Elenco: Marlon Brando,
Karl Malden, Ben Johnson...
Duração: 141
minutos
Único filme dirigido por Marlon Brando
mostra que o conhecido ator também obteria sucesso se continuasse a carreira de diretor.
Análise: A Face Oculta é um western norte-americano e também o único filme
dirigido pelo lendário artista Marlon Brando, que também faz o papel de protagonista. A
história é baseada na novela The
Authentic Death of Hendry Jones, de Charles Neider.
Inicialmente, o filme faria um épico encontro entre dois grandes diretores: o então já conhecido Stanley Kubrick e o iniciante Sam Peckinpah, o qual inclusive ajudou a escrever o roteiro, mas nem teve o
nome creditado. Entretanto, Brando, que era dono da produtora do filme, demitiu ambos
e acabou tomando conta do projeto.
A película, por todo seu trajeto onde passou, conta com uma história bastante interessante: tudo se inicia quando um trio de
assaltantes acaba de roubar um banco e foge para outra cidade, mas são
perseguidos até lá e precisam escapar no meio de um deserto. Após o termino da
perseguição, o trio se torna uma dupla e Dad Longworth (Karl Malden) acaba
traindo o seu parceiro Rio (Marlon Brando), enganando-o para ficar com todo o
ouro obtido no assalto ao banco.
Após cinco anos, Rio consegue fugir da cadeia e
tudo o que ele quer é poder encontrar Dad Longworth e matá-lo, assim vingando. Então, ele entra em um grupo de bandidos que planejam assaltar um banco de
Monterrey após saber que Dad é o xerife da cidade. A partir daí se inicia um duelo
psicológico entre os dois, com Dad tentando enganar o parceiro novamente,
tentando se inocentar do que havia feito e com Rio mentindo sobre o que havia
acontecido, somente para conseguir uma vingança ainda mais dolorosa.
Por fim, Rio acaba
namorando a enteada de Dad, Louisa (Pina Pelicer), e depois a despreza
atingindo diretamente a Dad, o qual acaba dando uma dura lição em Rio, deixando-o ainda mais motivado em matar o antigo companheiro. Rio tem essa oportunidade no incrível duelo
final, em que apenas um pode sair vitorioso.
A
versão original do filme foi modificada para se encaixar nos padrões hollywoodianos: a primeira versão tinha duração superior a quatro horas, assim tendo que sacrificar duas horas de projeção; outro fato que teve que ser
mudado foi o final, onde Dad Longworth, quase morrendo, iria matar Louisa, que estava
perdidamente apaixonada por Rio. No entanto, como
tudo tem que ter um final feliz, Brando foi obrigado a mudar o epílogo depois de
ter encerrado as gravações, com o novo fim não contando com a morte de Louisa.
Em quesitos, podemos
ver uma ótima direção, a qual contêm alguns pequenos erros, como em poucos
casos de erros de continuidade na mudança de uma cena para outra. Também é
acompanhada por uma bela trilha sonora de Hugo Friedhofer, muito presente durante toda a história, ajudando a criar o clima de tensão durante o desenrolar da história. Já a linda fotografia
de Charles Lang Jr. mostra magníficas paisagens comuns do faroeste, mas também
algumas paisagens um tanto incomuns no gênero, como o mar da cidade costeira. Traduzindo, A Face Oculta conta com um ótimo elenco, atuações dignas e uma boa química entre Marlon Brando e Karl Malden, os quais interpretam a dupla principal do filme.
Guy Trosper e Calder Willingham fazem um ótimo roteiro, no qual ainda é possível notar uns respingos do cachaceiro Sam Peckinpah: a relação entre Dad
e Rio é parecida com a relação entre Pat Garrett e Billy the Kid em Pat Garrett & Billy the Kid (1973). Em
ambos os casos a dupla era de camaradas, mas após algum acontecimento, Dad e
Pat viram xerifes e rivais de seus ex-companheiros Rio e Billy,
respectivamente.
Roteiro:Roberto
Orci, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Mark Fergus e Hawk Ostby
Produção:Johnny Dodge,
Brian Grazer, Ron Howard, Alex Kurtzman, Damon Lindelof, Roberto Orci e Scott
Mitchell Rosenberg
Ano:2011
Elenco:Daniel Craig,
Harrison Ford, Olivia Wilde...
Duração:118
minutos
Uma infeliz tentativa
de resgatar o western nos dias de hoje, chamando a atenção ao incluir
alienígenas no gênero.
Análise:Cowboys
& Aliens é mais um dos incomuns westerns
dos últimos tempos, dirigido por Jon Favreau e baseado na história em
quadrinhos de mesmo nome.
O filme, além de trazer o gênero do faroeste de
volta, realiza uma experiência frustrada de misturá-lo com o sci-fi, sendo que ambos não têm nada
haver entre si. Assim, há muitos mistérios durante o desenrolar da projeção, porém
alguns não são solucionados.
Jake Lonergan (Daniel Craig) acorda no meio de um
deserto com amnésia, sem nenhuma memória sobre o seu passado (ele não sabe nem seu
próprio nome!) e com a ilustre presença de um misterioso bracelete no braço. De
alguma maneira, ele consegue ir para a cidade de Absolution, onde descobre um
pouco sobre sua vida: Jake é um famoso criminoso que está sendo procurado por
muitas pessoas.
Em uma noite, quando Jake seria levado para julgamento em outra
cidade, acontece um misterioso ataque aéreo que acaba raptando alguns cidadãos. Então, o xerife de Absolution (Keith Carradine) arma um grupo para saber a origem
dos ataques e resgatar os raptados, fazendo com que Lonergan também faça parte
do grupo, sobretudo pelo fato de possuir a arma para derrotar os alienígenas.
No início de todo o filme, há uma agradável
construção de personagem, porém também há mudanças – um tanto quanto
desnecessárias – de tais características na parte final: um bom exemplo é o
personagem Woodrow Dolarhyde (interpretado por Harrisson Ford), que é
apresentado como uma pessoa deveras malvada, além de ser o responsável pelo
desenvolvimento da cidade de Absolution. Com isto em mente, à origem de tudo, Dolarhyde
está atrás de Jake Lonergan devido a um assalto que este cometera, mas Dolarhyde
queria fazer a justiça com suas próprias mãos; no final, entretanto, quando
Jake deu uma grande ajuda para derrotar os aliens, Dolarhyde simplesmente o
perdoa e o fato de tê-lo odiado nunca havia acontecido.
O destaque, aqui, vai para o indispensável elenco: desde
atores já renomados na sétima-arte (Harrison Ford) até as sensações do momento
(Daniel Craig e Paul Dano). Porém, apesar de tal listagem, Jon Fraveau não
soube liderar seu filme mesmo tendo elementos favoráveis para isto. Sua direção
errônea, assim, é compensada em uma bela fotografia de Matthew Libatique, nos mostrando
maravilhosas paisagens do deserto em conjunto com os amplos efeitos especiais.
É claro, têm lá seus erros grotescos, como na
batalha final: é falado e demostrado que os aliens são seres quase indestrutíveis,
mas logo após é possível ver um pequeno garoto matando a criatura apenas com
uma facada. Além disto, em muitas partes os personagens agem tranquilamente, o
que é estranho para pessoas do século XIX que estão enfrentando alienígenas com
armas tecnológicas e com super-naves rápidas, parecendo até que enfrentam um singelo
grupo de ladrões.
A conclusão de tudo é que Cowboys & Aliens não aproveitou tudo que possuía em seu favor
e, mesmo com um orçamento de tamanho considerável e um roteiro falho escrito
por seis pessoas, continha corpulentos nomes do Cinema Hollywoodiano. Provavelmente,
o filme também não agradará os grandes fãs de western devido à mistura de dois gêneros completamente diferentes.
A primeira das projeções revelando o desenvolvimento do pistoleiro mais conhecido do velho-oeste, Jesse Woodson James.
Análise: Jesse James – Lenda de uma Era sem Lei é um western norte-americano do ano de 1939, com a participação de Henry King na direção e um roteiro de Nunnally Johnson, levemente baseado na incrível lenda de um dos maiores pistoleiros do velho-oeste estadunidense: o fora-da-lei Jesse James.
Entretanto, apesar de representar todos os familiares e pessoas que cercaram a vida de Jesse, o filme muda vários fatos de sua história. Além disto, o projeto possui uma continuação: O Retorno de Frank James (Fritz Lang, 1940), o qual por vez dá mais espaço à vida de Frank, demonstrando o que ele fez após a morte de seu irmão, Jesse.
Além do progresso que vivia os Estados Unidos da América, a película também projeta o avanço de Jesse Woodson James (Tyrone Power) e Frank James (Henry Fonda) para o mundo dos facínoras; ou seja, à medida que seu país se desenvolvia, os simples agricultores também transformavam suas vidas.
Imediatamente em sua abertura, é possível visualizar a vontade e o poder dos ferroviários: eles compram terras para construírem suas ferrovias, porém com preços absurdamente baixos, não dando outras opções para os proprietários, fazendo-os vender de qualquer jeito. Mas, ao tentarem adquirir as terras da mãe dos irmãos James, eles não obtêm sucesso, justamente por conta do uso da violência que Jesse e Frank aplicam contra os ferroviários. A partir daí é criada, então, uma arrebatadora rixa entre Jesse e a ferrovia.
Posteriormente, temos a fuga de Jesse e a criação de sua gangue, com a qual se torna o pistoleiro mais procurado e temido do oeste. No encerramento, o assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford comove os espectadores, sobretudo pela causa de eles já terem criado certa afeição pelo fora-da-lei.
Fora as situações de aventura, é claro, também há o exímio humor dos filmes norte-americanos: podemos vê-lo, principalmente, nas cenas onde aparece o Major Rufus Cobb (interpretado por Henry Hull). Além da comicidade, a presença do romance é igualmente mais do que certa: Jesse James acaba se casando com Zerelda ‘Zee’ Cobb (Nancy Kelly) e, mesmo depois de se separarem, é possível ver que os dois eram verdadeiramente apaixonados.
Estimulado por um elenco de nomes clássicos na sétima-arte (Tyrone Power, Henry Fonda, Randolph Scott, John Carradine...), Jesse James – Lenda de uma Era sem Lei se torna um apreciável filme, com uma eficiente direção de Henry King, a qual se encaixa perfeitamente na história.
Contudo, apesar de seus fatos favoráveis, o filme também acabou se metendo em uma grande polêmica por conta de uma cena em que um cavalo cedeu de um penhasco e caiu diretamente em um rio, matando o animal. Pelo desastroso acontecimento, iniciou-se a prevenção de maus tratos em animais durante os filmes.
A incrível aventura de Roy Bean, um homem armado de um mero livro e várias cordas para aplicar a lei em uma nova cidade.
Análise: Roy Bean – O Homem da Lei é um western norte-americano realizado no ano de 1972, sendo de grande reputação por pertencer à vasta filmografia do consagrado diretor John Huston (O Tesouro de Sierra Madre, 1948).
Entretanto, muito longe disto, o filme também é responsável por colecionar traços cômicos e românticos em seu interior, os quais se encaixam perfeitamente no contexto da sublime história de Roy Bean, misturando a ficção e a realidade, já que o juiz sempre existiu, porém muitos fatos foram inventados no filme, para criar certa ligação e dramaticidade entre os acontecimentos.
Nos primeiros minutos de projeção, acompanhamos a trajetória de Roy Bean (interpretado por um Paul Newman em fase de ouro) logo ao chegar a um bar de uma pequena vila, onde não é bem recebido e com sorte não acaba morrendo. Por ter sido testemunha da situação, a moradora da vila chamada Maria Elena (Victoria Principal) ajuda Bean na recuperação e, de quebra, lhe dá uma arma para se proteger. Assim, Bean vai procurar a temida vingança, apenas satisfazendo-a quando matar todos os malfeitores que se encontravam naquele bar. Enfim, após terminar o serviço sujo, Bean cria a cidade de Vinegaroon, transformando aquele bar em que tudo começou como seu local de justiça.
Com a ajuda de alguns companheiros – para ser mais específico, de um livro e várias cordas –, Bean resolve ser o juiz e julgar todos os que desobedecerem às leis. Correspondendo ao tempo, o desenvolvimento imediatamente chega à cidade de Bean, principalmente quando ela é tomada por Frank Gass (Roddy McDowall) que, apesar de desenvolvê-la mais ainda, acaba transformando Vinegaroon em um verdadeiro poço de petróleo. Ao final de tudo, Bean tenta recuperar a cidade em uma batalha cheia de explosões petrolíferas...
Sempre apurada, aqui a direção de John Huston perplexa os espectadores, fazendo com que fiquem boquiabertos de tamanha genialidade; entre seus principais planos, estão as várias tomadas longas e de ótimos detalhes, também se utilizando do elemento narrativo para explicar a história de forma mais límpida, mais clara, para não deixar buracos na complexa aventura de Roy Bean. Também pode ser visto, mesmo que apenas duas vezes, a interação do ator com quem o assiste, justamente quando o intérprete se direciona à câmera e demonstra o seu ponto de vista sobre determinada ocasião.
Dentre o elenco, não resta dúvida de que o papel do Juiz Roy Bean tenha caído como uma luva para Paul Newman, o qual interpreta muito bem o seu personagem; vale destacar a fase pela qual ele passava, em seu auge de carreira, ainda mais depois do estrondoso sucesso causado por Butch Cassidy & Sundance Kid (George Roy Hill, 1969). Assim como Newman, os demais atores também não deixam a desejar.
Por não ser tão presente durante o filme, a percepção de uma boa trilha sonora (composta por Maurice Jarre) não se torna possível; mesmo com isto, possui uma ótima música-tema.
E, apesar de narrar uma história real, Roy Bean – O Homem da Lei também aposta nos falsos detalhes, com dados inventados sobre o personagem que realmente existiu na vida real. Inclusive, a cidade criada por ele mantém-se viva até hoje e é conhecida como Langtry, localizada no Texas; afora tais informações, lá também pode ser encontrado o saloon transformado em tribunal por Bean, sendo idêntico ao visto no filme. Acima de tudo, o que concluímos é que Roy Bean era um grande fã da atriz britânica Lily Langtry, não aceitando o fato de a desrespeitarem.
Um western que conta com um apurado roteiro, destemidas atuações e a sempre admirável parceria entre Anthony Mann e James Stewart.
Análise: The Naked Spur (intitulado no Brasil como O Preço de um Homem) é um faroeste clássico norte-americano, no qual se registra mais uma das famosas duplas no vasto interior do mundo western: Anthony Mann destaca-se na direção, enquanto James Stewart atua como o protagonista. Quando permaneceram unidos, estes dois grandes nomes do gênero já foram capazes de realizar cinco filmes somente durante a década de 50.
Howard Kemp (Stewart) é um caçador de recompensa e, como de praxe, está em busca de um assassino, tal qual tem por sua cabeça um prêmio de cinco mil dólares – seu nome é Ben Vandergroat (Robert Ryan). Durante seu caminho, Kemp encontra um velho garimpeiro, cujo nome é Jesse Tate (Millard Mitchell); perto de uma montanha, ele finge ser um xerife para convencer Tate a ajudá-lo por apenas vinte dólares.
No caminho da montanha onde está localizado o assassino, a dupla se depara com Roy Anderson (Ralph Meeker), um ex-soldado da Cavalaria Americana, que acaba se intrometendo no caso e ajuda Kemp e Tate a capturar Vandergroat, sendo que este se acompanha de Lina Patch (Janet Leigh), uma jovem órfã. O assassino procurado acaba colocando mais lenha na fogueira ao insinuar que Kemp não era um xerife; o falso delegado, então, que queria o dinheiro só para si, se vê obrigado a ter que compartilhar o dinheiro com Tate e Anderson.
Entretanto, já na estrada de volta para a cidade, Vandergroat tenta o seu melhor para colocar o trio um contra o outro, utilizando-se de vários truques: entre suas peripécias, falava que “seria melhor dividir a recompensa em dois” e até usava Lina Patch para atrair Kemp, o qual estava ligeiramente apaixonado pela garota.
A fascinante direção de Anthony Mann é cheia de detalhes, fazendo com que em uma única cena sem corte possamos ver excessivas características do local e da história, belas paisagens e bons efeitos reais, tais como pedras rolando de um penhasco ou um enorme tronco de árvore descendo rio abaixo. Além dela, o belo roteiro da dupla Rolfe-Jack Bloom concorreu ao Oscar naquela ocasião, porém o vencedor do ano foi o trio Brackett-Reisch-Breen, de Titanic (Jean Negulesco, 1953).
Assim, a estupenda história é o grande trunfo do filme, tendo muitas intrigas, reviravoltas e o peculiar romance americano; exemplo deste último é que Kemp acaba abandonando a recompensa para ir até a Califórnia com Lina Patch. Também há a adequada trilha sonora conduzida por Bronislau Kaper, ajudando a aumentar a tensão em algumas cenas.
Concluindo, O Preço de um Homem conta com um elenco bastante entrosado, o qual têm basicamente cinco atores – tirando os índios que aparecem em apenas umas pequenas partes. Dentre os intérpretes, podemos acompanhar ótimas atuações, sobretudo por parte de James Stewart. Além disto, o romance que envolve a atmosfera do filme é muito bem representado, apresentando um homem interessado apenas por dinheiro – caso de Kemp – estar também apaixonado a ponto de abandonar uma grande quantia dinheiro para mudar com o seu amor para a Califórnia.
Uma diferente visão de filme apresentada por Tinto Brass, contando com alguns grotescos erros, cometidos principalmente devido ao baixo orçamento.
Análise: Yankee, western spaghetti do ano de 1966, é o único filme do gênero europeu dirigido por Tinto Brass, realizador famoso por sua carreira em filmes eróticos. Sendo um trabalho desempenhado ainda no princípio do eurowestern, a visão um tanto quanto inovadora por parte do diretor é bastante diferente dos faroestes mais clássicos da época.
O personagem que dá nome ao filme é Yankee (Philippe Leroy), um pistoleiro de origem norte-americana e com estereótipo de arrumadinho; ele chega a uma cidade e percebe que nesta há uma gangue com vários integrantes procurados pela Lei. O líder da gangue é o Grande Concho (Adolfo Celi), o qual é o senhor de toda aquela região. Cruel, ele pune qualquer um que cruze o seu caminho!
Assim sendo, a gangue vai atrás de um carregamento de ouro e Yankee – deveras interessado – percorre seu caminho para a captura não só da gangue, mas também do ouro. O final de Yankee é, portanto, marcado pela intensa existência de tiros, traição e logicamente, de ouro.
Com a direção de Tinto Brass desvairada e própria para o filme, somos diretamente acomodados diante de vários planos contra o sol, muitos close-ups e tomadas com ótimos detalhes. Entretanto, há alguns erros grotescos, como as sequências em que as cenas possuem iluminação diferente, sendo que algumas cenas são feitas pela noite e outra parte da mesma cena, feitas de dia.
Tendo em seu interior atuações razoáveis de um elenco desconhecido e nem tão adequado, Philippe Leroy e Adolfo Celi se tornam as referências entre os papéis. Além disso, conta com uma ótima trilha sonora de Puccio Roelens, que nas melhores partes relembra os trabalhos do maestro italiano Ennio Morricone.
Aqui, o notório tiroteio em O.K Corral é representado através de diferenças históricas, porém compensa na boa edição e na suave sonoridade.
Análise:Sem Lei e Sem Alma é um western estadunidense realizado no ano de 1957, pelo diretor já consagrado no gênero, John Sturges (Sete Homens e Um Destino, 1960). O filme é baseado no famoso duelo que se deu na cidade norte-americana de Tombstone, durante o fim do século XIX. Além deste trabalho de Sturges, o famoso fato do “tiroteio no O.K. Corral” também é narrado em mais outros tantos projetos cinematográficos, nos quais mais se destacam Paixão dos Fortes, de John Ford, em 1946.
Enquanto Wyatt Earp (Burt Lancaster) é o xerife de Dodge City, Doc Holliday (Kirk Douglas) se estabelece entre a profissão de dentista e jogador de cartas, sendo bastante conhecido por sua habilidade com armas. O encontro entre ambos acontece quando Earp salva Holliday de uma multidão em fúria, a qual queria linchá-lo. Portanto, após terem um breve conhecimento um do outro, a dupla que mais tarde se tornaria um sucesso no mundo inteiro une forças para livrar a região da gangue de Ike Clanton (Lyle Bettger).
O ápice de toda a história, contudo, apenas ocorre no final, quando sentimos o enfrentamento se apertar pelos dois lados no O.K. Corral, após Wyatt receber um telegrama de um de seus irmãos – este também xerife – pedindo ajuda.
O mais interessante é que, todas estas ações se dão sem deixar de lado as partes românticas dos faroestes criados nos Estados Unidos, expondo ao público tanto às paixões de Wyatt Earp quanto às de Doc Holliday.
Com a participação de Burt Lancaster e Kirk Douglas nos papéis principais, logo nos vem a mente um elenco arrasador. Sim, é verdade. Mas, como um bom revelador de talentos, o diretor John Sturges ainda dá espaço para os futuros vilões do western: Lee van Cleef e Dennis Hopper que, mesmo fazendo pequenas participações, já nos dão um prefácio do que seriam seus futuros na sétima-arte. Além disto, ainda há uma conveniente trilha sonora, destacando-se pela marcante e grudenta música-tema composta por Dimitri Tiomkin – o mesmo de Matar ou Morrer e Onde Começa o Inferno.
Acima de tudo, um dos mais notáveis destaques de Sem Lei e Sem Alma é em relação à presença de algumas contradições históricas e as diferenças entre o que aconteceu na realidade e o que se passou no filme: primeiramente, Wyatt ainda não era xerife, e seu irmão era um perseguido da Lei. Em segundo lugar, a batalha na realidade durou somente 30 segundos, tempo prolongado no filme para uma longa e duradoura batalha. Entre outras, estas são apenas algumas das diferenças entre a realidade e a ficção.
Finalizando, o trabalho conta com a agradável e leve direção do estadunidense John Sturges, a qual é ajudada pela ótima edição de Warren Low. O último dos elementos, inclusive, concorreu ao Oscar de Melhor Montagem pelo ano de 1958.
Além de ser um forte concorrente unicamente por esta categoria, o filme de quebra também concorreu ao prêmio de Melhor Som, sobretudo pelos incríveis ruídos que iam desde o embaralhar das cartas, o arrastar das cadeiras e o abrir das portas até os mais triviais disparos de revólveres e espingardas do velho-oeste.
Franco Nero, com figurino idêntico ao de Clint Eastwood, faz mais uma boa atuação em um western que se destaca na soberba trilha sonora.
Análise: Tempo de Massacre, é um western spaghetti do ano de 1966, dirigido por Lucio Fulci, realizador conhecido principalmente por seus trabalhos em filmes de terror. O ator Franco Nero é o grande destaque do elenco não tão conhecido, o qual ainda conta com as participações do uruguaio George Hilton e o italiano Nino Castelnuovo.
O personagem de Nero é, simplesmente, um mero trabalhador nomeado Tom Cobert e responsável pela extração do ouro; em um dia comum, ele recebe um singelo bilhete de seu amigo, Carradine, para que volte à sua terra natal. Ao realizar tal desejo do companheiro, porém, Tom percebe que o local está tomado pela família Scott, culpada por controlar totalmente a pequena cidade. O violento domínio dos Scott acontece principalmente por causa da insanidade de Jason Scott (Nino Castelnuovo), filho do poderoso Sr. Scott (Giuseppe Addobbati) e que, de grão em grão, começava a suceder o pai.
Logo sabendo que seu amigo havia morrido, Tom se revolta e, com a ajuda de seu irmão Slim Cobert (George Hilton), ele tenta lutar e se vingar contra Scott e seu bando de pistoleiros.
Os irmãos Cobert, então depois de muitos conflitos, conseguem invadir o Rancho Scott, onde uma incrível batalha se sucede, com muitas quedas, tiroteios e tudo que o faroeste tem de melhor. No final de tudo, Tom acaba por descobrir um incrível segredo sobre o Sr. Scott e ainda trava uma ótima luta com Jason Scott, o herdeiro da família.
Em relação aos detalhes técnicos, o principal elemento de Tempo de Massacre é a excelente trilha sonora, a qual nos presenteia com uma bela música-tema na voz afinada de Sergio Endrigo, também compositor da canção A Holy Man. Lucio Fulci faz um bom faroeste, com uns poucos tons de suspense, principalmente ao colocar em prova o segredo do Sr. Scott, depois descoberto por Tom Corbett.
Com base no elenco, como já era de se esperar, os maiores destaques são para Franco Nero e George Hilton; entretanto, o chinês Tchang Yu acaba por desviar alguns olhares e roubar um pouco da atenção do público espectador, ao interpretar um velho e carismático coveiro oriundo da China. Seu personagem mantém bastante importância por sempre estar ajudando o protagonista Tom Corbet.
Chegando ao fim, vemos em Franco Nero uma transcrição de Clint Eastwood: a roupa do eterno Django – criado por Corbucci – é inteiramente semelhante a utilizada por baixo do poncho do inalterável Homem Sem-Nome – de Sergio Leone. Para se ter noção da semelhança, o figurino aqui é composto por um chapéu e uma camisa sobreposta por um colete; a única e mera diferença entre suas roupas é que o personagem de Nero não usa o famoso poncho e a cor de seu chapéu é preto, ao invés de marrom, como era o de Eastwood.
Concluindo: o filme em si é um tanto quanto violento, e justamente por isto ele foi lançado em duas versões. Dentre as cenas mais violentas estão a que Jason Scott dá chicotadas em Tom Corbett. Outro fato muito interessante são as inúmeras quedas muito bem protagonizadas pelos dublês durante mais este ótimo western spaghetti.