6 de outubro de 2012
Crítica | Cem Mil Dólares para Ringo
16 de setembro de 2012
Crítica | Sangue em Sonora

THE APPALOOSA
(SANGUE EM SONORA)
Direção: Sidney J. Furie
Roteiro: James Bridges e Roland Kibbee
Elenco: Marlon Brando, Anjanette Comer, John Saxon...
Ano: 1966
Duração: 98 minutos
De clima morno, diretor canadense arranca boas atuações de sua dupla.
Análise: Sangue em Sonora (ou The Appaloosa, no original) é um filme concluído pelo realizador Sidney J. Furie, de berço no Canadá. Apesar dos nomes semelhantes, tal fita não possui qualquer relação com Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei (Ed Harris, 2008), e ambos os títulos provém da raça de um cavalo, sendo de um semblante bastante importante no desenrolar do roteiro do longa de 66.

A trama, aproximando-se de seu ponto ideal, o faz assim que Matt Fletcher (Marlon Brando) volta para uma cidade na fronteira do México, no intuito de montar um rancho com sua família-amiga; contudo, seu belo e caro cavalo appaloosa é roubado por um temido bandido mexicano, Chuy Medina (John Saxon). Matt decide recuperá-lo, não apenas pelo sentimento de tê-lo de volta, em mãos, mas também para retribuir o carinho de seu pai adotivo – este que sempre tentou transformar o filho em uma pessoa melhor – ganhando dinheiro ou então construindo um rancho com o irmão caçula, Paco (Rafael Campos).
Pois aconteceu que, após se enfiar em muitos problemas na cidade de Cocatlán, Matt confronta-se com Chuy, já no final, em um duelo estratégico.

A dupla de atores, Brando e Saxon, que fazem os papéis principais de Matt e Chuy, respectivamente, é um ponto fortíssimo e de muita influência no filme. O primeiro deles, o eterno Padrinho, passa por uma transformação logo na primeira metade da projeção: no início, seu personagem está sujo como um porco e de barba grande, mas, sem demoras, reverte o quadro irregular. No caso de Saxon, seu vilão está muito bem construído como um típico malvado mexicano, tendo sido até indicado ao Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante.
Como a principal peça que encabeça os créditos, está Sidney J. Furie: o diretor faz um filme regular, com algumas referências religiosas que se manifestam por meio da enganação (a mulher de Chuy, por exemplo, que, dentro da própria igreja, tenta iludir Matt); sem contar, também, com o poderoso machismo da época, descarregado nas lentes pelas formas de como as mulheres eram tratadas, sem direito algum à liberdade.
MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.
8 de setembro de 2012
Crítica | Renegando meu Sangue

RUN OF THE ARROW
(RENEGANDO MEU SANGUE)
Escrito e dirigido por: Samuel Fuller
Elenco: Rod Steiger, Sarita Montiel, Ralph Meeker...
Ano: 1957
Duração: 86 minutos
Uma perfeita mescla entre os tons pastel do distúrbio de um derrotado e os vívidos do sangue derramado.
Análise: O que direi agora pode soar improvável, mas dificilmente uma tradução de título no Brasil foi tão boa quanto ao escrito original – ambas livres de qualquer semelhança – como a deste filme. Partindo deste princípio, pode-se até absorver mais da essência cinematográfica na versão nacional do nome do que naquela escolhida pelo próprio diretor, roteirista e produtor do agonizante e filosófico, Renegando meu Sangue (ou Corrida da Flecha, como seria a tradução padrão): o centenário recém-completo, porém já de botas batidas, Samuel Michael Fuller.
Corpos estirados no chão poeirento e duro, o sangue companheiro vazando ao redor e uma última alma ambulando por ali acompanham a legenda de que este é o último dia da Guerra de Secessão; então se ouve um estampido interrompendo tudo para revelar a presença de mais alguém, mandando aquela suposta “última alma” ao reino dos mesmos que lá estavam. Em um campo aberto, o assassino marcha até sua vítima, os dois a sós; é a solidão do conflito, o vazio e a necessidade do fumo, pelas vistas do diretor. Aquela foi a última bala disparada na guerra, segundo muitos.
“Sou um antigo soldado rebelde,
Isso é o que sou,
E esta nação ianque não me importa em nada.
Eu não gosto da bandeira estrelada,
Está manchada com o sangue do Sul.
Odeio os ianques envenenados,
E os combati com tudo o que pude,
Odeio a nação ianque, e o uniforme azul.”
É ácida assim que a fita dá seu pontapé inicial, a todo vapor. E desencadeia logo de cara, por conta de sua montagem bastante orgânica e despreocupada, alguns personagens históricos (o confederado Robert Lee e o nortista Ulysses Grant são dois deles) que de pouco têm para o futuro do roteiro. Todavia, tais buracos são tapados através da inserção de assuntos proeminentes, que vão desde religião, passam por filosofia e chegam às alusões e desavenças de alto teor crítico.
O protagonista é o assassino de parágrafos acima, de nome O’Meara, pele clara e sulista, interpretado por um amargurado e profundo Rod Steiger. Seu espírito, de acordo com as características aqui expostas, retrata-o como um perdedor da guerra, a qual acabara no instante de seu disparo, e, por conseguinte, não aceita a vitória dos “azuis” – em certa passagem, prefere até mesmo seu enforcamento a reconhecer tal fato. É por tais motivos que empreende sua fuga ao Oeste, imediatamente, pondo-se à procura de uma aceitável origem para se apoiar.
O resultado vem com o encontro, por acaso, da sioux Mocassím Amarelo (Sara Montiel). Mediante a aceitação do chefe da tribo, Blue Buffalo (Charles Bronson, irreconhecível), O’Meara tenta se converter em um índio selvagem e vitorioso para renunciar de vez à sua pele caucasiana e desgastada. E, o que parecia ser o último dia da Guerra Civil, ironicamente, apenas acaba despertando o início de outra batalha...
“Temos o mesmo Deus, mas com diferentes nomes.”

Na cadeira de diretor, Samuel Fuller é franco e garante seu status de “poeta visual”, tirando de atores (a grande maioria desconhecida) a máxima carga dramática que conseguem; também é responsável pela exploração de uma violência estética de qualidade, num período que pouco se fazia a respeito. Além disto, em suas mãos de escritor, ele retrata um Oeste de gerações renegadas, que se dão por derrotadas sem nem mesmo reconhecer o berço do qual vieram, contestando identidades e ajustes significativos para o povo norte-americano – é o que denominamos de “toque na ferida”.
Para compor o fundo musical da película, Fuller contou com a ajuda de Victor Young, sempre arranjando faixas profundas que confabulem com os personagens. E como o filme já levanta um pano-de-fundo com demandas oriundas do patriotismo, nada melhor que um pesado tema baseado na canção tipicamente americana, Shall We Gather at the River.
Na fotografia, quem se une à equipe é Joseph Biroc. O peso de um dos mais versáteis diretores de fotografia da sétima-arte é elemento fundamental para o andamento das cenas mais ousadas, como as da “Corrida da Flecha” – quase sempre com planos gerais, os quais revelam o ambiente ao redor e apenas dão referências de personagens por pontinhos minúsculos na tela. Inclusive, poucos de seus planos flagravam closes dos atores ou detalhes de objetos; nas únicas vezes que o fez, foi com tamanha objetividade, sobretudo por tentar testemunhar o sofrimento ou chamar a atenção para determinado alvo.

Renegando meu Sangue é um faroeste de súplicas subversivas, de solidão, de metáforas perigosas (os abutres retratando a morte, vendo de tudo lá no céu, e sempre acompanhando O’Meara), e é atemporal, o que talvez se dê mais importante ao filme. Tal fato de poder ser assistido em qualquer época (pois em qualquer uma delas haverá os mesmos problemas expostos) já assegura pontos elevados a Samuel Fuller, que alcança o topo da atemporalidade na fala de Coiote Andante (Jay C. Flippen): “No meu tempo, tinham respeito pelos mais velhos. Não sei aonde vai o mundo na atualidade. Estes jovens agindo como selvagens...”.
O mesmo sioux, apesar do pouquíssimo tempo em tela, é um dos que mais ensinam no decorrer da projeção e, a partir dele, acontecem as melhores cenas. Nesta mesma categoria, ainda está a passagem na qual O’Meara ganha de um índio calado e novato um presente e, como manda o ritual daquela tribo, ele deve retribuir; portanto, regala-o com uma gaita, que faz sair da boca do garoto o primeiro som. Além de significante, pode ter sido uma das inspirações para Sergio Leone moldar seu eterno Harmonica (Bronson) no épico Era uma vez no Oeste (1968).
E, ao fechar das cortinas, Fuller deixa em aberto ao público a decisão pelo destino ainda incógnita, comunicando-se diretamente com cada espectador, seja ele branco ou índio, cristão ou judeu, tanto faz...
“O fim desta história só pode ser escrito por você!”.
MINHA NOTA:
POR BRUNO BARRENHA.
23 de agosto de 2012
Crítica | Sartana Chegou Para Matar

IL WEST TI VA STRETTO, AMICO... È ARRIVATO ALLELUJA
(SARTANA CHEGOU PARA MATAR)
Direção: Giuliano Carnimeo
Roteiro: Giovanni Simonelli, Tito Carpi e Ingo Hermes
Elenco: George Hilton, Lincoln Tate, Agata Flori...
Ano: 1972
Duração: 88 minutos
Ação e comédia dão a devida notabilidade para Allelujah escrever sua história no spaghetti.
Análise: O movimento cômico presente no eurowestern é bastante conhecido por terras brasileiras, tendo no personagem de Trinity (Terence Hill) seu melhor representante no país. Depois dele, foi só correr para as inúmeras salas e assistir às películas do mesmo estilo. Assim seguindo na mesma vertente, Sartana Chegou para Matar é um western com traços de comédia, dirigido por Giuliano Carnimeo. O título foi erroneamente traduzido no Brasil, já que, na verdade, o filme não faz parte da série Sartana, mas sim é o segundo daqueles estrelados por Allelujah (chamemos pelo nome correto, portanto).

O General Ramirez (Roberto Camardiel) é líder da Revolução Mexicana e precisa recuperar uma estatueta asteca para ter o apoio dos índios, fazendo com que ele pregue um acordo com Sartana/Allelujah (George Hilton), um temido pistoleiro. Porém, o seu serviço não será assim tão fácil, pois existe uma mística no interior do objeto procurado: ele atrai pessoas que estão interessadas somente em seu valor capital – como é o caso de Allelujah, que o procura justamente pelo dinheiro.
E, diferenciando-se dos outros anti-heróis solitários do gênero, o caçador-de-recompensas receberá a ajuda de mais alguns amigos: o escocês Archie (Lincoln Tate) e uma antiga companheira do mesmo, Fleurette (Agata Flori).

Allelujah se demonstra um pistoleiro enigmático, que confunde a cabeça dos inimigos (do mesmo modo que os astecas), portando não só boas estratégias, mas também um grande arsenal de armas, sejam elas comuns ou bem raras (vide o lança-granadas ou a gaita-de-foles adaptada com pimenta para atordoar os inimigos). Além disso, ele é retratado como um exímio conhecedor de novas tecnologias, como quando escreve um contrato numa máquina-de-escrever junto ao General Ramirez.
O diretor italiano Giuliano Carnimeo faz um bom trabalho em sua posição, com alguns planos-sequências bem costurados. A condução do elenco também se dá convincente, com destaque para o ator uruguaio, George Hilton. Além disso, o realizador aposta em algumas câmeras rápidas, para que o movimento dos personagens ficassem mais velozes do que o comum e as gags se tornassem constantes – técnica muito conhecida e aproveitada em filmes de Charles Chaplin e, depois, reposta em Trinity. Ao seu fim, há espaço até para homenagear alguns esportes e usando-os como armas: o golfe para acertar o adversário na cabeça, com um taco e a típica bolinha, e o salto-com-vara para saltar o muro de um forte.
Sartana Chegou Para Matar apresenta grande nível de humor pastelão, dando para se perceber desde o início quando o exército realiza as ações solicitadas até mesmo quando os soldados estão com vontade de urinar. Afora isto, a maneira como o pistoleiro derrota seus inimigos também agrega uma pitada de “gracinhas”. O espírito divertido, como se já não bastasse, está presente na construção de alguns personagens, como o escocês que apenas se utiliza de roupas típicas de seu país e é constantemente zoado pelo inimigo, por se parecer com uma figura feminina.
MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.
16 de agosto de 2012
Crítica | Sete Dólares para Matar

7 DOLLARI SUL ROSSO
(SETE DÓLARES PARA MATAR)
Direção: Alberto Cardone
Roteiro: Arnaldo Francolini, Juan Cobos e Melchiade Coletti
Elenco: Anthony Steffen, Elisa Montés, Fernando Sancho...
Ano: 1966
Duração: 94 minutos
Ítalo-brasileiro é a estrela deste faroeste de erros, porém que vale a pena pela batalha entre pai e filho.
Análise: Sete Dólares para Matar é mais um destes moribundos bang-bangs à italiana, dirigido por Alberto Cardone e com Anthony Steffen (ou Antonio Luiz de Teffè) comandando toda a trupe do elenco, no qual ainda consta o hábil e sempre carismático Fernando Sancho, tipicamente como o é em seus outros papéis no gênero. Também é desenvolvida uma ótima trilha sonora, de Francesco de Masi, tanto que algumas de suas faixas foram “roubadas” para fazer parte do jogo Red Dead Revolver.

Durante a ausência de John Ashley (Anthony Steffen), um bando de pistoleiros liderados por Jack Wilson (Fernando Sancho) invade seu rancho, matam a sua esposa e sequestram o seu pequeno filho, Jerry (quando pequeno interpretado por David Mancori), com cerca de cinco anos e desde então criado por Jack. Quando John volta para casa, decide ir atrás de vingança e recuperar o descendente capturado.
Entretanto, cerca de 20 anos se passaram e Jerry (agora por Roberto Miali) já é um grande homem e um frio pistoleiro, crendo que Jack é seu verdadeiro pai; e é assim que o grande clímax está por vir, quando John finalmente encontra Jack, e este tem seu triste fim. Porém, não termina por aí: Jerry quer vingança de seu verdadeiro pai e o resultado é o confronto entre eles em um ambiente chuvoso e, além de tudo, carregado de uma tensão impressionante.

John Ashley se mostra um homem muito determinado, pois decide dedicar sua vida para conseguir achar o filho perdido. Seu erro, contudo, é que a vingança o deixa cego, fazendo-o cometer loucuras em busca de informações, a ponto de matar um trabalhador achando que é um bandido. Já Jerry era uma criança chorona, porém demonstra – através de sua ação, atirando com os dedos enquanto Jack devasta o rancho do pai, até sendo atingido psicologicamente por tal episódio – o que futuramente viria a ser: um assassino sem dó. E uma das cenas marcantes vem a ser, portanto, aquela na qual Ashley não acha o filho em casa, com um plano do cavalinho-de-madeira vazio.
Mesmo não tão acentuado em seus primeiros atos, o fim não deixa a desejar: é a melhor parte, passando de uma forma um tanto quanto rápida e possuindo dois duelos corpo-a-corpo. O primeiro é entre Jack e John, lutando em um celeiro, cada qual com um gancho. Já o segundo é entre Jack e Jerry, pai e filho em uma batalha mortal e tocante, com um sabendo da verdade e o outro não.
A conclusão que se pode tirar é a de que Sete Dólares para Matar têm vários fatores ruins, várias sequências com erros de continuação, personagens fora de enquadramento, uma mise-en-scène miserável, problemas no desenvolvimento do roteiro e também exacerbadas cenas de cavalgadas pelo deserto, que apenas servem para aumentar a duração da projeção. De qualquer maneira, vale a experiência em assisti-lo.
MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.
5 de agosto de 2012
Crítica | Django Vem Para Matar

SE SEI VIVO SPARA
(DJANGO VEM PARA MATAR)
Direção: Giulio Questi
Roteiro: Benedetto Benedetti, Franco Arcalli, Giulio Questi e María del Carmen Martínez Román
Elenco: Tomas Milian, Ray Lovelock, Piero Lulli...
Ano: 1967
Duração: 100 minutos
Cheio de bizarrices e sangue, eis um dos westerns mais violentos e polêmicos.
Análise: Considerado a primeira sequência de Django (Sergio Corbucci, 1966), embora não tenha nenhuma ligação com o personagem representado por Franco Nero no primeiro filme, Django Vem Para Matar é um western spaghetti dirigido pelo italiano Giulio Questi, tendo em seu papel principal o futuro ator de papéis cômicos, o cubano Tomas Milian.
É um trabalho deveras provocador, com muitas cenas fortes e várias fanfarrices, o que lhe garantiu o título de “um dos faroestes mais violentos”.
Apesar de não citado na projeção, o nome “Django” é substituído por “O Forasteiro”, apelido adotado pelo mestiço (Milian) que foi encontrado por dois índios, baleado, após ter sido traído pela parte americana da gangue que recusara repartir o ouro com sua parte, a mexicana. Então, ele corre em busca de vingança e chega a uma estranha cidade, onde a conquista após matar o líder cuja gangue conduz o local; entretanto, o mestiço ainda não acabou sua missão, pois ainda precisa recuperar o ouro em uma aventura bem brutal.
Ao decorrer da película, mostra-se como a sede humana pela riqueza é arrebatante, através de Bill Templer (Milo Quesada) negando que possuía ouro mesmo com a vida de seu filho, Evans (Ray Lovelock), em jogo. E, também, em uma cena cômica, na qual um homem é baleado com balas de ouro, o que já lhe garante uma morte mais satisfatória.

O estilo em que o filme foi montado, pelo editor Franco Arcalli, é bem alucinante, com cenas que provocam certo desconforto por meio de rápidos cortes de câmera. O diretor, por sua vez, faz um ótimo trabalho, usando e abusando dos closes, que são usados até nos animais que aparecem sendo torturados. A fotografia de Franco Delli Colli é própria para contrastar com o vibrante sangue vermelho, em maior tom nas cenas de cortes na pele humana.
O filme têm duas referências religiosas, ambas com o Forasteiro: uma logo no começo, em que ele ressuscita ao sair da cova, e outra na hora de sua tortura, na qual está apenas de tanga e em posição de quem será crucificado.

Polêmico devido à extrema violência contida em seus frames, abordagens sobre alguns assuntos abusados e muitas bizarrices, dentre os elementos mais esquisitos de Django Vem Para Matar encontra-se uma gangue de indivíduos que só se vestem de preto e, supostamente, são homossexuais, pois em uma cena há a sensação de que eles estupram o jovem Evans Templer, este que cometera suicídio no dia seguinte.
O racismo também ganha um espaço polpudo, quando os americanos se recusam a dividir o dinheiro com os mexicanos, os quais tiveram todo o trabalho, e quando os homens brancos escalpelam um índio, dizendo que seria pecado matá-lo de outra maneira. Já entre as muitas outras esquisitices, temos a cena de Mr. Sorrow (Roberto Camardiel) dando bebida alcoólica para uma arara.
MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.
28 de julho de 2012
Crítica | Winchester '73

WINCHESTER ’73
Direção: Anthony Mann
Roteiro: Borden Chase e Robert L. Richards
Elenco: James Stewart, Shelley Winter, Stephen McNally...
Ano: 1950
Duração: 92 minutos
Análise: Winchester ’73 é um filme norte-americano passado em tempos áureos do velho-oeste, dirigido pelo consagrado diretor Anthony Mann e sendo o primeiro dos outros sete trabalhos vindos diretamente da parceria com seu ator-fetiche, James Stewart. O rifle Winchester 1873, o qual dá título ao filme, é mostrado como a melhor e mais desejada arma do faroeste, o que gera desavenças entre as pessoas, estas que brigam somente por um causador de problemas – prova de que a projeção retrata muitos fatos históricos e verídicos.

Lin McAdam (Stewart) e Frankie Wilson (Millard Mitchell) viajam para Dodge City na tentativa de participarem do concurso de tiro, na comemoração do aniversário da cidade, e vencerem o prêmio: nada mais nada menos que um rifle Winchester 1873. A cidade tem como xerife Wyatt Earp (Will Geer), uma lenda do velho-oeste que, para manter o lugar em paz, proíbe o uso de armas. O fato até que funciona, pois Lin encontra Dutch Henry Brown (Horace Stephen McNally) no saloon, um grande desafeto do passado; e só não ocorre um duelo pelo fato de ambos estarem sem armas.
Logo mais haveria o campeonato, ganho por Lin após uma competição acirrada com seus adversários. Henry rouba o prêmio, e Lin vai atrás para recuperar a Winchester e, além do mais, se vingar do passado numa perseguição com muitos encontros e aventuras, nos quais a potente arma dada como recompensa do torneio será passada entre várias digitais.
(spoilers até o fim do parágrafo)
Ao final, é revelado que Lin McAdam e Henry Brown são irmãos, e que aprenderam a atirar com o pai, morto pelas costas por Henry. Desde então, Lin quer vingança e enfrenta o irmão, cujo verdadeiro nome é Matthew, numa batalha de rifle para conseguir também recuperar a Winchester. E é neste duelo, em um espaço rochoso e com Lin vencendo, que fica claro que quem vence a luta não é a arma, mas sim quem a usa.

O rifle Winchester ‘73 é uma poderosa arma com uma mira mais do que precisa, tanto que no filme recebe o apelido de “um em mil” e, na vida real, é conhecida como “a arma que conquistou o oeste”. Pelas mãos dos roteiristas, ele retratado quase como um personagem, até porque acompanhamos todo o caminho pelo qual a arma percorre, e, geralmente, por onde esta passa, a cobiça em tê-la, por parte dos pistoleiros e até dos índios, aumenta.
Durante o filme ficam explícitos alguns fatores históricos: o lendário Wyatt Earp como xerife de Dodge City e também a Conquista do Oeste, com os índios comprando armas-de-fogo de mestiços, enfrentando qualquer um que passasse pelo seu território e tentando combater a cavalaria americana.
Anthony Mann faz uma ótima mistura envolvendo o preto e o branco, com grandes conexões ao cenário devido ao proveito das paisagens e suas respectivas curvas formosas, sobretudo no arco final, quando um monte rochoso é decisivo por meio de sua “singela participação”, criando esconderijos e muitas possibilidades para Lin e Henry.
MINHA NOTA:
POR THIERRY VASQUES.
19 de julho de 2012
Crítica | O Último Pistoleiro

THE SHOOTIST
(O ÚLTIMO PISTOLEIRO)
Direção: Don Siegel
Roteiro: Scott Hale e Miles Hood Swarthout
Elenco: John Wayne, Lauren Bacall, Ron Howard...
Ano: 1976
Duração: 100 minutos
John Wayne dá adeus ao cinema em uma ode ao gênero que o relevou.
Análise: O Último Pistoleiro não é só um ótimo faroeste norte-americano, como também a triste despedida de um dos grandes ícones do gênero, John Wayne, que morreu em 1979 – três anos após a realização do projeto. A película serve para mostrar um fora-da-lei do oeste de forma diferenciada: um pistoleiro já velho e vivendo os seus derradeiros dias de vida, por estar com câncer – doença esta que, ironicamente, foi a responsável por definhar Wayne na vida real.
Adaptação do livro homônimo de 1975, escrito por Glendon Swarthout, o roteiro do filme é escrito justamente pelo filho deste em conjunto com um companheiro.

Repetindo a dose de O Homem que Matou o Facínora (John Ford, 1962), temos aqui um Wayne e Stewart bem mais idosos, porém não menos geniais.
O Último Pistoleiro inicia de forma emocionante, com um conjunto de imagens de antigos filmes de John Wayne, servindo como uma introdução ao passado de um famoso pistoleiro: John Bernard Books (Wayne) que, em 1901, vai para Carson City visitar o antigo amigo e médico E.W Hostetler (James Stewart), para confirmar as suspeitas de que estava com câncer. Hostetler confirma a doença “incurável” e, então, o pistoleiro aluga um quarto na pousada de Bond Rogers (Lauren Bacall) com o intuito de passar os últimos dias de vida tranquilamente; entretanto, sua presença vira notícia pela região e atraem interesseiros e inimigos, os quais J.B Books decide confrontar no dia de seu último aniversário, sabendo que aqueles seriam seus últimos tiros.
Tanto Wayne quanto Lauren Bacall interpretaram muito bem seus personagens, até por terem sofrido direta ou indiretamente com o câncer. Inicialmente, o papel principal ficaria com George C. Scott, mas este cedeu ao astro rei dos faroestes que pediu o papel e, mesmo com problemas de saúde, ganhou-o. Sua escolha foi um grande acerto da produção (liderada por William Self e M.J. Frankovich), pois consegue construir de forma real e emotiva o personagem, aproveitando a decadência de seu estado após o aparecimento de um câncer de pulmão em 1964. Algo semelhante aconteceu com Bacall, em 1957, quando perdeu o marido, Humphrey Bogart, devido à mesma doença, porém na garganta. Com a inteligência da produção, o contrato de tais personalidades ajuda na construção dos respectivos personagens.

O filme mostra pessoas insensíveis e que querem se aproveitar da fama das outras, as quais se aproximam do próprio juízo final. Exemplos de tal é o delegado Walter J. Thibido (Harry Morgan) que, ao saber que Books está perto da morte, ri por não precisar enfrentar o adversário; o repórter, Dan Dobkins (Rick Lenz), querendo fazer sucesso por escrever um livro narrando as aventuras de Books; o agente funerário Hezekiah Sweeney (John Carradine), que oferece um ótimo plano de embalsamento (e Books o rejeita) por saber que iriam expor seu corpo para visitas, em troca de dinheiro; o cabeleireiro, que parece bondoso ao cortar o cabelo de Books gratuitamente, mas logo depois recolhe-o todo para vende-lo; por fim, uma antiga amada de Books, Serepta (Sheree North), que queria se casar para ficar com os bens e também com o sobrenome do famoso pistoleiro, somente para fazer sucesso.
Já na parte final, Books pensa em uma forma mais honrosa de morrer, marcando um encontro com três antigos inimigos em um saloon e já prevendo o resultado final, pois carrega duas pistolas com seis balas cada – anteriormente, ele mostra que em casos normais deixa uma das câmaras do tambor do revolver sem bala para não atirar por acidente. Assim, ele mata todos os três, um de cada vez, mas fica claro que a doença está o afetando e que os tempos estão mudando, acabando por levar vários tiros, mas apenas morre quando leva um tiro do barman pelas costas. Gillom Rogers (Ron Howard), filho de Bond e grande admirador de Books, mata o responsável pela morte do ídolo e joga sua arma para longe, deixando claro sua vontade de não se envolver e nem seguir os mesmos passos foras-da-lei de Books.
O consagrado diretor Don Siegel faz de O Último Pistoleiro um ótimo faroeste, demonstrando os tempos finais de um pistoleiro e também as mudanças ocorridas em um país retratado por muitos trabalhos do gênero como “ausente de leis”, idealizando uma modernização em que os velhos caubóis não tinham mais espaço. Fora, ainda, sobre o perigo do câncer, doença sujeita a atacar qualquer pessoa, até mesmo um famoso e durão pistoleiro, forte como um touro e valente como John Wayne.
MINHA NOTA:
POR THIERRY VASQUES.




