7 de agosto de 2012

Pôster | Django Vem Para Matar

SE SEI VIVO SPARA

Direção: Giulio Questi

Roteiro:Benedetto Benedetti, Franco Arcalli, Giulio Questi e María del Carmen Martínez Román

Elenco: Tomas Milian, Ray Lovelock, Piero Lulli...

Ano: 1967

Duração: 100minutos

Cheio de bizarrices e sangue, eis um dos westerns mais violentos e polêmicos.

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Para ler a crítica de mais um dos subversivos filmes da série Django, é só clicar aqui.

5 de agosto de 2012

Crítica | Django Vem Para Matar

SE SEI VIVO SPARA

(DJANGO VEM PARA MATAR)

Direção: Giulio Questi

Roteiro: Benedetto Benedetti, Franco Arcalli, Giulio Questi e María del Carmen Martínez Román

Elenco: Tomas Milian, Ray Lovelock, Piero Lulli...

Ano: 1967

Duração: 100 minutos

Cheio de bizarrices e sangue, eis um dos westerns mais violentos e polêmicos.

Análise: Considerado a primeira sequência de Django (Sergio Corbucci, 1966), embora não tenha nenhuma ligação com o personagem representado por Franco Nero no primeiro filme, Django Vem Para Matar é um western spaghetti dirigido pelo italiano Giulio Questi, tendo em seu papel principal o futuro ator de papéis cômicos, o cubano Tomas Milian.

É um trabalho deveras provocador, com muitas cenas fortes e várias fanfarrices, o que lhe garantiu o título de “um dos faroestes mais violentos”.

Apesar de não citado na projeção, o nome “Django” é substituído por “O Forasteiro”, apelido adotado pelo mestiço (Milian) que foi encontrado por dois índios, baleado, após ter sido traído pela parte americana da gangue que recusara repartir o ouro com sua parte, a mexicana. Então, ele corre em busca de vingança e chega a uma estranha cidade, onde a conquista após matar o líder cuja gangue conduz o local; entretanto, o mestiço ainda não acabou sua missão, pois ainda precisa recuperar o ouro em uma aventura bem brutal.

Ao decorrer da película, mostra-se como a sede humana pela riqueza é arrebatante, através de Bill Templer (Milo Quesada) negando que possuía ouro mesmo com a vida de seu filho, Evans (Ray Lovelock), em jogo. E, também, em uma cena cômica, na qual um homem é baleado com balas de ouro, o que já lhe garante uma morte mais satisfatória.

O estilo em que o filme foi montado, pelo editor Franco Arcalli, é bem alucinante, com cenas que provocam certo desconforto por meio de rápidos cortes de câmera. O diretor, por sua vez, faz um ótimo trabalho, usando e abusando dos closes, que são usados até nos animais que aparecem sendo torturados. A fotografia de Franco Delli Colli é própria para contrastar com o vibrante sangue vermelho, em maior tom nas cenas de cortes na pele humana.

O filme têm duas referências religiosas, ambas com o Forasteiro: uma logo no começo, em que ele ressuscita ao sair da cova, e outra na hora de sua tortura, na qual está apenas de tanga e em posição de quem será crucificado.

Polêmico devido à extrema violência contida em seus frames, abordagens sobre alguns assuntos abusados e muitas bizarrices, dentre os elementos mais esquisitos de Django Vem Para Matar encontra-se uma gangue de indivíduos que só se vestem de preto e, supostamente, são homossexuais, pois em uma cena há a sensação de que eles estupram o jovem Evans Templer, este que cometera suicídio no dia seguinte.

O racismo também ganha um espaço polpudo, quando os americanos se recusam a dividir o dinheiro com os mexicanos, os quais tiveram todo o trabalho, e quando os homens brancos escalpelam um índio, dizendo que seria pecado matá-lo de outra maneira. Já entre as muitas outras esquisitices, temos a cena de Mr. Sorrow (Roberto Camardiel) dando bebida alcoólica para uma arara.

MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.

30 de julho de 2012

Pôster | Winchester '73

WINCHESTER ’73

Direção: Anthony Mann

Roteiro: Borden Chase e Robert L. Richards

Elenco: James Stewart, Shelley Winter, Stephen McNally...

Ano: 1950

Duração: 92 minutos

Winchester ’73 é um filme norte-americano passado em tempos áureos do velho-oeste, dirigido pelo consagrado diretor Anthony Mann e sendo o primeiro dos outros sete trabalhos vindos diretamente da parceria com seu ator-fetiche, James Stewart.

(...)

Leia crítica completa deste clássico.

28 de julho de 2012

Crítica | Winchester '73

WINCHESTER ’73

Direção: Anthony Mann

Roteiro: Borden Chase e Robert L. Richards

Elenco: James Stewart, Shelley Winter, Stephen McNally...

Ano: 1950

Duração: 92 minutos

Análise: Winchester ’73 é um filme norte-americano passado em tempos áureos do velho-oeste, dirigido pelo consagrado diretor Anthony Mann e sendo o primeiro dos outros sete trabalhos vindos diretamente da parceria com seu ator-fetiche, James Stewart. O rifle Winchester 1873, o qual dá título ao filme, é mostrado como a melhor e mais desejada arma do faroeste, o que gera desavenças entre as pessoas, estas que brigam somente por um causador de problemas – prova de que a projeção retrata muitos fatos históricos e verídicos.

Lin McAdam (Stewart) e Frankie Wilson (Millard Mitchell) viajam para Dodge City na tentativa de participarem do concurso de tiro, na comemoração do aniversário da cidade, e vencerem o prêmio: nada mais nada menos que um rifle Winchester 1873. A cidade tem como xerife Wyatt Earp (Will Geer), uma lenda do velho-oeste que, para manter o lugar em paz, proíbe o uso de armas. O fato até que funciona, pois Lin encontra Dutch Henry Brown (Horace Stephen McNally) no saloon, um grande desafeto do passado; e só não ocorre um duelo pelo fato de ambos estarem sem armas.

Logo mais haveria o campeonato, ganho por Lin após uma competição acirrada com seus adversários. Henry rouba o prêmio, e Lin vai atrás para recuperar a Winchester e, além do mais, se vingar do passado numa perseguição com muitos encontros e aventuras, nos quais a potente arma dada como recompensa do torneio será passada entre várias digitais.

(spoilers até o fim do parágrafo)

Ao final, é revelado que Lin McAdam e Henry Brown são irmãos, e que aprenderam a atirar com o pai, morto pelas costas por Henry. Desde então, Lin quer vingança e enfrenta o irmão, cujo verdadeiro nome é Matthew, numa batalha de rifle para conseguir também recuperar a Winchester. E é neste duelo, em um espaço rochoso e com Lin vencendo, que fica claro que quem vence a luta não é a arma, mas sim quem a usa.

O rifle Winchester ‘73 é uma poderosa arma com uma mira mais do que precisa, tanto que no filme recebe o apelido de “um em mil” e, na vida real, é conhecida como “a arma que conquistou o oeste”. Pelas mãos dos roteiristas, ele retratado quase como um personagem, até porque acompanhamos todo o caminho pelo qual a arma percorre, e, geralmente, por onde esta passa, a cobiça em tê-la, por parte dos pistoleiros e até dos índios, aumenta.

Durante o filme ficam explícitos alguns fatores históricos: o lendário Wyatt Earp como xerife de Dodge City e também a Conquista do Oeste, com os índios comprando armas-de-fogo de mestiços, enfrentando qualquer um que passasse pelo seu território e tentando combater a cavalaria americana.

Anthony Mann faz uma ótima mistura envolvendo o preto e o branco, com grandes conexões ao cenário devido ao proveito das paisagens e suas respectivas curvas formosas, sobretudo no arco final, quando um monte rochoso é decisivo por meio de sua “singela participação”, criando esconderijos e muitas possibilidades para Lin e Henry.

MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.

21 de julho de 2012

Especial | Dia do Amigo

Nós, do ANALISANDO O OESTE, em comemoração ao Dia do Amigo (20/07), realizamos uma lista com alguns dos imemoráveis companheiros que cavalgaram lado-a-lado pelas bandas cinematográficas do Oeste. Aí vão:

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A dramática e emocionante trajetória dos inseparáveis Shane (Alan Ladd) e do garotinho Joey Starrett (Brandon De Wilde) culminou em um extremo sucesso de Os Brutos Também Amam (George Stevens, 1954), gerando alcunhas controversas do tipo: “o melhor faroeste já feito”.

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Apesar da fotografia nada amistosa, a estória narrada através de flashbacks em O Homem que Matou o Facínora (John Ford, 1962), por Ransom Stoddard (James Stewart) relembra os momentos preciosos que teve ao lado do companheiro Tom Doniphon (John Wayne).

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Já confundido com um padre, o Coronel Douglas Mortimer (Lee Van Cleef) foi apresentado ao caçador-de-recompensa – e futuro companheiro de profissão – Monco (Clint Eastwood) da maneira mais improvável e genial possível: a cena dos “chapéus voadores” acaba tornando-se uma das melhores de Por uns Dólares a Mais (Sergio Leone, 1965).

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O monossilábico Django (Franco Nero) atravessa todo o característico território lamacento carregando um caixão. Ironicamente, este é o que acaba ficando de mistério para o filme e, consequentemente, tornando-se o seu melhor amigo em Django (Sergio Corbucci, 1966).

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O espetacular jogo entre gato-e-rato armado mutuamente, ora por Tuco (Eli Wallach) ora por Blondie (Clint Eastwood), em Três Homens em Conflito (Sergio Leone, 1966) é o que faz não só da dupla, mas também deste faroeste indescritível, um dos maiores da arte cinematográfica.

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Paul Newman é Butch Cassidy, enquanto Robert Redford toma conta do papel de Sundance Kid. Resumindo, uma das duplas mais impagáveis da sétima-arte imprime, sem mais nem menos, a história de dois lendários foras-da-lei nos fotogramas de Butch Cassidy & Sundance Kid (George Roy Hill, 1969).

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Pais do faroeste cômico, Bud Spencer e Terence Hill eram inseparáveis e, fisicamente, uma espécie de O Gordo e O Magro. Ambos ganharam espaço na indústria cinematográfica com a criação do personagem Trinity (interpretado por Hill), o qual sempre era acompanhado pelo parceiro Bambino (Spencer). O primeiro filme de uma série deles foi Trinity é o meu Nome (Enzo Barboni, 1970).

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Mr. McCabe (Warren Beatty) e Mrs. Miller (Julie Christie) se dão como marido e mulher, porém não passam de parceiros de negócio no amargo faroeste Quando os Homens São Homens (Robert Altman, 1971).

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Mais uma das lendas do sombrio oeste americano, estes dois antigos companheiros de farra se separaram depois de Pat Garrett (James Coburn) tornar-se agente da lei, impondo uma constante caçada a Billy The Kid (Kris Kristofferson), um dos mais perigosos e famosos bandidos que vieram a calhar – e, por ser tão conhecido, Pat escreveu um livro sobre suas aventuras, seja juntos ou não. Apesar das inúmeras adaptações ao cinema, a mais incontestável é Pat Garrett & Billy The Kid (Sam Peckinpah, 1973), na qual o que não falta é sangue e muita genialidade por parte de seu diretor.

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Ela está no título do filme, o enredo gira a sua volta, é a mais procurada de toda a região, porém tem seu rosto revelado apenas em alguns segundos da projeção. Falo da cabeça de Alfredo García, que demonstra o melhor do companheirismo para com o personagem Bennie (Warren Oates) – este até a lava, ensaboa, espanta os mosquitos; é inevitável, também, que converse com ela. Portanto, Tragam-me a Cabeça de Alfredo García (Sam Peckinpah, 1974) é um grato exemplo de amizade entre a busca pelo dinheiro e o sofrimento na caminhada.

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Com o desejo de voltar às atividades para caçar um grupo que esfaqueou prostitutas da cidade, o já desgastado William Munny (Eastwood) e o parceiro de longa data Ned Logan (Morgan Freeman) tem pela frente a velhice como maior inimigo. Sem delongas, partirão para a glória ou para a derrota na obra-prima Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992).

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Desolado pelas três não lineares perdas do amigo Melquíades Estrada (vivido por Julio Cedillo), o rancheiro Peter Perkins (Tommy Lee Jones) parte em busca daquele que seria o responsável por tal fato, encontrando em Mike Norton (Barry Pepper) um culpado. Demonstrando o devido carinho ao companheiro, carrega o defunto para onde vai, fazendo de Três Enterros (Tommy Lee Jones, 2005) um dos melhores westerns modernos.

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A amizade da dupla Everett Hitch (Viggo Mortensen) e Virgil Cole (Ed Harris) é reportada mediante um prelúdio, no qual se diz sobre “manter a paz”, sobretudo ao avistarem a cidade sem lei de Appaloosa. Lá, eles fariam o mesmo, mas, obviamente, confrontando-se com outras questões. Entre elas, estaria a presença do espírito feminino, que divide os companheiros no faroeste Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei (Ed Harris, 2008).

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Para a garotinha Mattie Ross (Hailee Steinfeld), o xerife caolho e beberrão Rooster Cogburn (Jeff Bridges) era um homem de “bravura indômita”. Ela queria a ajuda do mesmo para vingar a morte de seu pai. Em Bravura Indômita (Joel e Ethan Coen, 2010), a amizade estabelecida por eles é muito mais que isso, estando comprovado por meio da simbólica cena da cobra, em que Rooster chupa o veneno da mão da menina.

THE END.

20 de julho de 2012

Pôster | O Último Pistoleiro

THE SHOOTIST

Direção: Don Siegel

Roteiro: Scott Hale e Miles Hood Swarthout

Elenco: John Wayne, Lauren Bacall, Ron Howard...

Ano: 1976

Duração: 100 minutos

John Wayne dá adeus ao cinema em uma ode ao gênero que o relevou.

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Para ler a crítica, escrita por Thierry Vasques, é só clicar aqui.

19 de julho de 2012

Crítica | O Último Pistoleiro

THE SHOOTIST

(O ÚLTIMO PISTOLEIRO)

Direção: Don Siegel

Roteiro: Scott Hale e Miles Hood Swarthout

Elenco: John Wayne, Lauren Bacall, Ron Howard...

Ano: 1976

Duração: 100 minutos

John Wayne dá adeus ao cinema em uma ode ao gênero que o relevou.

Análise: O Último Pistoleiro não é só um ótimo faroeste norte-americano, como também a triste despedida de um dos grandes ícones do gênero, John Wayne, que morreu em 1979 – três anos após a realização do projeto. A película serve para mostrar um fora-da-lei do oeste de forma diferenciada: um pistoleiro já velho e vivendo os seus derradeiros dias de vida, por estar com câncer – doença esta que, ironicamente, foi a responsável por definhar Wayne na vida real.

Adaptação do livro homônimo de 1975, escrito por Glendon Swarthout, o roteiro do filme é escrito justamente pelo filho deste em conjunto com um companheiro.

Repetindo a dose de O Homem que Matou o Facínora (John Ford, 1962), temos aqui um Wayne e Stewart bem mais idosos, porém não menos geniais.

O Último Pistoleiro inicia de forma emocionante, com um conjunto de imagens de antigos filmes de John Wayne, servindo como uma introdução ao passado de um famoso pistoleiro: John Bernard Books (Wayne) que, em 1901, vai para Carson City visitar o antigo amigo e médico E.W Hostetler (James Stewart), para confirmar as suspeitas de que estava com câncer. Hostetler confirma a doença “incurável” e, então, o pistoleiro aluga um quarto na pousada de Bond Rogers (Lauren Bacall) com o intuito de passar os últimos dias de vida tranquilamente; entretanto, sua presença vira notícia pela região e atraem interesseiros e inimigos, os quais J.B Books decide confrontar no dia de seu último aniversário, sabendo que aqueles seriam seus últimos tiros.

Tanto Wayne quanto Lauren Bacall interpretaram muito bem seus personagens, até por terem sofrido direta ou indiretamente com o câncer. Inicialmente, o papel principal ficaria com George C. Scott, mas este cedeu ao astro rei dos faroestes que pediu o papel e, mesmo com problemas de saúde, ganhou-o. Sua escolha foi um grande acerto da produção (liderada por William Self e M.J. Frankovich), pois consegue construir de forma real e emotiva o personagem, aproveitando a decadência de seu estado após o aparecimento de um câncer de pulmão em 1964. Algo semelhante aconteceu com Bacall, em 1957, quando perdeu o marido, Humphrey Bogart, devido à mesma doença, porém na garganta. Com a inteligência da produção, o contrato de tais personalidades ajuda na construção dos respectivos personagens.

O filme mostra pessoas insensíveis e que querem se aproveitar da fama das outras, as quais se aproximam do próprio juízo final. Exemplos de tal é o delegado Walter J. Thibido (Harry Morgan) que, ao saber que Books está perto da morte, ri por não precisar enfrentar o adversário; o repórter, Dan Dobkins (Rick Lenz), querendo fazer sucesso por escrever um livro narrando as aventuras de Books; o agente funerário Hezekiah Sweeney (John Carradine), que oferece um ótimo plano de embalsamento (e Books o rejeita) por saber que iriam expor seu corpo para visitas, em troca de dinheiro; o cabeleireiro, que parece bondoso ao cortar o cabelo de Books gratuitamente, mas logo depois recolhe-o todo para vende-lo; por fim, uma antiga amada de Books, Serepta (Sheree North), que queria se casar para ficar com os bens e também com o sobrenome do famoso pistoleiro, somente para fazer sucesso.

Já na parte final, Books pensa em uma forma mais honrosa de morrer, marcando um encontro com três antigos inimigos em um saloon e já prevendo o resultado final, pois carrega duas pistolas com seis balas cada – anteriormente, ele mostra que em casos normais deixa uma das câmaras do tambor do revolver sem bala para não atirar por acidente. Assim, ele mata todos os três, um de cada vez, mas fica claro que a doença está o afetando e que os tempos estão mudando, acabando por levar vários tiros, mas apenas morre quando leva um tiro do barman pelas costas. Gillom Rogers (Ron Howard), filho de Bond e grande admirador de Books, mata o responsável pela morte do ídolo e joga sua arma para longe, deixando claro sua vontade de não se envolver e nem seguir os mesmos passos foras-da-lei de Books.

O consagrado diretor Don Siegel faz de O Último Pistoleiro um ótimo faroeste, demonstrando os tempos finais de um pistoleiro e também as mudanças ocorridas em um país retratado por muitos trabalhos do gênero como “ausente de leis”, idealizando uma modernização em que os velhos caubóis não tinham mais espaço. Fora, ainda, sobre o perigo do câncer, doença sujeita a atacar qualquer pessoa, até mesmo um famoso e durão pistoleiro, forte como um touro e valente como John Wayne.

MINHA NOTA:

POR THIERRY VASQUES.

16 de julho de 2012

Pôster | A Quadrilha Maldita

DAY OF THE OUTLAW

Direção: André De Toth

Roteiro: Philip Yordan

Elenco: Robert Ryan, Burl Ives, Tina Louise...

Ano: 1959

Duração: 92 minutos

Deslumbrante vazio branco dá tons negros à obra-prima de De Toth.

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Leia a crítica completa desta obra-prima obscura do faroeste estadunidense, por Bruno Barrenha.

14 de julho de 2012

Crítica | A Quadrilha Maldita

DAY OF THE OUTLAW

(A QUADRILHA MALDITA)

Direção: André De Toth

Roteiro: Philip Yordan

Elenco: Robert Ryan, Burl Ives, Tina Louise...

Ano: 1959

Duração: 92 minutos

Deslumbrante vazio branco dá tons negros à obra-prima de De Toth.

Análise: Nada de desertos arenosos, nem mesmo do insuportável calor que carrega consigo. Nada de peles-vermelhas, nem de conflitos que cheguem perto dos tais. Nada de diligências, de humor, de politicamente correto, de mocinhos e bandidos, de pureza... O que realmente assistimos neste (baita) faroeste do diretor húngaro – e caolho, vale a curiosidade – André De Toth são sequelas pra lá de arrepiantes e, ainda por cima, muito destemidas.

Para provar o atrevimento do projeto, em primeiro lugar, dispara a fuga para uma narrativa que tem, como um de seus pilares de apoio, o meio-ambiente gélido, tempestuoso, invernal e muitos outros adjetivos relacionados ao frio, o que já não é de muita frequência ao gênero, visto que este se delineou em bases sólidas e de difícil câmbio. Todavia, para o filme em questão, a presença de um descampado onde somente se enxerga a brancura da neve e do gelo não serve única e especificamente para a beleza estética e visual do projeto, porém mais para interligar-se direto aos interiores dos personagens: secos, apáticos e indiferentes, assim como a tocante paisagem. Mais a fundo, a predileção por um contraste muito ostentativo entre o preto e o branco também se relaciona com a personalidade daquelas interpretações, mas, desta vez, fazendo jus às suas dualidades – como exemplo, temos Helen Crane (Tina Louise) que, apesar de casada com Hal (Alan Marshal), pode recorrer a Blaise Starrett (Robert Ryan); ou com o caso de Gene (David Nelson), o qual faz parte da gangue que toma a cidade e, ao mesmo tempo, revela-se em um amor teoricamente proibido com Ernine (Venetia Stevenson).

Adaptado da estória de Lee E. Wells, a projeção dá o pontapé inicial através de um plano geral de prolongada duração, em que o forasteiro Starrett e seu capataz Dan (Nehemiah Persoff) cavalgam arduamente por entre toda aquela neve que assola a região, imprimindo nela uma alvura límpida e poderosa. E potente como o branco de fervilhar os olhos daquele pacato vilarejo, só mesmo a quadrilha maldita do velho capitão do Exército, Jack Bruhn (Burl Ives). O grande roubo do qual ele e seus capangas foge traz a atenção das autoridades do país, que, apesar da falta da presença física, mostram-se ásperos e muito temidos, respondendo aos ataques com violência (o tiro no peito de Bruhn).

“Você está morrendo, Bruhn. Está interessado? Como quer morrer? Você é um homem, não um animal. Pode sair daqui comigo e morrer dignamente, ou pode soltar seus homens na cidade, e morrer no lodo como um porco.”

Como este é o último ponto de parada dos saqueadores, pelo fato de que dali à frente só existe montanhas, eles resolvem fazer dos caubóis e rancheiros – dois grupos que conviviam em constantes disputas, às vezes só resolvidas pelo bom e velho showdown – seus subordinados. Enquanto a maioria da população só demonstra preocupação pela possibilidade de haver no povoado um massacre, é Starrett quem dá o braço a torcer e tenta evitá-lo; neste ponto, os cidadãos deverão esquecer-se das desavenças e unir forças. Sob a chefia de um enfermo Bruhn, alguns dos renegados acatam às suas ordens (como não beber e nem se “divertirem” com as mulheres) e outros tentam burlá-las, sem sucesso. Contudo, o que eles conseguem garantir – até com certa folga – é a opressão; dos maridos, sobretudo, os quais têm suas mulheres arrancadas para que elas dancem sórdida e humilhantemente com os novos “patrões” daquele lugar.

De aspectos interessantes em um roteiro tão bem escrito como tal, por Philip Yordan, pode-se notar a presença secundária do personagem de nome Pace (Lance Fuller), que significa “paz” em italiano e, partindo contrariamente ao sentido exposto, ele adora machucar (ou deveria dizer matar?) os seres, como o próprio Bruhn especificou em sua primeira aparição. Além disto, a escrita dos diálogos se dá criteriosa (para acertar em cheio movimentos da época, como a repressão e a guerra) e com uma poesia rude, tornando-os a principal arma de ataque para colidir de frente com os espectadores.

“É curioso como uma guerra muda a vida de um homem. Poderia ter ordenado a retirada, mas dava a ordem de ‘fogo’. Em West Point, decidi ser só soldado, sem que ficasse lugar para o ser-humano. Obrigado.”

A direção de De Toth é mais uma vez digna de aplausos, sendo mais eficiente até mesmo no controle de seus atores e resultando em uma perfeita harmonia. Contudo, muito além, o que mais se pode tirar deste trabalho do realizador é a forte inovação a que lidou com o suspense, agravando a tensão a todo minuto e arrancando pontos densos dos extremos nos quais roda a película. Já com seu ápice assegurado, De Toth continua o soberbo trabalho por meio do psicológico: ele faz uma simples discussão parecer mais do que isso, algo próximo de uma “batalha falada”. Sem dizer de seus planos sempre sugestivos, que mais se retratam na cena de operação de Bruhn, em um close salientando o sofrimento do tipo, ao mesmo instante em que faz sua observação à guerra.

A trilha sonora é de Alexander Courage, e talvez nunca um western norte-americano tenha ouvido uma somatória de melodias tão próximas às do spaghetti, como tal. O ritmo de tensão conjugado pelo diretor só é melhorado com as faixas de Courage, que se deixam ausentes por alguns momentos, mas naqueles mais importantes, estão sempre à disposição.

Por fim, a fotografia de Russell Harlan é um dos elementos mais chamativos de todo o ciclo. Sublime e deveras contemplativa, a preferência pelo preto-e-branco enquadrou-se para contrastar e refletir nas personalidades – como dito no início da resenha. Ela convém também para complementar uma direção de arte afiada, de Jack Poplin.

Abastecido por um final arrasador e cru (relato-o em aspecto positivo), em A Quadrilha Maldita aprendemos uma verdadeira e proficiente lição sobre a ganância dos seres-humanos: aqueles que mais querem, menos têm. As mortes dos integrantes da quadrilha se dão por eles mesmos, assassinando-se aos poucos, lentamente. Eles entraram juntos naquele assalto, porém não querem sair desta mesma maneira; estão cada vez mais famintos pelo dinheiro, e não pelos amigos, nem mesmo pelos animais que serviriam minimamente como veículos de fuga. Terminamos, portanto, com uma crítica mais atual que nunca.

MINHA NOTA:

POR BRUNO BARRENHA.

9 de julho de 2012

Pôster | Tepepa

TEPEPA

Direção: Giulio Petroni

Roteiro: Ivan Della Mea e Franco Solinas

Elenco: Tomas Milian, Orson Welles, John Steiner...

Ano: 1969

Duração: 136 minutos

Como ingredientes para seu preparo, mistura-se o tempero de Welles e de Milian para dar o devido gosto a um espaguete de sabor crítico.

Crítica deste grande clássico do eurowestern, por Bruno Barrenha.