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9 de dezembro de 2012

Retrospectiva Cangaço | Arquivo: Lampião, o rei do Cangaço

LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO

Filmagem de Benjamin Abrahão Botto
Produzido por Al Ghiu Filmes
Ano: 1936

Uma época que, infelizmente, já se extinguiu.


“Illmo Sr. Bejamim Abrahão
Saudações
Venho lhi afirmar que foi a primeira peçoa que conceguiu filmar eu com todos os meus peçoal cangaceiros, filmando assim todos us muvimento da noça vida nas catingas dus sertões nordestinos.
Outra peçoa não conciguiu nem conciguirá nem mesmo eu consintirei mais.
Sem mais do amigo
Capm Virgulino Ferreira da Silva
Vulgo Capm Lampião
”

– Bilhete de Lampião para o cinegrafista do bando. 

26 de novembro de 2012

Retrospectiva Cangaço | Crítica: A Morte Comanda o Cangaço

 A MORTE COMANDA O CANGAÇO

Direção: Carlos Coimbra e Walter Guimarães Motta
Roteiro: Carlos Coimbra, Francisco Pereira e Walter Guimarães Motta
Elenco: Alberto Ruschel, Aurora Duarte, Milton Ribeiro...
Ano: 1961
Duração: 100 minutos

Ao nível de um western na categoria B, a dupla de diretores realiza um dos clássicos do cangaço.

Análise: A Morte Comanda o Cangaço é um filme brasileiro que se situa em 1929, época na qual o nordeste de nosso país era dominado pelos típicos cangaceiros. A história de vingança é protagonizada por Alberto Ruschel e Milton Ribeiro – ambos participantes do maior filme do gênero, O Cangaceiro (Lima Barreto, 1953). A película foi indicada pelo Brasil para o Oscar na categoria de “Melhor Filme Estrangeiro”, porém não foi escolhida para a fase final da premiação. 


Raimundo Vieira (Ruschel) é um pequeno fazendeiro que tem sua casa queimada e sua mãe morta por um grupo de cangaceiros, liderados pelo Capitão Silvério (Milton Ribeiro), após o prejudicado ter se negado a pagar por “proteção”. Raimundo, no entanto, consegue sair vivo do ataque e deseja pôr fim à violência que os arruaceiros impõem no nordeste, e então monta o seu próprio bando, só de homens cansados da exploração pelos cangaceiros.

A vingança se inicia com a morte do Coronel Nesinho (Gilberto Marques), protetor e padrinho de Silvério, o qual, imediatamente, cavalga para retribuir a selvageria daquele que já sofrera do mesmo sentimento. Raimundo e Silvério, assim sendo, vão atrás de suas respectivas vendetas, um contra o outro; ao fim, encontram-se para fazer um duelo de facões, onde quem define o perdedor é uma mulher: Florinda (Aurora Duarte).

Só pela sinopse acima, percebe-se a importância das mulheres na película. Florinda, ex-mulher de Silvério, é capturada pelo bando de Raimundo e fica feliz por estar livre dos cangaceiros, acaba se casando com Raimundo e, ao final, escreve um papel influente para a definição do duelo entre os dois “maridos”. Maria dos Anjos (Ruth de Souza) é a atual “namorada” de Silvério, tendo se conhecidos em uma festa dos cangaceiros. Em busca do assassino de seu padrinho, Silvério e seu bando são emboscados por policiais, mas salvos justamente por Maria, que termina por levar um tiro; Silvério, tentando provar ser o cabra-macho que se mostra, nem sequer liga. 

O ambiente seco, característico do nordeste brasileiro, é bem explorado pela fotografia de Tony Rabatoni, que não evita em mostrar os problemas de algumas pessoas com a terra; um dos monólogos finais, narrado em off, demonstra isso por si só: “em uma luta desigual entre o homem e a natureza”. Ao fundo, em imagens, o bando de Raimundo atravessa uma seca caatinga (repleta de ossos de animais) e sofrem com o fim dos alimentos, porém a sorte está ao lado deles, possibilitando-os a presença de uma vaca pelo caminho.

Em uma substituição de cangaceiros pelos (antes) comuns caubóis, a película é uma forte construção de Carlos Coimbra e Walter Guimarães Motta, tanto na direção quanto no guião, que não deixar passar qualquer detalhe que a paisagem nordestina tem para dar. Estamos diante de um verdadeiro western B do cinema nacional – ou deveria dizer nordestern?  

MINHA NOTA:
POR THIERRY VASQUES.

12 de outubro de 2012

Dia das Crianças, no Oeste

O garotinho Joey Starrett (Brandon De Wilde) com seu cão. Sua atuação no tocante faroeste Os Brutos Também Amam (George Stevens, 1953) fez do filme um dos mais marcantes no gênero. 

O xerife caolho Rooster Cogburn (John 'Duke' Wayne) e a menina Mattie Ross (Kim Darby) em trocas mútuas de afeto no clássico Bravura Indômita (Henry Hathaway), o qual teve uma nova versão da mesma história em 2010, pelas mãos dos Irmãos Coen. 

No oeste decadente de Sam Peckinpah, o espírito infantil só se faz presente em meio a tiroteios. Na foto, duas crianças de Meu Ódio Será sua Herança se abraçam com o medo (e fascinação) envolto a eles. 

30 de setembro de 2012

Pôsteres | Guerre Stellari

Duas das maiores trilogias já filmadas na história da sétima-arte unidas em pôsteres conceituados... Já imaginou? Não? Pois aí vai. 

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O ilustrador Timothy Anderson (clique no nome para ver outras de suas obras) foi o responsável por desenhar estas três maravilhas visuais, construindo a ponte necessária na interligação dos desertos silenciosos e empoeirados d’A Trilogia dos Dólares, do italiano vanguardista Sergio Leone, até o universo galáctico de Star Wars, do americano George Lucas.

E quem será que venceria no duelo deste choque de culturas? Homem Sem-Nome ou Darth Vader?

8 de agosto de 2012

O som de Bravura Indômita

Na cinematografia em geral, o som de um filme é uma das partes mais importantes, na qual existem talentosos e revolucionários realizadores que somente fizeram-na crescer, a ponto de chegar a um estouro de genialidade. Como um exemplo que dispensa comentários e é explicado por si só, temos nosso já conhecido forasteiro, o italiano Sergio Leone, com suas emblemáticas cenas que considero, particularmente, mais sonoras do que visuais – veja a abertura de Era uma vez no Oeste (1968) e tire suas próprias conclusões.

O processo de produção sonora de diversos trabalhos da sétima-arte é sempre um passo mais interessante de ser contemplado, pois é possível observar a olhos e ouvidos à diversidade de ruídos criados (e improvisados) com os quais técnicos precisam lidar para reproduzir determinado elemento.

Portanto, apresento-vos o vídeo abaixo, com pouco mais de 1 hora de duração, em que três técnicos de som (Skip Lievsay, Greg Orloff e Byron Wilson) do mais recente trabalho dos irmãos Joel e Ethan Coen (foto), o faroeste Bravura Indômita (2010), conversam com o entrevistador Bruce Carse sobre como e com quê foram gravados a gama de ruídos do velho-oeste selvagem do filme em questão, dando-lhe ares mais intensos e fieis à sua atmosfera.

Só resta conferir, então:

Lembrando que, neste mesmo canal do Vimeo, encontram-se muitos outros vídeos sobre a produção sonora dos últimos lançamentos do cinema.

Por Bruno Barrenha.

21 de julho de 2012

Especial | Dia do Amigo

Nós, do ANALISANDO O OESTE, em comemoração ao Dia do Amigo (20/07), realizamos uma lista com alguns dos imemoráveis companheiros que cavalgaram lado-a-lado pelas bandas cinematográficas do Oeste. Aí vão:

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A dramática e emocionante trajetória dos inseparáveis Shane (Alan Ladd) e do garotinho Joey Starrett (Brandon De Wilde) culminou em um extremo sucesso de Os Brutos Também Amam (George Stevens, 1954), gerando alcunhas controversas do tipo: “o melhor faroeste já feito”.

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Apesar da fotografia nada amistosa, a estória narrada através de flashbacks em O Homem que Matou o Facínora (John Ford, 1962), por Ransom Stoddard (James Stewart) relembra os momentos preciosos que teve ao lado do companheiro Tom Doniphon (John Wayne).

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Já confundido com um padre, o Coronel Douglas Mortimer (Lee Van Cleef) foi apresentado ao caçador-de-recompensa – e futuro companheiro de profissão – Monco (Clint Eastwood) da maneira mais improvável e genial possível: a cena dos “chapéus voadores” acaba tornando-se uma das melhores de Por uns Dólares a Mais (Sergio Leone, 1965).

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O monossilábico Django (Franco Nero) atravessa todo o característico território lamacento carregando um caixão. Ironicamente, este é o que acaba ficando de mistério para o filme e, consequentemente, tornando-se o seu melhor amigo em Django (Sergio Corbucci, 1966).

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O espetacular jogo entre gato-e-rato armado mutuamente, ora por Tuco (Eli Wallach) ora por Blondie (Clint Eastwood), em Três Homens em Conflito (Sergio Leone, 1966) é o que faz não só da dupla, mas também deste faroeste indescritível, um dos maiores da arte cinematográfica.

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Paul Newman é Butch Cassidy, enquanto Robert Redford toma conta do papel de Sundance Kid. Resumindo, uma das duplas mais impagáveis da sétima-arte imprime, sem mais nem menos, a história de dois lendários foras-da-lei nos fotogramas de Butch Cassidy & Sundance Kid (George Roy Hill, 1969).

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Pais do faroeste cômico, Bud Spencer e Terence Hill eram inseparáveis e, fisicamente, uma espécie de O Gordo e O Magro. Ambos ganharam espaço na indústria cinematográfica com a criação do personagem Trinity (interpretado por Hill), o qual sempre era acompanhado pelo parceiro Bambino (Spencer). O primeiro filme de uma série deles foi Trinity é o meu Nome (Enzo Barboni, 1970).

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Mr. McCabe (Warren Beatty) e Mrs. Miller (Julie Christie) se dão como marido e mulher, porém não passam de parceiros de negócio no amargo faroeste Quando os Homens São Homens (Robert Altman, 1971).

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Mais uma das lendas do sombrio oeste americano, estes dois antigos companheiros de farra se separaram depois de Pat Garrett (James Coburn) tornar-se agente da lei, impondo uma constante caçada a Billy The Kid (Kris Kristofferson), um dos mais perigosos e famosos bandidos que vieram a calhar – e, por ser tão conhecido, Pat escreveu um livro sobre suas aventuras, seja juntos ou não. Apesar das inúmeras adaptações ao cinema, a mais incontestável é Pat Garrett & Billy The Kid (Sam Peckinpah, 1973), na qual o que não falta é sangue e muita genialidade por parte de seu diretor.

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Ela está no título do filme, o enredo gira a sua volta, é a mais procurada de toda a região, porém tem seu rosto revelado apenas em alguns segundos da projeção. Falo da cabeça de Alfredo García, que demonstra o melhor do companheirismo para com o personagem Bennie (Warren Oates) – este até a lava, ensaboa, espanta os mosquitos; é inevitável, também, que converse com ela. Portanto, Tragam-me a Cabeça de Alfredo García (Sam Peckinpah, 1974) é um grato exemplo de amizade entre a busca pelo dinheiro e o sofrimento na caminhada.

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Com o desejo de voltar às atividades para caçar um grupo que esfaqueou prostitutas da cidade, o já desgastado William Munny (Eastwood) e o parceiro de longa data Ned Logan (Morgan Freeman) tem pela frente a velhice como maior inimigo. Sem delongas, partirão para a glória ou para a derrota na obra-prima Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992).

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Desolado pelas três não lineares perdas do amigo Melquíades Estrada (vivido por Julio Cedillo), o rancheiro Peter Perkins (Tommy Lee Jones) parte em busca daquele que seria o responsável por tal fato, encontrando em Mike Norton (Barry Pepper) um culpado. Demonstrando o devido carinho ao companheiro, carrega o defunto para onde vai, fazendo de Três Enterros (Tommy Lee Jones, 2005) um dos melhores westerns modernos.

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A amizade da dupla Everett Hitch (Viggo Mortensen) e Virgil Cole (Ed Harris) é reportada mediante um prelúdio, no qual se diz sobre “manter a paz”, sobretudo ao avistarem a cidade sem lei de Appaloosa. Lá, eles fariam o mesmo, mas, obviamente, confrontando-se com outras questões. Entre elas, estaria a presença do espírito feminino, que divide os companheiros no faroeste Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei (Ed Harris, 2008).

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Para a garotinha Mattie Ross (Hailee Steinfeld), o xerife caolho e beberrão Rooster Cogburn (Jeff Bridges) era um homem de “bravura indômita”. Ela queria a ajuda do mesmo para vingar a morte de seu pai. Em Bravura Indômita (Joel e Ethan Coen, 2010), a amizade estabelecida por eles é muito mais que isso, estando comprovado por meio da simbólica cena da cobra, em que Rooster chupa o veneno da mão da menina.

THE END.