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20 de maio de 2013

Vídeo | O tiroteio final de Wild Bunch


THE WILD BUNCH: AN ALBUM IN MONTAGE

Um filme de: Paul Seydor e Nick Redman

Trecho do documentário sobre os bastidores do clássico-mór de Sam Peckinpah, o subversivo cachaceiro de Hollywood. 

25 de janeiro de 2013

Crítica | Django Livre

DJANGO UNCHAINED
(DJANGO LIVRE)

Escrito e dirigido por: Quentin Tarantino
Elenco: Jamie Foxx, Christoph Waltz, Leonardo DiCaprio, Samuel L. Jackson, Kerry Washington…
Duração: 165 minutos
Ano: 2012

Explosão de referências mascara o “filme dos sonhos” de Tarantino, mas ainda é capaz de fadar o cineasta de críticas.

Análise: Com o plano derradeiro e definitivo da penúltima obra de Quentin Tarantino, Bastardos Inglórios (2009), um típico contra-plongée que ascende o extasiado Tenente Aldo Raine (Brad Pitt) acima da plateia ao afirmar que “aquela” era sua obra-prima, imaginamos seu diretor mirando os espectadores e repetindo a mesma frase. Mas, com tantos filmes na carreira de vinte anos desta cult persona, fica até difícil descobrir qual é, de fato, o seu melhor projeto; o que interessa é que ele dificilmente erra o alvo, provando tal fato três anos após a cortina se cerrar para os “caçadores de nazistas” – essa contagem na vida real, pois, na ficção, o regresso é de quase 100 anos – para se abrir em uma revisita aos “caçadores-de-recompensa”. 
Ainda com Bastardos à tona, Tarantino mantém-se na mesma pegada quando se trata em reescrever períodos históricos com sua frisante criatividade. Em Django Livre, entretanto, ele não apenas reinventa uma época, mas também um gênero; e mais que um simples gênero, o western (se bem que, neste caso, podemos alterá-lo para southern, pois se passa no sul) foi aquele que consolidou o cinema norte-americano. É a partir desse ponto que a riqueza da película se mostra maior do que parece. Ao substituir a Segunda Guerra Mundial e suas figuras de vital importância por anos antes à Guerra da Secessão e a escravidão no sul de seu país natal, sem célebres personagens da vida real, o roteirista/diretor aposta mais uma vez no tema “vingança” – uma marca registrada já tão aclamada e utilizada na maioria de seus projetos. 

Dessa vez com um olhar mais aprofundado para a natureza social da época, ainda mais ao retratar os escravos como retratou (e gerou muita polêmica!), somos presenteados com uma abertura de fazer chorar os olhos mais sensíveis e fanáticos (os meus, por exemplo), na qual conhecemos o personagem-título: Django Freeman (Foxx) inicia como um coitado acorrentado, apesar de tal situação não demorar muito a se reverter, sendo nesta o primeiro dos ápices de toda a projeção – a libertação do escravo ganha sofisticação em uma câmera lenta, dramática e poética. E durante toda a negociação para sua compra, o nome e personalidade que mais ganha força é o do doutor e caçador-de-recompensas alemão King Schultz (o coadjuvante de peso, Waltz), dispensando comentários apenas por sua apresentação e se mostrando um calculista imperdoável como Hans Landa – os traços de ambas as personas parecem ter limitado o ator, que, apesar de tudo, dá um show. 

Liberto pelo estrangeiro com o objetivo de identificar três irmãos foras-da-lei, os quais eram seus antigos donos, Django ainda receberia a ajuda de seu mentor para resgatar a esposa Broomhilda von Shaft (Kerry Washington) das garras do vilão Calvin Candie (DiCaprio em uma atuação potente), herdeiro e dono da bizarra fazenda CandieLand, onde acontecem as chamadas “lutas de mandingos” – na qual escravos, ou praticamente gladiadores, guerreiam entre si até a morte. É com a primeira luta que o clima começa a esquentar por aquelas bandas, gerando como consequências cenas bastante pesadas e o aparecimento de outros importantes coadjuvantes na trama: Stephen (Jackson) é o negro preconceituoso com a própria raça, empregado de longa data da família Candie, e que acaba virando uma peça necessária para a história. Bem menos relevante – na verdade, apenas fazendo uma ponta com o simples intuito de ser homenageado – surge o “primeiro Django” (Franco Nero) questionando o nome do escravo e recebendo a já famosa resposta contida nos trailers: “Django... o D é mudo”


Como de hábito, a violência também não poderia faltar em sua forma mais brutal e mesmo assim hilariante, seja em cenas sanguinolentas ou em diálogos ácidos; a aspereza que preenche a tela chega a ser, inclusive, uma das mais visíveis de todos os filmes de Tarantino. O que pode soar como imprevisto aos fãs é a forma de como a narrativa se desenvolve: sem a montagem exorbitante da falecida Sally Menke, quem assume a função é Fred Raskin, e o resultado se mantém na média, variando de positivo (a transformação do escravo em um homem sem piedade) para negativo (a quebra do ritmo crescente com flashbacks). 

No aspecto musical, de nada se pode reclamar. Até mesmo as composições originais, que vão desde a suavidade de Freedom até o rap de batida forte de A Hundred Black Coffins, por vezes acabam se sobressaindo às músicas clássicas de Ennio Morricone, Luiz Bacalov e Riz Ortolani*. O que se pode ter certeza é que, independente da música, a cena automaticamente já ganha força tendo algum dedo musical do exímio conhecedor da cultura pop que é Tarantino. 
Com um tiroteio final em que é impossível não remeter ao estilo de Sam Peckinpah, Django Livre acrescenta à sua fórmula uma beleza estética bem sucedida e um nível cômico dos melhores em toda a obra do cineasta. Seu roteiro, igualmente genial, é capaz de relacionar o aparentemente comum nome de Broomhilda com a Valquíria da ópera de Richard Wagner, que, na lenda, é salva por seu amado Siegfried; captada pelas lentes de Tarantino, a cena se transforma em uma reverência na qual o sagaz Django capta a mensagem vinda das palavras do igualmente sábio Schultz. 

O abuso das homenagens e referências se faz amplo e, já que tudo em grande escala pode ser perigoso, alguns pontos de originalidade se perdem em tal quesito, mas se ganham em outros. A verdade é que implicar com isso seria “procurar pelo em ovo” simplesmente pelo egocêntrico e controverso cineasta sempre ter sido assim. E, mais ainda: por sabermos que Quentin Tarantino continuará seguindo a carreira como Quentin Tarantino! 

MINHA NOTA: 
POR BRUNO BARRENHA. 

* Para ouvir a trilha sonora completa, clique aqui

19 de dezembro de 2012

Django Unchained | Bastidores e trilha sonora

Quentin Tarantino desde sempre foi um exímio conhecedor de trilhas sonoras. Em todos os seus filmes, o ponto em questão nunca foi negativo. Agora, no faroeste dos sonhos do diretor, Django Unchained, ele manda a ver novamente, com clássicos do gênero – que vão desde Bacalov e Ortolani até seu parceiro de longa-data, Morricone. 

Todas as faixas podem ser encontradas na lista abaixo: 

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A seguir, os bastidores das gravações. Aos que não aceitam qualquer tipo de spoiler, é melhor deixar para depois. Porém, qualquer vídeo por trás das câmeras já é capaz de aguçar nossa curiosidade e nos deixar mais empolgados ainda pelo resultado final!

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E lembrando que Franco Nero em pessoa, via Facebook, disponibilizou todas as páginas do roteiro escrito. O ator ainda escreveu: “Para aqueles que querem ver o roteiro, com grande prazer. Como um presente de Natal. Aproveitem”.

Vai perder?

“The D is silent”

9 de dezembro de 2012

Retrospectiva Cangaço | Arquivo: Lampião, o rei do Cangaço

LAMPIÃO, O REI DO CANGAÇO

Filmagem de Benjamin Abrahão Botto
Produzido por Al Ghiu Filmes
Ano: 1936

Uma época que, infelizmente, já se extinguiu.


Illmo Sr. Bejamim Abrahão
Saudações
Venho lhi afirmar que foi a primeira peçoa que conceguiu filmar eu com todos os meus peçoal cangaceiros, filmando assim todos us muvimento da noça vida nas catingas dus sertões nordestinos.
Outra peçoa não conciguiu nem conciguirá nem mesmo eu consintirei mais.
Sem mais do amigo
Capm Virgulino Ferreira da Silva
Vulgo Capm Lampião

Bilhete de Lampião para o cinegrafista do bando. 

6 de novembro de 2012

36ª Mostra Internacional de Cinema: Crítica | Rio de Ouro

 RÍO DE ORO
(RIO DE OURO)

Escrito e dirigido por: Pablo Aldrete
Elenco: Gonzalo Lebrija, Stephanie Sigman, Kenny Johnson...
Ano: 2010
Duração: 96 minutos

 As terras são, verdadeiramente, de quem as protege?

Análise: Em uma das pinturas mais conhecidas de Cândido Portinari, Os Retirantes, a representação que faz o pintor de um povo na caçada por melhores qualidades de vida é tão visceral que, caso não conhecêssemos a nua e crua realidade, dificilmente acreditaríamos que tal obra tentava presumi-la. Mesmo de difícil comparação, as semelhanças entre esse quadro brasileiro e o faroeste mexicano Rio de Ouro são muitas, partindo desde o primeiro plano do filme até as questões levantadas pelo mesmo, em um tema atemporal (logo, é atual) e polêmico como o desaparecimento de inúmeros indígenas – nós, tupiniquins, que o digamos do recente genocídio coletivo da tribo Guarani-Kaiowá. Talvez a única diferença entre os objetos de estudo acima seja, mesmo, o fato de os retirantes deixarem suas terras por vontade própria, devido a secas e derivados, ao contrário dos nativos, que são expulsos e, muitas vezes, exterminados sem deixar rastro de sua própria cultura, preocupação tomada pelas lentes do realizador Pablo Aldrete. 

“Deus, por que deixais que matem meu povo?”

Um tropeiro preza pela venda de seu rebanho e a jovem Estela só pensa em continuar a viver depois que sua família é morta por um índio que ensaia uma raivosa retomada das terras de sua tribo; enquanto isso, dois soldados norte-americanos exploram esta mesma região em busca de ouro. Apenas pela premissa em questão, encontros e desencontros já se fazem previsíveis desde o início, além da retomada do clássico tema envolvendo brancos e índios, mas, desta vez, com um tempero a mais: os mexicanos. 

Percorrendo as três camadas combatentes, nota-se um desenvolvimento pouco verossímil entre elas e, principalmente por ser uma produção do México, há certa desvalorização do país vizinho e eterno inimigo, os Estados Unidos. E, para clarear a visão sobre o frequente sumiço indígena, um valente paralelo é subentendido: comparam-se animais aos nativos, em cenas de tortura a ambos, nas quais são escalpelados. Não parando por aí, o roteiro desequilibra-se e passa a caminhar por linhas confusas quando idealiza os indígenas ora como seres oriundos da natureza e nada mais que isto, ora como homens sem escrúpulos (igual àqueles que lutavam contra), prendendo mulheres na aldeia pelo mero desejo de punição aos brancos; querendo ou não, é o que desacelera o ritmo quando mais se precisa de atenção. 

Focado na investida para compensar os erros da escrita, Aldrete faz de sua direção algo ousado e alegórico, com paralisações na imagem em lances inesperados, como no sangue espirrando por todo o ar. Apesar de tentar, cria situações desestimulantes, e o que mais incomoda são a gama de imagens aleatórias da natureza, aparentando falta de material para compor os fotogramas, fora os flashbacks nulos e duvidosos, comprometendo a fita também pelas atuações forçadas e frouxas, sem firmeza. 

Visualmente, a lente e o olhar do fotógrafo Lorenzo Hagerman alcançam o mais distante dos pontos no deserto mexicano e tentam dar mais vida à morte e sofrimento dos índios; como já se aguarda em um faroeste, faz sua parte em planos abertos, e, igualmente, naqueles que contém uma fina violência. 

 “Mexicanos, índios... Eles são o mesmo”

Moderno e polêmico, nada impede que o assunto de Rio de Ouro se afogue e vaze por água abaixo, perdendo-se nas profundezas midiáticas; foi o que, de forma infeliz, o próprio Pablo Aldrete fez. Por causa da presença de outros temas a tratar na película, ele não descarregara seu foco somente em um, mas sim em todos, convertendo-se em uma desordem completa. Para finalizar, entretanto, o diretor não perdeu o brilhantismo de sua abertura: o índio solta um grito de inexistência, do alto de um morro, na solidão abaixo. É como se sussurrasse: as terras são, verdadeiramente, de quem as protege? 

MINHA NOTA: 
POR BRUNO BARRENHA. 

5 de novembro de 2012

36ª Mostra Internacional de Cinema: Crítica | Estrada de Palha

 ESTRADA DE PALHA

Escrito e dirigido por: Rodrigo Areias
Elenco: Vítor Correia, Inês Mariana Moitas, Nuno Melo, Ângelo Torres...
Ano: 2012
Duração: 90 minutos

Desobediência civil na dosagem certa para contrapor metáforas.

Análise: Antes da terceira exibição de Estrada de Palha – faroeste de coprodução Portugal/Finlândia do qual eu, de fato, não sabia o que esperar – pela 36ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, os gajos Rodrigo Areias e Vítor Correia foram dar uma palavrinha com o público presente na sala da Cinemateca, alertando de que a projeção à nossa frente era um filme de baixo orçamento [50 mil euros] e que muito fora reciclado do gênero para ser, então, reutilizado. E, pouco antes de deixar a sala ao lado de seu ator-fetiche – a dupla estava visivelmente cansada, o que viria a ser confirmado mais tarde – e dar início à sessão, Areias matutou nossa cabeça ao anunciar seu retorno ao fim da mesma, querendo ser elogiado... ou criticado. 

Já com as luzes apagadas (e os cineastas à vontade em suas poltronas), somos surpreendidos pelo primeiro dos inúmeros excertos do livro político A Desobediência Civil, do americano Henry David Thoureau: “O melhor governo é o que não governa”. Tais fragmentos, inclusive, serão os responsáveis por guiar a todos no decorrer do filme, seja como metáfora do mundo atual (sobretudo da Europa, que vive em tempos anestésicos de crise) ou simples elemento de ligação para as ações em tela. 


Há pouco mais de 100 anos, em um dos mais importantes períodos da história de Portugal, a Implantação da República, o pastor Alberto Carneiro (vivido por Vítor Correia, em uma mistura física de Lee Van Cleef e Daniel Day-Lewis) cerca-se apenas pela neve e pelo frio na província finlandesa da Lapônia, até ser comunicado por meio de cartas que seu irmão fora assassinado em seu país-de-origem, de onde já estava afastado por cerca de uma década. A partir de então é que o país português dá, definitivamente, suas caras; abriga, como um bom anfitrião, todas as cenas dali ao final, por maior que seja a dificuldade em leva-la ao descampado requerido. É com esse pano-de-fundo, o da vingança, que se caminha pela estrada de palha – aqui mais uma das metáforas, sendo a tal “palha” usada para disfarçar a sujeira dos animais nas aldeias daquela época; ou seja, uma pura comparação com os políticos. 

Para a passagem do tempo, enquanto seu protagonista viaja na volta a Portugal, Areias importa-se em mostrar o mesmo entrando em navios, trens e, acima de tudo, faz com que sua barba cresça – tudo a medida em que os créditos passam. Uma técnica bastante válida, que nos oferece o necessário para termos a noção de tempo exata. E, quando finalmente chega ao destino, encontra o país em ruínas políticas, na mão de aproveitadores, fato que se encara com normalidade – hoje e ontem. Um dos algozes de Alberto é o general (ou um quase xerife) interpretado por Nuno Melo, que mergulha em seu papel assim como o restante do competente elenco o faz, com uma menção (mais do que) especial para Correia, soberbo até em cenas nas quais o corpo deve estar mais descansado que a própria mente. 

Assinando pela segunda vez o cargo de diretor em longas-metragens (o pontapé se deu com Tebas, em 2007), Rodrigo Areias pende a balança deste seu último trabalho para o lado mais monótono e reflexivo, além de escrever diálogos provocadores e praticamente eliminar a ação exacerbada, tomando só o necessário para tal. Entretanto, talvez o mais interessante em seu ponto-de-vista como realizador seja a criação de um embate na relação entre homem e natureza, compondo planos abertos e fazendo assim o realce inevitável na fotografia de Jorge Quintela, que oferece mais beleza a relances narrativos. 

Em aspectos sonoros, a nostalgia de sons lisérgicos são impressos como melodias aos ouvidos dos amantes do velho-oeste, remetendo-nos à época de Sergio Leone e seu universo à parte: o do desenho de som. As honras prestadas aos seus “filmes sonoros” (Era uma vez no Oeste é o apogeu deles) apenas somam pontos para o crescimento desse western bacalhau. Musicalmente, Paulo Furtado e Rita Redshoes tentam alcançar a áurea já cunhada por Ennio Morricone no gênero, seguindo os mesmos passos do lendário maestro ao extrair de instrumentos pouco convencionais e criar faixas predispostas a grudar na cabeça por algum tempo; não é o necessário, porém, para a dupla adentrar um patamar deveras elevado. 


A difusão do eurowestern, apesar de em menor escala em Portugal, fez com que o país se avantajasse e desse um passo a frente para a produção de Estrada de Palha. Um dos pontos favoráveis para isso é no que diz respeito à sua localização estratégica, dividindo fronteira com a Espanha (uma das expoentes do gênero antes tipicamente americano) e estando próximo de grandes produtores, como Itália e Alemanha. Revelando-se um trabalho de conteúdo político, ético e poético, o ato final somente ecoa tais características obra adentro, como um dos melhores de toda a película; o pistoleiro Alberto enterra sua arma e evita o duelo com quem mais o procurara, sugerindo uma das frases mais fortes de toda a sétima-arte, declamada pelo eterno poeta da violência, Sam Peckinpah: “O fim de um filme é sempre o fim de uma vida”. No caso de Estrada de Palha, quem teve fim foi o faroeste. 

MINHA NOTA: 
POR BRUNO BARRENHA. 

25 de setembro de 2012

Crítica HQ | Almanaque TEX #01

 * TEX – VENDETTA NAVAJO *

Roteiro: Claudio Nizzi
Arte: Giovanni Ticci

Sinopse: “Apaixonado – e correspondido – por uma garota branca, um jovem navajo da aldeia de Tex é preso e acusado depois que a jovem e seu pai são assassinados. Pior ainda, o povo da cidade quer linchá-lo, instigado pelos verdadeiros criminosos. Mas Tex intervém e coloca sua vida em grande perigo para livrar o índio e prender os culpados”.

Análise: A construção de estereótipos arquitetados em crenças e na cultura popular dos norte-americanos sempre esteve presente na maioria dos casos que se interligam ao faroeste, até mesmo se tratando de um fumetti puro como a água – isto é, uma HQ tipicamente italiana, como TEX. O que quero dizer é que se retratam demasiados ideais físicos e psicológicos em cada personagem, variando de acordo com sua posição na historieta: se há um xerife, ele terá um bigode e será o honesto portador da estrela, o mantenedor indubitável da paz na cidade; se há um negociante, terá as mais belas roupas para vestir e uma grana preta para gastar, mas, mesmo assim, não se contenta com o que possui e só quer ver o “circo pegar fogo”. E, dentre muitas generalizações em diante, somente o protagonista Tex Willer é exceção, já que foi um dos expoentes dessa geração de heróis prontos para a ação, amigo de todos (salvo de seus peculiares inimigos) e sempre bem vestidos e engomadinhos. 


Assim, nas primeiras impressões e folheadas pelo quadrinho, já abastecemos nossa visão com uma cacetada de nomes até então desconhecidos, porém, que vão se explicando pouco-a-pouco com o decorrer da narrativa. Afora isto, ainda no confuso aquecimento das primeiras páginas, são de difícil compressão as ações exercidas por cada um ali desenhado. Mas, por entre escorregões, também se relacionam boas sacadas vindas da mente de Nizzi, escritor deste capítulo e herdeiro de G.L. Bonelli, ao impor uma forte crítica contra o futuro político da cidade de Sanders, Ray Haggarty, como um dos maiores causadores de estardalhaços no contexto da história em questão.

É então que o roteiro, de certo modo, acaba caindo em irregularidades e não passa daquelas típicas aventuras do mocinho contra o bandido no velho-oeste; a busca por explicações de determinadas ações acaba curvando-se para um resultado pedante, como se os leitores não fossem capaz de entender, por exemplo, o porquê de o “índio Ki-Nih ter fugido da aldeia para ir à cidade” – e, portanto, dá tal informação por meio de seu pensamento. Não significa, contudo, que o gibi seja mal escrito ou adjetivos do tipo (tanto que até hoje é um sucesso entre os fãs e conhecedores da nona-arte). O único que se pode afirmar a respeito é a falta de elementos que tragam surpresas ou aberturas para novas situações, ou seja, para despertar o nosso interesse. 


Já direcionando à arte, cargo ocupado por Ticci, o qual é considerado “o melhor desenhista de Tex, somente atrás de Galep”, os traços cerrados dão mais estabilidade aos personagens e a découpage transforma toda a exposição dos quadrinhos em algo mais leve e receptivo, com alguma pouca rispidez.

Ao fim de suas folhas, o Almanaque nos dá uma compacta biografia de Clint Eastwood, com doze páginas muito apetitosas sobre a vida do ator e diretor e, ainda mais, alguns acontecimentos que rondam o universo do pistoleiro Tex Willer, concebido pelo italiano de corpo e alma, Gianluigi Bonelli, em 1966 – dezoito anos após a divulgação do primeiro gibi em tiras. 

NOTA:

POR BRUNO BARRENHA.

* A HQ aqui analisada faz parte do [primeiro] sorteio efetuado pelo blog, em comemoração ao nosso segundo aniversário no “oeste virtual”. Além dele, será sorteado o filme Bravura Indômita, de Henry Hathaway, e que também possui crítica por estas bandas – clique para ler.

Quer saber o sortudo que receberá estas duas maravilhas em sua casa? Entre nos comentários desta postagem. 

24 de setembro de 2012

Download HQ | Rio – O Filho do Pistoleiro


Ontem, recebemos um e-mail tratando-se do quadrinho – e obra-prima, vale o lembrete – de Doug Wildey, Rio. Na verdade, não considero o e-mail em questão como um “simples recado”, mas sim como um “valiosíssimo presente de aniversário” para o ANALISANDO, que completa dois anos de vida amanhã e estará sorteando outra HQ, a de Tex. E, sem egoísmo, é claro, estaremos agora compartilhando a boa notícia com vocês, nossos leitores. Pois bem...

Após a crítica de Rio, escrita por minha pessoa, algumas pessoas vieram pedir links para o download do quadrinho. Infelizmente, devido ao fato do mesmo ser bastante desconhecido pelo país, só era (reparem que eu disse era!) possível encontra-lo em sebos e livrarias de caráter antigo. No entanto, a partir de ontem, já se torna viável baixar a HQ!

E, portanto, para ter Rio neste instante, na pasta mais próxima, clique AQUI e se delicie na aventura do pouco popular pistoleiro.

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Um eterno agradecimento a Grimm, ou Penn, ou Leonardo... 

8 de setembro de 2012

Crítica | Renegando meu Sangue

RUN OF THE ARROW

(RENEGANDO MEU SANGUE)

Escrito e dirigido por: Samuel Fuller

Elenco: Rod Steiger, Sarita Montiel, Ralph Meeker...

Ano: 1957

Duração: 86 minutos

Uma perfeita mescla entre os tons pastel do distúrbio de um derrotado e os vívidos do sangue derramado.

Análise: O que direi agora pode soar improvável, mas dificilmente uma tradução de título no Brasil foi tão boa quanto ao escrito original – ambas livres de qualquer semelhança – como a deste filme. Partindo deste princípio, pode-se até absorver mais da essência cinematográfica na versão nacional do nome do que naquela escolhida pelo próprio diretor, roteirista e produtor do agonizante e filosófico, Renegando meu Sangue (ou Corrida da Flecha, como seria a tradução padrão): o centenário recém-completo, porém já de botas batidas, Samuel Michael Fuller.

Corpos estirados no chão poeirento e duro, o sangue companheiro vazando ao redor e uma última alma ambulando por ali acompanham a legenda de que este é o último dia da Guerra de Secessão; então se ouve um estampido interrompendo tudo para revelar a presença de mais alguém, mandando aquela suposta “última alma” ao reino dos mesmos que lá estavam. Em um campo aberto, o assassino marcha até sua vítima, os dois a sós; é a solidão do conflito, o vazio e a necessidade do fumo, pelas vistas do diretor. Aquela foi a última bala disparada na guerra, segundo muitos.

“Sou um antigo soldado rebelde,
Isso é o que sou,
E esta nação ianque não me importa em nada.
Eu não gosto da bandeira estrelada,
Está manchada com o sangue do Sul.
Odeio os ianques envenenados,
E os combati com tudo o que pude,
Odeio a nação ianque, e o uniforme azul.”

É ácida assim que a fita dá seu pontapé inicial, a todo vapor. E desencadeia logo de cara, por conta de sua montagem bastante orgânica e despreocupada, alguns personagens históricos (o confederado Robert Lee e o nortista Ulysses Grant são dois deles) que de pouco têm para o futuro do roteiro. Todavia, tais buracos são tapados através da inserção de assuntos proeminentes, que vão desde religião, passam por filosofia e chegam às alusões e desavenças de alto teor crítico.

O protagonista é o assassino de parágrafos acima, de nome O’Meara, pele clara e sulista, interpretado por um amargurado e profundo Rod Steiger. Seu espírito, de acordo com as características aqui expostas, retrata-o como um perdedor da guerra, a qual acabara no instante de seu disparo, e, por conseguinte, não aceita a vitória dos “azuis” – em certa passagem, prefere até mesmo seu enforcamento a reconhecer tal fato. É por tais motivos que empreende sua fuga ao Oeste, imediatamente, pondo-se à procura de uma aceitável origem para se apoiar.

O resultado vem com o encontro, por acaso, da sioux Mocassím Amarelo (Sara Montiel). Mediante a aceitação do chefe da tribo, Blue Buffalo (Charles Bronson, irreconhecível), O’Meara tenta se converter em um índio selvagem e vitorioso para renunciar de vez à sua pele caucasiana e desgastada. E, o que parecia ser o último dia da Guerra Civil, ironicamente, apenas acaba despertando o início de outra batalha...

“Temos o mesmo Deus, mas com diferentes nomes.”

Na cadeira de diretor, Samuel Fuller é franco e garante seu status de “poeta visual”, tirando de atores (a grande maioria desconhecida) a máxima carga dramática que conseguem; também é responsável pela exploração de uma violência estética de qualidade, num período que pouco se fazia a respeito. Além disto, em suas mãos de escritor, ele retrata um Oeste de gerações renegadas, que se dão por derrotadas sem nem mesmo reconhecer o berço do qual vieram, contestando identidades e ajustes significativos para o povo norte-americano – é o que denominamos de “toque na ferida”.

Para compor o fundo musical da película, Fuller contou com a ajuda de Victor Young, sempre arranjando faixas profundas que confabulem com os personagens. E como o filme já levanta um pano-de-fundo com demandas oriundas do patriotismo, nada melhor que um pesado tema baseado na canção tipicamente americana, Shall We Gather at the River.

Na fotografia, quem se une à equipe é Joseph Biroc. O peso de um dos mais versáteis diretores de fotografia da sétima-arte é elemento fundamental para o andamento das cenas mais ousadas, como as da “Corrida da Flecha” – quase sempre com planos gerais, os quais revelam o ambiente ao redor e apenas dão referências de personagens por pontinhos minúsculos na tela. Inclusive, poucos de seus planos flagravam closes dos atores ou detalhes de objetos; nas únicas vezes que o fez, foi com tamanha objetividade, sobretudo por tentar testemunhar o sofrimento ou chamar a atenção para determinado alvo.

Renegando meu Sangue é um faroeste de súplicas subversivas, de solidão, de metáforas perigosas (os abutres retratando a morte, vendo de tudo lá no céu, e sempre acompanhando O’Meara), e é atemporal, o que talvez se dê mais importante ao filme. Tal fato de poder ser assistido em qualquer época (pois em qualquer uma delas haverá os mesmos problemas expostos) já assegura pontos elevados a Samuel Fuller, que alcança o topo da atemporalidade na fala de Coiote Andante (Jay C. Flippen): “No meu tempo, tinham respeito pelos mais velhos. Não sei aonde vai o mundo na atualidade. Estes jovens agindo como selvagens...”.

O mesmo sioux, apesar do pouquíssimo tempo em tela, é um dos que mais ensinam no decorrer da projeção e, a partir dele, acontecem as melhores cenas. Nesta mesma categoria, ainda está a passagem na qual O’Meara ganha de um índio calado e novato um presente e, como manda o ritual daquela tribo, ele deve retribuir; portanto, regala-o com uma gaita, que faz sair da boca do garoto o primeiro som. Além de significante, pode ter sido uma das inspirações para Sergio Leone moldar seu eterno Harmonica (Bronson) no épico Era uma vez no Oeste (1968).

E, ao fechar das cortinas, Fuller deixa em aberto ao público a decisão pelo destino ainda incógnita, comunicando-se diretamente com cada espectador, seja ele branco ou índio, cristão ou judeu, tanto faz...

“O fim desta história só pode ser escrito por você!”.

MINHA NOTA:

POR BRUNO BARRENHA.

8 de agosto de 2012

O som de Bravura Indômita

Na cinematografia em geral, o som de um filme é uma das partes mais importantes, na qual existem talentosos e revolucionários realizadores que somente fizeram-na crescer, a ponto de chegar a um estouro de genialidade. Como um exemplo que dispensa comentários e é explicado por si só, temos nosso já conhecido forasteiro, o italiano Sergio Leone, com suas emblemáticas cenas que considero, particularmente, mais sonoras do que visuais – veja a abertura de Era uma vez no Oeste (1968) e tire suas próprias conclusões.

O processo de produção sonora de diversos trabalhos da sétima-arte é sempre um passo mais interessante de ser contemplado, pois é possível observar a olhos e ouvidos à diversidade de ruídos criados (e improvisados) com os quais técnicos precisam lidar para reproduzir determinado elemento.

Portanto, apresento-vos o vídeo abaixo, com pouco mais de 1 hora de duração, em que três técnicos de som (Skip Lievsay, Greg Orloff e Byron Wilson) do mais recente trabalho dos irmãos Joel e Ethan Coen (foto), o faroeste Bravura Indômita (2010), conversam com o entrevistador Bruce Carse sobre como e com quê foram gravados a gama de ruídos do velho-oeste selvagem do filme em questão, dando-lhe ares mais intensos e fieis à sua atmosfera.

Só resta conferir, então:

Lembrando que, neste mesmo canal do Vimeo, encontram-se muitos outros vídeos sobre a produção sonora dos últimos lançamentos do cinema.

Por Bruno Barrenha.

14 de julho de 2012

Crítica | A Quadrilha Maldita

DAY OF THE OUTLAW

(A QUADRILHA MALDITA)

Direção: André De Toth

Roteiro: Philip Yordan

Elenco: Robert Ryan, Burl Ives, Tina Louise...

Ano: 1959

Duração: 92 minutos

Deslumbrante vazio branco dá tons negros à obra-prima de De Toth.

Análise: Nada de desertos arenosos, nem mesmo do insuportável calor que carrega consigo. Nada de peles-vermelhas, nem de conflitos que cheguem perto dos tais. Nada de diligências, de humor, de politicamente correto, de mocinhos e bandidos, de pureza... O que realmente assistimos neste (baita) faroeste do diretor húngaro – e caolho, vale a curiosidade – André De Toth são sequelas pra lá de arrepiantes e, ainda por cima, muito destemidas.

Para provar o atrevimento do projeto, em primeiro lugar, dispara a fuga para uma narrativa que tem, como um de seus pilares de apoio, o meio-ambiente gélido, tempestuoso, invernal e muitos outros adjetivos relacionados ao frio, o que já não é de muita frequência ao gênero, visto que este se delineou em bases sólidas e de difícil câmbio. Todavia, para o filme em questão, a presença de um descampado onde somente se enxerga a brancura da neve e do gelo não serve única e especificamente para a beleza estética e visual do projeto, porém mais para interligar-se direto aos interiores dos personagens: secos, apáticos e indiferentes, assim como a tocante paisagem. Mais a fundo, a predileção por um contraste muito ostentativo entre o preto e o branco também se relaciona com a personalidade daquelas interpretações, mas, desta vez, fazendo jus às suas dualidades – como exemplo, temos Helen Crane (Tina Louise) que, apesar de casada com Hal (Alan Marshal), pode recorrer a Blaise Starrett (Robert Ryan); ou com o caso de Gene (David Nelson), o qual faz parte da gangue que toma a cidade e, ao mesmo tempo, revela-se em um amor teoricamente proibido com Ernine (Venetia Stevenson).

Adaptado da estória de Lee E. Wells, a projeção dá o pontapé inicial através de um plano geral de prolongada duração, em que o forasteiro Starrett e seu capataz Dan (Nehemiah Persoff) cavalgam arduamente por entre toda aquela neve que assola a região, imprimindo nela uma alvura límpida e poderosa. E potente como o branco de fervilhar os olhos daquele pacato vilarejo, só mesmo a quadrilha maldita do velho capitão do Exército, Jack Bruhn (Burl Ives). O grande roubo do qual ele e seus capangas foge traz a atenção das autoridades do país, que, apesar da falta da presença física, mostram-se ásperos e muito temidos, respondendo aos ataques com violência (o tiro no peito de Bruhn).

“Você está morrendo, Bruhn. Está interessado? Como quer morrer? Você é um homem, não um animal. Pode sair daqui comigo e morrer dignamente, ou pode soltar seus homens na cidade, e morrer no lodo como um porco.”

Como este é o último ponto de parada dos saqueadores, pelo fato de que dali à frente só existe montanhas, eles resolvem fazer dos caubóis e rancheiros – dois grupos que conviviam em constantes disputas, às vezes só resolvidas pelo bom e velho showdown – seus subordinados. Enquanto a maioria da população só demonstra preocupação pela possibilidade de haver no povoado um massacre, é Starrett quem dá o braço a torcer e tenta evitá-lo; neste ponto, os cidadãos deverão esquecer-se das desavenças e unir forças. Sob a chefia de um enfermo Bruhn, alguns dos renegados acatam às suas ordens (como não beber e nem se “divertirem” com as mulheres) e outros tentam burlá-las, sem sucesso. Contudo, o que eles conseguem garantir – até com certa folga – é a opressão; dos maridos, sobretudo, os quais têm suas mulheres arrancadas para que elas dancem sórdida e humilhantemente com os novos “patrões” daquele lugar.

De aspectos interessantes em um roteiro tão bem escrito como tal, por Philip Yordan, pode-se notar a presença secundária do personagem de nome Pace (Lance Fuller), que significa “paz” em italiano e, partindo contrariamente ao sentido exposto, ele adora machucar (ou deveria dizer matar?) os seres, como o próprio Bruhn especificou em sua primeira aparição. Além disto, a escrita dos diálogos se dá criteriosa (para acertar em cheio movimentos da época, como a repressão e a guerra) e com uma poesia rude, tornando-os a principal arma de ataque para colidir de frente com os espectadores.

“É curioso como uma guerra muda a vida de um homem. Poderia ter ordenado a retirada, mas dava a ordem de ‘fogo’. Em West Point, decidi ser só soldado, sem que ficasse lugar para o ser-humano. Obrigado.”

A direção de De Toth é mais uma vez digna de aplausos, sendo mais eficiente até mesmo no controle de seus atores e resultando em uma perfeita harmonia. Contudo, muito além, o que mais se pode tirar deste trabalho do realizador é a forte inovação a que lidou com o suspense, agravando a tensão a todo minuto e arrancando pontos densos dos extremos nos quais roda a película. Já com seu ápice assegurado, De Toth continua o soberbo trabalho por meio do psicológico: ele faz uma simples discussão parecer mais do que isso, algo próximo de uma “batalha falada”. Sem dizer de seus planos sempre sugestivos, que mais se retratam na cena de operação de Bruhn, em um close salientando o sofrimento do tipo, ao mesmo instante em que faz sua observação à guerra.

A trilha sonora é de Alexander Courage, e talvez nunca um western norte-americano tenha ouvido uma somatória de melodias tão próximas às do spaghetti, como tal. O ritmo de tensão conjugado pelo diretor só é melhorado com as faixas de Courage, que se deixam ausentes por alguns momentos, mas naqueles mais importantes, estão sempre à disposição.

Por fim, a fotografia de Russell Harlan é um dos elementos mais chamativos de todo o ciclo. Sublime e deveras contemplativa, a preferência pelo preto-e-branco enquadrou-se para contrastar e refletir nas personalidades – como dito no início da resenha. Ela convém também para complementar uma direção de arte afiada, de Jack Poplin.

Abastecido por um final arrasador e cru (relato-o em aspecto positivo), em A Quadrilha Maldita aprendemos uma verdadeira e proficiente lição sobre a ganância dos seres-humanos: aqueles que mais querem, menos têm. As mortes dos integrantes da quadrilha se dão por eles mesmos, assassinando-se aos poucos, lentamente. Eles entraram juntos naquele assalto, porém não querem sair desta mesma maneira; estão cada vez mais famintos pelo dinheiro, e não pelos amigos, nem mesmo pelos animais que serviriam minimamente como veículos de fuga. Terminamos, portanto, com uma crítica mais atual que nunca.

MINHA NOTA:

POR BRUNO BARRENHA.