28 de maio de 2011

Crítica: Meu nome é ninguém

MY NAME IS NOBODY

(MEU NOME É NINGUÉM)

Direção: Tonino Valerii e Sergio Leone

Roteiro: Sergio Leone, Fulvio Morsella e Ernesto Gastaldi

Produção: Sergio Leone

Ano: 1973

Elenco: Terence Hill, Henry Fonda, Jean Martin...

Duração: 117 minutos.

Sempre fique sabendo que Ninguém é mais rápido do que você, forasteiro!

Análise: Para quem assistiu aos filmes de Sergio Leone até “Quando explode a vingança” (1971), nunca se imaginaria que o diretor fosse realizar algo tão humorístico e pastelão como “Meu nome é Ninguém”. Felizmente, o criador do western spaghetti nos proporciona ótimas gargalhadas, levando todos os espectadores até um universo cômico dentro do velho-oeste. Aliás, filmes desse mesmo estilo – abordando o chamado “humor pastelão” – tornaram-se um novo gênero dentro do western (como se fosse uma espécie de subgênero), principalmente após os famosos filmes de Trinity, os quais eram estrelados pelo mesmo Terence Hill. Também vale destacar que o ator apenas conseguiu grande destaque no mundo cinematográfico devido seus papéis humorísticos em westerns, justamente como acontece neste “Meu Nome é Ninguém”.

Tudo começa da forma mais leônica possível, o que indica que Tonino Valerii aprendeu o máximo possível com Sergio Leone: o silêncio dos inexistentes diálogos, dos ruídos sonoros e da grande lentidão ao desenrolar dos fatos, acrescentando ainda um tom de tensão regado à musicalidade essencial de Ennio Morricone, o maestro do Oeste. E é logo de cara que somos apresentados ao prólogo de um dos pistoleiros mais rápidos do mundo: Jack Beauregard (Henry Fonda), o qual mata três homens ao som de um único disparo. Ele é tido como “o homem que pode dar ordem e justiça em pleno oeste”, segundo Ninguém (Terence Hill), um fanático por Beauregard desde seus tempos de criança. Ele relembra tais tempos ao dizer que queria ser como seu ídolo e ainda acrescenta uma proposta à Beauregard: enfrentar um grupo de 150 filhos da mãe, o Bando Selvagem (uma referência à Wild Bunch, de Sam Peckinpah). Ah, e as homenagens não param por aí! Sam Peckinpah é “homenageado” mais uma vez com seu nome escrito em uma lápide de um rústico cemitério, sendo que Ninguém diz ser “um belo nome em navajo”.

Com toda essa história, dificilmente o filme se apega aos clichês comuns do faroeste. Inclusive, “Meu nome é ninguém” é um dos únicos filmes do gênero que não possuem tantos clichês como os outros, onde normalmente sempre existem tais peculiaridades: o bom, o mau, as mulheres prostitutas, o ouro e dinheiro, o vingador, entre outros. Por sorte, nesta película não vemos quase nada de clichê!

Une uma direção competente – tanto por parte de Valerii quanto por parte de Leone. É até possível diferenciar as distintas cenas filmadas por tais diretores, já que as características de Leone poucos fãs de faroeste não conhecem... E felizmente Valerii adota isso para sua direção nesta película. Além de tudo, os diálogos são recheados de frases intensas, muitas com algum significado de extrema importância, justamente como os antigos faroestes irônicos. Mais uma na conta de Sergio Leone! E para completar este ótimo trabalho, ainda há a trilha sonora de Ennio Morricone, combinando sons de diferentes instrumentos para cada personagem: enquanto Jack Beauregard é presenteado com algo dramático, Ninguém tem sua música engraçadinha. Agora é na conta de Ennio Morricone, por favor!

Enfim, cheio de referências, sem apego aos clichês e com uma direção impecável, Meu nome é Ninguém acaba se tornando o último western assinado pelo mestre Sergio Leone, o qual é creditado apenas como o “dono da ideia”. Fora as boas atuações e a música de arrepiar, o filme se torna uma delícia pela sua alternância entre momentos cômicos e de ação; fora isso, a inteligência pré-produção ao escalar atores totalmente diferentes um do outro foi essencial para um resultado tão certo, já que ambos deveriam viver personagens com uma dinâmica muito divergente: ora companheiros, ora inimigos.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME: 8,5.

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

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