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5 de novembro de 2011

Crítica: Três Enterros

THE THREE BURIALS OF MELQUIADES ESTRADA

(TRÊS ENTERROS)

Direção: Tommy Lee Jones

Roteiro: Guillermo Arriaga

Produção: Luc Besson, Michael Fitzgerald e Pierre-Ange Le Pogam

Ano: 2005

Elenco: Tommy Lee Jones, Barry Pepper, Dwight Yoakam…

Duração: 121 minutos

Estreia de Tommy Lee Jones atrás das câmeras manifesta-se em um faroeste crítico e genérico, com aspirações às obras de Sam Peckinpah.

Análise: Para um cineasta precariamente relacionado ao gênero do western em torno de sua arrojada carreira, iniciar como diretor através de um filme do gênero aparenta ser uma missão seriamente desfavorável. Mesmo assim, o carrancudo texano Tommy Lee Jones assume todo o governo de seu trabalho de estreia com tamanha segurança – seja a partir de seu notável porte de atuação ou então de sua efetiva e segura direção.

Sustentado por pilares de filmes difundidos como blockbusters e carregando uma estatueta por O Fugitivo, Lee Jones nunca havia dirigido nada para o cinema e nem sequer atuado em um faroeste – exceto por algumas poucas participações no seriado Os Pistoleiros do Oeste. Portanto, deduzimos que sua bagagem na “categoria cinematográfica peculiarmente norte-americana” era completamente vazia, tendo de redobrar o esforço para conseguir realizar um filme de prestígio.

A oportunidade era única, e Jones a abraçou: além de garantir sua hegemonia na sétima-arte, ele também foi o vencedor do Festival de Cannes na categoria de Melhor Ator.

A alcunha de “faroeste genérico” recebida por Três Enterros apenas comprova o fato de não sermos levados para a mesma época dos comuns filmes do gênero, nos quais soldados vestidos de azul batalhavam contra os cinzentos ou revolucionários mexicanos tentavam combater o governo de seu país. Com tantos tortuosos conflitos rodeando nosso cotidiano atual, filmar um projeto histórico como estes seria bobeira! É por tal motivo que temos nossa visão ocupada de críticas aos imigrantes mexicanos e ilegais nos Estados Unidos, justamente por ser um dos problemas mais vistos em telejornais e também uma das grandes inquietações na fronteira entre os territórios do roteirista Arriaga e do diretor Jones.

Narrada em três diferentes ações ao melhor estilo “não linear” de Quentin Tarantino, a trama gira em torno da forte amizade estabelecida entre o rancheiro Peter Perkins (Jones) e o vaqueiro mexicano Melquiades Estrada (Julio Cedillo), o qual trabalha ilegalmente no rancho do melhor amigo.

Apesar de estarmos perdidos no princípio de tudo, a hábil montagem de Roberto Silvi nos revela o caminho para seguir estrada e entender o que antes parecia incompreensível. Sendo assim, somos diretamente apresentados ao assassino de Melquiades: o policial de fronteira Mike Norton (Barry Pepper). Sua personalidade presenteia um formidável antagonista, aderindo hábitos de violência, desorientação e mais claramente, de anseio sexual. Mesmo tendo assassinado sem tal intenção, ele terá de pagar caro por isto, percorrendo milhas e milhas de pura aventura até o México, juntamente com o vingativo Perkins e com o cadáver de Melquiades.

A situação imprevisível de carregar o corpo de um defunto ao redor de um território bastante extenso logo nos remete a história vivida por Warren Oates em Tragam-me a Cabeça de Alfredo García, do “poeta da violência” Sam Peckinpah. A diferença, porém, é que um personagem apenas deseja o dinheiro, e o outro quer dar um leito de morte fiel ao companheiro – como foi prometido no decorrer de Três Enterros.

Dando continuidade às influências, ainda é possível perceber que o filme de Tommy Lee Jones também serviu como referência para algumas obras futuras, principalmente o “oscarizado” Onde os Fracos não têm vez, dos irmãos Coen. Além de a semelhança visual entre os dois trabalhos ser extremamente grande, o enredo de perseguição é análogo e a presença de Lee Jones é garantida em ambas as obras. Pois é, parece que ele realmente aderiu à ideia dos faroestes...

Mesmo com um elenco aguçado e com sede de atuação, o maior destaque de todo o trabalho – atrás de Jones, obviamente – é o mexicano Guillermo Arriaga: dono de um argumento completamente lúcido, ele até venceu o Festival de Cannes na categoria de Melhor Roteiro.

Abaixo da direção e do roteiro, temos a original e exemplar montagem, por parte do já citado Roberto Silvi. A fotografia magistral e de primeira linha por Chris Menges também vale o ingresso, apresentando imagens desérticas dos mais variados lugares do maravilhoso Texas. No grandioso e estrelar elenco se inclui desde a atual vencedora do Oscar na classe de Melhor Atriz Coadjuvante, Melissa Leo, até o mais desconhecido e não menos importante Julio Cedillo. Por último, a consistente porém fraca trilha sonora (vídeo abaixo) é do respeitável compositor ítalo-americano Marco Beltrami, conhecido por seu trabalho no faroeste de Os Indomáveis.

Apesar de soar como uma projeção um tanto quanto arrastada, a conjuntura de Três Enterros é obrigada a possuir tal conduta, visto que sua constituição vai desde um vulgar road movie até alguns componentes de crítica e humor negro.

De qualquer forma, demorado ou não, é importante salientar que o filme sempre se mantém no mesmo ritmo e, posterior à supremacia de Os Imperdoáveis nos últimos tempos de velho-oeste, a surpresa vinda por parte do agora diretor Tommy Lee Jones nos concede um dos melhores westerns modernos, podendo até mesmo ser considerado um prato abundante para os amantes do gênero, com um recheio de palpáveis referências e um gosto final mais do que plausível.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

29 de outubro de 2011

Crítica: Pistoleiros do Entardecer

RIDE THE HIGH COUNTRY
(PISTOLEIROS DO ENTARDECER)

Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: N.B. Stone Jr.
Produção: Richard E. Lyons
Ano: 1962
Elenco: Joel McCrea, Randolph Scott, Mariette Hartley...
Duração: 94 minutos

Segundo trabalho de Sam Peckinpah no gênero do western logo coloca o polêmico diretor no páreo entre as melhores visões do Oeste.

Análise: Durante a virada da década de 60, o cachaceiro cineasta estadunidense David Samuel Peckinpah – ou simplesmente Sam Peckinpah – polemizava com seu melhor e mais famoso filme na carreira: Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch, 1969). Entretanto, para um dos mais aclamados diretores da onda cinematográfica chamada Nova Hollywood, tudo começou a oito anos desta data: o “poeta da violência” estreava na sétima-arte com seu faroeste intitulado Parceiros da Morte (The Deadly Companions, 1961), o qual estrelava a magnífica atriz Maureen O’Hara. Após tal trabalho e algumas participações discretas em séries televisivas, enfim Peckinpah mergulhou de cabeça no cinema e criou grandes obras-primas, justamente como Pistoleiros do Entardecer, filme derradeiro na polêmica carreira do cineasta.

Como observado no trailer acima, não só o princípio de Peckinpah no cinema é belo, mas também o princípio deste seu filme: maravilhosas imagens da Floresta Nacional de Inyo, nos Estados Unidos, servem como pano de fundo para os créditos iniciais e para praticamente a projeção toda; poucas das cenas são passadas no interior de cidades típicas do velho-oeste... Sendo assim, o principal responsável por tudo é o diretor de fotografia Lucien Ballard, conhecido justamente por seus inúmeros trabalhos com Sam. E, ainda mais por seu trabalho aqui, o filme foi considerado “culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo” e então selecionado para preservação pelo National Film Registry.

Já mediando a trilha sonora de George Bassman, escutamos algo lutuoso e que vai de encontro com o assunto tratado na película: o fim do ascético velho-oeste, a fase mais típica na história dos Estados Unidos da América. Ao lado de tal peculiaridade norte-americana, também se vão os heróis, aqui representados diretamente por Randolph Scott e Joel McCrea, antigos e deslembrados, mas consagrados atores do gênero western. Os seus personagens, inclusive, são como os próprios intérpretes: sem espaço no mundo da época, já que novas gerações vêm surgindo para lhes tomar o lugar.

Mas, acima de tudo, o filme em si já vale simplesmente pela direção de Peckinpah: quase todas as marcas registradas que o diretor traria em sua futura carreira estão presente em Pistoleiros do Entardecer, exceto as mais famosas câmeras lentas, que possivelmente ainda estariam em desenvolvimento. Para substituí-las, aqui temos presente imagens mais contemplativas – resultado da fotografia de Ballard. Os tiroteios até são possíveis de serem contados nos dedos, sobretudo porque o mais afiado acontece já nos momentos finais.
Aprofundando-se mais na história de Pistoleiros do Entardecer, o título do filme aqui no Brasil já diz tudo sobre ela: mesmo com uma idade bastante avançada, dois velhos amigos (Steve Judd e Gil Westrum, interpretados por Scott e McCrea, respectivamente) retornam ao mundo dos foras-da-lei para uma missão de busca e leva do ouro de um acampamento de mineiros para o banco da região. O fato da volta de ambos ao banditismo é um tema extremamente semelhante aos que Peckinpah trabalharia novamente em projetos posteriores, como Pat Garrett & Billy The Kid e mais claramente em Meu Ódio Será sua Herança.

Apesar de parecer simples detalhes que levariam a história para um rápido desfecho, muitos problemas acontecem em meio a tudo: o aparecimento da jovem de cabelos curtos Elsa (Mariette Hartley) causa uma intensa reviravolta em todo o grupo, visto que Heck Longtree (Ron Starr) – a nova geração dos pistoleiros – se apaixona por ela, a qual possui um relacionamento em aberto com o mineiro Billy Hammond (James Drury). Agora com maiores problemas, a trama não é mais a mesma sobre “buscar e levar o ouro para o banco”, mas sim enfrentar a família de Hammond e muitas outras complicações pelo caminho...

Realizado no mesmo ano de O Homem que Matou o Facínora (John Ford, 1962), este revisionista western de David Samuel Peckinpah apresenta um parecido nível de violência em relação a um dos maiores trabalho de Ford no gênero que o consagrou. Portanto, apesar de ser a fase mais americana do aclamado “poeta da violência”, já é possível concluir que este segundo faroeste do cineasta estadunidense é um puro filme com as suas subjetivas manchas de sangue e da impetuosidade!

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:
ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

26 de outubro de 2011

Notícias: Um pouco de tudo sobre Django Unchained

DJANGO UNCHAINED | Confira a lista dos atores que irão participar do primeiro western de Quentin Tarantino.

Por Bruno Barrenha


Na última postagem realizada a respeito do novo e primeiro filme de faroeste do cineasta norte-americano Quentin Tarantino (Kill Bill), informava-se a participação do vencedor do Oscar Kevin Costner (Dança com Lobos) como o braço direito de Leonardo DiCaprio (Ilha do Medo). Entretanto, o ator recusou o papel que, atualmente, está nas mãos de Kurt Russell, o qual já até trabalhou com Tarantino em seu penúltimo trabalho (Death Proof, 2007). Assim, ele interpretará o desumano treinador para lutas de escravos nomeado Ace Woody!

Além de Russell, também entrou para o elenco Tom Savini (Machete), velho amigo de Tarantino e Robert Rodriguez. Apesar de ser mais conhecido no meio cinematográfico como maquiador, ele representará Ellis Brittle, um dos irmãos da família Brittle e também dono de escravos na região.


O papel principal, do escravo Django, sofria de um dilema: enquanto Tarantino gostaria de ter Will Smith, ele acabou ficando com o comediante vencedor do Oscar Jamie Foxx (Ray). Já a protagonista da trama ficou por conta de Kerry Washington (Quarteto Fantástico), representando o papel da mulher de Django: a escrava Broomhilda.

Por último, ainda há rumores da participação de Joseph Gordon-Levitt.

Assim, fechando todo o elenco até agora, temos: Leonardo DiCaprio, Jamie Foxx, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz, Kerry Washington, Kurt Russell, Tom Savini, Treat Williams, Laura Cayouette, Dennis Christopher, Michael K. Williams, Don Johnson, Gerald McRaney, etc...

A trama segue a trajetória de Django (Foxx), um escravo liberto que busca vingança ao lado de um caçador-de-recompensas alemão (Waltz). O responsável por causar as maiores dores em Django é Calvin Candie (DiCaprio), inescrupuloso proprietário de uma fazenda de onde o escravo fugira. Ao lado de Candie, trabalham outros escravos (Jackson). Os irmãos Brittle foram os foras-da-lei que estupraram Broomhilda (Kerry Washington), e também o principal alvo de Waltz.

As filmagens acontecem no sul dos Estados Unidos, provavelmente na Louisiana. Enquanto a Weinstein Company distribui o filme no país onde ele se passa, a Sony Pictures vai fazê-lo para o resto do mundo.

Sem concorrência, Django Unchained estreará nas telonas no Natal de 2012.

15 de outubro de 2011

Crítica: Django

DJANGO

Direção: Sergio Corbucci

Roteiro: Bruno e Sergio Corbucci, José Gutierrez Maesso, Franco Rossetti e Piero Vivarelli

Produção: Manolo Bolognini e Sergio Corbucci

Ano: 1966

Elenco: Franco Nero, José Bódalo, Loredana Nusciak...

Duração: 87 minutos

Clássico dentro do submundo do western sustenta o gênero, mas também é responsável por apresentar grande superestimação de seu conteúdo!

Análise: Não há como negar que Django é um dos personagens mais marginalizados de toda a sétima-arte: foram cerca de 30 títulos com a alcunha do anti-herói vingador, sendo que 28 delas estiveram entre 1966 e 1987. Um grande número de filmes produzidos para um pequeno espaço de tempo! Dentre tais filmes na saga de Django, poucos obtiveram o sucesso esperado e um dos que conseguiram esta façanha foi justamente o “analisado” de hoje, no qual Franco Nero vive o papel responsável por lhe consagrar e estampar seu nome na história cinematográfica.

Partindo muito mais além, também é possível destacar a influência causada por Django em outros processos de produção: desde os atuais Sukiyaki Western Django e o ainda não lançado Django Unchained, o filme também colaborou – de forma negativa – para a criação da pornochanchada brasileira Um Pistoleiro Chamado Papaco, trabalho que tira todo o mérito do personagem criado pelo diretor Sergio e seu irmão roteirista, Bruno Corbucci.

Franco Nero na invenção de Django, seu maior personagem.

Um homem coberto por uma roupa preta e arrastando um caixão sob uma superfície lamacenta. Como assim? Não era para ser um western, senhor Corbucci? Espera aí... Mas isto é um western! Um dos maiores bang-bang à italiana, pra ser mais exato! Em Django também se apresenta o maior dom de Sergio Corbucci que é, inclusive, o de transformar o árido deserto de Almería em qualquer outra coisa que fosse, porém estaríamos cientes que ali estava sendo filmado um faroeste – e da melhor qualidade. O mesmo aconteceu em uma de suas maiores obras-primas: O Vingador Silencioso, de 1968, onde somos afetados visualmente por uma branquidão e alguns rastilhos no meio da neve, indicando serem os personagens. E, após esta breve introdução de Django e seu criador, o filme se inicia justamente como explicado acima; ao lado dele, a trajetória do anti-herói também se coloca nos radares dos mais diversos cineastas.

Além desta habilidade própria de Corbucci e sua equipe, outro dos mais importantes detalhes para compor um trabalho do cineasta é a fotografia: o responsável desta vez é Enzo Barboni, trabalhando em seu primeiro faroeste da maneira mais exata possível e deixando tudo às vistas do espectador. Assemelhando-se à fotografia, há a marcante trilha sonora do argentino Luis Enríquez Bacalov, posteriormente conhecido no mundo todo por seu trabalho como compositor de soundtracks para o gênero. Já no processo de roteirização de Django – apesar de um grande número de pessoas responsáveis por isto –, a escrita é um dos pontos mais fracos do filme, sobrecarregando todo o bando. Contudo, como o diretor, Corbucci desfruta de close-ups para estampar a imagem degradada de seu personagem, utilizando-se ainda da tensão em momentos necessários.

O que pouco se sabe a respeito de Django é a simplicidade na qual o projeto foi realizado; prova disto é a falta de sangue nas cenas onde mais precisariam do elemento. Depois disto, o famoso argumento chega a ser interessante e abissal, porém sem um processo criativo muito apurado: o anti-herói chega a uma aparente cidade-fantasma, envolvendo-se diretamente com os revolucionários mexicanos do General Hugo (José Bódalo) e com os intolerantes sulistas da Klu Klux Klan, comandados pelo Major Jackson (Eduardo Fajardo). Além disto, ainda sobra tempo para o despertar de uma paixão entre Django e a prostituta Maria (Loredana Nusciak).

A cena de abertura é impagável e difícil de ser esquecida, tornando-se o melhor instante do longa realizado com uma fonte escassa de dinheiro. É possível que a partir dela o filme ganhe mais emoção, criando inúmeras contradições em nossas cabeças: “Quem é ele? Onde está indo? Por que carrega um caixão? O que há dentro dele?”, etc... Apesar de tudo, elas nos são respondidas tão rapidamente que quase nem reparamos.

Primeiramente, Django não pode deixar de ser comparado ao anti-herói antecessor do spaghetti: o Homem Sem-Nome, de Sergio Leone. A maior ligação entre eles é o fato de que, em seus primeiros filmes, ambos chegam misteriosos e em busca de algum objetivo – seja o dinheiro ou a vingança – numa cidade envolvida por dois diferentes grupos que batalham entre si. Posteriormente, sabemos que tanto um quanto outro possui uma mistificação de caráter, sendo quase impossíveis de serem acertados em um eventual duelo. Mesmo com tais gotículas de plágio, Django se prevalece na arte de levantar mais perguntas mesmo sendo um sujeito calado. Entretanto, uma das partes mais esperadas do filme – a de revelar o que haveria dentro de seu caixão – é um tanto quanto sem graça e, pelo menos para minha pessoa, o resultado não surpreende; menos surpreendente ainda é o romance grotesco criado entre Django e Maria.

Por último e finalizando o filme, há o surpreendente e inesperado duelo no cemitério. Deixando a surpresa e a tensão de lado, vemos algo mal realizado, principalmente porque Django não era capaz nem de posicionar sua arma e muito menos de sair atirando como um doido, o que no fim acontece. Para tirar suas próprias provas, vejam o vídeo abaixo:

O impossível acontece: como alguém pode atirar tantas vezes e com tanta precisão sem conseguir sequer arrumar seu revólver momentos antes?

Sendo um dos filmes favoritos de Quentin Tarantino, estaria esperando uma completa obra-prima de Django. Infelizmente, tomou um gélido ar de superestimação em seu conteúdo, mesmo por ser um dos filmes que mais representam o gênero do western spaghetti, apresentando uma estupenda vingança, uma diabólica e sádica crueldade e, enfim, os sempre presentes símbolos religiosos. Olhando de muito distante e deixando passar suas muitas particularidades e falhas técnicas, o filme realmente merece ser redescoberto e ter atenção nos dias de hoje. Eu sei que muitos discordarão de minhas opiniões expostas aqui, mas o que ninguém pode negar é que o gênero do spaghetti está esculpido em Django assim como a técnica está em uma escultura de Michelangelo...

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

11 de outubro de 2011

Os spaghettis da minha vida | Bruno Barrenha @ Analisando o Oeste

OBS.: A postagem a seguir está originalmente no fantástico POR UM PUNHADO DE EUROS, dos gajos portugueses Emanuel Neto e Pedro Pereira. Façam uma visita por lá, forasteiros!

Os spaghettis da minha vida | Bruno Barrenha @ Analisando o Oeste

Já não é a primeira vez que contamos com um fã do western-spaghetti de tenra idade nesta rubrica. De facto é com um prazer especial que publicamos os dizeres dos novos fãs. E é sobretudo bom saber que apesar das overdoses de CGI que o cinema contemporâneo nos quer impingir, existem ainda aqueles que se encantam com as artimanhas da velha escola de cinema popular. Saibam que o Bruno, que hoje partilha connosco as suas preferências dentro do western-spaghetti mantém desde há um ano o blogue Analisando o Oeste, que como o nome diz, vai dissecando obras do chamado faroeste, sejam elas americanas ou europeias. Passem por lá!

Primeiramente, gostaria de mandar um extremo “muito obrigado!” aos gajos deste incrível blog pela atenção que vem dado a um garoto de 14 anos tentando entrar para um mundo de gigantes.

Pois é... Minha relação com o western iniciou-se em uma tarde de sábado: havia feito o download de "Butch Cassidy & Sundance Kid", o qual foi meu primeiro faroeste assistido. A partir dele, as portas do gênero se escancararam para mim... De súbito fui apresentado ao mestre italiano Sergio Leone e me apaixonei por seu cinema: desde Clint Eastwood até Ennio Morricone, desde o visual do velho-oeste europeu até o punhado de dólares.

Virei um fanático pelo velho-oeste e, acima de tudo, pelo cinema. Como consequência, criei meu blog (Analisando o Oeste) há um ano. Até hoje ele continua vivo e todas as semanas o abasteço em parceria com meu amigo Thierry Vasques, realizando críticas destinadas somente ao gênero do western, independente se ele é norte-americano ou spaghetti.

Só gostaria de acrescentar que ainda não vi muitos dos filmes desconhecidos dentro do gênero; por isso minha lista terá bastantes obras clássicas e, se pararmos para pensar, é um tanto quanto óbvia para qualquer cinéfilo que se interessa pelo faroeste italiano. Ainda assim, me faltam assistir alguns baita épicos, como "Preparati la bara!", "I giorni dell'ira" e alguns da série Sartana.

Por último, meu respeito ao faroeste vai além dos limites, já que foi através dele em que eu fui laçado pelas rédeas dos mais diversos cowboys e arrastado por seus cavalos até a maior das maiores recompensas possíveis: o reconhecimento.


Os 10 favoritos:

01 | Il buono, il brutto, il cattivo | Sergio Leone | 1966

É muito difícil – digamos que seja praticamente impossível - conversar com alguém que já tenha assistido a esta obra-prima e não tenha gostado. É o auge do western spaghetti, é aquele estilo de filme em que não queremos o seu fim, onde rezamos para que tenha alguma coisa a mais. As atuações são de tirar o fôlego de qualquer um, porém o que mais merece atenção é a trilha sonora: ela é uma das razões pelo qual o elejo como um dos melhores filmes da sétima-arte e, consequentemente, o meu predileto em todos os tempos.


02 | Giù la testa | Sergio Leone | 1971

Enquanto uns dizem ser o pior trabalho de Leone, meu carinho por este filme é inexplicável. A parte dramática é, sem dúvida alguma, uma revolução no gênero onde normalmente só se ouviam tiros. Ninguém imaginaria a comoção de um revolucionário no meio de uma sangrenta revolução. Tal motivo é então um dos principais para este filme assegurar seu segundo lugar na minha lista, sem contar ainda com outra belíssima trilha de Ennio Morricone.


03 | Il grande silenzio | Sergio Corbucci | 1968

Para o espectador que estava acostumado em ver o mar de cores áridas do deserto europeu, aqui o baque será grande: a imensa branquidão da neve, do gelo e do frio tomará conta da telona, sendo quase imperceptível a presença do personagem Silêncio (Jean-Louis Trintignant). A partir disto, novas fronteiras para o western spaghetti foram descobertas: a fotografia mais que inovadora, um vilão se dando bem no final das contas, um personagem principal mudo durante todo o filme... Todos os parâmetros milimetricamente perfeitos para um clássico do gênero!


04 | Keoma | Enzo G. Castellari | 1976

O triste adeus não oficial do western spaghetti se baseia neste maravilhoso trabalho do diretor Enzo G. Castellari. Com seu toque provido de muito talento, o filme até serve como uma espécie de homenagem ao gênero que durou somente 14 anos na teoria, mas que até hoje vive em nossas mentes e corações. Admirável pela penetrante e engenhosa trilha sonora dos irmãos De Angelis, a película ainda conta com a atuação magnífica de Franco Nero e com a mistura de perspectivas criadas por Castellari, apresentando os close-ups de Leone e as câmeras lentas de Peckinpah.


05 | La resa dei conti | Sergio Sollima | 1966

No mesmo ano de clássicos como "O Bom, O Mau e O Feio" e "Django", surge "O Dia da Desforra". É a revelação de mais um diretor com o nome Sergio dentro do western spaghetti: Leone já havia se idolatrado e Corbucci ia pela mesma rota, enquanto que Sollima também aparece para lhes fazer companhia. O trio é contemplado na produção de obras-primas e, como sua maior, Sollima adquire O Dia da Desforra, com Tomas Milian e Lee Van Cleef.


06 | C'era una volta il West | Sergio Leone | 1968

O maior western já realizado, tanto por parte do norte-americano quanto do próprio europeu. Mais uma vez a trilha de Morricone é de arrepiar os cabelos, juntamente com as atuações de gala por parte de todo o elenco. A lindeza de Claudia Cardinale faz tudo ficar mais alinhado, porém o detalhe que mais engrandece o trabalho é seu roteiro irreprochável, escrito pelo próprio Leone em parceria com seu xará Donati. Também há a presença do antes mocinho de olhos azuis, Henry Fonda, no papel de vilão. Apesar de tudo não é o meu filme predileto, mas com certeza é uma coisa de outro mundo...


07 | Lo voglio morto | Paolo Bianchini | 1968

Uma grata surpresa! Apesar de suas diversas falhas, é um dos trabalhos onde as características paisagens de Almería-Espanha estão mais explícitas. Ainda apresenta uma qualidade técnica invejável para as grandes produções do gênero.



08 | Per qualche dollaro in più | Sergio Leone | 1965

O encerramento deste filme é uma das cenas mais belas de todo o gênero, com o Coronel Mortimer (Lee Van Cleef) desaparecendo na bela paisagem do pôr-do-sol indo em direção ao nada. É um dos filmes que mais expõem os ideais do western spaghetti, com os olhares avassaladores nos close-ups de Leone, a trilha exaltada de Morricone e a dupla formada por Eastwood-Van Cleef arrematando qualquer comentário. Com todos estes aspectos, a metade da "Trilogia dos Dólares" refletiria no que viria ao seu final.


09 | Un dollaro tra i denti | Luigi Vanzi | 1967

É praticamente um musical dentro do velho-oeste, justamente pela trilha sonora estar presente em quase toda a obra, fortalecendo-a; poucos são os momentos onde ela não se encontra. Além disso, me faz recordar de grandes filmes nos quais o pistoleiro encontra – já nos momentos finais – seus adversários e os mata um por um, sendo que está sozinho.


10 | Per un pugno di dollari | Sergio Leone | 1964

Esse não poderia estar de fora: é o estopim do western spaghetti, apesar de ser uma cópia descarada de "Yojimbo". E, assim como foi o início para o gênero, também foi para mim pelo fato de ter se tornado o primeiro trabalho que assisti de Sergio Leone. Não é aquele tipo de coisa extremamente magnífica, mas podemos considera-lo como um ensaio para o que viria depois em toda a filmografia de Leone...


Joker: Comicidade de boa qualidade no velho-oeste!


Il mio nome ès Nessuno | Tonino Valerii | 1973

Como uma forma de descontrair a seriedade dos outros filmes de faroeste, o ex-assistente de Leone acerta ao realizar "Meu Nome é Ninguém", criando um daqueles filmes pastelões que conseguem nos sacar algumas risadas e nos apresentar uma história sem o mínimo de conteúdo clichê. Com dois atores completamente divergentes (Henry Fonda e Terence Hill) é formada uma lenda poética na história do western.


A evitar:
Desculpem, pois não achei mais do que... Superestimado!

Django | Sergio Corbucci | 1966

Talvez o título para este clássico não fosse “A EVITAR”, porém é um filme que não me agradou e então o coloquei aqui. O motivo para isto talvez seja a grande expectativa que criei sobre ele e, no geral, apenas o final acaba por surpreender. Apesar de tudo,"Django" é um dos maiores símbolos do western spaghetti, mas que, infelizmente, não me agradou!

8 de outubro de 2011

Crítica: Duelo de Gigantes

THE MISSOURI BREAKS

(DUELO DE GIGANTES)

Direção: Arthur Penn

Roteiro: Thomas McGuane

Produção: Elliott Kastner e Robert M. Sherman

Ano: 1976

Elenco: Jack Nicholson, Marlon Brando, Kathleen Lloyd...

Duração: 126 minutos

Você já foi capaz de imaginar um western com os maiores astros de Hollywood da década de 70? Ei-lo aqui...

Análise: Sem nenhuma sombra de dúvida, os anos 70 foram uma das maiores épocas de ouro para a indústria cinematográfica, alavancando sucessos que iam desde O Poderoso Chefão (Francis Ford Coppola, 1972) até Um Estranho no Ninho (Milos Forman, 1975). Além destes dois habituais exemplos, tal década ainda foi recheada de outros clássicos que marcaram a história da sétima-arte, como os últimos trabalhos do processo de devastação e despedida não oficial do western spaghetti, nos quais se inclui principalmente o excepcional Keoma (Enzo G. Castellari, 1976).

Entre os dois primeiros filmes citados acima, seus protagonistas (Marlon Brando e Jack Nicholson, respectivamente) eram duas das maiores estrelas de Hollywood e, curiosamente, venceram o Oscar por seus papéis. Posterior ao sucesso que tiveram em seus devidos projetos, ambos os atores estariam unidos pelas mãos do entusiasta diretor de faroestes Arthur Penn, em justamente um filme do gênero. O único problema de tudo foi que os atores deixaram-se levar pelo estrelismo e literalmente iniciaram um duelo de gigantes entre eles, deixando de gravar cenas que estariam juntos e nem fazendo qualquer tipo de contato durante as gravações. Fora isto, o choque de salários foi enorme, com um pedindo mais que o outro. Uma tradução de todo este alvoroço: o que era pra ser um enorme sucesso terminou em um fracasso!

Ao som da amargurada e relevante trilha sonora de John Williams, o filme começa de forma impecável.

Como o próprio título original do filme demonstra, a trama se passará na região do Rio Missouri, em Montana. Tom Logan (Nicholson) é o personagem central e também comandante de um bando que, de forma importuna, não conseguia realizar qualquer tipo de roubo (nem de bancos, nem de gados e nem de trens). Aliás, uma situação envolvendo um roubo de trem pela quadrilha de Logan é inesperadamente divertida: primeiro ele se passa por Jesse James, coisa que ninguém acredita; segundo que, ao sair do trem, ele está em um penhasco e todo o saco de dinheiro vai pelos ares.

Definitivamente sem sucesso em seus assaltos, a gangue aponta o furto de cavalos como nova solução para a busca da sorte! A presa escolhida é o rico possuidor de terras e gados David Braxton (John McLiam), pai de Jane Braxton (Kathleen Lloyd), a qual posteriormente passaria seu tempo enrabichando-se com Logan.

Mas então você deve se perguntar: em qual parte da história entra o eterno Don Corleone? Pois bem... Ao saber de que estaria sendo alvo de bandidos, Braxton contrata o regulador – uma espécie de aniquilador – de nome Robert E. Lee Clayton (até que enfim Brando). Seu papel é deveras imprevisto por todos, já que apresenta tons divertidos e delirantes, bem diferentes de seu mais marcante trabalho no cinema, pela série de O Poderoso Chefão.

Juntamente com o áspero espírito de Lee Clayton, também vem a atroz representação da violência pelas câmeras de Arthur Penn: desde a morte dos atores até as de animais. A principal delas está no fim e se torna apavorante até demais ao vermos – por um ângulo lateral – um indeterminado objeto pontiagudo de Clayton penetrar pelo olho de Calvin (Harry Dean Stanton). Apesar de tudo, esta é mais uma das características do diretor Arthur Penn, já experiente em faroestes e que anteriormente havia realizado Pequeno Grande Homem, com outro astro (Dustin Hoffmann). Mas, em Duelo de Gigantes, ele não consegue lidar com Brando e deixa o ator muito livre para fazer o que bem entende; para compensar, ele colhe boas atuações que não se esperariam do resto do elenco. Outro fato que inova o ar de sua direção é o conjunto formado com a atraente fotografia de Michael Butler, emaranhando planos abertos a contemplativas paisagens. Por último, a trilha sonora de John Williams, o mesmo compositor de Tubarão (Steven Spielberg, 1975): seu trabalho aqui é muito interessante, alternando a música de acordo com a situação apresentada na tela.

Como era de se esperar, um diálogo afiado e bem-sucedido entre os personagens Lee Clayton (Brando) e Tom Logan (Nicholson).

Mesmo possuindo em seu elenco e na direção nomes arrasadores da sétima-arte, o filme não agrega a alcunha de “obra-prima” que deveria e, mais além que isto, não passa de um resultado mediano. Até a parte final, o filme não possui o gás necessário para fazer efeito em seus espectadores, se estendendo e criando alguns soníferos. As gags talvez sejam o que nos mantenham acordado, porém em algumas partes não funcionam da maneira mais correta possível. Em último lugar e o que mais chama a atenção ao olhar para a ficha de Duelo de Gigantes: Jack Nicholson e Marlon Brando não repetem a dose de seus trabalhos que os consagraram como dois dos maiores atores de Hollywood, faltando inspiração e sem um resultado certo de quem realmente venceu... Por maior estrelismo, é claro!

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

7 de outubro de 2011

Vídeo e votação: O Bom, O Mau & O Sujo

Versão final e em HD de "O Bom, O Mau & O Sujo".

O Bom, O Mau & O Sujo foi um dos principais trabalhos já realizados pelo ANALISANDO O OESTE. Com a participação dos integrantes do blog Bruno Barrenha e Thierry Vasques, e também a de Camilo Bicudo (ex-integrante), o curta-metragem funciona como uma homenagem ao clássico do western spaghetti, dirigido por Sergio Leone: Três Homens em Conflito.

A parte técnica do filme - direção, roteiro, edição, trilha sonora e fotografia - é de autoria de Bruno Barrenha, o qual também atua como O Sujo ao lado de Camilo Bicudo (O Bom) e Thierry Vasques (O Mau).

Como era o objetivo durante a realização do filme, ele está concorrendo na III Edição do FIIK - Festival Internacional de Cinema Independente Kino-Olho 2011. Para que ele ganhe, é preciso votar! Ou seja, venho a vos pedir que votem e divulguem o vídeo e o festival, sendo bom tanto para nós quanto para os realizadores. Para que isto aconteça, basta entrar AQUI e preencher os dados pedidos (Nome completo + E-mail + Nome do filme).

Obrigado, forasteiros!

6 de outubro de 2011

3 de outubro de 2011

Notícias: Western representará a Argentina no Oscar

ABALLAY - O HOMEM SEM MEDO | Enquanto Tropa de Elite 2 é responsável por retratar o Brasil no Oscar, nossos hermanos são simbolizados em um faroeste tipicamente gaucho.

Por Bruno Barrenha

Aballay uma das mais arrebatadoras produções e surpresas argentinas do ano de 2011 estará representando o nosso país vizinho na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, durante a premiação máxima da sétima-arte: o ilustre Oscar, o qual acontecerá no dia 26 de fevereiro de 2012, no peculiar cenário da metrópole Hollywoodiana!

A película, do experiente diretor portenho Fernando Spiner, foi filmada nos arredores de Tucumán (noroeste da Argentina) e se tornou uma completa revolução na indústria do país, já que nunca se imaginaria produzir um longa de tal gênero onde a tradição dos cowboys é praticamente inexistente.

Apesar disto, não é exatamente sobre esta cultura com que o filme irá lidar: baseando-se na história criada por Antonio Di Benedetto, o roteiro foi escrito pelo trio Fernando Spiner-Valentín Javier Diment-Santiago Hadida e conta a história de Aballay (Pablo Cedrón), um violento criminoso que decapita um homem sob o olhar de seu filho e a partir disto sabe que sua vingança será feita em um futuro próximo.

Com direção de Fernando Spiner, atuações principais de Pablo Cedrón, Nazareno Casero e Claudio Rissi, fotografia de Claudio Beiza, trilha sonora de Gustavo Pomeranec e edição de Alejandro Parysow, o filme de nossos hermanos foi o grande vencedor do I Festival de Cinema Western de Almería, além de muitos outros prêmios em muitas outras competições cinematográficas pelo mundo afora.

A surpresa que se criou com a escolha de Aballay para o Oscar foi, principalmente, por ter vencido seu concorrente e a outra surpresa do cinema argentino neste ano: o trabalho de Um Conto Chinês, dirigido por Sebastián Borensztein e com atuação do astro Ricardo Darín.


Clique AQUI para conferir o site oficial da película Aballay, de Fernando Spiner.

29 de setembro de 2011

Crítica: Um dólar entre os dentes

UN DOLLARO TRA I DENTI

(UM DÓLAR ENTRE OS DENTES)

Direção: Luigi Vanzi

Roteiro: Giuseppe Magione e Warren Garfield

Produção: Massimo Gualdi, Allan Klein, Carlo e Roberto Infascelli

Ano: 1967

Elenco: Tony Anthony, Frank Wolff, Gia Sandri...

Duração: 86 minutos

Uma orquestra musical dentro do velho-oeste europeu.

Análise: O assunto “trilha sonora” sempre foi relacionado ao cinema. De fato... Por dentro de todo o contexto entendido como sétima-arte, ela é a principal responsável por sustentá-lo em seus mais fortes pilares e até funcionar como diferentes formas de narrativa. Embora as soundtracks sejam importantíssimas e quase mesmo indispensáveis em todo e qualquer gênero cinematográfico, existe um entre os muitos estilos em que seu uso é requerido: estou falando justamente do western... Nada como o bom e velho faroeste!

Desde os primordiais compositores da idade dourada estadunidense – como Victor Young (de Shane, 1953) e Elmer Bernstein (de Magnificent Seven, 1960) – até os mais inovadores do spaghetti – como Ennio Morricone (da Trilogia dos Dólares) e Luis Bacalov (de Django, 1966) – a aplicação das trilhas sonoras no western vem sofrendo com cada vez mais novidades: estalos de chicote, guitarras pungentes, uivos de lobos, gritos de índios, vocais em níveis de ópera, etc... Pois, em Um Dólar entre os Dentes, de Luigi Vanzi, é criada uma orquestra musical dentro do velho-oeste e assim conseguimos perceber toda esta “revolução sonora”, já que o filme estava no auge criativo do faroeste europeu, mesmo sendo um tanto quanto desconhecido pelos espectadores.

Como se já não tivesse se tornado um tremendo clichê dos spaghettis, novamente temos a presença do Homem Sem-Nome no papel principal: a única diferença deste personagem com o que consolidou a figura do herói no gênero é somente o ator, sendo que no caso temos um enigmático Tony Anthony e não um glorioso Clint Eastwood. Caso fosse apenas por este detalhe, o filme estaria livre de ser comparado com outros, porém não é o que acontece: a história segue uma linha completamente idêntica à de Por um Punhado de Dólares (Sergio Leone, 1964). Prova disso são os vários elementos que se coincidem entre os dois filmes, como a chegada do Estranho em uma cidadezinha, seu trabalho para os mexicanos de Aguilar (Frank Wolff), seu espancamento e fuga para um lugar abandonado e, enfim, sua vingança triunfante contra os bandoleiros. É então que, olhando mais de perto, tudo se assemelha ao primeiro clássico da vida de Leone e do western spaghetti...

Depois dos acontecimentos relatados acima, acredito que toda trama já fica subentendida. Apesar disto, ainda é possível fazer algumas objeções: o Estranho vai até o povoado comandado por Aguilar apenas para satisfazer-se roubando uma fortuna em ouro (sempre ele!) do exército norte-americano, em um trato juntamente com o mexicano. Com o sucesso de tal missão, Aguilar ligeiramente tira o Estranho da jogada, espancando-o de forma brutal; então, ele foge para uma zona afastada onde a maravilhosa sequência final estará sendo aguardada por todos que assistem à película. Nela, o Estranho elimina cada pessoa do bando mexicano de uma maneira diferente, assemelhando-se como o próprio Por um punhado de Dólares, o mais posterior O Cavaleiro Solitário (Clint Eastwood, 1985) e o clássico Matar ou Morrer (Fred Zinnemann, 1952).

E, após tudo o que já foi dito até então, nem é preciso comentar que o ápice do trabalho está centrado na trilha sonora, de autoria do subestimado Benedetto Ghiglia, o mesmo compositor do regular Adeus Gringo. Ao seu lado, a quadrilha de atores também se fortalece e ganha um espaço ao sol, sobretudo pelos aspectos dos personagens serem bem explorados; chega a ser possível até fazermos comparações que levam diretamente aos mais empolgantes papéis já protagonizados na sétima-arte. O responsável por esta exímia exploração é o diretor Luigi Vanzi que, mesmo sem tanta inspiração, consegue fazer um convincente trabalho atrás das câmeras e separar algum dos ingredientes para um apreciável bang-bang à italiana.

Cercado de referências inspiradoras e ainda apresentando uma trilha sonora indiscutível e sempre presente durante o filme, Um Dólar entre os Dentes chega a nos surpreender com a vingança da monumental cena final. Mesmo sem tanto sucesso comercial na época de seu lançamento, ainda foram realizadas mais duas sequências para ele, com o mesmo Luigi Vanzi na direção e o mesmo Tony Anthony no papel principal: Um homem, um cavalo e uma pistola (1967) e O Estranho no Japão (1968). Sendo também mais um entre os bons trabalhos obscuros dentro do faroeste, a ação de se realizar tal Trilogia do Estranho – se assim podemos dizer – é outra alusão a Sergio Leone e sua primeira trindade na história cinematográfica...

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.