17 de dezembro de 2011
Crítica: Preso na Escuridão
10 de dezembro de 2011
Crítica especial: Sergio Corbucci e "Il Mercenario"

IL MERCENARIO
(OS VIOLENTOS VÃO PARA O INFERNO)
Direção: Sergio Corbucci
Roteiro: Adriano Bolzoni, Luciano Vincenzoni, Sergio Corbucci e Sergio Spina
Produção: Alberto Grimaldi
Ano: 1968
Elenco: Franco Nero, Tony Musante, Jack Palance...
Duração: 110 minutos
Vindo da prateleira onde se situam os melhores filmes zapatistas, “Il Mercenario” mostra que continuará irretocável por todo o sempre.
Dia 06 de dezembro do longínquo ano de 1927, comuna de Roma, na Itália. Discorrendo assim, de maneira tão direta, parece que fomos levados a uma data e a um território completamente vagos; contudo, foi então que nasceu um dos mais importantes realizadores do cinema italiano e, mais especificamente, do gênero western spaghetti. Estou falando de nada mais nada menos do já falecido Sergio Corbucci, também conhecido pelo afetivo apelido de segundo Sergio, dado que o cineasta surgiu logo após o estrondoso sucesso do primeiro Sergio (o Leone) e apareceu antes do terceiro Sergio (o Sollima).
Sendo de tamanha importância para o faroeste em geral por trazer uma violência em maior quantidade, como forma de homenageá-lo, aqui vai a resenha de uma de suas maiores obras-primas: Il Mercenario, batizado de modo inconveniente no Brasil como Os Violentos vão para o Inferno.
Posterior ao sucesso de Três Homens em Conflito (Sergio Leone, 1966), a rede de influências para o eurowestern havia se voltado totalmente para o afamado diretor da Trilogia dos Dólares. No gênero, cada vez se produzia mais, porém sempre com menos orçamento, o que se traduzia em um resultado trágico. Era a grande tônica dos spaghettis!
O ex-assistente de Leone, Sergio Corbucci, já realizava filmes desde 1951, porém nenhum com estrondoso sucesso. O reconhecimento veio, de fato, com Django (1966), consagrando não só o diretor, mas também o ator de spaghettis, Franco Nero. Assim, dois anos depois de adquirir certa fama, Corbucci filmava com maior vivência seu primeiro zapata-western: Il Mercenario se reflete em uma ambiência da Revolução Mexicana, a qual acabaria por transformar um “ninguém” em um “mandachuva revolucionário”.
Então, pela grade de prestígio que cercava a obra-mestra de Leone citada anteriormente, o filme zapatista de Corbucci de prontidão começa com os créditos iniciais idênticos ao de Três Homens em Conflito: imagens são sobrepostas em cores fortes, como o verde ou o vermelho e as alcunhas de todos que participaram do filme rolam. Outro ponto em comum entre as películas é justamente a participação de personalidades como Luciano Vincenzoni no roteiro e Alberto Grimaldi na produção, ambos de renome na difusão do western spaghetti.
No entanto, apesar da influência acarretada pela obra de Leone, Corbucci também se sustenta em rudimentos comuns de sua própria filmografia: um dos pontos primordiais é quando algum dos personagens tem seu corpo enterrado no chão e apenas a cabeça deixada de fora, com o objetivo de que seja pisoteada pelos cavalos. Afora em Il Mercenario, tal evento também aparece em Compañeros (1970), o segundo filme de Corbucci ambientado na Revolução Mexicana e com os semelhantes conceitos de seu primeiro, até com os mesmos atores desenvolvendo papéis um tanto quanto equivalentes.

Mais vale ser um palhaço vivo do que um herói morto.
Da forma mais inusitada possível, os personagens vão ganhando espaço ao decorrer da projeção e se manifestando para o espectador de pouco a pouco: durante o estopim da Revolução Mexicana, o emigrante e mercenário polaco de nome Sergei Kowalski (Franco Nero) narra a história dos responsáveis por tomar conta de toda a trama do filme. Primeiramente, nos apresenta o compañero Paco Román (Tony Musante), uma espécie de “Robin Hood do México”, que antes era apenas um peão e líder revolucionário e seis meses depois se sustenta trabalhando como palhaço em uma arena de tourada; em segundo, avistamos a riqueza do inescrupuloso Curly (Jack Palance); em terceiro e último lugar, a beleza de Columba (Giovanna Ralli), uma nova revolucionária liberta por Paco e seu bando.
Dentre eles, tudo irá se entrelaçar, formando ciclos de vingança e de parcerias nem tão duradouras. O polaco, de pronto, aplica suas regras: só ajudará a revolução em prol do capital. O mexicano Paco, vendo que precisará de seu auxílio, oferece tudo do bom e do melhor. No fim, traição e reconciliação farão parte desta história marcante!

Pelo episódio em que era assistente (e aprendiz) de Sergio Leone, Corbucci demostra que realmente absorveu muito do precursor do western spaghetti: como a maioria sabe, um dos elementos mais visíveis na obra do primeiro Sergio é o intenso uso da religião e, aqui, o segundo Sergio abusa dela, principalmente quando mostra o bastardo Curly rezando ao matar alguém; além de tal elemento, os característicos close-ups se deleitam no grande ecrã, os planos em primeira pessoa causam maior tensão, as câmeras em movimento seguem os personagens de forma relevante e os constantes zooms sempre se mantém no ritmo. Tudo prenuncia que sua direção sempre adquire maior progresso!
Outro princípio imposto por Leone era sobre o fundamento dos sons naturais e da trilha sonora, ambos essenciais para narrar uma história. Pelo visto, foi aprendido corretamente por Corbucci: em Il Mercenario, estes são os grandes responsáveis por criar uma atmosfera de tensão, sobretudo por conta da dupla Ennio Morricone e Bruno Nicolai. Somente com a faixa principal, repleto de assobios e guitarras profundas, já sentimos na pele os conflitos pelos quais passarão os personagens; a aposta, também, é para uma pitada de toques mexicanos e embalados de alegria. Pelo poder da trilha sonora do filme, o tema do primoroso duelo foi aproveitado por Quentin Tarantino em seu Kill Bill.
As atuações, sustentadas basicamente pelos atores principais (Nero, Musante, Palance e Ralli), são competentes e, portanto, positivas. Os sotaques aderidos por Franco Nero (o polonês) e por Tony Musante (o mexicano) até chegam a ter um nível cômico, porém são falados da melhor maneira possível.
Por último – mas não menos importante – um roteiro de tirar o fôlego, escrito por um quarteto melhor ainda. As situações criadas por Bolzoni-Corbucci-Vincenzoni-Spina não são nada corriqueiras no gênero do western, e é por isto que merecem um maior destaque. Inclusive, onde já se viu ringues de tourada e palhaços dividindo uma mesma tela, em uma ambientação do velho-oeste?
Em 1968, com pouco mais de 40 anos e 30 filmes, Sergio Corbucci já concretizava para o mundo que sabia fazer cinema. Naquele mesmo ano, realizou duas de suas obras-primas: Il Mercenario e O Vingador Silencioso. E então, a pergunta que não quer calar “como dois filmes feitos no mesmo período de tempo possam ter saído tão divinais como estes trabalhos de Corbucci?”. Ninguém sabe a resposta; aliás, o único que realmente sabemos é que a qualidade de ambas as obras deve ser de muita apreciação. Fora isto, ainda é certo afirmar que aquela época não só foi dourada para o diretor italiano, mas também para o cinema global e, ainda mais, para o gênero do faroeste, que pôde contar com inúmeras invenções de calão “indispensável” na história cinematográfica: além dos trabalhos de Corbucci que já foram mencionados, também há a presença de Era uma vez no Oeste (Sergio Leone) e A Marca da Forca (primeiro projeto da Malpaso Company, dirigido por Ted Post e com atuação de Clint Eastwood).
Portanto, Il Mercenario – verdadeiramente sobrecarregado com muitas detonações de explosões e tiros, de humor negro e frases de efeito com caráter cínico – consegue com muita facilidade atrair para as telas os mais variados espectadores, assim como o diretor Sergio Corbucci consegue levar para uma arena de tourada personagens um tanto quanto incomuns no gênero do western: desde palhaços e toureiros até os já reconhecidos pistoleiros de poucas palavras e os ordinários homens de bom dinheiro.
Concluindo de uma maneira mais objetiva: é a genialidade de Corbucci colocada em prova, e acertando a maioria das questões depois de colecionar tantas obras-primas em seu invejável currículo!
MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.
3 de dezembro de 2011
Especial: "O Bom, O Mau & O Sujo" recebe seu primeiro prêmio.
Decorreu-se, na cidade interiorana de Rio Claro, a 3ª Edição do Festival Internacional de Cinema Independente Kino-Olho (FIIK), entre os dias 24 e 27 do mês de novembro.
Organizado pelo Grupo de Pesquisa e Prática Cinematográfica Kino-Olho, o evento deste ano pôde contar com três novas novidades, as quais pretendem permanecer para as edições seguintes:
- a primeira delas foi a possibilidade de ter, entre os dias de exibição dos curtas, um projetor de película em 35 mm, cortesia do colecionador Heliano;
- a segunda foi a presença de uma Mostra Especial, homenageando o importante cineasta independente argentino Raúl Perrone através da exibição de três de seus longas-metragens (Labios de Churrasco, Graciadió, 5 pal’ peso);
- a terceira e última novidade foi a criação da Mostra Competitiva, em que os realizadores concorriam ao troféu Chapéu de Palha – intitulado carinhosamente como Oscaipira –, esculpido pelo artista rio-clarense Lacerda, demonstrando muito bem em sua formosura a alcunha denominada Cinema Caipira.
Portanto, o Festival dividiu-se em cinco diferentes categorias (ficção, documentário, experimental, película e Kino-Olho), sendo que todas concorriam ao prêmio. Abaixo seguem as categorias e seus respectivos vencedores:
- Ficção Digital: Nootrópicos (15 minutos), de Bruno Decc;
- Película 35 mm: Ivan (17 minutos), de Fernando Rick;
- Curta Kino-Olho: O Bom, O Mau & O Sujo (12 minutos), de Bruno Barrenha;
- Documentário: A Escola de Bambu (15 minutos), de Vinícius Zanotti;
- Experimental: The Cat (3 minutos), de George Ungar (Canadá).

A projeção em película aguçou a curiosidade dos presentes no Casarão da Cultura: eles puderam acompanhar de perto o funcionamento da máquina cinematográfica, graças ao colecionador Heliano e ao organizador João Paulo.
Entretanto, como o gênero do western é o principal assunto tratado no Analisando o Oeste, além do já conhecido pelos leitores O Bom, O Mau & Sujo, outro filme da mesma temática compareceu entre os mais de 30 trabalhos selecionados para a Mostra Competitiva: estou falando de Duas Vidas para Antonio Espinosa, da dupla de diretores Caio D’Andrea e Rodrigo Fonseca.
Ele esteve ao lado de mais três filmes na mostra “Em Película” e, infelizmente, não levou o simbólico troféu. Mesmo assim, o curta-metragem que homenageia os diferentes e fundamentais nomes do western teve sua crítica exclusiva postada no blog, há uma semana!

*Fotos por João Paulo Miranda Maria.
Portanto, como forma de comemoração à vitória de O Bom, O Mau & O Sujo, seguem dois textos – de autoria de Júlio Pereira e Natalia Barrenha, respectivamente – sobre o curta-metragem. Não postarei nenhuma crítica a respeito dele, já que sou suspeito a escrever a resenha de minha própria obra.

O BOM, O MAU & O SUJO
Direção e Roteiro: Bruno Barrenha
Ano: 2011
Elenco: Camilo Bicudo, Thierry Vasques e Bruno Barrenha
Duração: 11 minutos e 50 segundos
Sinopse: Três pistoleiros. Três distintas estradas para um mesmo acaso. Três sombrias facetas afastadas das Leis no Oeste. Um único desejo: a morte através do fervoroso duelo que mais tarde tocaria o agourento sino no centro de uma pacata vila. No acerto de contas final, entretanto, tudo não passou de “três homens em conflito”.
“Fã assumido e incondicional de Três Homens em Conflito (Sergio Leone, 1966), Bruno Barrenha realiza aqui uma homenagem clara ao melhor western já feito. O grande problema é esse: preocupando-se demais em homenagear, o diretor esquece de dar identidade própria para O Bom, O Mau & O Sujo. É longo e a prévia do duelo é completamente desnecessária, tendo em vista que não desenvolve os personagens e a tensão do duelo final – que é eficiente – não é ampliada, já que de pouco conhecemos sobre os personagens e pouco importa. Mas funciona muito bem como filme-homenagem e um experimento cinematográfico.”
Texto de Júlio Pereira, do Lumi7.
“O Bom, O Mau & O Sujo é o curta de Bruno Barrenha com mais ambições. Dando os primeiros passos na sétima arte, essa foi a produção do diretor mais pensada, com direito a dois meses de decantação (não apenas para acertar todos os detalhes, mas pelas insistentes chuvas que assolavam os fins de semana e impediam as filmagens), o que a diferencia dos curtas anteriores do diretor, que se caracterizavam mais por uma urgência e por uma experimentação (a qual não se refere a um cinema experimental, mas ao ato de experimentar, tatear).
Acompanhei parte do processo (à distância, já que vivemos em cidades diferentes) como irmã e entusiasta, e é dessa mesma posição que escrevo esse texto – já que, para mim, não podia ser de outra maneira. O Bom, O Mau & O Sujo se configura, desde seu título, como uma homenagem aos westerns spaghettis, principalmente a Sergio Leone. É O Bom, O Mau e O Feio que passou pela cabeça, pelo coração, pelo estômago e depois pelas mãos do Bruno. É o SEU Três Homens em Conflito, como ele o vê e o sente.
Mais que um exercício de paixão, um exercício da técnica, um caminho interessante para ir encontrando-se com sua própria poética. Os planos não são os mesmos de Leone, mas são; a montagem não é a mesma, mas é; os personagens são meninos no interior paulista, mas inevitavelmente carregam os trejeitos de Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach.
Uma reprodução que preza pela observação atenta, que tem segurança respaldada pela sinceridade, e propõe um retorno aprazível aos faroestes à moda antiga que deixamos de ver, mas existem arraigados ao imaginário de qualquer um.”
Texto de Natalia Barrenha, do Duas ou Três Coisas...

VIVA O CINEMA CAIPIRA!
26 de novembro de 2011
Crítica: Duas vidas para Antonio Espinosa (curta-metragem)

*DUAS VIDAS PARA ANTONIO ESPINOSA*
Direção e Roteiro: Caio D’Andrea e Rodrigo Fonseca
Produção: Poeira Filmes
Ano: 2010
Elenco: Guilherme Lopes, Ângelo Coimbra, Gessy Fonseca...
Duração: 16 minutos
Falta de singularidade por parte dos realizadores faz o curta funcionar mais como um “filme-homenagem” a algo próprio.
Análise: Caipiras, índios sem-terra, conflito entre irmãos, violência sutil, tenebrosidade, tributos... Nada poderia definir melhor do que tais palavras-chaves o curta-metragem Duas Vidas para Antonio Espinosa, de Caio D’Andrea e Rodrigo Fonseca, produzido no ano de 2010, pela Poeira Filmes.
A relação dos diretores, aliás, já vem de tempos atrás, quando Rodrigo Fonseca produziu o primeiro trabalho de Caio atrás das câmeras: o resultado da parceria pode ser observado através de O Solitário Ataque de Vorgon (6 min, 2010).
E a partir desta ficção científica de D’Andrea é que também já podemos ter em vista as características dos companheiros, quando estão juntos: tanto Vorgon quanto Duas Vidas são projetos que buscam homenagear diferentes e marcantes gêneros da sétima-arte, sendo que o primeiro é baseado nos filmes de monstros (com respingos de sci-fi) e o segundo nos westerns, principalmente os spaghettis de Leone & Cia.
Uma trama argumentada para ter sua utilização em filmes de faroestes não apresentam tantas diferenças substanciais, aparentando ser sempre as histórias mais básicas e clichês do gênero. Assim, como de pastiche, somos apresentados a um mundo de pistoleiros, de tribos indígenas, de vingança pródiga, de religiosidade, de fantasia e, por fim, de muitos outros elementos.
A história não é de difícil compreensão, porém suas influências ultrapassam os limites do western: durante o ano de 1949, os irmãos Alberto (Guilherme Lopes) e Antonio (Ângelo Coimbra) atacam – ao lado de mais dois amigos – uma tribo indígena indefesa e sem moradia, apenas pelo prazer da farra. Entretanto, o resultado não é o esperado e Antonio desmaia ao se deparar com o místico chefe dos índios (Índio Lopes). Sem conseguir acordar, ele é deixado para trás e, 27 anos depois do acontecido, retorna como uma figura implacável para se vingar do irmão.
Dentre as maiores referências que podem ser vistas através do trecho acima, o fato de Antonio ser cuidado por tribos indígenas nos remete, de prontidão, aos enredos de Um Homem Chamado Cavalo (Elliot Silverstein, 1970) e Pequeno Grande Homem (Arthur Penn, 1970). Fora tais alusões, temos ainda as pequenas lembranças pela história de O Dólar Furado (Giorgio Ferroni, 1965), na qual também há um choque entre irmãos.
Ainda em meio às homenagens, o duelo é um dos grandes momentos de Duas vidas para Antonio Espinosa onde mais se explicitam os detalhes que influenciaram os diretores do curta.
Um exemplo disto é quando Antonio coloca sua faca sobre o ombro, nos fazendo remeter a dois grandes filmes de faroeste: Sete Homens e Um Destino (John Sturges, 1960) e O Dia da Desforra (Sergio Sollima, 1966). No primeiro dos citados, temos James Coburn no papel de Britt, um especialista em facas, fazendo dela seu principal armamento; já no segundo, Tomas Milián interpreta Cuchillo (em português, significa “faca”), já demonstrando tudo sobre o personagem.
Além disto, os close-ups nem precisam ser esclarecidos como menções ao mestre do eurowestern, Sergio Leone. Os olhares tensos, os planos americanos e as tomadas por entre as pernas nos lembram diretamente de Três Homens em Conflito (1966) e Era uma vez no Oeste (1968), ambos do diretor italiano.
Por último, o duelo também referencia o “segundo dos Sergio’s”, como era chamado Sergio Corbucci, autor de obras como Django (1966) e Il Mercenario (1968). Porém, aqui, o longa mais lembrado do diretor é Compañeros (1970), onde os travellings rondam as cabeças de Antonio e de seu irmão, Alberto.
Assim, com tantas conexões ao western, a ausência de uma direção própria é o principal erro da dupla de realizadores. Mesmo com isto, não deixa de ser interessante ver as novas – ou velhas – facetas do cinema nacional circundadas por close-ups do cinema italiano das décadas de 60 e 70. O roteiro, também elaborado por Caio e Rodrigo, conta com inúmeras citações aos antigos faroestes, sejam eles norte-americanos ou europeus.
O elenco, marcado pelo semblante do veterano Índio Lopes, proporciona atuações regulares, sem nos passar tanta confiança. Ainda por cima, dois dos atores – Rodrigo Fonseca e Luiz Fernando Resende – trabalharam com Rodrigo Fonseca no curta-metragem Mundo Cão (18 min, 2009).
As locações interioranas puxam o filme para um resultado mais abrasileirado, visto que as paisagens de pouco lembram os desertos do velho-oeste estadunidense ou europeu.
Apesar de tudo, o que mais fez falta para Duas Vidas foi uma trilha sonora de maior consistência. O trabalho de Renato Galozzi no quesito chega a proporcionar boas situações de nostalgia ao relembrar clássicos do gênero, mas mesmo com isto, um grande impacto é causado sobre o filme. No duelo, principalmente, onde os diretores tentaram criar um clima de tensão sem a música, mas não resultou em apenas “algumas trocas de olhares”. Em outro caso, as cenas de ação – como os tiroteios – perdem sua autonomia sem a banda sonora e se restringem a um clima fake.

Pistoleiros com ares sertanejos, tribos indígenas que se misturam aos componentes estadunidenses e bolivianos, a vingança pródiga entre irmãos, a religiosidade da idosa mãe, o sobrenatural de um índio que não tem seu corpo penetrado por balas... A tradução de todo o curta-metragem é “uma mistura extravagante de diferentes elementos de diferentes diretores e de diferentes culturas”.
Conclusão: de uma qualidade técnica inquestionável, a falta de personalidade por parte dos diretores resulta em um projeto sem espírito próprio, funcionando mais como um “filme-homenagem” ou então um treinamento para cinéfilos. Apesar disto, o curta serve para despertar o interesse em cidadãos brasileiros afastados do gênero, o qual hoje anda deveras desaparecido da mídia.
MINHA NOTA PARA ESTE FILME:
ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.
* O curta-metragem em questão foi visto durante o III FIIK – Festival Internacional de Cinema Independente Kino-Olho.
19 de novembro de 2011
Crítica: Appaloosa - Uma Cidade Sem Lei

APPALOOSA
(APPALOOSA – UMA CIDADE SEM LEI)
Direção: Ed Harris
Roteiro: Robert Knott e Ed Harris
Produção: Ginger Sledge, Ed Harris e Robert Knott
Ano: 2008
Elenco: Viggo Mortensen, Ed Harris, Renée Zellweger...
Duração: 115 minutos
Uma sedutora tentativa de resgate do brilho dos antigos e charmosos westerns norte-americanos.
Análise: Não há como negar que, através de décadas e mais décadas passadas nas profundezas da sétima-arte, o papel exercido pelo western foi-se enfraquecendo e perdendo sua propícia estadia no ramo dos maiores gêneros cinematográficos. Mesmo com as mirabolantes experiências do mais tardio – porém não menos brilhante – faroeste europeu, a autorização para o “cessar fogo” entre mocinhos e bandidos parece que foi concedida: a partir da década de 80 até os dias de hoje, dá para se contar nos dedos os filmes que tiveram seu certo valor, merecendo o sucesso que lhes foi concedido e, consequentemente, agora sobrevivendo à custa de tais agradáveis lembranças.
Inclusive, o frustrante desempenho – comercial e técnico – do ilustre bang-bang no decorrer dos anos de 1980 acabou se tornando o principal motivo para explicar a recaída das produções, evitando cada vez mais os trabalhos no gênero. E, como se não bastasse, todo este efeito devastador teve sua origem em O Portal do Paraíso (Heaven’s Gate, 1980), do consagrado realizador Michael Cimino, responsável por vencer o Oscar dois anos atrás, com sua obra-prima de O Franco Atirador.
Entretanto, os anos 90 surgiram para o mundo e o western (re)floresceu dentro do cinema, apesar de sua divina essência estar um tanto quanto aniquilada. E durante o princípio da década, logo tínhamos um esboço do que seria do gênero depois de uma significativa queda de rendimento: eram realizados sucessos de bilheteria e de crítica como Dança com Lobos (Kevin Costner, 1990), Contratado para Matar (Simon Wincer, 1990), El Mariachi (Robert Rodriguez, 1992), Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992), Wyatt Earp (Lawrence Kasdan, 1994), entre muitos outros.
A entrada ao terceiro milênio, todavia, não conseguiu manter os harmônicos anos 90. Somente em distantes espaços de tempo é possível acompanhar o enraizamento de um novo western, sendo que seu resultado final às vezes nem chega a ser completamente satisfatório!
Pois foi em 2008 que uma das oportunidades em reviver os tempos gloriosos do velho-oeste nos dias atuais caiu nas mãos do dedicado cineasta norte-americano Ed Harris que, só contando com uma participação no gênero, resolveu tomar todas as responsabilidades possíveis na realização do fascinante Appaloosa, relevando-se prepotentemente nas figuras de ator, diretor, produtor e até mesmo de roteirista, papel no qual teve como base a novela do escritor de crimes Robert B. Parker.
Dentre os mais destacáveis do período considerado “moderno” estão Três Enterros (Tommy Lee Jones, 2005), Os Indomáveis (James Mangold, 2007), Onde os Fracos não têm vez (Joel e Ethan Coen, 2007), O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (Andrew Dominik, 2007), Os Invencíveis (Kim Ji-woon, 2008), Bravura Indômita (Joel e Ethan Coen, 2010), fora ainda o então analisado, Appaloosa.
“Vínhamos mantendo a paz juntos há doze anos ou coisa assim. E quando avistamos uma cidade chamada Appaloosa, não tinha razão para duvidar que faríamos o mesmo, como previsto”.
A partir deste prelúdio reportando a amizade inseparável vivida entre Everett Hitch (Viggo Mortensen) e Virgil Cole (Ed Harris), de prontidão somos encaminhados aos pilares nos quais se apoiaria todo o enredo do filme, o qual leva justamente o nome da cidade donde se passa a trama, e ainda a complementa com grande propriedade: Appaloosa é uma cidade sem lei.
A ocorrência que nos leva a crer que Appaloosa (localizada no Novo México) realmente seja um território em falta de ordens é a hegemonia de um poderoso rancheiro e seus pistoleiros contratados: Randall Bragg (Jeremy Irons) deixa esposas viúvas e sai ileso, de um momento para outro. Sem qualquer tipo de punição, claramente teríamos um horrendo prolongamento de seu derramamento de sangue, sendo a vítima da vez o então xerife da urbe, de nome Jack Bell (Bobby Jauregui). Ah, fora seus dois assistentes...
Decorrida todas as ações necessárias para criar a atmosfera que levaria a importância de Appaloosa do início ao fim, os protagonistas passam a aparecer de forma mais intensa: Hitch e Cole tornam-se xerifes e impõem a lei – com certa dificuldade – na cidade. Após conseguir o que já era difícil, agora a principal missão dos companheiros seria caçar Bragg, por tudo já feito pelo fora-da-lei inescrupuloso.
E, enquanto se preocupam com a perseguição pelo rancheiro causador de problemas, mais conflitos aparecem para reger a história dos xerifes da lei: a beleza de Allison French (Renée Zellweger) chega para tirar a concentração de todos, reservando seu lugar na cidade sem lei. Porém, quem acredita no conflito entre os amigos Cole e Hitch para ficar com Allie, isto não acontecerá... Eles são demasiadamente ligados para brigar por tamanha besteira!
Tomando como base a novela de mesmo nome, escrita por Robert B. Parker três anos antes da realização do filme, os roteiristas Robert Knott e Ed Harris são responsáveis por transcrever no papel uma bela fusão de aventura, romance e sem dúvida, de faroeste. Através de conflitos psicológicos e os habituais duelos, somos cercados por belas paisagens que remontam os eurowesterns e também por límpidas referências a clássicos estadunidenses.
Inclusive, a crucial das alusões são exatamente as circunstâncias em que os xerifes se sentam em frente à prisão e conversam em tom descontraído, relembrando celebradas cenas de Paixão dos Fortes (John Ford, 1946). Outras menções vão para Os Imperdoáveis: o momento da captura de Bragg, onde o rancheiro está no banheiro e é surpreendido pelos delegados, ou então com a cidade de Appaloosa sendo refletida contra o belíssimo pôr-do-sol.

A mirabolante fotografia do veterano em faroestes Dean Semler chega a beirar a perfeição, com tantas maravilhas do oeste a seu dispor; além do próprio Appaloosa, ele também foi responsável por tal importante quesito em Dança com Lobos e O Álamo (John Lee Hancock, 2004).
A presença de homens de postura (e de fama) deixa o elenco bastante fortalecido, até nos dando a impressão de que os atores foram selecionados justamente para interpretar os homens durões e emotivos do velho-oeste. Em consequência disto, as atuações não deixariam a desejar...
Apesar de tudo, uma das maiores ênfases deve ser dada para os figurinos, de David Robinson, e para os cenários, de Waldemar Kalinowski. No primeiro, temos uma grande variedade de roupas, todas responsáveis por nos fazer relembrar a era do Oeste. Já em relação ao segundo, percebemos uma maravilhosa construção da cidade de Appaloosa, construída de maneira minuciosa e com valor inestimável, dando realce desde os vidros das casas até suas arquiteturas históricas.
Finalmente, o mais destacável é o fato de que cada personagem – mesmo que este seja um mero cidadão e não tenha fala alguma – possui sua história. As pessoas que simplesmente passam na rua tem alguma marca registrada de sua personalidade ou de seu passado. O barbeiro, por exemplo, desfruta de quadros de touradas em seu salão, o que remete ao passo dele apreciar tal atividade.
Partindo para um dos mais indagadores e sedutores faroestes modernos – ao lado de Três Enterros e O Assassinato de Jesse James –, Appaloosa é um filme para se assistir sem compromisso, esperando grandes reviravoltas e um tipo de romance um tanto quanto inusitado. A tentativa de resgate dos antigos e charmosos westerns me pareceu válida, mesmo que os tiroteios daqui não se assemelhassem aos de seus antecessores, nos quais sentíamos um nível de tensão muito maior.
Conclusão: um resultado eficaz, apesar de seus erros. Os muitos diálogos que regem toda a trama acabam por confrontar os personagens da forma mais psicológica possível, afastando o filme de velhos faroestes nos quais se resolviam os problemas na base das “balas”. Mas, o que realmente podemos tirar de Appaloosa é: as mulheres também podem ser perigosas no Oeste!
MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.
10 de novembro de 2011
Especial: Parabéns, Gênnio!
Bastam apenas sessenta segundos para que as músicas de um dos maiores compositores da sétima-arte invadam nossa mente.
Em uma de suas primeiras, mais conhecidas e melhores elaboradas trilhas sonoras para o cinema, o maestro e compositor italiano Ennio Morricone logo nos questionava com o nome de “Sixty seconds to what?” (“sessenta segundos para quê?”), a faixa-título para o segundo spaghetti de Sergio Leone, Por uns Dólares a Mais, do ano de 1965. Mesmo sendo uma pergunta bastante abrangente, minha resposta estaria na ponta da língua, sendo rápida e direta: seriam sessenta segundos para que as músicas de um gênnio do cinema penetrassem através de nossos ouvidos e crivassem em nossas cabeças por todo o sempre, assim como os incontáveis filmes dos quais esteve envolvido no processo de musicalidade. E para você, que ainda duvida de minha contestação, abaixo é possível escutar a orquestra de Morricone em perfeita harmonia com a melodia responsável por dar tons muito maiores ao filme de seu comparsa, Sergio Leone.
E então... Agora sabem o que seriam de sessenta segundos?
Nascido na comuna romana de Arpino (província de Frosinone) em tempos datados do dia 10 de novembro de 1928, Ennio Morricone desabrochou na arte que o consagraria futuramente através de pagamentos no Conservatório de Santa Cecília, onde se privilegiou tocando trompete em bandas de jazz. Ao lado de estrelas radiofônicas como Mario Lanza e Chet Baker, então Morricone dedicou-se ao rádio, trabalhando na já extinta Rádio Nacional Italiana.
Posteriormente, o talento de Morricone para o cinema enfim foi posto em prática: ele desempenhou um pequeno papel na composição da trilha sonora para o filme italiano Morte di un amico (Franco Rossi, 1959). Com a estreia nas telonas do futuro astro de spaghettis Gianni Garko, o esforço de Ennio foi em vão e o filme acabou por não levar seu nome nos créditos finais.

Morte di un amico, com Gianni Garko e Spiros Focás: o estopim de um fenômeno designado Ennio Morricone.
Apesar de tamanha injustiça ao não ter seu nome creditado justo no início de sua carreira, Morricone continuou correndo atrás de seus objetivos, fazendo compensar sua ousadia em um período de dois anos após Morte di un amico: desta vez, o trabalho do maestro foi recompensado na comédia de guerra O Fascista (Luciano Salce, 1961). A partir de então, projetos não paravam de surgir e o nome de Ennio Morricone não cansava de aparecer neles, sobretudo nos que envolviam os diretores romanos Camillo Mastrocinque e Luciano Salce – as primeiras parcerias do italiano Morricone.
Adquirindo o dom em criar músicas intensas e sentimentais com o passar do tempo, o então desconhecido gênio musical nem poderia imaginar que suas porvindouras composições conseguiriam mudar o destino de muitas coisas: desde o pensamento de um espectador ao imaginar precipitadamente um personagem até o deslocamento de um polo cinematográfico – como foi o famoso caso do western.
Depois de algumas parcerias com os já citados Salce e Mastrocinque, foi a vez de se unir ao antigo amigo da escola primária, Sergio Leone, numa das duplas mais reconhecidas mundialmente em termos de “sétima-arte”. Juntos, formaram uma das maiores e mais duradouras sociedades entre compositores e diretores, estando ao lado de grandiosos nomes como Hitchcock/Herrmann, Francis Coppola/Nino Rota e Spielberg/Williams.

A parceria em questão: Leone à esquerda e Morricone ao centro.
Então encorajado por Sergio para participar do processo de criação das trilhas sonoras para seus filmes e ainda para mudar a rota do “gênero estadunidense por excelência”, o hoje intitulado Compositor do Oeste e seus companheiros de produção sofreram com os inúmeros preconceitos vindos dos Estados Unidos. Com o propósito de reverter tal quadro, foi necessária a mudança de seus nomes italianos para algo mais americanizado: enquanto Morricone passou a se chamar Dan Savio ou Leo Nichols, Leone foi batizado de Bob Robertson.
Como fruto do primeiríssimo contato entre Robertson e Savio, nasceu no ano de 1964 o primeiro “bang-bang à italiana”: Por um Punhado de Dólares, com os lá desconhecidos Clint Eastwood e Gian Maria Volonté nos papéis principais. Apesar das inúmeras críticas que classificavam o novo gênero – ou o subgênero do faroeste – como um “lixo sangrento”, a fama admitida pela dupla rodou quase o mundo inteiro.
Ao mesmo tempo em que Morricone (ou Savio) tinha suas músicas nas mais diversas paradas de sucesso, Leone (ou Robertson) projetava filmes para um futuro próximo. Pois era assim que eclodiam cada vez mais e mais westerns spaghettis, quase todos com a marca registrada do novo compositor de renome e apreço internacional: os recursos para criar suas composições eram precários, visto que o dinheiro destinado a este propósito era pouco; então, a utilização de instrumentos pouco conhecidos tornava-se mais uma característica da obra de Morricone. Nesta era, sua música já havia se convertido em referência obrigatória para todo e qualquer interessado nos mais variados tipos de arte...
O ápice, entretanto, veio no terceiro trabalho com Sergio Leone: até é possível dizer que o tema concedido para Três Homens em Conflito, de 1966, é mais famoso que o próprio filme. Mesmo quem não conhece a obra máxima do faroeste italiano é sujeito a interpretar com assobios a composição do maestro, arranjador e compositor Ennio Morricone.
Todavia, muito mais além de Sergio Leone e os incógnitos Mastrocinque e Salce, a essência sonora de Morricone também passou pelas mãos e telas de muitos outros grandes cineastas, como Bernardo Bertolucci, Brian De Palma, Dario Argento, Elio Petri, Giuseppe Tornatore e Pier Paolo Pasolini. Com alguns destes, também foram formadas novas e perduráveis parcerias.
Traduzindo de maneira simples e objetiva todo este trecho a respeito de suas parcerias e ligações com um novo gênero da sétima-arte, é possível tirar apenas uma única conclusão: o que seria do western ou até mesmo do cinema em geral se as partituras de um certo forasteiro musical não existissem?
Vídeo-análise da obra completa do diretor italiano Sergio Leone, onde é possível observar um pouco sobre sua relação com Ennio Morricone.
Agora, uma das maiores injustiças em toda a história cinematográfica: Ennio Morricone nunca venceu um Oscar por suas composições destinadas aos filmes!
O fato de um artista – por mais cultuado que este seja – nunca ter vencido em sua vida o prêmio máximo do cinema é um assunto inexplicável. Com o maestro, que completa exatamente hoje 83 anos de vida, não é diferente: há mais de 50 primaveras na carreira do artista que existem luta para vê-lo tocar e levar para casa uma estatueta; mesmo com tamanho ímpeto, só aumentam as expectativas em realizar tal sonho, o qual pertence tanto aos fãs quanto ao próprio maestro.
Contudo, ao perceber o grande erro cometido contra Morricone, a Academia lhe entregou no ano de 2007 um Oscar Honorário por suas “magníficas e multifacetadas contribuições musicais para o cinema”.
Entregue através das mãos do astro dos spaghettis Clint Eastwood, a estatueta foi recebida com muita emoção por parte do “músico injustiçado”. Inclusive, a relação de ambos é bastante afetiva, ainda mais por Ennio ter composto a trilha de Na Linha de Fogo (Wolfgang Petersen, 1993), filme que conta com a presença de Eastwood. Nos momentos em que eles ainda pisavam no palco, houve até uma tradução por parte do cineasta norte-americano relacionado ao que o italiano falava. Realmente, um momento de bastante entusiasmo!
De acordo com tal atitude da Academia, apesar de ser bem pouco perto de tudo que já foi criado pelo músico, melhor assim do que como estava antes... Porém, ainda existe confiança para que haja uma reversão deste quadro irregular; afinal, Ennio Morricone ainda continua na ativa!
Documentário realizado após Ennio Morricone receber o Oscar Honorário pela 79ª edição da premiação mais popular da sétima-arte: o Oscar.
Ainda em atividade, seus braços e mãos vigorosos nem pensam em parar de compor. Seus últimos trabalhos no cinema foram basicamente para filmes de pouco destaque, incluindo curtas-metragens e projetos televisivos. De últimas marcantes lembranças por parte do maestro, o tarantinesco Bastardos Inglórios (Quentin Tarantino, 2009) é uma delas... Acredito que ainda podemos esperar mais trilhas difíceis de esquecer!
Atualmente, Ennio Morricone contém cerca de 500 títulos reservados unicamente para filmes ou outros trabalhos artísticos, bem como séries televisivas. A maior parte de sua coletânea é reservada ao gênero do western, o qual foi um dos maiores responsáveis por consagrá-lo como um grande gênio das trilhas sonoras, possivelmente obtendo o título de um dos mais conhecidos artistas durante o século XX. No fim de tal período, inclusive, ele foi agraciado com um Leão de Ouro pelo conjunto de sua obra, no Festival de Veneza.
Apesar de seus demais prêmios vencidos em muitos outros festivais, Morricone nunca levou para casa o mais significativo de todos: o Oscar. Mesmo assim, não é preciso desta compensação para sabermos o real valor de toda a obra do maestro italiano. A propósito, o que mais vale para o Gênnio já foi conquistado: a admiração da maioria das pessoas, sejam elas ligadas ao cinema ou meras espectadoras de suas músicas.

TOP 5 – TRILHAS SONORAS DE ENNIO MORRICONE DEFINIDAS EM UMA PALAVRA:
5º A MISSÃO (Roland Joffé, 1986)
Profundo – te eleva o espírito e prende a atenção.
4º ERA UMA VEZ NO OESTE (Sergio Leone, 1968)
Marcante – tratando-se deste trabalho, perda de fôlego é algo normal.
3º OS INTOCÁVEIS (Brian De Palma, 1987)
Intenso – exatamente o que se precisa para um filme da máfia.
2º CINEMA PARADISO (Giuseppe Tornatore, 1988)
Emocionante – conter o choro é praticamente impossível.
1º TRÊS HOMENS EM CONFLITO (Sergio Leone, 1966)
Sublime – o maior clássico do compositor.
CORINGA:
- O PROFISSIONAL (Georges Lautner, 1981)
Notável – daquelas difíceis de esquecer.
"CONGRATULAZIONI, MAESTRO!"
HOMENAGEM FEITA POR BRUNO BARRENHA.





