30 de junho de 2012

Trilha Sonora | For a Few Guitars More

Cinema e música sempre andaram juntos – e tudo pende ao fato que estes continuarão a trilhar o mesmo caminho. Ambos nunca falham. Uma dupla dinâmica, se assim podemos defini-los. Digo isso por conta de um complementar o outro, ainda mais quando se acrescenta o faroeste nesta relação que beira a perfeição. Para ser mais claro, não aquele “faroeste propriamente dito”, mas sim o que se relaciona com o nome do maestro italiano Ennio Morricone, de tantas e tantas glórias alcançadas.

Cidadão romano desde sua simplória origem, a qual paira na data do dia 10 de novembro do ano de 1928, Morricone é natural da comuna de Arpino (província de Frosinone). Tornou-se mundialmente conhecido devido seus arranjos originais e inovadores para os filmes do coleguinha de escola primária, Sergio Leone. Todas as fitas que o diretor dirigiu até sua morte, a propósito, contavam com a valiosa mão de Ennio, responsável por reger toda uma orquestra em busca dos pontos máximos da projeção. A consequência disto é uma realidade em que algumas faixas preparadas pelo compositor são até mais famosas que os próprios filmes de Leone.

Juntos, os dois faustosos ícones do western spaghetti formaram uma das duplas mais duradouras – e não digo em relação ao tempo que estiveram em atividade, porém, à profunda marca que deixarão na história – no quesito realizador/músico, e também das quais mais sentimos falta hoje em dia. O que resta, portanto, é a nostalgia de suas obras.

Um já descansa em paz, o outro continua firme e forte na batuta. Para não deixar passar a oportunidade de agradecê-lo, alguns artistas do contemporâneo musical criam tributos ao experiente Ennio Morricone, misturando tudo do novo que hoje existe para homenagear àquele que não o tinha, mas o criou para, coincidentemente, as gerações do futuro.

For a Few Guitars More: A Tribute to Morricone’s Spaghetti Western Themes é justamente um projeto responsável por reunir algumas bandas da atualidade que, apesar de desconhecidas no mercado, reconstroem de maneira sublime algumas das principais melodias do regente em questão.

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FAIXAS (clique no título para ouvir uma prévia):

1. Guns Don't Argue
Direto de: Le Pistole non Discutono, dir. Mario Caiano, 1964
Por:
The Penetrators

2. Titoli (A Fistful of Dollars)
Direto de: Un Pugno di Dollari,
dir. Sergio Leone, 1964
Por:
Bradipos IV

3. For a Fistful of Dollars
Direto de:
Un Pugno di Dollari
Por:
Dave Wronksi

4. For a Few Dollars More
Direto de:
Per Qualche Dollaro in Piú, dir. Sergio Leone, 1965
Por:
Cosmonauti

5. Sixty Seconds To What? [aka La Resa dei Conti]
Direto de:
Per Qualche Dollaro in Piú
Por:
Brent J. Cooper

6. The Vice Of Killing
Direto de:
Per Qualche Dollaro in Piú
Por:
The Langhorns

7. The Good, the Bad, and the Ugly
Direto de: Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo,
dir. Sergio Leone, 1966
Por:
The Atlantics

8. The Ecstasy of Gold
Direto de:
Il Buono, Il Brutto, Il Cattivo
Por:
3 Balls of Fire

9. A Gun for Ringo
Direto de: Una Pistola per Ringo,
dir. Duccio Tessari, 1965
Por:
Bambi Molesters

10. Navajo Joe
Direto de:
Navajo Joe, dir. Sergio Corbucci, 1966
Por:
Pollo del Mar

11. The Big Gundown
Direto de:
La Resa dei Conti, dir. Sergio Sollima, 1966
Por:
The Irreversible Slacks

12. The Hellbenders
Direto de:
I Crudeli, dir. Sergio Corbucci, 1966
Por:
The Hellbenders

13. The Great Silence
Direto de: Il Grande Silenzio,
dir. Sergio Corbucci, 1968
Por:
Kim Humphreys

14. Once Upon a Time in the West
Direto de: C'era Una Volta il West, dir. Sergio Leone, 1969
Por:
In the West

15. As a Judgment [Come una Sentenza]
Direto de: C'era Una Volta il West
Por:
Bernard Yin, David Arnson

16. Farewell to Cheyenne
Direto de: C'era Una Volta il West
Por:
Di Dollari

Bonus Track:
17.
The Loud, the Loose, and the Savage
Composição própria de
Davie Allan, inspirado por Ennio Morricone.

28 de junho de 2012

Pôster | O Resgate do Bandoleiro

THE TALL T

Direção: Budd Boetticher

Roteiro: Burt Kennedy

Ano: 1957

Elenco: Randolph Scott, Richard Boone e Maureen O’Sullivan …

Duração: 78 minutos

Poucos minutos de projeção, mas história para muitos.

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Leia o parecer completo do comentarista Thierry Vasques, clicando aqui.

26 de junho de 2012

Crítica | O Resgate do Bandoleiro

THE TALL T

(O RESGATE DO BANDOLEIRO)

Direção: Budd Boetticher

Roteiro: Burt Kennedy

Ano: 1957

Elenco: Randolph Scott, Richard Boone e Maureen O’Sullivan …

Duração: 78 minutos

Poucos minutos de projeção, mas história para muitos.

Análise: O Resgate do Bandoleiro é um filme norte-americano dirigido por Budd Boetticher, no ano de 1957. O roteiro, escrito por Burt Kennedy, é baseado na história The Captives, de Elmore Leonard, novelista que teve muitos outros de seus contos adaptado para as telonas, sobretudo ao se tratar dos faroestes, como foi com Galante e Sanguinário (1957) e Os Indomáveis (2007) – partindo da mesma premissa, porém com refilmagens diferentes –, e Joe Kidd (1972).

Pat Brennan (Randolph Scott) é um caubói solitário que, após perder o seu cavalo em uma aposta, pega carona na diligência de seu amigo Ed Rintoon (Arthur Hunnicutt), da qual partem de viagem para a lua-de-mel o casal Willard (John Hubbard) e Doretta Mims (Maureen O’Sullivan) – filha de um rico minerador. Ao chegarem em uma estação de diligências, acabam sendo cercados por um trio de bandidos liderados por Frank Usher (Richard Boone), que bolam um plano ao descobrirem o capital do pai de Doretta, pedindo para o mesmo uma boa bolada em dinheiro pelo resgate da filha.

Em aspectos técnicos, quem se sobressai é a fotografia, sobretudo pelas filmagens em Lone Pine/Califórnia, aproveitando a paisagem rochosa da região e a bela percepção do responsável pelo quesito, Charles Lawton. Já o diretor Budd Boetticher faz um trabalho seguro por detrás das câmeras, conseguindo através de um curto período de tempo finalizar com um intenso tiroteio.

Munido de apenas 78 minutos – o que, apesar de tudo, não se torna um fator negativo – a história toma seu tempo e é desenvolvida de maneira rápida, mas deixando um bom espaço para os personagens, responsáveis pelas reviravoltas no script. As facetas encontradas em The Tall T não são de difíceis acessos em outras películas do mesmo gênero: Willard Mims, por exemplo, um homem ganancioso que se casou com a mulher somente por dinheiro e para tentar salvar a própria pele; o oposto de Willard, Ed Rintoon, é um homem que liga para o próximo, mas quando cercado por bandidos, tenta reagir e ser o herói, e acaba sendo morto. Àqueles que aparecem única e exclusivamente no início, Hank Parker (Fred Sherman) e Jeff (Christopher Olsen), pai e filho, cuidam da empoeirada estação de diligências, sendo que o primeiro está cansado de viver isolado, e planeja voltar para a cidade na tentativa de um futuro melhor.

Vale também destacar a ambiência com que o filme lida, abordando o preceito da solidão e dos sonhos não realizados, os quais podem ser vividos na pele da personagem Doretta Mims, que cresce sem o amor do pai, querendo um filho para cuidar dos negócios posteriormente, e para sair da casa do pai, casa-se com Willard, mesmo não o amando de verdade.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

15 de junho de 2012

Pôster | Quando os Homens são Homens

McCABE & MRS. MILLER

Direção: Robert Altman

Roteiro: Robert Altman e Brian McKay

Ano: 1971

Elenco: Warren Beatty, Julie Christie, Rene Auberjonois …

Duração: 120 minutos

Um amargurado e penoso cenário põe Altman no pedestal ao dirigir sua visão de como se deu a conquista do oeste.

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Leia a crítica complete deste clássico, um dos maiores faroestes da década de 70.

13 de junho de 2012

Crítica | Quando os Homens são Homens

McCABE & MRS. MILLER

(QUANDO OS HOMENS SÃO HOMENS)

Direção: Robert Altman

Roteiro: Robert Altman e Brian McKay

Ano: 1971

Elenco: Warren Beatty, Julie Christie, Rene Auberjonois …

Duração: 120 minutos

Um amargurado e penoso cenário põe Altman no pedestal ao dirigir sua visão de como se deu a conquista do oeste.

Análise: Lançado na época em que a música folk estava em uma grande onda de ascensão, Quando os Homens são Homens transborda referências ao estilo musical liderado e mais reconhecido pelo cantor e multi-instrumentista de Minnesota, Bob Dylan – que não só agiu no mundo da música, tornando-se também um completo artista ao fazer parte de obras cinematográficas de importância, como Pat Garrett & Billy The Kid (Sam Peckinpah, 1973). Como consequência da época, a trilha sonora do filme é composta pelo parceiro de Dylan nos constantes festivais do gênero musical, o canadense Leonard Cohen.

No inicio do século XX, John McCabe (Warren Beatty) chega a uma cidade em construção. Obtendo um pouco de respeito por aquelas bandas, McCabe abre o primeiro bordel do local. Inicialmente, visa algo de bastante simplicidade, mas, com a chegada de Constance Miller (Julie Christie), os negócios mudam de rumo. Ela convence McCabe a fazer uma parceria, em que Miller cuidava das prostitutas e McCabe entrava com a parte do dinheiro.

A parceria dá certo, o bordel faz sucesso e a cidade fica conhecida, fazendo até com que uma companhia de minério tente comprar o estabelecimento da dupla, em conjunto com as terras ao redor. Mesmo advertido por Miller, McCabe recusa a oferta duas vezes, esperando que os negociadores aumentassem o valor – o que não acontece, visto que os negociadores são substituídos por pistoleiros que vão atrás de McCabe para conseguir a conquista do território para a empresa. Com um final épico, onde uma perseguição pela neve é capaz de mexer com a mente dos espectadores, McCabe precisa ter coragem para conseguir escapar dos pistoleiros.

Um dos maiores destaques da fita está por conta da direção do primoroso Robert Altman, devidamente seguro atrás das câmeras, utilizando-se de vários close-ups e alguns planos com zoons elevados em níveis de dramaticidade. Ele faz cenas nas mais variáveis situações, aproveitando as mutações climáticas de seu “palco a céu aberto”: temos tanto cenas na chuva, quanto no sol e até na neve.

Já a dupla de protagonistas também recebe seu merecido valor ao lado de um vasto elenco com marcantes personagens. As faixas musicais, compostas pelo já citado Leonard Cohen, cai muito bem com as paisagens de uma beleza, no mínimo, belas.

O filme, inicialmente, preza pela chegada de McCabe e Miller e, à medida que desenvolvem o bordel, relacionam-se de maneira igual a um casal de família: todos os problemas, dificuldades e discordâncias da dupla são demonstrados, visando um foco mais no alargamento da história do que na ação propriamente dita – exemplo é que não há nenhum tiro em tal ato. Entretanto, todo o clima pacífico da dupla altera-se quando McCabe – tido como um temido pistoleiro, mas provando o contrário no decorrer da projeção – recusa a oferta de compra de seu estabelecimento feita pela companhia de minério, resultando em um final sangrento e dramático.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

8 de junho de 2012

Django Unchained | Trailer

- What’s your name?

- Django… The “D” is silent.

Primeiro trailer oficial de Django Unchained, faroeste sulista e também uma espécie de exploitation do sanguinário e não menos extraordinário diretor fanático pelos gêneros, Quentin Tarantino.

Cercado de referências que podem ser observadas desde o primeiro segundo da projeção, o ápice está mesmo centrado é no fim, quando o “Django Original” (Franco Nero) questiona o nome do “Novo Django” (Jamie Foxx).

Além destes, no elenco do filme também estão: Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz, Kerry Washington, Tom Savini, Anthony LaPaglia, entre outros.

Quer saber mais de Django Unchained? Clique AQUI ou entre no site do filme.

31 de maio de 2012

Just a dirty son of a b...

“The clock’s ticking, and I’m only getting older”.

31 de maio de 1930. San Francisco, Estados Unidos da América.

Mais um ano se passa e, felizmente, mais um dígito é acrescentado na “casa das idades” do eterno homem sem-nome: Clint Eastwood Jr.

Parabéns pelas 82 primaveras muito bem aproveitadas!

Continue recebendo e nos dando felicidades. Que viva muito mais, Blondie!

Para saber mais sobre a vida e obra de Eastwood, clique AQUI ou AQUI.

“Go ahead, make my cake!”

30 de maio de 2012

Crítica | Navajo Joe

NAVAJO JOE

(JOE – O PISTOLEIRO IMPLACÁVEL)

Direção: Sergio Corbucci

Roteiro: Fernando Di Leo e Piero Regnoli

Ano: 1966

Elenco: Burt Reynolds, Aldo Sambrell, Fernando Rey…

Duração: 93 minutos

Vingança de um navajo é acompanhada lado a lado pela espetacular trilha sonora de Ennio Morricone.

Análise: Navajo Joe é um eurowestern realizado pelo excepcional diretor italiano Sergio Corbucci, o qual teve seu nome delineado junto a mais dois xarás de grande importância no contexto em que estão inseridos: o Leone e o Sollima, formando no western spaghetti o trielo de Sergio’s.

Desde sempre inovando dentro do gênero, aqui o “segundo Sergio” é responsável por apresentar – diferente de muitos outros filmes – um índio como protagonista, interpretado pelo norte-americano Burt Reynolds em início de carreira. E, para completar e fechar com chave-de-ouro, não podia faltar mais uma das belíssimas trilhas sonoras de Ennio Morricone, tendo algumas faixas aproveitadas pelo diretor Quentin Tarantino em Kill Bill 2 (2004).

Joe (Reynolds) é o único índio de sua tribo que sobreviveu do massacre feito pelos brancos do bando de Duncan (Aldo Sambrell), tendo este o único objetivo de vender os escalpos dos navajos nas cidades – inclusive mulheres e crianças foram mortas. Então, querendo a aclamada vingança, Joe descobre por meio de três prostitutas e um homem que o alvo da gangue agora é um comboio que “leva dinheiro do governo para o banco de Esperanza” (Mario Lanfranchi). Para finalizar o plano vingativo, o índio tenta fazer com que o dinheiro do banco não caia em mãos erradas, mas vários problemas o atrapalham, como a desconfiança da cidade de Esperanza e o fato de que ela é deveras pacífica e não tem nenhum tipo de arma, além dos confrontos com o bando de Duncan.

Funcionando praticamente como um “homem sem-nome”, o protagonista é bastante interessante, e só não alcança tal status devido ao fato de revelar o seu nome – mesmo que uma única vez durante toda a projeção. Dentre suas outras características, Joe herda muitas semelhanças dos forasteiros americanos nos spaghettis: está em busca de vingança, é silencioso, tem um passado desconhecido e demonstra ser ágil com armas.

Corbucci mantém um ritmo um tanto quanto rápido para contar a história, sobrepondo muitas cenas de ação que, às vezes, saem forçadas e isto não escapa às vistas do espectador. Em momentos de combate, por exemplo, os adversários de Joe agem de maneira estranha, sofrendo com as habilidades impressionantes e fora do normal do mero índio, o qual parece até ser invisível para os seus adversários.

Mais uma vez, a trilha de Morricone dispensa comentários, utilizando-se de seus melhores disparos para criar sons inovadores: as guitarras sibilantes, os assovios chamativos e os gritos indígenas estão lá, e nunca faltarão.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.