30 de abril de 2011

Homenagem: 22 anos sem Sergio Leone

ERA UMA VEZ... NO CINEMA EXPLOSIVO DE SERGIO LEONE

Um belo tributo do blog “Analisando o Oeste”, em homenagem a uma das maiores lendas que a sétima arte já viu, falecida há exatos 22 anos.

Em meio a homens de barba malfeita, tiros e explosões para todos os lados, paisagens e músicas de tirar o fôlego, momentos silenciosos que demonstravam tensão máxima, sacadas inteligentes e diálogos irônicos, Sergio Leone construiu seu próprio cinema, transformando-se em uma das maiores lendas de algo conhecido como “sétima arte”. Atualmente é tido como um dos maiores cineastas da história de seu país (Itália), justamente ao lado de outros grandes mestres macarrônicos, como Vittorio De Sica e Rossellini. Nesta postagem será feita uma homenagem a um dos maiores inspiradores do cinema contemporâneo, abrangendo sua vida e suas características cinematográficas. Então, apenas lhes dou uma dica: aproveitem ao máximo, bem como se deve apreciar um mestre como foi Sergio Leone.

Italiano por completo, Sergio Leone nasceu em Roma, no dia 3 de janeiro do ano de 1929; filho de pai já relacionado ao cinema, sua relação com as telonas começava desde cedo: com apenas 18 anos, era assistente de grandes diretores, como De Sica, Comencini e Mervyn LeRoy. No filme “Ladrões de Bicicleta” (1948), dirigido por Vittorio De Sica, Leone tem uma pequena participação como um estudante de seminário.

Sergio Leone (primeiro à esquerda) participando de “Ladrões de Bicicleta”.

Antes de realizar a película que mudaria sua vida – e também a do cinema –, Sergio Leone mantinha contato com os chamados filmes pepluns, ambientados na Antiguidade, principalmente greco-romana. Foi nesta atmosfera que o diretor conseguiu cumprir seu primeiro trabalho na direção, em 1961, com o filme “O Colosso de Rodes”. Três anos depois realizou o antológico e polêmico “Por um punhado de dólares”, criando um novo gênero cinematográfico, o qual seria responsável por consagrar o trabalho de Leone pelo resto de sua vida: o western spaghetti. Este nome é o resultado de uma mistura entre a palavra estadunidense que define o gênero faroeste (western) unido com uma tradicional comida italiana (o spaghetti), devido às películas serem realizadas por um italiano de origem . Essas produções eram até mesmo consideradas “baratas”, já que eram feitas de uma forma simples: locações na Europa (Itália e Espanha, principalmente), porém com cenários baseados no velho-oeste americano; artistas de diversos países; repetição de atores em todos os filmes da trilogia, etc... Como já citado acima, o filme acarretou uma polêmica: foi considerado como um remake de “Yojimbo” (1960), diferenciando-se do filme japonês apenas por ser ambientado no faroeste. Inclusive, Akira Kurosawa (diretor de Yojimbo) insistiu em receber um punhado de dólares do diretor italiano e faturou mais de cem mil dólares pelo processo contra Sergio Leone.

Após “Por um punhado de dólares”, Sergio Leone se destacava cada vez mais e acabou por realizar mais dois filmes (estes sem ideias “roubadas”), culminando na criação da famosa “trilogia dos dólares”. Nesta trilogia, merecem grandes destaques: a trilha sonora que revolucionou o cinema, composta pelo maestro Ennio Morricone, vivendo até hoje nas mentes de verdadeiros cinéfilos; criação de suas próprias regras cinematográficas, inovando e desafiando o cinema estadunidense; invenção de personagens únicos, com ênfase para “o homem sem-nome”; descoberta de atores que antes não possuíam nenhum destaque e que mais tarde se tornariam grandes ícones do mundo cinematográfico, como Clint Eastwood. Aliás, Sergio Leone até soltou uma frase a respeito de Eastwood: “Eu gosto do Clint Eastwood porque ele tem somente duas expressões faciais. Uma com o chapéu e outra sem ele”.

Sergio Leone e Clint Eastwood durante as gravações do primeiro filme da “trilogia dos dólares”, responsável por alavancar o western spaghetti.

Logo após a realização da “trilogia dos dólares”, Sergio Leone decidiu se aventurar em mais uma trilogia, desta vez chamada de “trilogia da América”, possuindo filmes esteticamente perfeitos, principalmente quando falamos a respeito de sua maior obra-prima, segundo muitos cinéfilos: “Era uma vez no Oeste” (1968). Foi a partir desta película que os trabalhos de Leone pararam de ser considerados de “baixo orçamento”, já que trazia um elenco de primeira, estrelando atores como Charles Bronson, Henry Fonda, Jason Robards e Claudia Cardinale. Com esta grande produção, Leone mostra um “cinema de tirar o fôlego” e, sem se limitar a um bom elenco, também marcava seu território com músicas da mais alta patente do western spaghetti, coordenadas por Ennio Morricone; cenários no maior estilo John Ford; personagens claramente definidos (o vilão nos olhos azuis de Fonda, o vingativo na atuação de Bronson, a mocinha indefesa na beleza de Cardinale). Além de todos estes “meros detalhes”, Leone ainda busca mostrar “o fim do velho-oeste” de forma sofisticada, apresentando a aplicação de ferrovias e as novas tecnologias da época, mas tudo isso com suas próprias características.

E, falando em características, isto é algo que não falta para falar a respeito de Sergio Leone: criou seu próprio estilo fílmico, algo totalmente particular do diretor. Dentre suas mais conhecidas características estão: close-ups extremos, momentos silenciosos e tensos, diálogos irônicos, efeitos sonoros incríveis, perfeita sincronização entre imagem e som, intensas explosões, violência estilizada, flashbacks que criavam novas histórias, cenas repletas de pessoas nas ruas, duelos em todos finais de filmes, entre outras especialidades. Com essas peculiaridades, o diretor italiano desafiava o cinema estadunidense, o grande centro cinematográfico: a sétima arte norte-americana utilizava de 8 a 12 frases por minuto, enquanto os filmes de Leone traziam incríveis 3 a 7 frases; no western spaghetti, era permitido que se filmasse o tiro e a vítima sendo atingida (sem cortes), o que era proibido em Hollywood; os personagens de Sergio Leone, com barba malfeita e roupas sujas substituíram os heróis norte-americanos, de camisas arrumadinhas e até parecendo “cheirosos”, sugerindo ídolos da música country.

A grande diferença entre os heróis de Sergio Leone e os heróis norte-americanos.

Depois da realização de “Era uma vez no Oeste”, Sergio Leone realmente havia se consolidado na história do cinema, porém, como se não bastasse, o diretor ainda dirigiu mais um western, o qual mais tarde entraria para sua última trilogia da carreira: “Quando Explode a Vingança” ou “Era uma vez... A Revolução” (1971). O segundo título é o mais adequado, já que se aplica melhor à filosofia do filme, ambientado na época da “Revolução Mexicana”, através dos olhos olhos de um revolucionário irlandês (James Coburn), juntamente com um mexicano sujo (Rod Steiger). Todos dizem que foi “o trabalho mais politizado de Sergio Leone”, porém que é imprescindível não dispensarmos as peculiaridades vitais do diretor italiano.

Durante anos sem realizar filmes, Leone caiu na tentação de desejar boas críticas, o que não vinha acontecendo, já que seus filmes eram considerados “parados e um tanto quanto violentos” para a época. Entre 1971 e 1984, Sergio Leone simplesmente dividiu alguns trabalhos, como os de “Meu nome é ninguém” (1973) e de “Trinity e seus companheiros” (1975), respectivamente com Tonino Valerii e Damiano Damiani. Porém Sergio Leone não estava simplesmente parado. Apesar de produzir algumas coisas, ele andava desenvolvendo seu maior clássico, um dos melhores filmes de máfia depois de “O Poderoso Chefão” (1972): “Era uma vez na América” foi preparado durante 13 anos e essa longa espera não valeu muito para os críticos, que mais uma vez “pisaram em cima de Leone”, criticando duramente o filme de quase 4 horas, justamente por sua “longa duração, extrema violência, cenas de sexo, etc...”. Eram 229 minutos de pura estranheza por parte da plateia porém por trás de tudo havia grandes lances da genialidade “leônica”. Inclusive, este foi o único filme de Sergio Leone indicado para algum prêmio cinematográfico, vencendo apenas alguns deles .

Cena inicial de “Era uma vez no Oeste”, uma das mais emblemáticas da vida cinematográfica de Sergio Leone, demonstrando a imensa genialidade e preocupação que o diretor tinha com a parte sonora de suas películas.

Infelizmente, a vida precisa ser assim: trabalhos de diretores como Sergio Leone passam a ser reconhecidos somente depois de muito tempo. Apesar de atualmente causar a influência em artistas como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez, Sergio Leone era alguém sem extrema importância na época. Realizava obras-primas e tudo mais que fosse necessário para o cinema, porém não possuía o reconhecimento que têm hoje. Além de inspirar tais artistas, Leone ainda empolgou com sua magia os diretores da nova era decorrente do cinema, chamada de “New Hollywood”, como Brian De Palma, Sam Peckinpah, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, etc... E, de um jeito ou de outro, ele criou um novo estilo cinematográfico... Um estilo completamente SEU, o que hoje ainda é responsável por destacá-lo. Ou seja, tudo demonstra que o cinema de Sergio Leone valia muito mais que “um punhado de dólares”. E ainda mais, algo que desejo destacar mais do que tudo: Sergio Leone não realizou apenas faroestes, como muitos pensam... Praticou o cinema por completo dentro de um único gênero. Isto é, tudo de mais magistral possível encontrado no cinema, poderíamos encontrar nos westerns de Sergio Leone.

Falecido há exatos 22 anos, no dia 30 de abril de 1989, Sergio Leone marcou uma nova era para a sétima arte. Fez tudo que lhe era possível, tudo que tinha ao seu alcance ele realizou: criou, roubou, criticou, revelou, marcou, inspirou e, por incrível que pareça, Sergio Leone ainda continua fazendo isso. Nas mentes de diferentes gerações – de jovens como eu, de adultos como Tarantino e até de “velhos” como Eastwood – Sergio Leone continua sendo o verdadeiro mestre para nós... E continuará sendo, até que o cinema nos separe!

“Se inclui tantos close-ups extremos em meus faroestes, em grande medida é porque quero mostrar que os olhos são o elemento mais importante. Tudo pode ser lido nos olhos: coragem, ameaça, medo, incerteza, morte” – Sergio Leone explicando o “porquê” da utilização de sua maior característica.

Parte do documentário “Era uma vez… Sergio Leone”, contando com a participação de famosos cineastas que trabalharam ou são influenciados pelo mestre italiano, falando sobre ele.

No Brasil, o gênero é conhecido como “bang-bang à italiana”.

As filhas de Sergio Leone – Andrea e Raffaella – acrescentaram, recentemente, mais de 40 minutos exclusivos para a película, um verdadeiro presente para os fãs do diretor.

Foi indicado para o Globo de Ouro de “Melhor Direção” e “Melhor Trilha Sonora”, perdendo os dois prêmios; foi vencedor no BAFTA (British Academy of Film and Television Arts) de “Melhor Trilha Sonora” e “Melhor Figurino”, sendo ainda indicado como “Melhor Atriz Coadjuvante” (Tuesday Weld), “Melhor Diretor” e “Melhor Fotografia”.

25 de abril de 2011

Minissérie "Poncho", de Bruno Barrenha

Pequeno depoimento que escrevi para o grupo de cinema "Kino-Olho", a respeito da realização de minha recém-finalizada minissérie "Poncho". Além deste depoimento, disponibilizei algumas fotos de nossas filmagens e o "pôster oficial" da minissérie. Aproveitem e também assistam aos capítulos, colocados no topo da página inicial do blog!


Bruno Barrenha - "De início, não tinha nada em mente para realizar uma série como a que eu e meus amigos fizemos. Tudo começou em uma sexta-feira a noite, depois de ter gravado o que mais tarde seria o primeiro capítulo. Como sexta-feira é quando gravo meus vídeos (para conferi-los, CLIQUE AQUI), não tinha nada de concreto para o vídeo daquele dia; estava em uma crise de ideias, mas já vinha pensando em criar um personagem sem nome (bem como nos faroestes do Sergio Leone), no qual este seria um super-herói (ou até mesmo anti-herói) um tanto quanto psicótico, que lutaria contra os males da sociedade contemporânea (corruptos, marginais, etc...). Algo um pouco clichê, mas para mim foi uma ideia e tanto. Estava louco para vestir o poncho e o chapéu que havia comprado e então montei o personagem por completo, muito inspirado no homem-sem-nome, da primeira trilogia de Sergio Leone, e que era interpretado por Clint Eastwood. Fiz, então, o primeiro capítulo como quem não quer nada. Fui recebendo elogios e muitos gostaram. Passei a desenvolver uma história para o super-herói, até que acabei criando o vilão de toda história: Poncho Villa (uma sátira a Pancho Villa) e este apenas surgiu por causa de um amigo, que também possui um poncho, um sombrero e um bigode falso. Tudo se encaixava perfeitamente para formar o vilão da história. Fui passando as aventuras para alguns colegas com quem já realizavam vídeos comigo. Gostaram das ideias, e então passei os papéis para que participassem. De início, poucas pessoas queriam participar e até tivemos de repetir alguns "atores" em determinados capítulos, mas depois de outros vídeos, meus amigos até imploravam para aparecer. Em toda minissérie, não escrevi uma única palavra de roteiro, apenas escrevia para eles o que teriam de fazer e o resto era na base do improviso. Fizemos de tudo para que saísse perfeito, mas é algo meio difícil devido a dois fatores: tempo e espaço. Primeiro que, em relação ao tempo, é algo muito curto e por isso tentamos filmar o mais rápido possível. Segundo, e ainda mais importante, é que o espaço era muito limitado: fizemos tudo em minha casa (consideravelmente pequena), mas com todos os cômodos perfeitos para as locações de cada capítulo. Apenas os dois últimos capítulos foram feitos fora de minha casa e ainda assim em um espaço limitado: utilizei o terreno de meu tio. Lá se guardam carros e até caminhões, o que também dificultou. Para esses capítulos, eu iria filmar em um sítio, mas como fica muito longe da cidade, resolvi filmar no terreno mesmo. E por incrível que pareça, deu certo. Então, é isso. Realizamos tudo da forma mais caseira possível, sem nenhum equipamento profissional, nem nada do tipo. Apenas utilizamos um grande leque de referências, as quais tomamos como inspiração e um dia sonhamos em chegar onde nossos ídolos chegaram. Ou seja, o fim dessa série foi uma grande conquista para quem participou, pois apenas nós sabemos o sofrimento de cada gravação. E, após tudo isso, estarmos recebendo elogios de diversas pessoas é algo muito gratificante, pois sentimos que nosso dever foi alcançado da maneira mais simples possível".

SINOPSE
- A minissérie gira em torno de um grande anti-herói sem nome (chamado de Poncho e interpretado por Bruno Barrenha), contando sua saga para chegar até os pés de seu maior inimigo: Poncho Villa (Camilo Bicudo). Enquanto não consegue tal feito, passa a ajudar um morador de rua espancado (Thierry Vasques) por um marginal, além de combater os males da sociedade contemporânea (como políticos corruptos) e de batalhar contra os ajudantes de Villa que tentam o matar.

ELENCO
Bruno Barrenha .... Poncho
Thierry Vasques .... Machucado
Camilo Bicudo .... Poncho Villa/Marginal
Gabriel Zaneratto .... Ajudante de Villa
Leonardo Valongo .... Fazendeiro

Direção de
Bruno Barrenha.

23 de abril de 2011

Sukiyaki Western Django

SUKIYAKI WESTERN DJANGO

Direção: Takashi Miike

Roteiro: Masa Nakamura

Produção: Masato Ôsaki

Ano: 2007

Elenco: Hideaki Ito, Masanobu Ando, Shun Ogari, Quentin Tarantino...

Duração: 121 minutos

Todo o surrealismo e humor negro do chef japonês Takashi Miike depositado em um sukiyaki cheio de referências às melhores épocas da sétima arte.

Análise: Após assistir “Sukiyaki Western Django”, a primeira coisa que me veio à mente foi: “acabei de assistir um Kill Bill completamente nipônico”. E foi então que realmente entendi porque as pessoas acreditam que Takashi Miike seja uma cópia de Quentin Tarantino. Logicamente que este filme é algo considerado trash e não chega nem aos pés de uma das obras-primas do diretor norte-americano, porém, é algo completamente parecido em diversos quesitos: violência, história esquisita, humor negro, surrealismo, cenas de ação, referências, etc...

Até levamos um considerável susto ao início da película, já que conseguimos localizar algo americanizado entre nomes os esquisitos nomes japoneses: Quentin Tarantino está no filme! E apesar de pouco aparecer cumpre seu papel, justamente como deveria ser. Aqui lhes entrego uma boa oportunidade para que possam observar o artista atuando em um papel “coadjuvante”. Normalmente, Tarantino faz pequenas participações em filmes, mas não passa de um personagem “perdido” no meio da história. Aqui, já conseguimos vê-lo com um papel de maior escalão, principalmente porque a história de “Sukiyaki” é iniciada pelo personagem de Tarantino, em um começo um tanto quanto surreal, como é o filme por completo.

Baseado no início da “era samurai” com a histórica rivalidade entre os clãs do Heike e Genji – os quais comandam a cidade de Yuta, em Nevata (referência a Yojimbo, com a hegemonia das duas gangues) – a película conta a história de um pistoleiro sem nome (Hideaki Ito) que chega em meio aos conflitos dos clãs e sua maior missão, dali para a frente, será ajudar Shizuka (Yoshino Kimura), uma prostituta que deseja se vinguar de ambas gangues rivais, responsáveis por tragédias em sua família.

Apesar de – como citado acima – o filme ser considerado trash, só nos damos conta disso devido ao resultado final, o qual ausenta de uma melhor montagem e nos deixa incrédulos pelo sotaque puxado dos atores japoneses. Como a melhor parte, destacam-se as falas memoráveis e inspiradas, além de suas referências: o próprio nome já nos indica a respeito de Django e isso se agrava com a cena do caixão sendo puxado por uma carruagem. Aliás, Django é – de longe – o principal homenageado. Além de homenagens e falas, algo que impressiona é a extrema forma luxuosa de como a película foi feita: cenários e vestuários são detalhes que não deixam de chamar a atenção. O cenário um tanto quanto diferente, mesclando os cemitérios indispostos e improvisados do faroeste com um visual feudal, do antigo Japão dos samurais. A fotografia de Toyomichi Kurita talvez seja o melhor quesito da película, seguido pelas referências já citadas.

Este prato exótico e estiloso criado por Takashi Miike (considerado até “o novo Kurosawa”) pode se tornar variado quanto ao quesito utilizado para avalia-lo: para quem aceita qualquer desafio e não se dá conta dos detalhes cinematográficos, “Sukiyaki Western Django” pode ser um prato cheio, enquanto para quem possui um olhar crítico, é até mesmo fraco. Apesar de trazer uma receita extremamente cheia de referências aos westerns spaghettis e aos filmes japoneses de samurais, isso se resulta em uma mistura de luxo, tecnologia, estranheza, desordem e até emoção.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME: 7,5.

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

16 de abril de 2011

Tragam-me a cabeça de Alfredo García

BRING ME THE HEAD OF ALFREDO GARCÍA

(TRAGAM-ME A CABEÇA DE ALFREDO GARCÍA)

Direção: Sam Peckinpah

Roteiro: Sam Peckinpah e Gordon Dawson

Produção: Martin Baum

Ano: 1974

Elenco: Warren Oates, Isela Vega, Robert Webber...

Duração: 112 minutos

“O cachaceiro e irresponsável Sam Peckinpah mostra que é capaz de fazer uma obra-prima com o pouco que tinha em alcance”

Análise: Como eu mesmo defino um dos maiores diretores do western – Sam Peckinpah, “ele é um cara que não toma o mel, logo masca a abelha”. O diretor não quer saber de blá blá blá, vai direto ao ponto e sem frescuras. Neste filme de nome um tanto quanto macabro, habitado por bandidos, prostitutas, estupradores e muchas moscas, Peckinpah mostra sua grande marca registrada: a violência. Foi sua obra com menos interferência de estúdios, o que acaba resultando em algo totalmente particular do diretor, algo como deveriam ser suas obras passadas, mas infelizmente todas acabaram sendo adulteradas por estúdios que não aceitavam a maior característica do “cineastro”.

Após o video, até retomo a ideia de que um dos grandes e consagrados diretores atuais (Quentin Tarantino) usa como base de sua inspiração a violência utilizada por Sam Peckinpah em suas películas, como nessa; ao ver filmes de Tarantino, surge sempre uma lembrança do cachaceiro Peckinpah. Logicamente que Sam foi um “marco” para a sétima arte, já que ele quebrou as barreiras do cinema americano (no qual a violência era pouco válida) e desenhou seus próprios planos, principalmente o de ser conhecido como o “precursor do slow motion”, característica mais que presente em obras de Peckinpah.

Para dar vida à trama da película, temos a figura do decadente Peckinpah formado pelo pianista Bennie (Warren Oates impecável), além de sua prostituta e por vezes cantora Elita (Isela Vega). Ambos têm pensamentos borbulhantes em suas mentes para adquirir a recompensa oferecida pela cabeça de Alfredo García. Aliás, vocês devem se perguntar o porquê de quererem a cabeça deste pobre homem, sendo que ele não fez algo de tão grave assim: apenas engravidou a filha de um poderoso homem da região, El Jefe (Emílio Fernandez). Após o assassinato de exatas 16 pessoas – inclusive Elita – apenas para a aquisição da cabeça de García, um fim trágico espera por Bennie.

Em uma história criada pelo próprio Sam Peckinpah em parceria com Frank Kowalski, é possível encontrar tanto personagens definidos quanto personagens desnecessários, no qual temos o exemplo de Kris Kristofferson, atuando como um motoqueiro em uma cena completamente desnecessária e longa. Em relação à trilha sonora, percebemos sua presença, apesar de não ser com grande frequência: o maestro Jerry Fielding alterna-se entre bons e maus momentos nas músicas, tais quais os personagens definidos e desnecessários citados anteriormente.

Apesar da dificuldade financeira na qual foi realizado e do retrato que faziam de Peckinpah (como um demente e acima de tudo sádico), ele nos impressiona com um retrato corrosivo e cru, nos dirigindo até um submundo de pobreza e lucidez, transformando tudo em um clima bizarro (e sujo, muito sujo). Apesar de conter alguns erros (uma ou outra cena desnecessária), estes podem ser totalmente ignorados, já que se tornam minoria em relação à magia de Peckinpah, que mostra toda sua revolta degradante, odiosa e frenética em um dos melhores filmes de sua carreira.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME: 9,5.

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

13 de abril de 2011

Onde os fracos não têm vez

No Country for Old Men

(Onde os Fracos Não Têm Vez)

Direção: Ethan e Joel Coen

Roteiro: Ethan e Joel Coen

Produção: Scott Rudin, Ethan e Joel Coen

Ano: 2007

Elenco: Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin…

Duração: 122 minutos

Com muitos recursos e atuações marcantes, os irmãos Coen criaram uma verdadeira obra-prima.

Análise: Com um pouco de drama, suspense e polícia em um total clima de faroeste, podemos definir o gênero do filme que em 2008 faturou quatro Óscares - melhor filme, melhor cineasta, melhor ator coadjuvante (Javier Bardem) e melhor roteiro adaptado (Ethan e Joel Coen) –, além de dois Globos de Ouro – melhor ator coadjuvante e melhor roteiro adaptado. O roteiro é baseado no livro do mesmo nome escrito por Cormac McCarthy, que conta a história de Llewlyn Moss (Josh Brolin), do xerife Ed Tom Bell (Tommy Lee James) e do vilão Anton Chigurh (Javier Bardem).

Tudo começa quando Llewelyn acha uma maleta de dinheiro de uma transação de drogas mal-sucedida e com vários mortos, mas ele não sabia que isto geraria uma grande onda de violência. Também somos apresentados ao vilão Anton Chigurh, com sua inseparável “pistola de ar comprimido” e de sua shotgun (espingarda) equipada com silenciador, que mostra ser um assassino de sangue frio desde o começo do filme. Ele é contratado para recuperar o dinheiro pego por Llewelyn. Enquanto isso, o xerife tenta proteger Llewelyn a pedido de sua esposa Carla Jean (Kelly Macdonald), esta tentando resolver os casos de violências que envolvem os traficantes de drogas e o próprio Chigurh. A partir daí várias séries de assassinatos e investigações acontecem.

Javier Bardem interpreta seu personagem de forma única, com frieza e mostrando ser um verdadeiro psicopata sem senso de humor e que não liga para a opinião de ninguém, nem de quem se intromete no seu caminho. Anton Chigurh é considerado por muitos um dos maiores vilões do mundo cinematográfico. A genialidade dos irmãos Coen é mostrada novamente neste filme que conta com diferentes e ótimos planos de câmera, tais quais nos dirigem à violência no filme de diferentes formas. A trilha sonora se ausenta um pouco da película, mas isto não é tão negativo, pois grande parte do filme acontece em pleno silêncio e a falta de uma trilha sonora aumenta ainda mais a tensão no filme.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME: 10.

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

9 de abril de 2011

Clint Eastwood: Uma lenda (mais do que) viva


CLINT EASTWOOD: UMA LENDA (MAIS DO QUE) VIVA...

“No início uma mera incógnita... No final uma plena certeza!”

Foi exatamente no dia 31 de maio do distante ano de 1930 e na cidade de São Francisco que nascia uma incógnita para a humanidade: Clinton Eastwood Jr. Primeiramente tido como um “x social”, hoje é uma das maiores lendas da sétima arte e, a seguir, você poderá conferir com detalhes toda a carreira histórica do “homem sem nome”, do policial Harry Callahan, do assassino sangue-frio William Munny, do treinador de boxe Frankie Dunn, do velho rabugento Walt Kowalsky, ou simplesmente do ícone Clinton Eastwood Jr!

Nascido em São Francisco, o garoto Clint pertencia a uma família de classe média e protestante. Seu pai (Clint Eastwood) era um operário metalúrgico, enquanto sua mãe (Margaret Ruth) uma trabalhadora fabril. Rodou toda costa oeste norte-americana devido aos diversos trabalhos do pai: Redding, Sacramento, Pacific Palisades, de volta à Redding, Sacramento, Hayward, Niles, Oakland, etc... Realizou um sonho, formando-se na Universidade de Oakland, porém após a faculdade mantinha empregos “vagabundos”, como frentista de posto e tocador de piano em um bar.

Apesar dos miseráveis trabalhos que prestava, Eastwood foi – como seus futuros personagens – valente para percorrer as trilhas que o levariam para o sucesso: começou em filmes de produção B, principalmente em ficções ou suspenses; muitas vezes nem era creditado, já que só aparecia uma vez ou outra. Alternava-se entre a televisão e o cinema. Por um momento, a televisão venceu a batalha e Eastwood participou do seriado “Rawhide”, ambientado no velho-oeste. Tal série foi produzida durante 1959 e 1965, com mais de 200 episódios e foi um sucesso de época.

Mas, para quem acredita que este foi o cume inicial do sucesso artístico de Eastwood, se engana: outra incógnita (Sergio Leone) procurava alguém para interpretar o hoje famoso “homem sem nome”; muitos atores foram contatados, até que a oferta foi parar nas mãos de Clint, o qual apenas aceitou porque iria conhecer a Europa (local das gravações). Com ajuda do destino, é formada uma das maiores duplas do cinema e do faroeste. Juntamente com o diretor italiano, Eastwood não mudou apenas sua própria história, mas também a história do cinema com os famosos westerns spaghettis. Aliás, Clint e cinema até soam como sinônimos: um mudando a história do outro.

Famoso pelos trabalhos com Sergio Leone, Eastwood agora recebia o apoio e as lições passadas por outro diretor com quem teve sucesso: Don Siegel. Ambos os diretores (Leone e Siegel) até foram homenageados com a obra-prima “Os Imperdoáveis” (1992), a qual Clint dedicou aos seus mestres do cinema. Isto já deixava claro o grande passo que Eastwood dava em sua carreira, deixando de ser aquela incógnita para transformar-se em resultado mais do que certo: um ator sério, durão, valente, charmoso, sedutor e por vezes sensível.

Eastwood juntamente com um de seus mestres: Don Siegel.

Já consolidado como ídolo da nação após os trabalhos de sucesso em que atuava, Clint decidiu se aventurar por trás das câmeras, porém não deixou o hábito de aparecer em suas obras, o que até hoje é uma marca registrada do artista. Foi no ano de 1971 em que Eastwood estreou como diretor, no thriller intitulado “Perversa Paixão”, muito bem recebido pela crítica. Inclusive, a maioria dos trabalhos de Eastwood como diretor são bem criticados, sendo que ele é considerado o único ator da história cinematográfica a estrelar filmes de sucesso por cinco décadas. Para compensar seus sucessos, Clint Eastwood tornou-se o diretor da “Malpaso Productions” , uma companhia criada pelo seu assessor. A empresa existe desde 1968 e foi financiada com o dinheiro da “trilogia dos dólares”. É muito famosa devida sua eficácia ao realizar películas, demorando pouco tempo para filma-las em relação às outras produtoras.

Adentrando na parte mais pessoal de Clint Eastwood, o artista conta com um número estrondoso de filhos (sete, no total), sendo que são de cinco mulheres diferentes. Além disso, também já foi envolvido por uma série de polêmicas, principalmente após o lançamento de uma “biografia não-autorizada”. Até mesmo um dos seus mais famosos personagens (Harry Callahan, em “Magnum Force”, de 1973) dizia: “um homem precisa saber suas limitações”, porém Eastwood parece que não aprendeu com “Harry, o sujo”: em tal biografia, o autor Patrick McGilligan diz que o artista teve casos extraconjugais com outras mulheres, era obcecado pelo dinheiro e não tinha nada de profissional em si. De tudo isso, não sabemos o que é verdade ou não para julgá-lo.

Além todas suas grandes relações em comum com a sétima arte, Eastwood parece que tem algo em particular com as urnas eleitorais: já foi eleito – duas vezes – como o ator favorito dos estadunidenses; e, para quem nem imagina, Eastwood é também presente na política, sendo do Partido Republicano desde 1951 e tendo em seu currículo o cargo de prefeito de Carmel-by-the-Sea, entre 1986 e 1988. Inclusive, a cidade é o local de seu primeiro filme como diretor, o qual já foi citado anteriormente.

Como já se não bastasse, Clint Eastwood também possui muitas ligações com a música: em seus “anos rebeldes” tocava piano em bares, porém a medida que a fama lhe subia pela cabeça ele também mostrava sua apreciação pela música blues e pelo jazz. Até fez um recente documentário sobre o estilo musical intitulado como “The Blues - Piano Blues” , em que conta com entrevistas de grandes músicos consagrados. Além de entrevistas, tais músicos tocam e conversam de forma bem humorada com Eastwood, o qual até “arranha o piano” em algumas brechas. Inclusive, Clint Eastwood canta uma música no final de seu recente e excelente “Gran Torino” (2008), em parceria com seu filho músico Kyle Eastwood e com o ídolo pop Jamie Cullum.

É também em Gran Torino que Clint Eastwood finaliza – com chave-de-ouro – sua participação como ator no cinema. No filme, somos levados diretamente até um show de atuação, um show de direção e um show melodramático, o que representa a obra do diretor/ator. Tudo se combina e se encaixa perfeitamente na película.

Música cantada por Clint Eastwood e Jamie Cullum nos créditos da obra-prima “Gran Torino”.

Devido a todos seus feitos cinematográficos, não é a toa que Clint Eastwood merecia a premiação máxima da sétima arte: venceu quatro Óscares de Academia, sendo dois como “Melhor Diretor” e dois como “Melhor Filme”, ambos de “Os Imperdoáveis” (1992) e “Menina de Ouro” (2004). Apesar de não ter vencido nenhum como “Melhor Ator”, todos sabem que Eastwood já fez mais do que sua obrigação para o cinema e que, se continuar do jeito que está, fará mais ainda.

Atualmente aos 80 anos, Clint Eastwood continua produzindo todo ano – como um incansável jovem – películas tão boas que chegam a nos surpreender: lançou em 2009 (um ano antes da Copa do Mundo na África do Sul) um filme sobre a vida do ex-presidente sul-africano Nelson Mandela (interpretado pelo amigo Morgan Freeman); não deixou 2010 em branco e lançou “Além da Vida”, um drama de caráter religioso, tentando nos esclarecer uma pergunta que não quer calar: “como é a vida após a morte?”. E como já foi definido, dirigirá uma película prevista para ser lançada em 2012, com Leonardo DiCaprio no papel do fundador e ex-diretor do FBI, J. Edgar Hoover.

Para quem ainda tem alguma dúvida sobre o potencial artístico de Clint Eastwood, basta apenas ler e reler este artigo, até que se perceba o quão especial Eastwood é, observando os mais variados presentes que ele trouxe para o cinema e o que o cinema trouxe para ele. Do jeito que anda produzindo, rezamos para que ele continue por muito mais tempo na ativa e, com toda certeza do mundo, posso afirmar que Clint Eastwood é e continuará sendo uma das maiores personalidades do mundo cinematográfico já existente.

O nome “Malpaso” é derivado de uma região onde Eastwood viveu, localizada ao sul de Carmel-by-the-Sea, onde mais tarde se tornaria prefeito. O primeiro filme realizado pela Malpaso foi “Hang’em High”, um faroeste estrelado pelo próprio Eastwood.

“The Blues – Piano Blues” (2003), além de ser dirigido por Clint Eastwood, foi produzido por outro dos grandes ícones norte-americanos: Martin Scorsese. Para quem vive no Brasil, o documentário passou por algumas semanas na TV Cultura aos sábados de madrugada.

4 de abril de 2011

Remake da análise: Rastros de Ódio

OBS.: Não, esta análise não é de um remake do famoso filme de John Wayne, mas sim um “remake” da análise do ex-membro do blog, Camilo Bicudo. Para vê-la, clique AQUI.

The Searchers

(Rastros de Ódio)

Direção: John Ford

Roteiro: Frank S. Nugent

Produção: Cornelius Vanderbilt Whitney

Ano: 1956

Elenco: John Wayne, Vera Miles, Natalie Wood, John Quallen…

Duração: 119 minutos

Contando com ótimos cenários e com uma bela atuação de John Wayne, este filme é considerado por muitos como uns dos melhores de todos os tempos.

Análise: Rastros de Ódio foi baseado num romance de Alan Le May. E como dito anteriormente foi considerado em 2008 o melhor western de todos os tempos e em 2007 ficou em 12° no top 100 de melhores filmes de todos os tempos, ambos pela AFI (American Film Institute).

Ethan Edwards (John Wayne) é um ex-soldado confederado que após o termino da Guerra Civil volta para o rancho do seu irmão. Pouco tempo depois deve que sair com alguns Texas Rangers para ver um furto que ocorrerá no vizinho e acabam percebendo que foram uma armadilha dos índios Comanches para afastá-los de suas famílias. Porém ao voltar para casa Ethan se depara com chamas e a família Edwards acabada, com exceção de Lucy (Pippa Scott) e sua irmã mais nova Debbie (quando jovem interpretada pela Lana Wood e mais velha é interpretada Natalie Wood) foram “apenas” sequestrada.

Ethan, sedento de vingança, se junta com Martin Pawley e após cinco anos em viagem começam a achar rastros do cacique Scar, um desses rastros é o corpo de Lucy, que possivelmente foi violentada pelos comanches. Ethan começa a ser consumido pelo ódio e a vingança, e reúne uma pequena tropa para fazer o resgate. O plano quase dá errado por causa de Martin, que resolve infiltrar na aldeia e acaba começando um tiroteio que obriga a pequena tropa invadir a aldeia e matar todos os índios. Ainda assim, consegue realizar o resgate de Debbie.

Vemos que a película tem uma história bem elaborada, sem muita violência, porém acaba se tornando meio cansativa. O lugar de filmagem muito bem aproveitado, com belas cenas e aproveitando as cores vivas e fortes. Há também uma bela e melancólica trilha sonora.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME: 9,0.

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

2 de abril de 2011

Rango

RANGO

Direção: Gore Verbinski

Roteiro: John Logan

Produção: Gore Verbinski, Graham King e John B. Carls

Ano: 2011

Elenco: Johnny Depp, Isla Fischer, Abigail Breslin…

Duração: 107 minutos

Um magistral passatempo para cinéfilos.

Análise: Iniciando pelo nome da animação, o qual já nos sugere que existe algo com o faroeste: podemos ligar Rango com Ringo e Django, dois westerns conhecidos internacionalmente e dirigidos por Sergio Corbucci, um dos grandes diretores que revolucionaram o gênero antes considerado somente americano, transformando-o em universal e criando o “bang-bang à italiana”, juntamente com Sergio Leone e outros diretores, incluindo Sam Peckinpah e Clint Eastwood. Ou seja, isto já é um indício de que a película irá homenagear – e com um singelo camaleão – um dos maiores gêneros cinematográficos: o faroeste, bang-bang, western ou seja lá o que você preferir.

Making-of da dublagem de Rango, um tanto quanto diferente e inteligente, funcionando muito bem na película.

A história da película é um pouco esquisita e fora do comum, aliás, é uma animação, feita para crianças: um camaleão que cai de um caminhão no quente e seco deserto de Mojave, chegando até a cidade “Poeira”, onde se torna xerife. Apesar de fazer tudo errado, o resultado é algo extremamente certo.

A direção fica por conta de Gore Verbinski, o mesmo diretor da trilogia de “Piratas do Caribe”. Para acompanhar o diretor, seu parceiro Johnny Depp lidera a equipe de dubladores, que ainda conta com Isla Fischer (“Scooby Doo”) e Abigail Breslin (de “Pequena Miss Sunshine”). O roteiro fica por conta de John Logan, indicado ao Oscar duas vezes: por “Gladiador” e “O Aviador”. Hans Zimmer é creditado como o criador da trilha sonora, a qual remonta mais uma homenagem ao faroeste, com músicas que nos lembram de Ennio Morricone, o maestro do bang-bang e outros compositores. Aliás, a trilha sonora merecia um próprio parágrafo, porém deixarei de aperfeiçoa-la tanto assim. É impossível não creditar também a indústria de efeitos especiais “Light & Magic”, responsável pelo visual de Rango. A perfeição com que a animação foi feita é algo fora de série: detalhes incríveis; cenários que remontam com tamanha perfeição o oeste americano; um visual impecável para nos deixar de cabelo em pé; um universo muito realista, que inclusive, senão fossem os personagens camaleões usando roupas (o que nos mostra verdadeiramente que é uma animação), até acreditaríamos que estávamos vendo um filme com animais reais. Ou seja, tudo isso indica como o visual da película é perfeito.

Ao término da animação, percebemos as diversas homenagens e referências que Rango trouxe aos clássicos do faroeste: de personagens como o lendário “homem sem nome” até obras-primas como “Era uma vez no Oeste”, a película pode ser considerada fundamental para tentar recuperar o gênero, o qual anda desaparecido no mapa do cinema, apenas com alguns sobreviventes que tentam revivê-lo, como os incríveis irmãos Coen. Mas, algumas pessoas devem se perguntar: as crianças irão entender tudo do filme, já que há tantas referências ligadas a clássicos do cinema, como os faroestes italianos? Apesar de todas as referências, as crianças podem se divertir um bocadinho com as trapalhadas do camaleão Rango, aliás, toda animação é feita exclusivamente para crianças. Porém, com certeza, alguém que conheça o western irá ter um prazer a mais em assistir “Rango”, aliás, um filme com tantas referências nos fazem lembrar as épocas douradas do cinema e até dos mestres do bang-bang, como o diretor Sergio Leone, o compositor Ennio Morricone e o ator Clint Eastwood.

Como já havia dito bem no início, o filme é considerado como um passatempo para cinéfilos, já que estes poderão se divertir tentando descobrir as quais filmes algumas cenas se referem. Apenas para constar aqui: além de faroestes, a animação faz referências a outras cenas de filmes, como “Apocalypse Now”, de Francis Ford Coppola, na fantástica cena da Cavalgada das Valquírias, com uma trilha sonora de arrepiar por Richard Wagner.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME: 9,5.

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.