por agregar um guião falho e uma edição que não faz jus aos bons momentos.

Análise: Réquiem para Matar é um western produzido por dois importantes países no mapa do gênero: a Itália (berço dos principais faroestes europeus) e a Alemanha (um dos países da Europa que, na época, mais apostaram em filmes de velho-oeste). Apesar de incógnito e feito com poucos recursos, o também inexplorado diretor italiano Carlo Lizzani realiza um admirável trabalho sobre uma razoável história escrita por uma grande equipe de roteiristas – ao total, foram mais de nove nomes que ajudaram no desenvolvimento da história e na grafia do roteiro.

Deixando de lado detalhes como os citados, o filme logo se inicia com um massacre que envolve todos os protagonistas; o tiroteio acontece devido à tentativa dos americanos em ocupar terras e, com isto, enganam os mexicanos fingindo não haver mais guerra por territórios. Os pobres latinos caem em tal papo furado e acabam fuzilados por ordem do comandante sulista George Bellow Ferguson (Mark Damon).

Uma criança é atingida na cabeça e começa a vaguear no meio do nada, até ser encontrado por uma religiosa família, que cuida dele como filho, mesmo sem este saber seu nome; é então que cresce e vira um adulto, o qual desconhece até seu próprio passado e, assim, ele se vê obrigado a entrar em ação quando Princy (Barbara Frey) – a filha de seus pais adotivos – foge com a companhia de teatro. No começo de sua missão ele aprende a manejar uma arma, dando dois tiros certeiros nas costas de um assaltante após o revólver cair acidentalmente em suas mãos. Seu nome, a partir daí, seria Requiescant – palavra originada do latim, que vem da frase requiescant in peace (abreviada para R.I.P) e significa “descanse em paz”.

Mesmo com uma regular direção de Carlo Lizzani, o projeto é afetado diretamente pela edição de Franco Fraticelli, na qual muitas vezes aparecem grosseiros erros de sequência. O filme também nos apresenta cenas um tanto intrigantes, como quando o protagonista religioso mata os seus inimigos e então lê passagens da Bíblia misturadas com algumas palavras em latim.

O roteiro igualmente lida com suas falhas, mas é razoavelmente bem escrito e até aproveita momentos cômicos. Há alguns furos, é claro, como a não explicação sobre a incrível habilidade do personagem com a arma, sendo que na primeira vez que ele pega em uma, já consegue matar um criminoso com dois tiros acidentais.

Por último, temos aqui razoáveis atuações de um elenco em partes desconhecido, com destaque para Lou Castel e com a participação do polêmico cineasta italiano Pier Paolo Pasolini interpretando um padre. Além disto, ele ainda ajudou com o roteiro, mas não foi creditado!

Conclusão: Requiescant é um projeto de baixo orçamento, sem os recursos necessários, um elenco sem tanto conhecimento da mídia e do público e, justamente por isto, acaba arcando com muitas consequências que prejudicam seu resultado final, apesar de também manter os seus bons momentos.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

28 de janeiro de 2012

Crítica: O Dia da Ira

DAY OF ANGER

(O DIA DA IRA)

Direção: Tonino Valerii

Roteiro: Ernesto Gastaldi, Renzo Genta e Tonino Valerii

Produção: Sansone e Chrosicky

Ano: 1967

Elenco: Lee Van Cleef, Giuliano Gemma, Walter Rilla...

Duração: 115 minutos

Grande clássico do faroeste italiano apresenta um ótimo elenco e têm seu foco na relação entre um mestre e um aprendiz na arte de guerrear.

Análise: O Dia da Ira é uma produção ítalo-alemã e um dos maiores westerns spaghettis da história do gênero, sendo dirigido pelo aprendiz de Sergio Leone, Tonino Valerii, e possuindo em seu interior um elenco responsável por gerar o encontro entre dois grandes atores: o já experiente Lee Van Cleef e o ainda novato Giuliano Gemma.

O filme mostra a estranha relação entre o discípulo Scott (Gemma) e o seu mentor – um experiente pistoleiro de nome Talby (Van Cleef). Scott, um jovem sem família e nascido em um bordel, é zombado pelos arredores de Clifton, uma pacata cidade sem violência onde o xerife não carrega sua arma e os moradores logo ficam surpresos ao ouvir um único estampido de tiro. Talby, o experiente pistoleiro que futuramente acabaria com a paz de Clifton, chega ao vilarejo e ganha a admiração de Scott. Sendo assim, quando ele sai da cidade para procurar Wild Jack (Al Mulock), o qual está devendo 50.000 dólares em outras bandas, Scott persegue-o pedindo ajuda para se tornar um pistoleiro e então ser respeitado em Clifton; Talby aceita o ensino e demonstra, durante a jornada, as 10 lições para ser bom em sua profissão.

Ao capturarem Wild Jack, descobrem que ele não tem mais dinheiro, pois os moradores de Clifton o traíram. Talby e Scott voltam à cidade para recuperar as gorjetas e impor ordem na cidade, mas tudo sai do controle quando Talby assassina Murph Allen Short (Walter Rilla), um grande amigo de Scott. Com tal acontecimento, a dupla principal se volta um contra o outro e travam um inevitável duelo, não sem antes Scott matar os homens de Talby aplicando as lições que aprendera com o seu professor, onde quem vence é o que tem mais técnica e é o mais rápido no gatilho.

Deveras marcante, oferecendo excelentes atuações, papéis interessantes e um elenco afiado. Giuliano Gemma, ainda em estopim de carreira, está em uma de suas melhores performances. Lee Van Cleef também está formidável encarnando, de novo, um personagem maldoso; apesar disto, primeiramente ele parece ser bom ao tentar ajudar Scott, mas com o passar do filme é mostrado que ele é realmente adverso e quer apenas usar o inocente companheiro para conseguir sua vingança.

O diretor Tonino Valerii, muito conhecido pela parceria com Sergio Leone em Meu Nome é Ninguém (1973), nos mostra uma ótima direção com agradáveis planos, principalmente nos duelos, aproveitando as paisagens e a bela trilha sonora de Riz Ortolani para fazer mais um grande clássico do bang-bang à italiana. Porém, mesmo com alguns papéis bem desenvolvidos, Valerii também deixa outros personagens de lado na trama, como a bela Crista Linder interpretando Gwen e José Calvo, que poderia aparecer mais durante o filme.

Concluindo, O Dia da Ira é propício para fãs de qualquer gênero, sendo um prato cheio para os forasteiros do western e, além de tudo, inovador ao nos mostrar um diferente e épico duelo entre Talby e Owen White, onde o desafio é armar um rifle em cima de um cavalo e matar o adversário.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

25 de janeiro de 2012

Crítica (n.100): Butch Cassidy

BUTCH CASSIDY & SUNDANCE KID

Direção: George Roy Hill

Roteiro: William Goldman

Produção: John Foreman

Ano: 1969

Elenco: Paul Newman, Robert Redford, Katharine Ross...

Duração: 110 minutos

Os últimos e decisivos murmúrios de três respeitáveis heróis: Butch Cassidy, Sundance Kid e o western clássico.

Análise: Com o lançamento de Blackthorn – Sem Destino (Mateo Gil, 2011), o mito da dupla de facínoras Butch Cassidy e Sundance Kid ficou ainda mais difícil de ser desvendado. Se alguns dizem que ambos foram mortos no tiroteio contra o Exército Boliviano na cidade de San Vicente, em 1908 (a teoria apresentada pelo diretor George Roy Hill), outros discordam e preferem apostar todas as suas fichas na surpreendente produção hispano-franco-boliviana de Mateo Gil.

A dupla realmente teria morrido no controverso tiroteio contra o Exército Boliviano? A dúvida divide opiniões até hoje...

Como se estivéssemos situados em uma obsoleta sala de cinema, o filme abre suas rústicas – porém inovadoras – portas através de quatro elementos que dividem o grande ecrã entre si: os ruídos de um antigo projetor cinematográfico, algumas imagens ainda sem conhecimento da magia do colorido, a bucólica melodia e, por fim, os créditos de todos os responsáveis por fazerem de Butch Cassidy um dos faroestes mais certeiros na longa história que cerca o gênero. Sem uma visão mais além, entretanto, toda esta introdução soaria em um aspecto normal. Assim, minha interpretação mediante o início do filme é justamente pelo fato de “projetores, projeção, música e créditos” formarem a essência do cinema! Ou seja, desde seu primeiro minuto, Butch Cassidy é uma verdadeira obra-de-arte.

A película é, antes de tudo, mais do que uma simples aventura de dois bandidos carismáticos que existiram na vida real e fizeram parte da história norte-americana. Ela também é engraçada, icônica, apaixonante, mortal...

Imediatamente na cena de abertura, Roy Hill já nos deseja revelar os quão amedrontadores e populares são Butch Cassidy (Paul Newman) e Sundance Kid (Robert Redford). A informação que quer ser passada pelo diretor entra com clareza em nossa mente, sem precisar de muito alarde: basta dizer o primeiro nome de algum dos dois facínoras, e convidar o mesmo para ficar no local por algum tempo. Se tudo correr como o esperado, ninguém sai machucado! O método da dupla não poderia ser mais fácil.

A partir de então, a parceria dentro (e fora!) das telas funciona da maneira mais perfeita possível, principalmente quando o filme culmina na antológica e imortal cena da bicicleta: sendo uma das memoráveis em todo o ciclo já percorrido pela sétima-arte, Butch carrega a professora Etta Place (Katharine Ross) e faz piruetas no meio de transporte que chama de “futuro” – referenciando-se a bicicleta – ao som da canção Raindrops Keep Falling On My Head.

Como se pôde perceber pela trama, um roteiro incontestável e vencedor de Oscar é escrito por William Goldman, proporcionando diálogos marcantes, cenas de um humor refinado, personificações únicas e um tanto quanto diferentes da realidade (o que isto importa para uma obra de ficção?) e situações que duram o tempo correto em tela. Um exemplo é a grande perseguição em busca da dupla: mesmo tomando para si praticamente todo o segundo ato, em nenhum momento ela perde sua elegância; ao contrário, nossa curiosidade em relação ao que acontecerá só aumenta.

Além desta, mais três outras estatuetas ainda foram entregues ao filme, condecorando duplamente o compositor da trilha sonora Burt Bacharach: uma por sua ilustre canção escrita em conjunto com Hal David exclusivamente para o filme e cantada por B.J. Davis (Raindrops Keep Falling On My Head) durante a famosa cena da bicicleta, e outra por sua própria condução na banda de sons.

Já o último dos prêmios foi para a fotografia, de Conrad L. Hall, o qual obteve certo destaque ao trabalhar no velho-oeste de Os Profissionais (Richard Brooks, 1966) e em projetos do diretor Sam Mendes, bem como Beleza Americana (1999) e Estrada para Perdição (2003). Aqui, em sua fase mais inspirada, consegue fumegar fascinantes paisagens desérticas nos mais diversos tons de seu olhar através da câmera: desde um denso sépia envelhecido e poético, até os coloridos que se misturam sobre a terra e as vegetações.

A direção de George Roy Hill, vencedora no BAFTA e apenas nomeada no Oscar, nunca passa dos limites e muito menos se torna pedante. Ele sabe como dirigir sua trupe de atores e se posiciona com classe em seu sexto trabalho dirigido para o cinema – o primeiro com mais reconhecimento por parte do público e da crítica especializada. Anos mais tarde, uma dobradinha do trio Roy Hill-Newman-Redford acontece ao realizar Golpe de Mestre (1973), filme vencedor de sete Óscares (um para Hill!) e responsável por consagrar definitivamente uma das mais ligeiras e certeiras sociedades do cinema.

Finalizando, com um elenco de peso eleito a dedos pelo próprio Roy Hill, as atuações rendidas pelo trio principal (Newman, Redford e Ross) se dão muito acima do normal. Apesar disto, a obra não é realizada somente por eles, sobrando ainda um pouco de espaço a ser preenchido por papéis menores: é o caso do veterano Strother Martin, interpretando Percy Garris.

Da esquerda para a direita: Paul Newman, George Roy Hill e Robert Redford.

Claramente inspirado pelo novo gênero na época – o bloodbath, ou simplesmente “banho de sangue” –, Butch Cassidy tem no calor de seu conteúdo um dos trabalhos mais completos já assistidos em todos os tempos. Mesmo não contendo o mesmo nível de violência que Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas (Arthur Penn, 1967), a realidade gráfica de ambos os projetos se aproxima quando se diz respeito a “sangue e ferimentos”, fora o fato de seus protagonistas também ganharem a vida com o crime.

E, enquanto um gênero surgia, outro adoecia em grande escala, perdendo não só seu espaço, mas também sua longa vida prestada junto ao cinema e outros meios de comunicação. O western épico e de caráter clássico não cabia mais na vitrine da sétima-arte, tendo de elevar as conservadoras narrativas do velho-oeste (Guerra Civil, índios, saloons, mocinhos, bandidos...) para um terreno de maior estabilidade, justamente como pode ser estudado em grande parte da filmografia de David Samuel Peckinpah.

Mas, de qualquer jeito, é assim que caminha a humanidade...

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

28 de dezembro de 2011

Crítica: A Face Oculta


ONE-EYED JACKS

(A FACE OCULTA)

Direção: Marlon Brando

Roteiro: Guy Trosper e Calder Willingham

Produção: George Glass

Ano: 1961

Elenco: Marlon Brando, Karl Malden, Ben Johnson...

Duração: 141 minutos

Único filme dirigido por Marlon Brando mostra que o conhecido ator também obteria sucesso se continuasse a carreira de diretor.

Análise: A Face Oculta é um western norte-americano e também o único filme dirigido pelo lendário artista Marlon Brando, que também faz o papel de protagonista. A história é baseada na novela The Authentic Death of Hendry Jones, de Charles Neider.

Inicialmente, o filme faria um épico encontro entre dois grandes diretores: o então  conhecido Stanley Kubrick e o iniciante Sam Peckinpah, o qual inclusive ajudou a escrever o roteiro, mas nem teve o nome creditado. Entretanto, Brando, que era dono da produtora do filme, demitiu ambos e acabou tomando conta do projeto. 


A película, por todo seu trajeto onde passou, conta com uma história bastante interessante: tudo se inicia quando um trio de assaltantes acaba de roubar um banco e foge para outra cidade, mas são perseguidos até lá e precisam escapar no meio de um deserto. Após o termino da perseguição, o trio se torna uma dupla e Dad Longworth (Karl Malden) acaba traindo o seu parceiro Rio (Marlon Brando), enganando-o para ficar com todo o ouro obtido no assalto ao banco. 


Após cinco anos, Rio consegue fugir da cadeia e tudo o que ele quer é poder encontrar Dad Longworth e matá-lo, assim vingando. Então, ele entra em um grupo de bandidos que planejam assaltar um banco de Monterrey após saber que Dad é o xerife da cidade. A partir daí se inicia um duelo psicológico entre os dois, com Dad tentando enganar o parceiro novamente, tentando se inocentar do que havia feito e com Rio mentindo sobre o que havia acontecido, somente para conseguir uma vingança ainda mais dolorosa. 


Por fim, Rio acaba namorando a enteada de Dad, Louisa (Pina Pelicer), e depois a despreza atingindo diretamente a Dad, o qual acaba dando uma dura lição em Rio, deixando-o ainda mais motivado em matar o antigo companheiro. Rio tem essa oportunidade no incrível duelo final, em que apenas um pode sair vitorioso.


A versão original do filme foi modificada para se encaixar nos padrões hollywoodianos: a primeira versão tinha duração superior a quatro horas, assim tendo que sacrificar duas horas de projeção; outro fato que teve que ser mudado foi o final, onde Dad Longworth, quase morrendo, iria matar Louisa, que estava perdidamente apaixonada por Rio. No entanto, como tudo tem que ter um final feliz, Brando foi obrigado a mudar o epílogo depois de ter encerrado as gravações, com o novo fim não contando com a morte de Louisa. 

Em quesitos, podemos ver uma ótima direção, a qual contêm alguns pequenos erros, como em poucos casos de erros de continuidade na mudança de uma cena para outra. Também é acompanhada por uma bela trilha sonora de Hugo Friedhofer, muito presente durante toda a história, ajudando a criar o clima de tensão durante o desenrolar da história. Já a linda fotografia de Charles Lang Jr. mostra magníficas paisagens comuns do faroeste, mas também algumas paisagens um tanto incomuns no gênero, como o mar da cidade costeira. Traduzindo, A Face Oculta conta com um ótimo elenco, atuações dignas e uma boa química entre Marlon Brando e Karl Malden, os quais interpretam a dupla principal do filme. 
  
Guy Trosper e Calder Willingham fazem um ótimo roteiro, no qual ainda é possível notar uns respingos do cachaceiro Sam Peckinpah: a relação entre Dad e Rio é parecida com a relação entre Pat Garrett e Billy the Kid em Pat Garrett & Billy the Kid (1973). Em ambos os casos a dupla era de camaradas, mas após algum acontecimento, Dad e Pat viram xerifes e rivais de seus ex-companheiros Rio e Billy, respectivamente. 

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:


ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

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21 de dezembro de 2011

Crítica: Cowboys & Aliens


COWBOYS & ALIENS

Direção: Jon Favreau

Roteiro: Roberto Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Mark Fergus e Hawk Ostby

Produção: Johnny Dodge, Brian Grazer, Ron Howard, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Roberto Orci e Scott Mitchell Rosenberg

Ano: 2011

Elenco: Daniel Craig, Harrison Ford, Olivia Wilde...

Duração: 118 minutos

Uma infeliz tentativa de resgatar o western nos dias de hoje, chamando a atenção ao incluir alienígenas no gênero.

Análise: Cowboys & Aliens é mais um dos incomuns westerns dos últimos tempos, dirigido por Jon Favreau e baseado na história em quadrinhos de mesmo nome.

O filme, além de trazer o gênero do faroeste de volta, realiza uma experiência frustrada de misturá-lo com o sci-fi, sendo que ambos não têm nada haver entre si. Assim, há muitos mistérios durante o desenrolar da projeção, porém alguns não são solucionados.


Jake Lonergan (Daniel Craig) acorda no meio de um deserto com amnésia, sem nenhuma memória sobre o seu passado (ele não sabe nem seu próprio nome!) e com a ilustre presença de um misterioso bracelete no braço. De alguma maneira, ele consegue ir para a cidade de Absolution, onde descobre um pouco sobre sua vida: Jake é um famoso criminoso que está sendo procurado por muitas pessoas. 


Em uma noite, quando Jake seria levado para julgamento em outra cidade, acontece um misterioso ataque aéreo que acaba raptando alguns cidadãos. Então, o xerife de Absolution (Keith Carradine) arma um grupo para saber a origem dos ataques e resgatar os raptados, fazendo com que Lonergan também faça parte do grupo, sobretudo pelo fato de possuir a arma para derrotar os alienígenas.


No início de todo o filme, há uma agradável construção de personagem, porém também há mudanças – um tanto quanto desnecessárias – de tais características na parte final: um bom exemplo é o personagem Woodrow Dolarhyde (interpretado por Harrisson Ford), que é apresentado como uma pessoa deveras malvada, além de ser o responsável pelo desenvolvimento da cidade de Absolution. Com isto em mente, à origem de tudo, Dolarhyde está atrás de Jake Lonergan devido a um assalto que este cometera, mas Dolarhyde queria fazer a justiça com suas próprias mãos; no final, entretanto, quando Jake deu uma grande ajuda para derrotar os aliens, Dolarhyde simplesmente o perdoa e o fato de tê-lo odiado nunca havia acontecido.

O destaque, aqui, vai para o indispensável elenco: desde atores já renomados na sétima-arte (Harrison Ford) até as sensações do momento (Daniel Craig e Paul Dano). Porém, apesar de tal listagem, Jon Fraveau não soube liderar seu filme mesmo tendo elementos favoráveis para isto. Sua direção errônea, assim, é compensada em uma bela fotografia de Matthew Libatique, nos mostrando maravilhosas paisagens do deserto em conjunto com os amplos efeitos especiais.

É claro, têm lá seus erros grotescos, como na batalha final: é falado e demostrado que os aliens são seres quase indestrutíveis, mas logo após é possível ver um pequeno garoto matando a criatura apenas com uma facada. Além disto, em muitas partes os personagens agem tranquilamente, o que é estranho para pessoas do século XIX que estão enfrentando alienígenas com armas tecnológicas e com super-naves rápidas, parecendo até que enfrentam um singelo grupo de ladrões.

A conclusão de tudo é que Cowboys & Aliens não aproveitou tudo que possuía em seu favor e, mesmo com um orçamento de tamanho considerável e um roteiro falho escrito por seis pessoas, continha corpulentos nomes do Cinema Hollywoodiano. Provavelmente, o filme também não agradará os grandes fãs de western devido à mistura de dois gêneros completamente diferentes.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME: 


ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES. 

17 de dezembro de 2011

Crítica: Preso na Escuridão


BLINDMAN

(PRESO NA ESCURIDÃO)

Direção: Ferdinando Baldi

Roteiro: Pier Giovanni Anchisi, Tony Anthony e Vincenzo Cerami

Produção: Tony Anthony, Allen Klein e Saul Swimmer

Ano: 1971

Elenco: Tony Anthony, Lloyd Battista, Ringo Starr...

Duração: 105 minutos

Inusitada obra do western spaghetti conta, além da construção mais realista possível de um pistoleiro cego, com a presença do eterno beatle Ringo Starr.

Análise: Exatamente um ano após o fim da revolucionária e aclamada banda de rock britânica The Beatles, cada um de seus integrantes seguiu um rumo próprio: enquanto John Lennon, Paul McCartney e George Harrison acataram para suas respectivas carreiras-solo na música, o baterista do grupo – Richard Starkey, peculiarmente nomeado de Ringo Starr – migrou para mais de um polo artístico: o cinema. Além de prestar suas atuações nos três filmes realizados com os antigos parceiros de fanfarra (A Hard Day’s Night, Help! e Reflections On Love), Ringo interpretou mais quatro personagens – alternando entre a televisão e as telonas – até abordar o incomum faroeste italiano de nome Blindman (literalmente, “homem cego”), pelo ano de 1971.

Portanto, aprovando a ideia proposta pela sétima-arte, de lá para cá, já foram quase 30 contribuições de Ringo Starr como ator, sem esquecer também seus trabalhos como compositor, diretor, escritor, produtor e até mesmo, editor!


Não ter olhos significa ser um homem pela metade. Não ter olhos nem dinheiro... É uma merda!

Os créditos iniciais estão rolando, sobrepostos a uma paisagem desértica e um homem cavalgando com seu cavalo: até determinado ponto, Blindman não proporciona nada demais. Contudo, ainda não sabemos que tal personalidade é justamente o homem cego referido pelo título do filme, e só damos conta disto quando vemos que ele não possui total controle sob seu cavalo de manchas cinza, servindo aqui como uma espécie de “melhor amigo e eterno companheiro” ao lado do dono. Assim, logo quando se aporta na primeira cidade, ele conversa brevemente com Gambá (Renato Romano) sobre “as 50 mulheres que precisam ser levadas para o Texas”, descobrindo que o rumo tomado por elas foi o México – mais especificamente, as mãos de Domingo (Lloyd Battista).

Caminhando com uma placa indicando que não enxerga e guiado por uma baioneta fincada no cano de sua Winchester, o homem cego (Tony Anthony) utiliza-se da inteligência e da ironia para criar seu caráter. Portanto, a qualquer custo quer encontrar o tal de Domingo, e rapidamente se depara com seu irmão, Candy (Ringo Starr). Ao contrário dos outros membros da família, ele é apaixonado apenas por uma mocinha: seu nome é Pilar (Agneta Eckemyr) mas, apesar de tudo, ela não gosta de Candy. E, por ironia do destino ou não, diante da primeira aparição do personagem de Ringo, ele anuncia sua chegada tocando violão, um feito deveras sugestivo...

Enquanto isto, ao decorrer da trama, Pilar cria laços de amizade com Blindman e, juntamente com seu pai (Franz Treuberg), cria uma sociedade com o principal objetivo de ajudar o cego a avistar seu destino, pastoreando-o em situações de tamanha dificuldade; em circunstâncias parecidas, isto também ocorre no primeiro filme do faroeste europeu, Por um punhado de Dólares (Sergio Leone, 1964). E, muito mais adiante dele, outra obra de Leone que fora homenageada é Era uma vez no Oeste, de 1968: a cena da troca de prisioneiros se dá em uma estação de trem, a qual envolve sons naturais e um moinho idêntico ao da obra-prima do primeiro Sergio.


A direção de Blindman é assinada por mais um dos calejados cineastas italianos, também de renome no eurowestern: falo do experiente Ferdinando Baldi, conhecido sobretudo por prestar seu trabalho em Texas, addio (1967), Preparati la Bara! (1968) e Il Pistolero dell’Ave Maria (1969). Aqui, ele é prático e incessante com seus planos eficientes e sempre ao melhor cunho de Sam Peckinpah, experimentando a nudez e a violência aperfeiçoada, fora o acréscimo da tensão em determinados momentos por mérito da musicalidade.

A propósito, a banda sonora é de autoria do romano Stelvio Cipriani, realizando um trabalho vital para o filme. Suas composições, inclusive, até se assemelham às do maestro Ennio Morricone, o pioneiro na arte musical do faroeste italiano. Assim, uma de suas principais virtudes é a alternância de melodias através do ambiente vivido pelo protagonista cego e sem nome; por exemplo, em sua primeira viagem ao México, os temas musicais tornam-se agitados e bastante dinâmicos, com ritmos que recordam as principais características do país. E, além do próprio Blindman, Cipriani também foi de grande realce para a continuação da Trilogia do Estranho entre o ator Tony Anthony e o diretor Luigi Vanzi, responsabilizando-se pela assinatura dos últimos dois filmes: Um Homem, um Cavalo e uma Pistola, de 1967 e O Estranho no Japão, de 1968.

Muitas vezes criticado por ser um ator de poucas expressões em seus trabalhos, esta vez Tony Anthony não repete as doses passadas, construindo um personagem de bom proveito e que se qualifica por despertar a atenção e acolher – da forma mais calorosa possível – os espectadores para sua aventura às cegas. Ah, sem expor ainda o fato de o artista americano estar diretamente ligado ao processo de produção, tanto na criação da estória e na escrita do roteiro (ao lado de Piero Anchisi e Vincenzo Cerami) quanto na própria produção, junto com Allen Klein e Saul Swimmer – ambos camaradas de longa data da banda The Beatles, assim sendo de grande autoridade para a participação do baterista Ringo Starr no projeto.

Aliás, o roteiro não deixade lograr êxito dentro de todo o contexto do filme, direcionando claramente para os espectadores uma visão mais avantajada sobre a construção do personagem de Anthony e de todos os outros, caracterizando-os da forma mais verídica e autêntica possível, sem exagerar muito nos devaneios fantásticos de alguém cego no faroeste – o que normalmente se contraria em outras projeções do gênero. Enfim, diálogos ressaltantes e situações fora do comum acrescentam um toque a mais para deixar não só o filme, mas também o roteiro, com algo mais valioso e especial.


Uma canja para os curiosos: confira Ringo Starr encarnando Candy, seu personagem em Blindman.

Entulhado de muitas explosões e de minúcias que podem passar por despercebidas, Blindman acrescenta sua qualidade com a presença do eterno beatle Ringo Starr, afora seus momentos engraçados e de apelo às gags. Já em relação à direção do sanguinolento Ferdinando Baldi, apenas há a intensificação da violência no decadente gênero do western spaghetti, referenciando em maior tamanho o subversivo Meu Ódio será sua Herança (Sam Peckinpah, 1969), em que o sangue jorrando por entre as fossas causadas pelas balas se torna cada vez mais constante. Portanto, a selvageria em conjunto com a nudez das mulheres europeias só fez com que aumentasse o impacto e a censura do filme! 

E, com tanta violência rolando a solta, será que a cegueira de Blindman justifica o ato de ele atirar pelas costas de seus inimigos?

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:


ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

14 de dezembro de 2011

Crítica: Jesse James – Lenda de Uma Era sem Lei

JESSE JAMES

(JESSE JAMES – LENDA DE UMA ERA SEM LEI)

Direção: Henry King

Roteiro: Nunnally Johnson

Produção: Darryl F. Zanuck

Ano: 1939

Elenco: Tyrone Power, Henry Fonda, Nancy Kelly...

Duração: 106 minutos

A primeira das projeções revelando o desenvolvimento do pistoleiro mais conhecido do velho-oeste, Jesse Woodson James.

Análise: Jesse James – Lenda de uma Era sem Lei é um western norte-americano do ano de 1939, com a participação de Henry King na direção e um roteiro de Nunnally Johnson, levemente baseado na incrível lenda de um dos maiores pistoleiros do velho-oeste estadunidense: o fora-da-lei Jesse James.

Entretanto, apesar de representar todos os familiares e pessoas que cercaram a vida de Jesse, o filme muda vários fatos de sua história. Além disto, o projeto possui uma continuação: O Retorno de Frank James (Fritz Lang, 1940), o qual por vez dá mais espaço à vida de Frank, demonstrando o que ele fez após a morte de seu irmão, Jesse.

Além do progresso que vivia os Estados Unidos da América, a película também projeta o avanço de Jesse Woodson James (Tyrone Power) e Frank James (Henry Fonda) para o mundo dos facínoras; ou seja, à medida que seu país se desenvolvia, os simples agricultores também transformavam suas vidas.

Imediatamente em sua abertura, é possível visualizar a vontade e o poder dos ferroviários: eles compram terras para construírem suas ferrovias, porém com preços absurdamente baixos, não dando outras opções para os proprietários, fazendo-os vender de qualquer jeito. Mas, ao tentarem adquirir as terras da mãe dos irmãos James, eles não obtêm sucesso, justamente por conta do uso da violência que Jesse e Frank aplicam contra os ferroviários. A partir daí é criada, então, uma arrebatadora rixa entre Jesse e a ferrovia.

Posteriormente, temos a fuga de Jesse e a criação de sua gangue, com a qual se torna o pistoleiro mais procurado e temido do oeste. No encerramento, o assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford comove os espectadores, sobretudo pela causa de eles já terem criado certa afeição pelo fora-da-lei.

Fora as situações de aventura, é claro, também há o exímio humor dos filmes norte-americanos: podemos vê-lo, principalmente, nas cenas onde aparece o Major Rufus Cobb (interpretado por Henry Hull). Além da comicidade, a presença do romance é igualmente mais do que certa: Jesse James acaba se casando com Zerelda ‘Zee’ Cobb (Nancy Kelly) e, mesmo depois de se separarem, é possível ver que os dois eram verdadeiramente apaixonados.

Estimulado por um elenco de nomes clássicos na sétima-arte (Tyrone Power, Henry Fonda, Randolph Scott, John Carradine...), Jesse James – Lenda de uma Era sem Lei se torna um apreciável filme, com uma eficiente direção de Henry King, a qual se encaixa perfeitamente na história.

Contudo, apesar de seus fatos favoráveis, o filme também acabou se metendo em uma grande polêmica por conta de uma cena em que um cavalo cedeu de um penhasco e caiu diretamente em um rio, matando o animal. Pelo desastroso acontecimento, iniciou-se a prevenção de maus tratos em animais durante os filmes.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.