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16 de agosto de 2012

Crítica | Sete Dólares para Matar

7 DOLLARI SUL ROSSO

(SETE DÓLARES PARA MATAR)

Direção: Alberto Cardone

Roteiro: Arnaldo Francolini, Juan Cobos e Melchiade Coletti

Elenco: Anthony Steffen, Elisa Montés, Fernando Sancho...

Ano: 1966

Duração: 94 minutos

Ítalo-brasileiro é a estrela deste faroeste de erros, porém que vale a pena pela batalha entre pai e filho.

Análise: Sete Dólares para Matar é mais um destes moribundos bang-bangs à italiana, dirigido por Alberto Cardone e com Anthony Steffen (ou Antonio Luiz de Teffè) comandando toda a trupe do elenco, no qual ainda consta o hábil e sempre carismático Fernando Sancho, tipicamente como o é em seus outros papéis no gênero. Também é desenvolvida uma ótima trilha sonora, de Francesco de Masi, tanto que algumas de suas faixas foram “roubadas” para fazer parte do jogo Red Dead Revolver.

Durante a ausência de John Ashley (Anthony Steffen), um bando de pistoleiros liderados por Jack Wilson (Fernando Sancho) invade seu rancho, matam a sua esposa e sequestram o seu pequeno filho, Jerry (quando pequeno interpretado por David Mancori), com cerca de cinco anos e desde então criado por Jack. Quando John volta para casa, decide ir atrás de vingança e recuperar o descendente capturado.

Entretanto, cerca de 20 anos se passaram e Jerry (agora por Roberto Miali) já é um grande homem e um frio pistoleiro, crendo que Jack é seu verdadeiro pai; e é assim que o grande clímax está por vir, quando John finalmente encontra Jack, e este tem seu triste fim. Porém, não termina por aí: Jerry quer vingança de seu verdadeiro pai e o resultado é o confronto entre eles em um ambiente chuvoso e, além de tudo, carregado de uma tensão impressionante.

John Ashley se mostra um homem muito determinado, pois decide dedicar sua vida para conseguir achar o filho perdido. Seu erro, contudo, é que a vingança o deixa cego, fazendo-o cometer loucuras em busca de informações, a ponto de matar um trabalhador achando que é um bandido. Já Jerry era uma criança chorona, porém demonstra – através de sua ação, atirando com os dedos enquanto Jack devasta o rancho do pai, até sendo atingido psicologicamente por tal episódio – o que futuramente viria a ser: um assassino sem dó. E uma das cenas marcantes vem a ser, portanto, aquela na qual Ashley não acha o filho em casa, com um plano do cavalinho-de-madeira vazio.

Mesmo não tão acentuado em seus primeiros atos, o fim não deixa a desejar: é a melhor parte, passando de uma forma um tanto quanto rápida e possuindo dois duelos corpo-a-corpo. O primeiro é entre Jack e John, lutando em um celeiro, cada qual com um gancho. Já o segundo é entre Jack e Jerry, pai e filho em uma batalha mortal e tocante, com um sabendo da verdade e o outro não.

A conclusão que se pode tirar é a de que Sete Dólares para Matar têm vários fatores ruins, várias sequências com erros de continuação, personagens fora de enquadramento, uma mise-en-scène miserável, problemas no desenvolvimento do roteiro e também exacerbadas cenas de cavalgadas pelo deserto, que apenas servem para aumentar a duração da projeção. De qualquer maneira, vale a experiência em assisti-lo.

MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.

5 de agosto de 2012

Crítica | Django Vem Para Matar

SE SEI VIVO SPARA

(DJANGO VEM PARA MATAR)

Direção: Giulio Questi

Roteiro: Benedetto Benedetti, Franco Arcalli, Giulio Questi e María del Carmen Martínez Román

Elenco: Tomas Milian, Ray Lovelock, Piero Lulli...

Ano: 1967

Duração: 100 minutos

Cheio de bizarrices e sangue, eis um dos westerns mais violentos e polêmicos.

Análise: Considerado a primeira sequência de Django (Sergio Corbucci, 1966), embora não tenha nenhuma ligação com o personagem representado por Franco Nero no primeiro filme, Django Vem Para Matar é um western spaghetti dirigido pelo italiano Giulio Questi, tendo em seu papel principal o futuro ator de papéis cômicos, o cubano Tomas Milian.

É um trabalho deveras provocador, com muitas cenas fortes e várias fanfarrices, o que lhe garantiu o título de “um dos faroestes mais violentos”.

Apesar de não citado na projeção, o nome “Django” é substituído por “O Forasteiro”, apelido adotado pelo mestiço (Milian) que foi encontrado por dois índios, baleado, após ter sido traído pela parte americana da gangue que recusara repartir o ouro com sua parte, a mexicana. Então, ele corre em busca de vingança e chega a uma estranha cidade, onde a conquista após matar o líder cuja gangue conduz o local; entretanto, o mestiço ainda não acabou sua missão, pois ainda precisa recuperar o ouro em uma aventura bem brutal.

Ao decorrer da película, mostra-se como a sede humana pela riqueza é arrebatante, através de Bill Templer (Milo Quesada) negando que possuía ouro mesmo com a vida de seu filho, Evans (Ray Lovelock), em jogo. E, também, em uma cena cômica, na qual um homem é baleado com balas de ouro, o que já lhe garante uma morte mais satisfatória.

O estilo em que o filme foi montado, pelo editor Franco Arcalli, é bem alucinante, com cenas que provocam certo desconforto por meio de rápidos cortes de câmera. O diretor, por sua vez, faz um ótimo trabalho, usando e abusando dos closes, que são usados até nos animais que aparecem sendo torturados. A fotografia de Franco Delli Colli é própria para contrastar com o vibrante sangue vermelho, em maior tom nas cenas de cortes na pele humana.

O filme têm duas referências religiosas, ambas com o Forasteiro: uma logo no começo, em que ele ressuscita ao sair da cova, e outra na hora de sua tortura, na qual está apenas de tanga e em posição de quem será crucificado.

Polêmico devido à extrema violência contida em seus frames, abordagens sobre alguns assuntos abusados e muitas bizarrices, dentre os elementos mais esquisitos de Django Vem Para Matar encontra-se uma gangue de indivíduos que só se vestem de preto e, supostamente, são homossexuais, pois em uma cena há a sensação de que eles estupram o jovem Evans Templer, este que cometera suicídio no dia seguinte.

O racismo também ganha um espaço polpudo, quando os americanos se recusam a dividir o dinheiro com os mexicanos, os quais tiveram todo o trabalho, e quando os homens brancos escalpelam um índio, dizendo que seria pecado matá-lo de outra maneira. Já entre as muitas outras esquisitices, temos a cena de Mr. Sorrow (Roberto Camardiel) dando bebida alcoólica para uma arara.

MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.

28 de julho de 2012

Crítica | Winchester '73

WINCHESTER ’73

Direção: Anthony Mann

Roteiro: Borden Chase e Robert L. Richards

Elenco: James Stewart, Shelley Winter, Stephen McNally...

Ano: 1950

Duração: 92 minutos

Análise: Winchester ’73 é um filme norte-americano passado em tempos áureos do velho-oeste, dirigido pelo consagrado diretor Anthony Mann e sendo o primeiro dos outros sete trabalhos vindos diretamente da parceria com seu ator-fetiche, James Stewart. O rifle Winchester 1873, o qual dá título ao filme, é mostrado como a melhor e mais desejada arma do faroeste, o que gera desavenças entre as pessoas, estas que brigam somente por um causador de problemas – prova de que a projeção retrata muitos fatos históricos e verídicos.

Lin McAdam (Stewart) e Frankie Wilson (Millard Mitchell) viajam para Dodge City na tentativa de participarem do concurso de tiro, na comemoração do aniversário da cidade, e vencerem o prêmio: nada mais nada menos que um rifle Winchester 1873. A cidade tem como xerife Wyatt Earp (Will Geer), uma lenda do velho-oeste que, para manter o lugar em paz, proíbe o uso de armas. O fato até que funciona, pois Lin encontra Dutch Henry Brown (Horace Stephen McNally) no saloon, um grande desafeto do passado; e só não ocorre um duelo pelo fato de ambos estarem sem armas.

Logo mais haveria o campeonato, ganho por Lin após uma competição acirrada com seus adversários. Henry rouba o prêmio, e Lin vai atrás para recuperar a Winchester e, além do mais, se vingar do passado numa perseguição com muitos encontros e aventuras, nos quais a potente arma dada como recompensa do torneio será passada entre várias digitais.

(spoilers até o fim do parágrafo)

Ao final, é revelado que Lin McAdam e Henry Brown são irmãos, e que aprenderam a atirar com o pai, morto pelas costas por Henry. Desde então, Lin quer vingança e enfrenta o irmão, cujo verdadeiro nome é Matthew, numa batalha de rifle para conseguir também recuperar a Winchester. E é neste duelo, em um espaço rochoso e com Lin vencendo, que fica claro que quem vence a luta não é a arma, mas sim quem a usa.

O rifle Winchester ‘73 é uma poderosa arma com uma mira mais do que precisa, tanto que no filme recebe o apelido de “um em mil” e, na vida real, é conhecida como “a arma que conquistou o oeste”. Pelas mãos dos roteiristas, ele retratado quase como um personagem, até porque acompanhamos todo o caminho pelo qual a arma percorre, e, geralmente, por onde esta passa, a cobiça em tê-la, por parte dos pistoleiros e até dos índios, aumenta.

Durante o filme ficam explícitos alguns fatores históricos: o lendário Wyatt Earp como xerife de Dodge City e também a Conquista do Oeste, com os índios comprando armas-de-fogo de mestiços, enfrentando qualquer um que passasse pelo seu território e tentando combater a cavalaria americana.

Anthony Mann faz uma ótima mistura envolvendo o preto e o branco, com grandes conexões ao cenário devido ao proveito das paisagens e suas respectivas curvas formosas, sobretudo no arco final, quando um monte rochoso é decisivo por meio de sua “singela participação”, criando esconderijos e muitas possibilidades para Lin e Henry.

MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.

19 de julho de 2012

Crítica | O Último Pistoleiro

THE SHOOTIST

(O ÚLTIMO PISTOLEIRO)

Direção: Don Siegel

Roteiro: Scott Hale e Miles Hood Swarthout

Elenco: John Wayne, Lauren Bacall, Ron Howard...

Ano: 1976

Duração: 100 minutos

John Wayne dá adeus ao cinema em uma ode ao gênero que o relevou.

Análise: O Último Pistoleiro não é só um ótimo faroeste norte-americano, como também a triste despedida de um dos grandes ícones do gênero, John Wayne, que morreu em 1979 – três anos após a realização do projeto. A película serve para mostrar um fora-da-lei do oeste de forma diferenciada: um pistoleiro já velho e vivendo os seus derradeiros dias de vida, por estar com câncer – doença esta que, ironicamente, foi a responsável por definhar Wayne na vida real.

Adaptação do livro homônimo de 1975, escrito por Glendon Swarthout, o roteiro do filme é escrito justamente pelo filho deste em conjunto com um companheiro.

Repetindo a dose de O Homem que Matou o Facínora (John Ford, 1962), temos aqui um Wayne e Stewart bem mais idosos, porém não menos geniais.

O Último Pistoleiro inicia de forma emocionante, com um conjunto de imagens de antigos filmes de John Wayne, servindo como uma introdução ao passado de um famoso pistoleiro: John Bernard Books (Wayne) que, em 1901, vai para Carson City visitar o antigo amigo e médico E.W Hostetler (James Stewart), para confirmar as suspeitas de que estava com câncer. Hostetler confirma a doença “incurável” e, então, o pistoleiro aluga um quarto na pousada de Bond Rogers (Lauren Bacall) com o intuito de passar os últimos dias de vida tranquilamente; entretanto, sua presença vira notícia pela região e atraem interesseiros e inimigos, os quais J.B Books decide confrontar no dia de seu último aniversário, sabendo que aqueles seriam seus últimos tiros.

Tanto Wayne quanto Lauren Bacall interpretaram muito bem seus personagens, até por terem sofrido direta ou indiretamente com o câncer. Inicialmente, o papel principal ficaria com George C. Scott, mas este cedeu ao astro rei dos faroestes que pediu o papel e, mesmo com problemas de saúde, ganhou-o. Sua escolha foi um grande acerto da produção (liderada por William Self e M.J. Frankovich), pois consegue construir de forma real e emotiva o personagem, aproveitando a decadência de seu estado após o aparecimento de um câncer de pulmão em 1964. Algo semelhante aconteceu com Bacall, em 1957, quando perdeu o marido, Humphrey Bogart, devido à mesma doença, porém na garganta. Com a inteligência da produção, o contrato de tais personalidades ajuda na construção dos respectivos personagens.

O filme mostra pessoas insensíveis e que querem se aproveitar da fama das outras, as quais se aproximam do próprio juízo final. Exemplos de tal é o delegado Walter J. Thibido (Harry Morgan) que, ao saber que Books está perto da morte, ri por não precisar enfrentar o adversário; o repórter, Dan Dobkins (Rick Lenz), querendo fazer sucesso por escrever um livro narrando as aventuras de Books; o agente funerário Hezekiah Sweeney (John Carradine), que oferece um ótimo plano de embalsamento (e Books o rejeita) por saber que iriam expor seu corpo para visitas, em troca de dinheiro; o cabeleireiro, que parece bondoso ao cortar o cabelo de Books gratuitamente, mas logo depois recolhe-o todo para vende-lo; por fim, uma antiga amada de Books, Serepta (Sheree North), que queria se casar para ficar com os bens e também com o sobrenome do famoso pistoleiro, somente para fazer sucesso.

Já na parte final, Books pensa em uma forma mais honrosa de morrer, marcando um encontro com três antigos inimigos em um saloon e já prevendo o resultado final, pois carrega duas pistolas com seis balas cada – anteriormente, ele mostra que em casos normais deixa uma das câmaras do tambor do revolver sem bala para não atirar por acidente. Assim, ele mata todos os três, um de cada vez, mas fica claro que a doença está o afetando e que os tempos estão mudando, acabando por levar vários tiros, mas apenas morre quando leva um tiro do barman pelas costas. Gillom Rogers (Ron Howard), filho de Bond e grande admirador de Books, mata o responsável pela morte do ídolo e joga sua arma para longe, deixando claro sua vontade de não se envolver e nem seguir os mesmos passos foras-da-lei de Books.

O consagrado diretor Don Siegel faz de O Último Pistoleiro um ótimo faroeste, demonstrando os tempos finais de um pistoleiro e também as mudanças ocorridas em um país retratado por muitos trabalhos do gênero como “ausente de leis”, idealizando uma modernização em que os velhos caubóis não tinham mais espaço. Fora, ainda, sobre o perigo do câncer, doença sujeita a atacar qualquer pessoa, até mesmo um famoso e durão pistoleiro, forte como um touro e valente como John Wayne.

MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.

4 de julho de 2012

Crítica | Galante e Sanguinário

3:10 TO YUMA

(GALANTE E SANGUINÁRIO)

Direção: Delmer Daves

Roteiro: Halsted Welles

Elenco: Glenn Ford, Van Heflin, Felicia Farr…

Ano: 1957

Duração: 92 minutos

Com destaques variados, adaptação de famoso conto estadunidense torna-se obra valiosa e divide méritos entre a dupla de atores.

Análise: Galante e Sanguinário é um filme dirigido por Delmer Daves (o mesmo do excepcional Árvore dos Enforcados, de 1959) e é considerado um dos grandes clássicos do western norte-americano. O roteiro é de Halsted Welles, adaptado do conto homônimo de Elmore Leonard, este que teve muitas outras de suas obras transformadas para as telonas.

No período de comemoração pelos 50 anos do filme, em 2007, um remake hollywoodiano (dirigido por James Mangold, com Christian Bale e Russel Crowe) foi lançado, com o título no Brasil de Os Indomáveis. Apesar de considerado uma refilmagem, muitas diferenças podem ser notadas em relação ao original– algumas até importantes para o desenvolvimento da história.

Ben Wade (Glenn Ford, na foto) é um temido pistoleiro cujo bando assaltou uma diligência carregada de ouro e também os cavalos de Dan Evans (Van Heflin), o qual testemunhou o ato. Logo após, Wade é preso sozinho no pequenino povoado de Bisbee, enquanto Evans é motivado a conquistar 200 dólares para ter água em seu rancho, no Arizona, durante a seca.

Por tal motivo, o mesmo se candidata – e foi o único a fazê-lo – para levar o perigoso Ben até a cidade de Contention, onde pegariam o trem das 3h10min, para Yuma – é daí que vem o título do filme. No destino da dupla, o bando de Wade descobre e cerca o local para resgatar o chefe.

A trilha sonora, composta por George Duning, é de alto nível, criando um arco necessário de suspense no decorrer da projeção; destaque para a bela música tema, The 3:10 to Yuma, cantada por Frankie Laine.

O roteiro sabe desenvolver de forma bastante regular os personagens, até mesmo oferecendo os motivos de suas ações como respostas a diversos casos, como naquele em que Dan Evans continua sua jornada (mesmo com os outros desistindo) somente para ser bem visto entre os filhos. Os atores fazem um bom trabalho, dando vida para personagens marcantes e que mais tarde seriam retomados em outras películas.

Por fim, a fotografia em preto e branco dá os tons certos para um resultado final bem relevante, sendo muito bem feita, com nítidas imagens. Delmer Daves completa todo o ciclo com chave-de-ouro, na execução de uma ótima direção, com planos marcantes – destaque para aquele do trem indo embora, durante a chuva.

Igualmente a muitos trabalhos da época no cinema americano, o principal duelo de Galante e Sanguinário não está nas armas nem na selvageria, mas sim na cabeça dos personagens, em seus psicológicos. Durante grande parte do tempo, lidamos com uma tensão sem princípios de violência, como na cena em que Wade e Evans estão esperando em um quarto de hotel: o segundo deve ficar ouvindo provocações e propostas do primeiro, para deixá-lo fugir. Evans, no entanto, mostra-se incorruptível e não aceita o alto valor oferecido por Wade que, no fim, demonstra honra e facilita o trabalho do “companheiro”, mostrando isto através da cena realizada com o trem em movimento – na qual ele salva a vida de Dan, pois não gosta de ficar devendo favores aos outros. O sorriso como forma de cumprimento entre eles demonstra o respeito mútuo que existe em suas relações.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

26 de junho de 2012

Crítica | O Resgate do Bandoleiro

THE TALL T

(O RESGATE DO BANDOLEIRO)

Direção: Budd Boetticher

Roteiro: Burt Kennedy

Ano: 1957

Elenco: Randolph Scott, Richard Boone e Maureen O’Sullivan …

Duração: 78 minutos

Poucos minutos de projeção, mas história para muitos.

Análise: O Resgate do Bandoleiro é um filme norte-americano dirigido por Budd Boetticher, no ano de 1957. O roteiro, escrito por Burt Kennedy, é baseado na história The Captives, de Elmore Leonard, novelista que teve muitos outros de seus contos adaptado para as telonas, sobretudo ao se tratar dos faroestes, como foi com Galante e Sanguinário (1957) e Os Indomáveis (2007) – partindo da mesma premissa, porém com refilmagens diferentes –, e Joe Kidd (1972).

Pat Brennan (Randolph Scott) é um caubói solitário que, após perder o seu cavalo em uma aposta, pega carona na diligência de seu amigo Ed Rintoon (Arthur Hunnicutt), da qual partem de viagem para a lua-de-mel o casal Willard (John Hubbard) e Doretta Mims (Maureen O’Sullivan) – filha de um rico minerador. Ao chegarem em uma estação de diligências, acabam sendo cercados por um trio de bandidos liderados por Frank Usher (Richard Boone), que bolam um plano ao descobrirem o capital do pai de Doretta, pedindo para o mesmo uma boa bolada em dinheiro pelo resgate da filha.

Em aspectos técnicos, quem se sobressai é a fotografia, sobretudo pelas filmagens em Lone Pine/Califórnia, aproveitando a paisagem rochosa da região e a bela percepção do responsável pelo quesito, Charles Lawton. Já o diretor Budd Boetticher faz um trabalho seguro por detrás das câmeras, conseguindo através de um curto período de tempo finalizar com um intenso tiroteio.

Munido de apenas 78 minutos – o que, apesar de tudo, não se torna um fator negativo – a história toma seu tempo e é desenvolvida de maneira rápida, mas deixando um bom espaço para os personagens, responsáveis pelas reviravoltas no script. As facetas encontradas em The Tall T não são de difíceis acessos em outras películas do mesmo gênero: Willard Mims, por exemplo, um homem ganancioso que se casou com a mulher somente por dinheiro e para tentar salvar a própria pele; o oposto de Willard, Ed Rintoon, é um homem que liga para o próximo, mas quando cercado por bandidos, tenta reagir e ser o herói, e acaba sendo morto. Àqueles que aparecem única e exclusivamente no início, Hank Parker (Fred Sherman) e Jeff (Christopher Olsen), pai e filho, cuidam da empoeirada estação de diligências, sendo que o primeiro está cansado de viver isolado, e planeja voltar para a cidade na tentativa de um futuro melhor.

Vale também destacar a ambiência com que o filme lida, abordando o preceito da solidão e dos sonhos não realizados, os quais podem ser vividos na pele da personagem Doretta Mims, que cresce sem o amor do pai, querendo um filho para cuidar dos negócios posteriormente, e para sair da casa do pai, casa-se com Willard, mesmo não o amando de verdade.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

13 de junho de 2012

Crítica | Quando os Homens são Homens

McCABE & MRS. MILLER

(QUANDO OS HOMENS SÃO HOMENS)

Direção: Robert Altman

Roteiro: Robert Altman e Brian McKay

Ano: 1971

Elenco: Warren Beatty, Julie Christie, Rene Auberjonois …

Duração: 120 minutos

Um amargurado e penoso cenário põe Altman no pedestal ao dirigir sua visão de como se deu a conquista do oeste.

Análise: Lançado na época em que a música folk estava em uma grande onda de ascensão, Quando os Homens são Homens transborda referências ao estilo musical liderado e mais reconhecido pelo cantor e multi-instrumentista de Minnesota, Bob Dylan – que não só agiu no mundo da música, tornando-se também um completo artista ao fazer parte de obras cinematográficas de importância, como Pat Garrett & Billy The Kid (Sam Peckinpah, 1973). Como consequência da época, a trilha sonora do filme é composta pelo parceiro de Dylan nos constantes festivais do gênero musical, o canadense Leonard Cohen.

No inicio do século XX, John McCabe (Warren Beatty) chega a uma cidade em construção. Obtendo um pouco de respeito por aquelas bandas, McCabe abre o primeiro bordel do local. Inicialmente, visa algo de bastante simplicidade, mas, com a chegada de Constance Miller (Julie Christie), os negócios mudam de rumo. Ela convence McCabe a fazer uma parceria, em que Miller cuidava das prostitutas e McCabe entrava com a parte do dinheiro.

A parceria dá certo, o bordel faz sucesso e a cidade fica conhecida, fazendo até com que uma companhia de minério tente comprar o estabelecimento da dupla, em conjunto com as terras ao redor. Mesmo advertido por Miller, McCabe recusa a oferta duas vezes, esperando que os negociadores aumentassem o valor – o que não acontece, visto que os negociadores são substituídos por pistoleiros que vão atrás de McCabe para conseguir a conquista do território para a empresa. Com um final épico, onde uma perseguição pela neve é capaz de mexer com a mente dos espectadores, McCabe precisa ter coragem para conseguir escapar dos pistoleiros.

Um dos maiores destaques da fita está por conta da direção do primoroso Robert Altman, devidamente seguro atrás das câmeras, utilizando-se de vários close-ups e alguns planos com zoons elevados em níveis de dramaticidade. Ele faz cenas nas mais variáveis situações, aproveitando as mutações climáticas de seu “palco a céu aberto”: temos tanto cenas na chuva, quanto no sol e até na neve.

Já a dupla de protagonistas também recebe seu merecido valor ao lado de um vasto elenco com marcantes personagens. As faixas musicais, compostas pelo já citado Leonard Cohen, cai muito bem com as paisagens de uma beleza, no mínimo, belas.

O filme, inicialmente, preza pela chegada de McCabe e Miller e, à medida que desenvolvem o bordel, relacionam-se de maneira igual a um casal de família: todos os problemas, dificuldades e discordâncias da dupla são demonstrados, visando um foco mais no alargamento da história do que na ação propriamente dita – exemplo é que não há nenhum tiro em tal ato. Entretanto, todo o clima pacífico da dupla altera-se quando McCabe – tido como um temido pistoleiro, mas provando o contrário no decorrer da projeção – recusa a oferta de compra de seu estabelecimento feita pela companhia de minério, resultando em um final sangrento e dramático.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

30 de maio de 2012

Crítica | Navajo Joe

NAVAJO JOE

(JOE – O PISTOLEIRO IMPLACÁVEL)

Direção: Sergio Corbucci

Roteiro: Fernando Di Leo e Piero Regnoli

Ano: 1966

Elenco: Burt Reynolds, Aldo Sambrell, Fernando Rey…

Duração: 93 minutos

Vingança de um navajo é acompanhada lado a lado pela espetacular trilha sonora de Ennio Morricone.

Análise: Navajo Joe é um eurowestern realizado pelo excepcional diretor italiano Sergio Corbucci, o qual teve seu nome delineado junto a mais dois xarás de grande importância no contexto em que estão inseridos: o Leone e o Sollima, formando no western spaghetti o trielo de Sergio’s.

Desde sempre inovando dentro do gênero, aqui o “segundo Sergio” é responsável por apresentar – diferente de muitos outros filmes – um índio como protagonista, interpretado pelo norte-americano Burt Reynolds em início de carreira. E, para completar e fechar com chave-de-ouro, não podia faltar mais uma das belíssimas trilhas sonoras de Ennio Morricone, tendo algumas faixas aproveitadas pelo diretor Quentin Tarantino em Kill Bill 2 (2004).

Joe (Reynolds) é o único índio de sua tribo que sobreviveu do massacre feito pelos brancos do bando de Duncan (Aldo Sambrell), tendo este o único objetivo de vender os escalpos dos navajos nas cidades – inclusive mulheres e crianças foram mortas. Então, querendo a aclamada vingança, Joe descobre por meio de três prostitutas e um homem que o alvo da gangue agora é um comboio que “leva dinheiro do governo para o banco de Esperanza” (Mario Lanfranchi). Para finalizar o plano vingativo, o índio tenta fazer com que o dinheiro do banco não caia em mãos erradas, mas vários problemas o atrapalham, como a desconfiança da cidade de Esperanza e o fato de que ela é deveras pacífica e não tem nenhum tipo de arma, além dos confrontos com o bando de Duncan.

Funcionando praticamente como um “homem sem-nome”, o protagonista é bastante interessante, e só não alcança tal status devido ao fato de revelar o seu nome – mesmo que uma única vez durante toda a projeção. Dentre suas outras características, Joe herda muitas semelhanças dos forasteiros americanos nos spaghettis: está em busca de vingança, é silencioso, tem um passado desconhecido e demonstra ser ágil com armas.

Corbucci mantém um ritmo um tanto quanto rápido para contar a história, sobrepondo muitas cenas de ação que, às vezes, saem forçadas e isto não escapa às vistas do espectador. Em momentos de combate, por exemplo, os adversários de Joe agem de maneira estranha, sofrendo com as habilidades impressionantes e fora do normal do mero índio, o qual parece até ser invisível para os seus adversários.

Mais uma vez, a trilha de Morricone dispensa comentários, utilizando-se de seus melhores disparos para criar sons inovadores: as guitarras sibilantes, os assovios chamativos e os gritos indígenas estão lá, e nunca faltarão.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.