31 de maio de 2012

Just a dirty son of a b...

“The clock’s ticking, and I’m only getting older”.

31 de maio de 1930. San Francisco, Estados Unidos da América.

Mais um ano se passa e, felizmente, mais um dígito é acrescentado na “casa das idades” do eterno homem sem-nome: Clint Eastwood Jr.

Parabéns pelas 82 primaveras muito bem aproveitadas!

Continue recebendo e nos dando felicidades. Que viva muito mais, Blondie!

Para saber mais sobre a vida e obra de Eastwood, clique AQUI ou AQUI.

“Go ahead, make my cake!”

30 de maio de 2012

Crítica | Navajo Joe

NAVAJO JOE

(JOE – O PISTOLEIRO IMPLACÁVEL)

Direção: Sergio Corbucci

Roteiro: Fernando Di Leo e Piero Regnoli

Ano: 1966

Elenco: Burt Reynolds, Aldo Sambrell, Fernando Rey…

Duração: 93 minutos

Vingança de um navajo é acompanhada lado a lado pela espetacular trilha sonora de Ennio Morricone.

Análise: Navajo Joe é um eurowestern realizado pelo excepcional diretor italiano Sergio Corbucci, o qual teve seu nome delineado junto a mais dois xarás de grande importância no contexto em que estão inseridos: o Leone e o Sollima, formando no western spaghetti o trielo de Sergio’s.

Desde sempre inovando dentro do gênero, aqui o “segundo Sergio” é responsável por apresentar – diferente de muitos outros filmes – um índio como protagonista, interpretado pelo norte-americano Burt Reynolds em início de carreira. E, para completar e fechar com chave-de-ouro, não podia faltar mais uma das belíssimas trilhas sonoras de Ennio Morricone, tendo algumas faixas aproveitadas pelo diretor Quentin Tarantino em Kill Bill 2 (2004).

Joe (Reynolds) é o único índio de sua tribo que sobreviveu do massacre feito pelos brancos do bando de Duncan (Aldo Sambrell), tendo este o único objetivo de vender os escalpos dos navajos nas cidades – inclusive mulheres e crianças foram mortas. Então, querendo a aclamada vingança, Joe descobre por meio de três prostitutas e um homem que o alvo da gangue agora é um comboio que “leva dinheiro do governo para o banco de Esperanza” (Mario Lanfranchi). Para finalizar o plano vingativo, o índio tenta fazer com que o dinheiro do banco não caia em mãos erradas, mas vários problemas o atrapalham, como a desconfiança da cidade de Esperanza e o fato de que ela é deveras pacífica e não tem nenhum tipo de arma, além dos confrontos com o bando de Duncan.

Funcionando praticamente como um “homem sem-nome”, o protagonista é bastante interessante, e só não alcança tal status devido ao fato de revelar o seu nome – mesmo que uma única vez durante toda a projeção. Dentre suas outras características, Joe herda muitas semelhanças dos forasteiros americanos nos spaghettis: está em busca de vingança, é silencioso, tem um passado desconhecido e demonstra ser ágil com armas.

Corbucci mantém um ritmo um tanto quanto rápido para contar a história, sobrepondo muitas cenas de ação que, às vezes, saem forçadas e isto não escapa às vistas do espectador. Em momentos de combate, por exemplo, os adversários de Joe agem de maneira estranha, sofrendo com as habilidades impressionantes e fora do normal do mero índio, o qual parece até ser invisível para os seus adversários.

Mais uma vez, a trilha de Morricone dispensa comentários, utilizando-se de seus melhores disparos para criar sons inovadores: as guitarras sibilantes, os assovios chamativos e os gritos indígenas estão lá, e nunca faltarão.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

21 de maio de 2012

Pôster | A Vingança de um Pistoleiro

RIDE IN THE WHIRLWIND

Direção: Monte Hellman

Roteiro: Jack Nicholson

Ano: 1965

Elenco: Jack Nicholson, Cameron Mitchell, Millie Perkins

Duração: 82 minutos

Apesar da curta duração, o pouco aprofundamento em detalhes e o lento desenvolvimento da história tornam o filme positivo.

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Quer saber o que achamos de mais esta parceria entre Hellman e Nicholson? Clique aqui.

19 de maio de 2012

Crítica | A Vingança de um Pistoleiro

RIDE IN THE WHIRLWIND

(A VINGANÇA DE UM PISTOLEIRO)

Direção: Monte Hellman

Roteiro: Jack Nicholson

Ano: 1965

Elenco: Jack Nicholson, Cameron Mitchell, Millie Perkins

Duração: 82 minutos

Apesar da curta duração, o pouco aprofundamento em detalhes e o lento desenvolvimento da história tornam o filme positivo.

Análise: A Vingança de um Pistoleiro é o título brasileiro resultado da primeira das parcerias, no vasto e complexo interior do western, entre o diretor Monte Hellman e o ator Jack Nicholson, este responsável pela condensada escrita dos roteiros de ambos os filmes feitos com o diretor – o outro é Disparo para Matar (1966). Realizados entre pequenos períodos de tempo, os dois trabalhos da dupla (que ainda contava com a atriz Millie Perkins) tem uma curtíssima duração, a qual não chega nem à média de 90 minutos por trama; entretanto, o desenvolvimento da história não necessita parecer monstruosamente labiríntico: apenas fazer sua pequena e decisiva parte.

Toda a trama é iniciada com a amostra de um bem-sucedido assalto contra uma diligência, feito pela gangue liderada pelo pistoleiro caolho Blind Dick (Harry Dean Stanton).

Logo após, o filme já vai se transferindo para ares mais frescos, ao estampar três caubóis viajando pelo deserto a caminho da cidade de Waco: Wes (Nicholson), Vern (Cameron Mitchell) e Otos (Tom Filer). Perto do anoitecer, eles encontram uma cabana para se alojarem, onde há um esconderijo para os homens de Blind Dick; mesmo assim, o esquisito líder autoriza a estadia dos três pela noite. Mesmo com a desconfiança rondando suas mentes, os amigos resolvem ficar por lá, porém, ao acordarem, eles se veem no meio de uma troca-de-tiros entre os criminosos e um grupo de vigilantes da cidade. Apenas os inocentes Wes e Vern conseguem escapar, deixando Otos para morrer junto aos outros membros da gangue.

Sendo assim, os vigilantes locais partem a busca dos então dois foragidos, acreditando na possibilidade de que eles façam parte da perigosa gangue responsável pela chacina. Uma caçada implacável está prestes a passar pelos seus olhos!

Em uma fase passageira entre o início e o intermédio de carreira, o hoje famoso e aclamado ator Jack Nicholson é responsável pela história um tanto quanto curta, sem aprofundar nem divagar a obra em detalhes superficiais, mas mesmo assim apresentando um bom desenvolvimento dos personagens, dos quais são passadas algumas informações do passado e, acima de tudo, aparentam ser solitários. Tais esclarecimentos são conduzidos durante os ótimos diálogos ao longo do filme, tornando cada minuto mais tenso conforme o fim vai se aproximando, com Wes e Vern sendo encontrados por um profundo golpe do acaso, no rancho do Evans (George Mitchell).

Assim como em seu projeto posterior, o já citado Disparo para Matar, Monte Hellman utiliza-se do deserto de Utah para criar o intenso pano de fundo. Além disto, as semelhanças de ambos não param, havendo o fato de terem sido gravados na mesma época, e a estética ser praticamente a mesma. O diretor, também, não procura esclarecer o lado para qual rumariam seus personagens: quem era do bem, quem era do mal? Os vigilantes não faziam mais que a obrigação, enquanto que os caubóis tentavam fugir do enforcamento sem nunca cometer qualquer tipo de violência. Nem os ladrões são apontados como elementos do mal...

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

14 de maio de 2012

Pôster | O Cangaceiro

O CANGACEIRO

Direção: Lima Barreto

Roteiro: Lima Barreto e Rachel de Queiroz

Elenco: Alberto Ruschel, Vanja Orico, Milton Ribeiro...

Ano: 1953

Duração: 105 minutos

Do Brasil, direto para o mundo. E com muito fervor!

Clique para conferir a resenha do primeiro clássico e sucesso de bilheteria brasileiro, escrita por Bruno Barrenha.

12 de maio de 2012

Crítica | O Cangaceiro

O CANGACEIRO

Direção: Lima Barreto

Roteiro: Lima Barreto e Rachel de Queiroz

Elenco: Alberto Ruschel, Vanja Orico, Milton Ribeiro...

Ano: 1953

Duração: 105 minutos

Do Brasil, direto para o mundo. E com muito fervor!

Análise: Eclodindo repentinamente como um fenômeno social no nordeste brasileiro, em meados do século XIX, o cangaço serviu em nosso país assim como o velho-oeste prevaleceu nos Estados Unidos. Caracteriza-se pelas violentas ações dos chamados “cangaceiros” – grupos de homens armados que eram responsáveis por acometer os mais diversos crimes, como o sequestro de coronéis, roubos a latifúndios, e saques a comboios e depósitos. Vivendo das fugas contra as autoridades por tais delitos, eles não possuíam moradia fixa e a única certeza que tinham era a perambulação pelo sertão, com seus olhos pregados sem o mínimo de tranquilidade e segurança. Apesar de tudo, já era de suas sabedorias como sondar os mais diferentes mananciais de água, plantas curativas, trilhas de fuga e lugares com alimentos por aquelas regiões.

Fora este grupo de cangaceiros com princípios do “banditismo” em sua ideologia, havia mais dois tipos deles: aqueles que ofereciam serventias aos latifundiários, e os que recebiam o nome de “políticos” por desfrutar de grandes terras. O primeiro grupo surgido no contexto foi por volta de 1870, comandado por Jesuíno Brilhante; entretanto, o mais famoso dos “cabras-da-peste” recebe o nome de Virgulino Ferreira da Silva, ou simplesmente, Lampião. Ao lado de sua mulher, Maria Bonita, tornou-se uma das mais notáveis figuras nacionais.

Não é à toa, portanto, que a resenha de hoje vá para o primeiro clássico e sucesso do cinema nacional: O Cangaceiro, de Lima Barreto, produto da extinta Vera Cruz. A repercussão do filme foi tão grande que, além dos dois prêmios ganhos no importantíssimo Festival de Cannes, houve sua distribuição para cerca de 80 países ao redor do globo, sendo que, na França, permaneceu em cartaz por mais de quatro anos. Sem dúvida, é a película brasileira mais bem-sucedida de todos os tempos, com um acúmulo de sucesso internacional sem tamanho... Pelo menos na época de seu lançamento.

“Qualquer semelhança com fatos, incidentes e pessoas reais, vivas ou mortas, é mera coincidência.”

Fluindo por meio de uma época “imprecisa; quando ainda havia cangaceiros” (como cita o próprio início de filme), a primeira imagem que nos aparece à retina é um grande exemplo de beleza e perfeição, a qual oferece o som da música Olê Muié Rendeira e um “grande plano geral” dividido em duas camadas: em uma delas, está um céu nuvioso e consumido de tensão e, em outra, uma escuridão em que se figuram as sombras dos cangaceiros do bando do perigoso Capitão Galdino Ferreira (Milton Ribeiro), o qual cultiva o medo e o pavor pelo sertão nordestino.

Durante um dos assaltos da trupe de Galdino, a professora Maria Clódia (Vanja Orico) é raptada e conhece o pacífico Teodoro (Alberto Ruschel), apaixonando-se pelo mesmo e gerando conflitos no bando, justamente por este romance ser contra alguns preceitos. E, como ambos não querem viver naquela situação de tensão e desordem pelo resto de suas vidas, o que lhes resta é a arriscada fuga, da qual serão tiradas muitas vidas.

Portanto, é plantando o terror nos vilarejos, que Galdino colherá os frutos na mesma moeda: a morte de vários de seus integrantes por conta das mãos de Teodoro. Sedento por vingança, é colocado em cheque não só a vida do antigo companheiro do Capitão, mas também uma das sequências finais mais emblemáticas e poderosas de nosso cinema.

Milton Ribeiro e Alberto Ruschel em seus respectivos papéis: o Capitão Galdino, vilão até o último segundo, e o mocinho sofredor Teodoro.

Escrito pelo próprio Lima Barreto em conjunto com Rachel de Queiroz, a trama é transportada para os tempos do cangaço com merecida propriedade, limitando-se não só às cenas de aventura muito bem construídas pelo diretor, mas também dando o espaço apropriado para o romance, que serve mais como um elemento de “destruição das culpas, salvação dos pecados” do que de sentimentos propriamente ditos. A divisão de águas com que o público terá de lidar se dá justamente pelas caracterizações representando o bem e o mal, sobrando para nós o desafio de escolher – durante os pouco mais de 100 minutos de projeção – para quem torcer.

Presenteando-nos com um fundo musical de ótima qualidade, o compositor Gabriel Migliori acerta em cheio na dose que diz respeito à mistura de batidas sertanejas com um traço mais clássico, musicalmente. O resultado, de fato, controla o filme em seus mais variados momentos, funcionando da melhor maneira possível.

A fotografia, propondo um preto-e-branco muito tonificado, por parte do inglês Henry Edward Fowle esmiúça os sentidos do seu espectador, relacionando o sofrimento do protagonista em seu último suspiro com a dramaticidade proposta por suas lentes, a qual nos transporta para outra realidade com aquelas maravilhosas paisagens em contraste com o pôr-do-sol. Apesar de ser natural da Inglaterra, H.E. Fowle prestou grande parte de seus serviços como fotógrafo para filmes brasileiros; inclusive, outro de nossos maiores clássicos tem sua marca: O Pagador de Promessas (Anselmo Duarte, 1962).

Com uma direção bastante lapidada para a perfeição, Lima Barreto remonta os planos primordiais utilizados no “gênero estadunidense por excelência” (o western), sobretudo aqueles que demostram com mais detalhamento a paisagem de uma caatinga “artificial” (as gravações se deram no interior de São Paulo, e não propriamente no Nordeste), com toques que vão desde John Ford até outros lendários diretores, porém sempre nos levando à conclusão de que aquilo é uma obra minuciosamente brasileira, com suas devidas características para tal.

Considerado o melhor produto da grandiosa e extinta Companhia Cinematográfica Vera Cruz, O Cangaceiro foi premiado duplamente no Festival de Cannes, como Melhor Filme de Aventura e, esfomeado pela vitória, ainda teve a felicidade em trazer outro prêmio para casa, este devido à já citada canção Olê Muié Rendeira, interpretada pela atriz Vanja Orico – acompanhada pelo grupo musical Demônios da Garoa – em uma de suas mais belas imagens durante a projeção.

Epopeico a sua maneira, o filme de Lima Barreto também regou toda uma geração de cineastas que se baseavam no peculiar cangaço brasileiro, como o exemplar diretor Glauber Rocha em sua sequência que conta comDeus e o Diabo na Terra do Sol (1964) e O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (1969), sendo que o último dos citados também conquistou um lugar em Cannes pela vitória de Glauber na categoria deMelhor Direção.

O que podemos tirar de tudo já explicado, é a superioridade de O Cangaceiro sob as demais obras realizadas em território brasileiro. Ele é, com toda certeza, o primordial trabalho nacional responsável por representar a cara de nosso país para o exterior, ganhando as telas de todo o mundo. Era como se disséssemos para os gringos: “Não é só de futebol que vive o povo tupiniquim... Nosso cinema também é de qualidade! E de muita qualidade, pode apostar”.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

11 de maio de 2012

Pôster: A Proposta

THE PROPOSITION

Direção: John Hillcoat

Roteiro: Nick Cave

Produção: Chris Brown, Chiara Menage, Jackie O’Sullivan e Cat Villiers.

Ano: 2005

Elenco: Guy Pearce, Ray Winstone, Emily Watson…

Duração: 104 minutos

Um dos grandes nomes do western moderno se passa na Austrália e destaca a soberba fotografia e a não menos excelente trilha sonora.

A obra detalhada e devidamente criticada pode encontrar-se clicando aqui, com comentários de Thierry Vasques.

10 de maio de 2012

Crítica: A Proposta

THE PROPOSITION

(A PROPOSTA)

Direção: John Hillcoat

Roteiro: Nick Cave

Produção: Chris Brown, Chiara Menage, Jackie O’Sullivan e Cat Villiers.

Ano: 2005

Elenco: Guy Pearce, Ray Winstone, Emily Watson…

Duração: 104 minutos

Um dos grandes nomes do western moderno se passa na Austrália e destaca a soberba fotografia e a não menos excelente trilha sonora.

Análise: Sem sombra de dúvida, a melhor época do bang-bang dentro do cinema foi entre as décadas de 50 e 70. Entretanto, de lá para cá, percebemos que o número de filmes do gênero decaiu muito – não só em quantidade, mas também em qualidade. Com poucos sucessos obtidos, desses lançamentos pós-época de ouro e até o final do século XX, o que mais resguardou glórias foi o premiado filme de Clint Eastwood, Os Imperdoáveis (1992). Já nos últimos anos, podemos ver que a produção de filmes do estilo cresceu, e sua qualidade também. Bons exemplos são O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (Andrew Dominik, 2007), Os Indomáveis (James Mangold, 2007), e Bravura Indômita (Irmãos Coen, 2010). Sem contar que, ainda no fim deste ano, teremos o lançamento de mais um western muito esperado: Django Livre, do sanguinolento Quentin Tarantino. Assim, a proposta de John Hillcoat para com o público de seu faroeste moderno acaba tornando-se um desses grandes westerns lançados ultimamente, tendo todos os elementos necessários para o sucesso de crítica e de público, com destaque para a história muito interessante, escrita por Nick Cave e que se passa na Austrália – pouco requerida para faroestes – durante a colonização dos ingleses.

Após uma calma música cantada por uma criança, acompanhada de imagens de soldados, nativos, cidadãos, de uma cidade e outras tantas que apresentam a antiga Austrália e os créditos iniciais, temos um início do filme que quebra o ritmo tranquilo com muitos tiros, motivados pelo cerco dos soldados ingleses em uma casa onde estão localizados os irmãos Charlie (Guy Pearce) e Mike Burns (Richard Wilson), membros da quadrilha dos Burns, famosa por fazer um brutal ataque contra a família Hopkins. O Capitão Stanley (Ray Winstone), então, propõe que Charlie mate o membro mais perigoso de sua gangue, para que o seu irmão mais novo, Mike, não seja enforcado. Charlie tem até o Natal, oito dias, para reencontrar seu outro irmão, Arthur (Danny Huston), e conseguir salvar o ingênuo Mike, mas não sem antes envolver-se com os nativos e alguns desafios, e o capitão Stanley tendo que arcar com as consequências da arriscada oferenda em um fim cheio de violência.

Atualmente, as câmeras possuem uma ótima qualidade e, consequentemente, isso permite a captação de lindas imagens – melhores do que as captadas no século passado, obviamente. É de tal modo que, em A Proposta, podemos nos satisfazer com uma ótima fotografia, aproveitando as belas paisagens do deserto australiano e abusando de figuras contrastadas entre o céu e o deserto, principalmente naquelas com o pôr-do-sol – elemento também presente em O Atalho (Kelly Reichardt, 2010) e o já citado O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford.

E as semelhanças entre os trabalhos dos diretores Hillcoat e Dominik não param por aqui: ambos os filmes tem a parceria de Nick Cave e Warren Ellis, e possuem o desenvolvimento da história em uma atmosfera tensa e com falas que nos fazem pensar. A ótima trilha sonora ajuda a manter tal ambiente, com o revezamento entre as músicas dramáticas e outras elétricas, as quais ajudam a aumentar as expectativas com o desenvolver da película. O destaque fica para The Rider Song, poética melodia cantada por Nick Cave e servindo como uma música-tema, fora suas outras muitas variáveis.

O personagem de Arthur Burns, interpretado pelo ator Danny Huston (foto) é um dos líderes de gangue mais diferentes: assassino de sangue-frio, tornou-se um homem-cachorro – não dormindo e sempre atento. Porém, ele não se coloca por cima de tudo nem de todos, querendo o bem de seus irmãos, mesmo sendo machucado por Charlie e aceitando a situação. Já o próprio Charlie é o tipo silencioso, vendo em seus olhos um criminoso perfeito, mas cansado de tal vida. Completando os irmãos Burns, temos o caçula Mike, que mostra ser um jovem bem incauto, não sabendo direito o que faz e nem as consequências de seus atos.

John Hillcoat realiza, aqui, uma verdadeira obra-prima, com ótimo aproveitamento do que tinha em mãos, sobretudo de uma fotografia rica de detalhes, como a beleza vista na cena em que um carrasco torce seu chicote para limpá-lo do sangue de Mike. Além de tudo, A Proposta faz certa crítica ao machismo da época, o que aumenta o embate inserido no contexto histórico que se passa nas telas.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

7 de maio de 2012

Pôster: Renegado Heroico

SPRINGFIELD RIFLE

Direção: Andre De Toth

Roteiro: Charles Marquis Warren e Frank Davis

Produção: Louis F. Edelman

Ano: 1952

Elenco: Gary Cooper, Paul Kelly, Lon Chaney…

Duração: 93 minutos

Despretensioso como deve ser, um dos conflitos mais encenados pelo western recebe uma visão além de tudo já famigerado no gênero.

Quer tirar as dúvidas que rondam sua cabeça sobre mais este filme do caolho húngaro Andre De Toth? Leia a crítica do comentarista Bruno Barrenha.

5 de maio de 2012

Crítica: Renegado Heroico

SPRINGFIELD RIFLE

(RENEGADO HEROICO)

Direção: Andre De Toth

Roteiro: Charles Marquis Warren e Frank Davis

Produção: Louis F. Edelman

Ano: 1952

Elenco: Gary Cooper, Paul Kelly, Lon Chaney…

Duração: 93 minutos

Despretensioso como deve ser, um dos conflitos mais encenados pelo western recebe uma visão além de tudo já famigerado no gênero.

Análise: Evidentemente, posterior ao conflito entre os peles-vermelhas e o homem branco, o assunto mais tratado em faroestes norte-americanos é o choque entre os próprios homens civilizados, como a Guerra Civil que abalou o país na segunda metade do século XIX, tornando-se um protótipo para o cinema. Até mesmo em produções estrangeiras, tais temas aparecem em grande escala: um dos exemplos mais pertinentes é o dos westerns spaghettis, copiando à exaustão não só o gênero estadunidense por excelência, mas também os fatos que se ocasionaram no país-berço do velho-oeste.

Ainda impulsionando a faixa musical típica dos westerns feitos nos Estados Unidos da América, somos transportados – em uma cena pós-créditos iniciais – diretamente para o interior do Departamento de Guerra do país, onde dois oficiais discutem um telegrama sobre o desaparecimento de cavalos e espionagem. Curiosamente, esta é a intriga que resistirá sobre o enredo durante todo o filme.

Apesar de não abrir por completo suas cortinas, o espetáculo transita mais algumas locações antes de se impor e criar o constante clímax: Colorado é o paradeiro essencial para a batalha entre os saqueadores cinzentos (os Confederados, do Sul) e aqueles que deveriam impedir tal ação adversária e se utilizariam da tática de espionagem (representados pelos yankees, os azuis ou a União, do Norte). Desde o início, pode-se perceber que os sulistas são tratados com mais aversão, oferecendo o ponto-de-vista do diretor e dos roteiristas para tratar do assunto.

“Estas espingardas representam a força de 30 homens. Não há carregamentos pelo cano. A culatra abre-se assim. E ejeta o invólucro. Carregamos e atiramos em poucos segundos.”

E, de pouco a pouco, até mesmo com certa dificuldade, vamos tendo conhecimento geral da obra: a primeira aparição do Major Lex Kearney (Gary Cooper) nos transmite sua posição perante todos ao seu redor, sendo um homem de pulso-firme e de palavra, daqueles que se impõem. Ele é o ex-marido de Erin (Phyllis Thaxter), com a qual tem um filho recentemente desaparecido ao fugir da escola. Paralelamente a isto, Lex é admitido pelo Tenente Hudson (Paul Kelly) como um espião entre os sulistas, tomando a responsabilidade para si em transmitir informações dos inimigos.

O trio liderado pelo Major ‘Lex’ Kearney (Cooper): Capitão Edward Tennick (Philip Carey) e Sargento Snow (Guinn Williams).

Como a maioria dos faroestes estadunidenses da década de 40, todo o argumento de Renegado Heroico é baseado em uma estória, esta sendo de autoria de um roteirista de Hollywood: Sloan Nibley, o qual não participou do processo de escrita do roteiro do filme, servindo apenas como inspiração para as mentes e mãos dos autores Frank Davis (o mesmo companheiro de De Toth três anos depois, em A Um Passo da Morte) e Charles Warren. Assim, a construção de todo o contexto é bastante complexa, chegando até mesmo a ser confusa, pois passa a criar muitos nós em nossa cabeça de tantos personagens que estão espionando uns aos outros e, por vezes, nem sabemos. Além disto, as desordens geradas são a partir de motivos vagos, quase servindo como uma “violência gratuita”, isto é, sem objetivo para ter acontecido. Como consequência, o resultado final de determinadas cenas justificam-se previsíveis e dispensáveis, salvando-se somente as valentes coreografias e os pontos altos de tensão, porém não impedindo de afetar diretamente o filme.

A direção, de Andre De Toth, rende pouquíssimos detalhes, utilizando-se de tal elemento somente quando extremamente necessário; em compensação, as visualizações abertas são praticamente metade de toda a projeção, buscando inspecionar todo o local para ambientar seu espectador. Entretanto, em cenas noturnas, climatizadas em ambientes de pouca luminosidade e que renderiam uma boa sequência de imagens, sente-se falta de uma iluminação mais explícita e, sendo assim, o trabalho de De Toth perde todo seu brilho metódico e reflexivo, possibilitando apenas visões confusas de pessoas em movimento.

O ponto mais alto do filme, sempre ritmado àquilo que acontece nas telas, é a trilha sonora, de autoria do compositor Max Steiner. Seja ao seguir o reflexo dos espelhos empregados como código em missões dos ladrões de gado ou em simples cenas de ação, a musicalidade nunca deixa de estar presente: os ritmos frenéticos impostos pelo ranger dos instrumentos de Steiner aumentam a crise em certos momentos e fazem um simples gesto se tornar algo mais.

Ao contrário do sucesso alcançado pela sonoridade, a edição de Robert L. Swanson, mesmo com sua eficácia em algumas circunstâncias, também peca em várias oportunidades, cedendo aos inúmeros planos abertos que não apresentam qualquer finalidade narrativa, senão a beleza imagética apreendida pelas lentes do diretor de fotografia, Edwin DuPar, o qual resolve apostar em paisagens naturais: ora frias ao contrastar com as dimensões gélidas das locações de Lone Pine, ora secas nas planícies de Warner Ranch.

Uma quantia considerável de erros, porém muito mais de acertos: esta é uma das definições para Renegado Heroico, outro western do caolho diretor húngaro, Andre De Toth. A tarefa do cineasta, aliás, não era nada fácil: transferir uma história tão multíplice e excessiva como esta para pouco mais de 90 minutos. Como resultado, os forasteiros cinéfilos podem até se deliciar com as reviravoltas possíveis a qualquer segundo e atuações regulares de um elenco liderado pelo sempre carregado Gary Cooper.

Portanto, o filme se distingue por não conter qualquer presença do humor pastelão (o que dá um ar mais agradável e maduro) e dos peculiares clichês que rondavam os projetos cinematográficos naquele período clássico do gênero, como, por exemplo, a presença quase nula de uma mulher. Na época, apesar de não ser o centro das atenções, as personagens femininas tinham papeis de destaque dentro dos filmes, normalmente representando as esposas dos bravos guerreiros e lutadores, ou então, dos pistoleiros. Vale afirmar, ainda, que o filme foi realizado dois anos antes de Johnny Guitar (Nicholas Ray, 1954), o qual foi responsável por abrir novas fronteiras à figura feminina no gênero do western ao transformar uma mulher não só em pistoleira, mas também em protagonista, dando um chute no saco dos machistas de plantão.

E, mesmo que uma obra de ficção, muito adiante das desinteligências entre os personagens, em Renegado Heroico também é contado – apesar de que em segundo plano – sobre a incorporação de uma nova arma ao Exército Norte-Americano. Ou seja, não é por um mero acaso que o título original do filme seja “Springfield Rifle”, referenciando-se ao tal equipamento. A propósito, antes dos créditos iniciais, De Toth aplica um interessante conceito aos espectadores através de um zoom dramático na arma, a qual está pendurada, em sinal de que foi colocada em um pedestal e idolatrada ou, simplesmente, abandonada. Ao decorrer da projeção, percebe-se que ela ocupou importantemente uma boa parte da vida do protagonista Lex Kearney e, o que aconteceu com ele, é uma das hipóteses acima: o esquecimento ou a idolatria?

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.