Elenco: Rod Steiger, Sarita Montiel, Ralph Meeker...
Ano: 1957
Duração: 86 minutos
Uma perfeita mescla entre os tons pastel do distúrbio de um derrotado e os vívidos do sangue derramado.
Análise: O que direi agora pode soar improvável, mas dificilmente uma tradução de título no Brasil foi tão boa quanto ao escrito original – ambas livres de qualquer semelhança – como a deste filme. Partindo deste princípio, pode-se até absorver mais da essência cinematográfica na versão nacional do nome do que naquela escolhida pelo próprio diretor, roteirista e produtor do agonizante e filosófico, Renegando meu Sangue (ou Corrida da Flecha, como seria a tradução padrão): o centenário recém-completo, porém já de botas batidas, Samuel Michael Fuller.
Corpos estirados no chão poeirento e duro, o sangue companheiro vazando ao redor e uma última alma ambulando por ali acompanham a legenda de que este é o último dia da Guerra de Secessão; então se ouve um estampido interrompendo tudo para revelar a presença de mais alguém, mandando aquela suposta “última alma” ao reino dos mesmos que lá estavam. Em um campo aberto, o assassino marcha até sua vítima, os dois a sós; é a solidão do conflito, o vazio e a necessidade do fumo, pelas vistas do diretor. Aquela foi a última bala disparada na guerra, segundo muitos.
“Sou um antigo soldado rebelde, Isso é o que sou, E esta nação ianque não me importa em nada. Eu não gosto da bandeira estrelada, Está manchada com o sangue do Sul. Odeio os ianques envenenados, E os combati com tudo o que pude, Odeio a nação ianque, e o uniforme azul.”
É ácida assim que a fita dá seu pontapé inicial, a todo vapor. E desencadeia logo de cara, por conta de sua montagem bastante orgânica e despreocupada, alguns personagens históricos (o confederado Robert Lee e o nortista Ulysses Grant são dois deles) que de pouco têm para o futuro do roteiro. Todavia, tais buracos são tapados através da inserção de assuntos proeminentes, que vão desde religião, passam por filosofia e chegam às alusões e desavenças de alto teor crítico.
O protagonista é o assassino de parágrafos acima, de nome O’Meara, pele clara e sulista, interpretado por um amargurado e profundo Rod Steiger. Seu espírito, de acordo com as características aqui expostas, retrata-o como um perdedor da guerra, a qual acabara no instante de seu disparo, e, por conseguinte, não aceita a vitória dos “azuis” – em certa passagem, prefere até mesmo seu enforcamento a reconhecer tal fato. É por tais motivos que empreende sua fuga ao Oeste, imediatamente, pondo-se à procura de uma aceitável origem para se apoiar.
O resultado vem com o encontro, por acaso, da sioux Mocassím Amarelo (Sara Montiel). Mediante a aceitação do chefe da tribo, Blue Buffalo (Charles Bronson, irreconhecível), O’Meara tenta se converter em um índio selvagem e vitorioso para renunciar de vez à sua pele caucasiana e desgastada. E, o que parecia ser o último dia da Guerra Civil, ironicamente, apenas acaba despertando o início de outra batalha...
“Temos o mesmo Deus, mas com diferentes nomes.”
Na cadeira de diretor, Samuel Fuller é franco e garante seu status de “poeta visual”, tirando de atores (a grande maioria desconhecida) a máxima carga dramática que conseguem; também é responsável pela exploração de uma violência estética de qualidade, num período que pouco se fazia a respeito. Além disto, em suas mãos de escritor, ele retrata um Oeste de gerações renegadas, que se dão por derrotadas sem nem mesmo reconhecer o berço do qual vieram, contestando identidades e ajustes significativos para o povo norte-americano – é o que denominamos de “toque na ferida”.
Para compor o fundo musical da película, Fuller contou com a ajuda de Victor Young, sempre arranjando faixas profundas que confabulem com os personagens. E como o filme já levanta um pano-de-fundo com demandas oriundas do patriotismo, nada melhor que um pesado tema baseado na canção tipicamente americana, Shall We Gather at the River.
Na fotografia, quem se une à equipe é Joseph Biroc. O peso de um dos mais versáteis diretores de fotografia da sétima-arte é elemento fundamental para o andamento das cenas mais ousadas, como as da “Corrida da Flecha” – quase sempre com planos gerais, os quais revelam o ambiente ao redor e apenas dão referências de personagens por pontinhos minúsculos na tela. Inclusive, poucos de seus planos flagravam closes dos atores ou detalhes de objetos; nas únicas vezes que o fez, foi com tamanha objetividade, sobretudo por tentar testemunhar o sofrimento ou chamar a atenção para determinado alvo.
Renegando meu Sangue é um faroeste de súplicas subversivas, de solidão, de metáforas perigosas (os abutres retratando a morte, vendo de tudo lá no céu, e sempre acompanhando O’Meara), e é atemporal, o que talvez se dê mais importante ao filme. Tal fato de poder ser assistido em qualquer época (pois em qualquer uma delas haverá os mesmos problemas expostos) já assegura pontos elevados a Samuel Fuller, que alcança o topo da atemporalidade na fala de Coiote Andante (Jay C. Flippen): “No meu tempo, tinham respeito pelos mais velhos. Não sei aonde vai o mundo na atualidade. Estes jovens agindo como selvagens...”.
O mesmo sioux, apesar do pouquíssimo tempo em tela, é um dos que mais ensinam no decorrer da projeção e, a partir dele, acontecem as melhores cenas. Nesta mesma categoria, ainda está a passagem na qual O’Meara ganha de um índio calado e novato um presente e, como manda o ritual daquela tribo, ele deve retribuir; portanto, regala-o com uma gaita, que faz sair da boca do garoto o primeiro som. Além de significante, pode ter sido uma das inspirações para Sergio Leone moldar seu eterno Harmonica (Bronson) no épico Era uma vez no Oeste (1968).
E, ao fechar das cortinas, Fuller deixa em aberto ao público a decisão pelo destino ainda incógnita, comunicando-se diretamente com cada espectador, seja ele branco ou índio, cristão ou judeu, tanto faz...
“O fim desta história só pode ser escrito por você!”.
Perto do segundo ano de glórias do ANALISANDO O OESTE, sortearemos dois presentes aos mais certeiros forasteiros da internet. E, assim como os melhores pistoleiros cinematográficos, além de uma boa pontaria, é preciso de sorte... Muita sorte! E, desde já, é o que lhes desejamos.
Qual deles você mais cobiça?*
O primeiro dos presentes já era de sabedoria daqueles que estiveram mais ligados no blog: um DVD de um filme de faroeste que poderá ser escolhido ali na enquete, presente na aba lateral; entre oito concorrentes (foto), o mais votado será sorteado através da página do ANALISANDO no Facebook**.
O outro presente, até então em sigilo, já pode ser avistado abaixo.
Não, você não está tendo ilusões: é o almanaque do maior herói do Oeste nos quadrinhos, TEX! E vale firmar que, no quadrinho em questão, há uma pequena biografia de Clint Eastwood.
Memorando: a votação para o filme está aberta até o dia 11 de setembro. Daqui para lá, vamos divulgar e, como dito antes: sorte, muita sorte! Para mais informações, mande-nos e-mails ou espere-as por aqui.
IL WEST TI VA STRETTO, AMICO... È ARRIVATO ALLELUJA
(SARTANA CHEGOU PARA MATAR)
Direção:Giuliano Carnimeo
Roteiro:Giovanni Simonelli, Tito Carpi e Ingo Hermes
Elenco:George Hilton, Lincoln Tate, Agata Flori...
Ano:1972
Duração:88minutos
Ação e comédia dão a devida notabilidade para Allelujah escrever sua história no spaghetti.
Análise: O movimento cômico presente no eurowestern é bastante conhecido por terras brasileiras, tendo no personagem de Trinity (Terence Hill) seu melhor representante no país. Depois dele, foi só correr para as inúmeras salas e assistir às películas do mesmo estilo. Assim seguindo na mesma vertente, Sartana Chegou para Matar é um western com traços de comédia, dirigido por Giuliano Carnimeo. O título foi erroneamente traduzido no Brasil, já que, na verdade, o filme não faz parte da série Sartana, mas sim é o segundo daqueles estrelados por Allelujah (chamemos pelo nome correto, portanto).
O General Ramirez (Roberto Camardiel) é líder da Revolução Mexicana e precisa recuperar uma estatueta asteca para ter o apoio dos índios, fazendo com que ele pregue um acordo com Sartana/Allelujah (George Hilton), um temido pistoleiro. Porém, o seu serviço não será assim tão fácil, pois existe uma mística no interior do objeto procurado: ele atrai pessoas que estão interessadas somente em seu valor capital – como é o caso de Allelujah, que o procura justamente pelo dinheiro.
E, diferenciando-se dos outros anti-heróis solitários do gênero, o caçador-de-recompensas receberá a ajuda de mais alguns amigos: o escocês Archie (Lincoln Tate) e uma antiga companheira do mesmo, Fleurette (Agata Flori).
Allelujah se demonstra um pistoleiro enigmático, que confunde a cabeça dos inimigos (do mesmo modo que os astecas), portando não só boas estratégias, mas também um grande arsenal de armas, sejam elas comuns ou bem raras (vide o lança-granadas ou a gaita-de-foles adaptada com pimenta para atordoar os inimigos). Além disso, ele é retratado como um exímio conhecedor de novas tecnologias, como quando escreve um contrato numa máquina-de-escrever junto ao General Ramirez.
O diretor italiano Giuliano Carnimeo faz um bom trabalho em sua posição, com alguns planos-sequências bem costurados. A condução do elenco também se dá convincente, com destaque para o ator uruguaio, George Hilton. Além disso, o realizador aposta em algumas câmeras rápidas, para que o movimento dos personagens ficassem mais velozes do que o comum e as gags se tornassem constantes – técnica muito conhecida e aproveitada em filmes de Charles Chaplin e, depois, reposta em Trinity. Ao seu fim, há espaço até para homenagear alguns esportes e usando-os como armas: o golfe para acertar o adversário na cabeça, com um taco e a típica bolinha, e o salto-com-vara para saltar o muro de um forte.
Sartana Chegou Para Matar apresenta grande nível de humor pastelão, dando para se perceber desde o início quando o exército realiza as ações solicitadas até mesmo quando os soldados estão com vontade de urinar. Afora isto, a maneira como o pistoleiro derrota seus inimigos também agrega uma pitada de “gracinhas”. O espírito divertido, como se já não bastasse, está presente na construção de alguns personagens, como o escocês que apenas se utiliza de roupas típicas de seu país e é constantemente zoado pelo inimigo, por se parecer com uma figura feminina.
Roteiro: Arnaldo Francolini, Juan Cobos e Melchiade Coletti
Elenco:Anthony Steffen, Elisa Montés, Fernando Sancho...
Ano:1966
Duração:94minutos
Ítalo-brasileiro é a estrela deste faroeste de erros, porém que vale a pena pela batalha entre pai e filho.
Análise: Sete Dólares para Matar é mais um destes moribundos bang-bangs à italiana,dirigido por Alberto Cardone e com Anthony Steffen (ou Antonio Luiz de Teffè) comandando toda a trupe do elenco, no qual ainda consta o hábil e sempre carismático Fernando Sancho, tipicamente como o é em seus outros papéis no gênero. Também é desenvolvida uma ótima trilha sonora, de Francesco de Masi, tanto que algumas de suas faixas foram “roubadas” para fazer parte do jogo Red Dead Revolver.
Durante a ausência de John Ashley (Anthony Steffen), um bando de pistoleiros liderados por Jack Wilson (Fernando Sancho) invade seu rancho, matam a sua esposa e sequestram o seu pequeno filho, Jerry (quando pequeno interpretado por David Mancori), com cerca de cinco anos e desde então criado por Jack. Quando John volta para casa, decide ir atrás de vingança e recuperar o descendente capturado.
Entretanto, cerca de 20 anos se passaram e Jerry (agora por Roberto Miali) já é um grande homem e um frio pistoleiro, crendo que Jack é seu verdadeiro pai; e é assim que o grande clímax está por vir, quando John finalmente encontra Jack, e este tem seu triste fim. Porém, não termina por aí: Jerry quer vingança de seu verdadeiro pai e o resultado é o confronto entre eles em um ambiente chuvoso e, além de tudo, carregado de uma tensão impressionante.
John Ashley se mostra um homem muito determinado, pois decide dedicar sua vida para conseguir achar o filho perdido. Seu erro, contudo, é que a vingança o deixa cego, fazendo-o cometer loucuras em busca de informações, a ponto de matar um trabalhador achando que é um bandido. Já Jerry era uma criança chorona, porém demonstra – através de sua ação, atirando com os dedos enquanto Jack devasta o rancho do pai, até sendo atingido psicologicamente por tal episódio – o que futuramente viria a ser: um assassino sem dó. E uma das cenas marcantes vem a ser, portanto, aquela na qual Ashley não acha o filho em casa, com um plano do cavalinho-de-madeira vazio.
Mesmo não tão acentuado em seus primeiros atos, o fim não deixa a desejar: é a melhor parte, passando de uma forma um tanto quanto rápida e possuindo dois duelos corpo-a-corpo. O primeiro é entre Jack e John, lutando em um celeiro, cada qual com um gancho. Já o segundo é entre Jack e Jerry, pai e filho em uma batalha mortal e tocante, com um sabendo da verdade e o outro não.
A conclusão que se pode tirar é a de que Sete Dólares para Matar têm vários fatores ruins, várias sequências com erros de continuação, personagens fora de enquadramento, uma mise-en-scène miserável, problemas no desenvolvimento do roteiro e também exacerbadas cenas de cavalgadas pelo deserto, que apenas servem para aumentar a duração da projeção. De qualquer maneira, vale a experiência em assisti-lo.
Na cinematografia em geral, o som de um filme é uma das partes mais importantes, na qual existem talentosos e revolucionários realizadores que somente fizeram-na crescer, a ponto de chegar a um estouro de genialidade. Como um exemplo que dispensa comentários e é explicado por si só, temos nosso já conhecido forasteiro, o italiano Sergio Leone, com suas emblemáticas cenas que considero, particularmente, mais sonoras do que visuais – veja a abertura de Era uma vez no Oeste (1968) e tire suas próprias conclusões.
O processo de produção sonora de diversos trabalhos da sétima-arte é sempre um passo mais interessante de ser contemplado, pois é possível observar a olhos e ouvidos à diversidade de ruídos criados (e improvisados) com os quais técnicos precisam lidar para reproduzir determinado elemento.
Portanto, apresento-vos o vídeo abaixo, com pouco mais de 1 hora de duração, em que três técnicos de som (Skip Lievsay, Greg Orloff e Byron Wilson) do mais recente trabalho dos irmãos Joel e Ethan Coen (foto), o faroeste Bravura Indômita (2010), conversam com o entrevistador Bruce Carse sobre como e com quê foram gravados a gama de ruídos do velho-oeste selvagem do filme em questão, dando-lhe ares mais intensos e fieis à sua atmosfera.
Só resta conferir, então:
Lembrando que, neste mesmo canal do Vimeo, encontram-se muitos outros vídeos sobre a produção sonora dos últimos lançamentos do cinema.
Roteiro:Benedetto Benedetti, Franco Arcalli, Giulio Questi e María del Carmen Martínez Román
Elenco:Tomas Milian, Ray Lovelock, Piero Lulli...
Ano:1967
Duração:100minutos
Cheio de bizarrices e sangue, eis um dos westerns mais violentos e polêmicos.
Análise: Considerado a primeira sequência de Django (Sergio Corbucci, 1966), embora não tenha nenhuma ligação com o personagem representado por Franco Nero no primeiro filme, Django Vem Para Matar é um western spaghetti dirigido pelo italiano Giulio Questi, tendo em seu papel principal o futuro ator de papéis cômicos, o cubano Tomas Milian.
É um trabalho deveras provocador, com muitas cenas fortes e várias fanfarrices, o que lhe garantiu o título de “um dos faroestes mais violentos”.
Apesar de não citado na projeção, o nome “Django” é substituído por “O Forasteiro”, apelido adotado pelo mestiço (Milian) que foi encontrado por dois índios, baleado, após ter sido traído pela parte americana da gangue que recusara repartir o ouro com sua parte, a mexicana. Então, ele corre em busca de vingança e chega a uma estranha cidade, onde a conquista após matar o líder cuja gangue conduz o local; entretanto, o mestiço ainda não acabou sua missão, pois ainda precisa recuperar o ouro em uma aventura bem brutal.
Ao decorrer da película, mostra-se como a sede humana pela riqueza é arrebatante, através de Bill Templer (Milo Quesada) negando que possuía ouro mesmo com a vida de seu filho, Evans (Ray Lovelock), em jogo. E, também, em uma cena cômica, na qual um homem é baleado com balas de ouro, o que já lhe garante uma morte mais satisfatória.
O estilo em que o filme foi montado, pelo editor Franco Arcalli, é bem alucinante, com cenas que provocam certo desconforto por meio de rápidos cortes de câmera. O diretor, por sua vez, faz um ótimo trabalho, usando e abusando dos closes, que são usados até nos animais que aparecem sendo torturados. A fotografia de Franco Delli Colli é própria para contrastar com o vibrante sangue vermelho, em maior tom nas cenas de cortes na pele humana.
O filme têm duas referências religiosas, ambas com o Forasteiro: uma logo no começo, em que ele ressuscita ao sair da cova, e outra na hora de sua tortura, na qual está apenas de tanga e em posição de quem será crucificado.
Polêmico devido à extrema violência contida em seus frames, abordagens sobre alguns assuntos abusados e muitas bizarrices, dentre os elementos mais esquisitos de Django Vem Para Matar encontra-se uma gangue de indivíduos que só se vestem de preto e, supostamente, são homossexuais, pois em uma cena há a sensação de que eles estupram o jovem Evans Templer, este que cometera suicídio no dia seguinte.
O racismo também ganha um espaço polpudo, quando os americanos se recusam a dividir o dinheiro com os mexicanos, os quais tiveram todo o trabalho, e quando os homens brancos escalpelam um índio, dizendo que seria pecado matá-lo de outra maneira. Já entre as muitas outras esquisitices, temos a cena de Mr. Sorrow (Roberto Camardiel) dando bebida alcoólica para uma arara.
Elenco:James Stewart, Shelley Winter, Stephen McNally...
Ano:1950
Duração:92 minutos
Winchester ’73 é um filme norte-americano passado em tempos áureos do velho-oeste, dirigido pelo consagrado diretor Anthony Mann e sendo o primeiro dos outros sete trabalhos vindos diretamente da parceria com seu ator-fetiche, James Stewart.
Elenco:James Stewart, Shelley Winter, Stephen McNally...
Ano:1950
Duração:92 minutos
Análise: Winchester ’73 é um filme norte-americano passado em tempos áureos do velho-oeste, dirigido pelo consagrado diretor Anthony Mann e sendo o primeiro dos outros sete trabalhos vindos diretamente da parceria com seu ator-fetiche, James Stewart. O rifle Winchester 1873, o qual dá título ao filme, é mostrado como a melhor e mais desejada arma do faroeste, o que gera desavenças entre as pessoas, estas que brigam somente por um causador de problemas – prova de que a projeção retrata muitos fatos históricos e verídicos.
Lin McAdam (Stewart) e Frankie Wilson (Millard Mitchell) viajam para Dodge City na tentativa de participarem do concurso de tiro, na comemoração do aniversário da cidade, e vencerem o prêmio: nada mais nada menos que um rifle Winchester 1873. A cidade tem como xerife Wyatt Earp (Will Geer), uma lenda do velho-oeste que, para manter o lugar em paz, proíbe o uso de armas. O fato até que funciona, pois Lin encontra Dutch Henry Brown (Horace Stephen McNally) no saloon, um grande desafeto do passado; e só não ocorre um duelo pelo fato de ambos estarem sem armas.
Logo mais haveria o campeonato, ganho por Lin após uma competição acirrada com seus adversários. Henry rouba o prêmio, e Lin vai atrás para recuperar a Winchester e, além do mais, se vingar do passado numa perseguição com muitos encontros e aventuras, nos quais a potente arma dada como recompensa do torneio será passada entre várias digitais.
(spoilers até o fim do parágrafo)
Ao final, é revelado que Lin McAdam e Henry Brown são irmãos, e que aprenderam a atirar com o pai, morto pelas costas por Henry. Desde então, Lin quer vingança e enfrenta o irmão, cujo verdadeiro nome é Matthew, numa batalha de rifle para conseguir também recuperar a Winchester. E é neste duelo, em um espaço rochoso e com Lin vencendo, que fica claro que quem vence a luta não é a arma, mas sim quem a usa.
O rifle Winchester ‘73 é uma poderosa arma com uma mira mais do que precisa, tanto que no filme recebe o apelido de “um em mil” e, na vida real, é conhecida como “a arma que conquistou o oeste”. Pelas mãos dos roteiristas, ele retratado quase como um personagem, até porque acompanhamos todo o caminho pelo qual a arma percorre, e, geralmente, por onde esta passa, a cobiça em tê-la, por parte dos pistoleiros e até dos índios, aumenta.
Durante o filme ficam explícitos alguns fatores históricos: o lendário Wyatt Earp como xerife de Dodge City e também a Conquista do Oeste, com os índios comprando armas-de-fogo de mestiços, enfrentando qualquer um que passasse pelo seu território e tentando combater a cavalaria americana.
Anthony Mann faz uma ótima mistura envolvendo o preto e o branco, com grandes conexões ao cenário devido ao proveito das paisagens e suas respectivas curvas formosas, sobretudo no arco final, quando um monte rochoso é decisivo por meio de sua “singela participação”, criando esconderijos e muitas possibilidades para Lin e Henry.