31 de outubro de 2011

Pôster: Pistoleiros do Entardecer

RIDE THE HIGH COUNTRY

Direção: Sam Peckinpah

Roteiro: N.B. Stone Jr.

Produção: Richard E. Lyons

Ano: 1962

Elenco: Joel McCrea, Randolph Scott, Mariette Hartley...

Duração: 94 minutos

Segundo trabalho de Sam Peckinpah no gênero do western logo coloca o polêmico diretor no páreo entre as melhores visões do Oeste.

Clique aqui para ler a crítica, de Bruno Barrenha.

29 de outubro de 2011

Crítica: Pistoleiros do Entardecer

RIDE THE HIGH COUNTRY
(PISTOLEIROS DO ENTARDECER)

Direção: Sam Peckinpah
Roteiro: N.B. Stone Jr.
Produção: Richard E. Lyons
Ano: 1962
Elenco: Joel McCrea, Randolph Scott, Mariette Hartley...
Duração: 94 minutos

Segundo trabalho de Sam Peckinpah no gênero do western logo coloca o polêmico diretor no páreo entre as melhores visões do Oeste.

Análise: Durante a virada da década de 60, o cachaceiro cineasta estadunidense David Samuel Peckinpah – ou simplesmente Sam Peckinpah – polemizava com seu melhor e mais famoso filme na carreira: Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch, 1969). Entretanto, para um dos mais aclamados diretores da onda cinematográfica chamada Nova Hollywood, tudo começou a oito anos desta data: o “poeta da violência” estreava na sétima-arte com seu faroeste intitulado Parceiros da Morte (The Deadly Companions, 1961), o qual estrelava a magnífica atriz Maureen O’Hara. Após tal trabalho e algumas participações discretas em séries televisivas, enfim Peckinpah mergulhou de cabeça no cinema e criou grandes obras-primas, justamente como Pistoleiros do Entardecer, filme derradeiro na polêmica carreira do cineasta.

Como observado no trailer acima, não só o princípio de Peckinpah no cinema é belo, mas também o princípio deste seu filme: maravilhosas imagens da Floresta Nacional de Inyo, nos Estados Unidos, servem como pano de fundo para os créditos iniciais e para praticamente a projeção toda; poucas das cenas são passadas no interior de cidades típicas do velho-oeste... Sendo assim, o principal responsável por tudo é o diretor de fotografia Lucien Ballard, conhecido justamente por seus inúmeros trabalhos com Sam. E, ainda mais por seu trabalho aqui, o filme foi considerado “culturalmente, historicamente ou esteticamente significativo” e então selecionado para preservação pelo National Film Registry.

Já mediando a trilha sonora de George Bassman, escutamos algo lutuoso e que vai de encontro com o assunto tratado na película: o fim do ascético velho-oeste, a fase mais típica na história dos Estados Unidos da América. Ao lado de tal peculiaridade norte-americana, também se vão os heróis, aqui representados diretamente por Randolph Scott e Joel McCrea, antigos e deslembrados, mas consagrados atores do gênero western. Os seus personagens, inclusive, são como os próprios intérpretes: sem espaço no mundo da época, já que novas gerações vêm surgindo para lhes tomar o lugar.

Mas, acima de tudo, o filme em si já vale simplesmente pela direção de Peckinpah: quase todas as marcas registradas que o diretor traria em sua futura carreira estão presente em Pistoleiros do Entardecer, exceto as mais famosas câmeras lentas, que possivelmente ainda estariam em desenvolvimento. Para substituí-las, aqui temos presente imagens mais contemplativas – resultado da fotografia de Ballard. Os tiroteios até são possíveis de serem contados nos dedos, sobretudo porque o mais afiado acontece já nos momentos finais.
Aprofundando-se mais na história de Pistoleiros do Entardecer, o título do filme aqui no Brasil já diz tudo sobre ela: mesmo com uma idade bastante avançada, dois velhos amigos (Steve Judd e Gil Westrum, interpretados por Scott e McCrea, respectivamente) retornam ao mundo dos foras-da-lei para uma missão de busca e leva do ouro de um acampamento de mineiros para o banco da região. O fato da volta de ambos ao banditismo é um tema extremamente semelhante aos que Peckinpah trabalharia novamente em projetos posteriores, como Pat Garrett & Billy The Kid e mais claramente em Meu Ódio Será sua Herança.

Apesar de parecer simples detalhes que levariam a história para um rápido desfecho, muitos problemas acontecem em meio a tudo: o aparecimento da jovem de cabelos curtos Elsa (Mariette Hartley) causa uma intensa reviravolta em todo o grupo, visto que Heck Longtree (Ron Starr) – a nova geração dos pistoleiros – se apaixona por ela, a qual possui um relacionamento em aberto com o mineiro Billy Hammond (James Drury). Agora com maiores problemas, a trama não é mais a mesma sobre “buscar e levar o ouro para o banco”, mas sim enfrentar a família de Hammond e muitas outras complicações pelo caminho...

Realizado no mesmo ano de O Homem que Matou o Facínora (John Ford, 1962), este revisionista western de David Samuel Peckinpah apresenta um parecido nível de violência em relação a um dos maiores trabalho de Ford no gênero que o consagrou. Portanto, apesar de ser a fase mais americana do aclamado “poeta da violência”, já é possível concluir que este segundo faroeste do cineasta estadunidense é um puro filme com as suas subjetivas manchas de sangue e da impetuosidade!

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:
ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

26 de outubro de 2011

Notícias: Um pouco de tudo sobre Django Unchained

DJANGO UNCHAINED | Confira a lista dos atores que irão participar do primeiro western de Quentin Tarantino.

Por Bruno Barrenha


Na última postagem realizada a respeito do novo e primeiro filme de faroeste do cineasta norte-americano Quentin Tarantino (Kill Bill), informava-se a participação do vencedor do Oscar Kevin Costner (Dança com Lobos) como o braço direito de Leonardo DiCaprio (Ilha do Medo). Entretanto, o ator recusou o papel que, atualmente, está nas mãos de Kurt Russell, o qual já até trabalhou com Tarantino em seu penúltimo trabalho (Death Proof, 2007). Assim, ele interpretará o desumano treinador para lutas de escravos nomeado Ace Woody!

Além de Russell, também entrou para o elenco Tom Savini (Machete), velho amigo de Tarantino e Robert Rodriguez. Apesar de ser mais conhecido no meio cinematográfico como maquiador, ele representará Ellis Brittle, um dos irmãos da família Brittle e também dono de escravos na região.


O papel principal, do escravo Django, sofria de um dilema: enquanto Tarantino gostaria de ter Will Smith, ele acabou ficando com o comediante vencedor do Oscar Jamie Foxx (Ray). Já a protagonista da trama ficou por conta de Kerry Washington (Quarteto Fantástico), representando o papel da mulher de Django: a escrava Broomhilda.

Por último, ainda há rumores da participação de Joseph Gordon-Levitt.

Assim, fechando todo o elenco até agora, temos: Leonardo DiCaprio, Jamie Foxx, Samuel L. Jackson, Christoph Waltz, Kerry Washington, Kurt Russell, Tom Savini, Treat Williams, Laura Cayouette, Dennis Christopher, Michael K. Williams, Don Johnson, Gerald McRaney, etc...

A trama segue a trajetória de Django (Foxx), um escravo liberto que busca vingança ao lado de um caçador-de-recompensas alemão (Waltz). O responsável por causar as maiores dores em Django é Calvin Candie (DiCaprio), inescrupuloso proprietário de uma fazenda de onde o escravo fugira. Ao lado de Candie, trabalham outros escravos (Jackson). Os irmãos Brittle foram os foras-da-lei que estupraram Broomhilda (Kerry Washington), e também o principal alvo de Waltz.

As filmagens acontecem no sul dos Estados Unidos, provavelmente na Louisiana. Enquanto a Weinstein Company distribui o filme no país onde ele se passa, a Sony Pictures vai fazê-lo para o resto do mundo.

Sem concorrência, Django Unchained estreará nas telonas no Natal de 2012.

25 de outubro de 2011

Pôster: Uma razão para viver, uma razão para morrer

Una ragione per vivere e una per morire

Direção: Tonino Valerii

Roteiro: Ernesto Gastaldi, Tonino Valerii e Rafael Azcona

Produção: Alfonso Sanssone

Ano: 1972

Elenco: James Coburn, Bud Spencer, Telly Savalas...

Duração: 92 minutos

Carregado por um elenco de peso e um épico final, o filme do ex-assistente de Sergio Leone conta uma ótima história e uma incrível surpresa.

Clique aqui para ler a crítica, de Thierry Vasques.

23 de outubro de 2011

Crítica: Uma razão para viver, uma razão para morrer

Una ragione per vivere e una per morire

(Uma razão para viver, uma razão para morrer)

Direção: Tonino Valerii

Roteiro: Ernesto Gastaldi, Tonino Valerii e Rafael Azcona

Produção: Alfonso Sanssone

Ano: 1972

Elenco: James Coburn, Bud Spencer, Telly Savalas...

Duração: 92 minutos

Carregado por um elenco de peso e um épico final, o filme do ex-assistente de Sergio Leone conta uma ótima história e uma incrível surpresa.

Análise: Uma Razão Para Viver, Uma Razão Para Morrer, do diretor italiano Tonino Valerii, é um mediano western europeu e têm todos os ingredientes para um bom filme do gênero: a Guerra da Secessão, a busca ao ouro, os tiroteios e a vingança.

Durante a Guerra Civil Americana, o Coronel Pembroke (James Coburn) está em busca de conquistar o Forte Holman, o qual outrora já havia pertencido ao Exército da União e tinha o próprio Pembroke no poder. Para ajuda-lo nesta missão quase impossível, o Coronel recruta sete prisioneiros que estavam prontos para serem mortos. Entretanto, durante o caminho para o Forte, alguns dos prisioneiros se desentendem com Pembroke e este cria uma mentira para motivar os seus ajudantes, dizendo que em Holman havia meio milhão de dólares. Com tal motivação, Coronel Pembroke e seus ajudantes conseguem invadir o Forte, mas acabam sendo percebidos e é iniciado um épico tiroteio, revelando o verdadeiro motivo de Pembroke tomar conta do local.

O filme tem bastantes planos longos, os quais vão ao extremo: alguns são um tanto quanto desnecessários, porém outros feitos com tamanha perfeição. E, embora possuindo um elenco de peso com afamados atores, como o grande Bud Spencer e também James Coburn, as atuações não são o ponto mais alto de Uma Razão para Viver, Uma Razão para Morrer. Neste filme, a direção de Tonino Valerii se destaca, mas o ponto principal é – sem dúvida alguma – a boa atmosfera criada através da história e também a surpresa da real motivação do Coronel Pembroke em conquistar o Forte Holman.

Por fim, a película conta com bons efeitos visuais, principalmente nas ótimas explosões. Todavia, também há reveses: existem poucas cenas com sangue, sendo que no final do filme há um intenso tiroteio e este elemento substancial não se torna presente.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

22 de outubro de 2011

Pôster: Disparo para Matar

"Violento, sádico, impiedoso"

Apresentando um novinho Jack Nicholson no papel do mau pistoleiro Billy Spear, o filme "Disparo para Matar" - do diretor Monte Hellman - até se intitula no próprio pôster como "Um suspense de perseguição no deserto, com a mesma tradição de Matar ou Morrer".

Com a presença de uma figura feminina no papel principal, a qual se assemelha ao Homem Sem-Nome de Leone, o western toma base nas atuações de seus grandes atores, como Warren Oates, Will Hutchins e Millie Perkins, fora o futuramente conhecido e já citado Jack Nicholson.

A trama, contudo, é simples: uma misteriosa mulher sem nome (Perkins) persuade dois cowboys (Oates e Hutchins) para ajudá-la a chegar até a cidade de Kingsley.

Apesar de tudo, este western é bem limitado, sobretudo devido à falta de orçamento. Pois então, deseja ver a crítica, escrita por Thierry Vasques? Clique AQUI, forasteiro.

19 de outubro de 2011

Crítica: Disparo para Matar

The Shooting

(Disparo para Matar)

Direção: Monte Hellman

Roteiro: Carole Eastman

Produção: Jack Nicholson e Monte Hellman

Ano: 1966

Elenco: Warren Oates, Will Hutchins, Jack Nicholson, Millie Perkins...

Duração: 82 minutos

Um filme simples e sem tantos recursos, porém que ao final se resulta em algo considerável, principalmente por conta das atuações.

Análise: Disparo para Matar, de Monte Hellman, é um western americano, do ano de 1966. Devido ao seu baixo orçamento, o filme conta com poucos recursos para se tornar melhor do que foi. Seu elenco é razoável, mas surpreende a todos os espectadores com boas atuações, nas quais mais se destacam Millie Perkins e o ainda novo Jack Nicholson.

A trama é básica: Willet Gashade (Oates) acaba de regressar da cidade para um acampamento mineiro, desvendando que o seu irmão Coin fugiu do local e o amigo Leland Drum (B.J. Merholz) havia morrido; lá está apenas um abalado e medroso Coley Boyard (Will Hutchins), devido ao fato que ocorrera.

No dia seguinte, uma mulher que não revela seu nome (Millie Perkins) chega ao acampamento e oferece a Coley e Gashade uma quantia de 1.000 dólares, sendo que esta seria repartida entre eles para que a ajudassem a ir até Kingsley. Durante o percurso com destino à cidade, a mulher demonstra ser uma pessoa rude e não passa confiança aos homens.

No meio da jornada, Billy Spear (Jack Nicholson) se junta ao grupo após estar lhes seguindo – a pedido da jovem – e logo demonstra ser um cara mau, implicando de maneira incômoda com os dois primeiros cowboys, principalmente Coley.

Como um resumo geral, o grupo passa por muitos imprevistos por conta do forte calor do deserto, até conseguir o objetivo da Mulher: encontrar Coin.

Chegando ao fim de tudo, percebemos o quão inovador a película pode ter se tornado, visto que traz uma mulher em um dos papéis principais e, acima de tudo, ela se assemelha à figura do Homem Sem-Nome, de Sergio Leone. Entretanto, vemos que a “Mulher Sem-Nome” é mais fria, misteriosa e não mostra tanta habilidade com a arma igual o personagem interpretado por Clint Eastwood.

Um fato interessante é o de que a Mulher nunca comenta o porquê de estar indo para Kingsley, e sempre ignora as perguntas de Coley e Willett. O até então jovem Jack Nicholson faz uma boa atuação no papel de um cara misterioso e sombrio, mostrando implicância com os acompanhantes da Mulher.

Apesar de tudo, este western é bem limitado, sobretudo devido à falta de orçamento. Conta com uma boa direção de Monte Hellman que, mesmo sendo simples, alterna entre bons e diferentes planos de câmera. Finalizando, também contém lindas paisagens durante a viagem dos protagonistas para Kingsley.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

17 de outubro de 2011

Pôster: Django

Clássico dentro do submundo do western sustenta o gênero, mas também é responsável por apresentar grande superestimação de seu conteúdo!

Não há como negar que Django é um dos personagens mais marginalizados de toda a sétima-arte: foram cerca de 30 títulos com a alcunha do anti-herói vingador, sendo que 28 delas estiveram entre 1966 e 1987. Um grande número de filmes produzidos para um pequeno espaço de tempo!

Entre todos os filmes da saga, o que mais se valorizou em sucesso foi justamente o primeiro, revelando e estampando o nome de Franco Nero na era cinematográfica.

Dirigido por Sergio Corbucci, o filme tem esculpido em seu conteúdo todo o gênero caracterizado como western spaghetti, visto que apresenta todas as suas características: sádico, violento, vingativo, cruel...

Para ver a crítica deste clássico, escrita por Bruno Barrenha, clique AQUI.

15 de outubro de 2011

Crítica: Django

DJANGO

Direção: Sergio Corbucci

Roteiro: Bruno e Sergio Corbucci, José Gutierrez Maesso, Franco Rossetti e Piero Vivarelli

Produção: Manolo Bolognini e Sergio Corbucci

Ano: 1966

Elenco: Franco Nero, José Bódalo, Loredana Nusciak...

Duração: 87 minutos

Clássico dentro do submundo do western sustenta o gênero, mas também é responsável por apresentar grande superestimação de seu conteúdo!

Análise: Não há como negar que Django é um dos personagens mais marginalizados de toda a sétima-arte: foram cerca de 30 títulos com a alcunha do anti-herói vingador, sendo que 28 delas estiveram entre 1966 e 1987. Um grande número de filmes produzidos para um pequeno espaço de tempo! Dentre tais filmes na saga de Django, poucos obtiveram o sucesso esperado e um dos que conseguiram esta façanha foi justamente o “analisado” de hoje, no qual Franco Nero vive o papel responsável por lhe consagrar e estampar seu nome na história cinematográfica.

Partindo muito mais além, também é possível destacar a influência causada por Django em outros processos de produção: desde os atuais Sukiyaki Western Django e o ainda não lançado Django Unchained, o filme também colaborou – de forma negativa – para a criação da pornochanchada brasileira Um Pistoleiro Chamado Papaco, trabalho que tira todo o mérito do personagem criado pelo diretor Sergio e seu irmão roteirista, Bruno Corbucci.

Franco Nero na invenção de Django, seu maior personagem.

Um homem coberto por uma roupa preta e arrastando um caixão sob uma superfície lamacenta. Como assim? Não era para ser um western, senhor Corbucci? Espera aí... Mas isto é um western! Um dos maiores bang-bang à italiana, pra ser mais exato! Em Django também se apresenta o maior dom de Sergio Corbucci que é, inclusive, o de transformar o árido deserto de Almería em qualquer outra coisa que fosse, porém estaríamos cientes que ali estava sendo filmado um faroeste – e da melhor qualidade. O mesmo aconteceu em uma de suas maiores obras-primas: O Vingador Silencioso, de 1968, onde somos afetados visualmente por uma branquidão e alguns rastilhos no meio da neve, indicando serem os personagens. E, após esta breve introdução de Django e seu criador, o filme se inicia justamente como explicado acima; ao lado dele, a trajetória do anti-herói também se coloca nos radares dos mais diversos cineastas.

Além desta habilidade própria de Corbucci e sua equipe, outro dos mais importantes detalhes para compor um trabalho do cineasta é a fotografia: o responsável desta vez é Enzo Barboni, trabalhando em seu primeiro faroeste da maneira mais exata possível e deixando tudo às vistas do espectador. Assemelhando-se à fotografia, há a marcante trilha sonora do argentino Luis Enríquez Bacalov, posteriormente conhecido no mundo todo por seu trabalho como compositor de soundtracks para o gênero. Já no processo de roteirização de Django – apesar de um grande número de pessoas responsáveis por isto –, a escrita é um dos pontos mais fracos do filme, sobrecarregando todo o bando. Contudo, como o diretor, Corbucci desfruta de close-ups para estampar a imagem degradada de seu personagem, utilizando-se ainda da tensão em momentos necessários.

O que pouco se sabe a respeito de Django é a simplicidade na qual o projeto foi realizado; prova disto é a falta de sangue nas cenas onde mais precisariam do elemento. Depois disto, o famoso argumento chega a ser interessante e abissal, porém sem um processo criativo muito apurado: o anti-herói chega a uma aparente cidade-fantasma, envolvendo-se diretamente com os revolucionários mexicanos do General Hugo (José Bódalo) e com os intolerantes sulistas da Klu Klux Klan, comandados pelo Major Jackson (Eduardo Fajardo). Além disto, ainda sobra tempo para o despertar de uma paixão entre Django e a prostituta Maria (Loredana Nusciak).

A cena de abertura é impagável e difícil de ser esquecida, tornando-se o melhor instante do longa realizado com uma fonte escassa de dinheiro. É possível que a partir dela o filme ganhe mais emoção, criando inúmeras contradições em nossas cabeças: “Quem é ele? Onde está indo? Por que carrega um caixão? O que há dentro dele?”, etc... Apesar de tudo, elas nos são respondidas tão rapidamente que quase nem reparamos.

Primeiramente, Django não pode deixar de ser comparado ao anti-herói antecessor do spaghetti: o Homem Sem-Nome, de Sergio Leone. A maior ligação entre eles é o fato de que, em seus primeiros filmes, ambos chegam misteriosos e em busca de algum objetivo – seja o dinheiro ou a vingança – numa cidade envolvida por dois diferentes grupos que batalham entre si. Posteriormente, sabemos que tanto um quanto outro possui uma mistificação de caráter, sendo quase impossíveis de serem acertados em um eventual duelo. Mesmo com tais gotículas de plágio, Django se prevalece na arte de levantar mais perguntas mesmo sendo um sujeito calado. Entretanto, uma das partes mais esperadas do filme – a de revelar o que haveria dentro de seu caixão – é um tanto quanto sem graça e, pelo menos para minha pessoa, o resultado não surpreende; menos surpreendente ainda é o romance grotesco criado entre Django e Maria.

Por último e finalizando o filme, há o surpreendente e inesperado duelo no cemitério. Deixando a surpresa e a tensão de lado, vemos algo mal realizado, principalmente porque Django não era capaz nem de posicionar sua arma e muito menos de sair atirando como um doido, o que no fim acontece. Para tirar suas próprias provas, vejam o vídeo abaixo:

O impossível acontece: como alguém pode atirar tantas vezes e com tanta precisão sem conseguir sequer arrumar seu revólver momentos antes?

Sendo um dos filmes favoritos de Quentin Tarantino, estaria esperando uma completa obra-prima de Django. Infelizmente, tomou um gélido ar de superestimação em seu conteúdo, mesmo por ser um dos filmes que mais representam o gênero do western spaghetti, apresentando uma estupenda vingança, uma diabólica e sádica crueldade e, enfim, os sempre presentes símbolos religiosos. Olhando de muito distante e deixando passar suas muitas particularidades e falhas técnicas, o filme realmente merece ser redescoberto e ter atenção nos dias de hoje. Eu sei que muitos discordarão de minhas opiniões expostas aqui, mas o que ninguém pode negar é que o gênero do spaghetti está esculpido em Django assim como a técnica está em uma escultura de Michelangelo...

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

11 de outubro de 2011

Os spaghettis da minha vida | Bruno Barrenha @ Analisando o Oeste

OBS.: A postagem a seguir está originalmente no fantástico POR UM PUNHADO DE EUROS, dos gajos portugueses Emanuel Neto e Pedro Pereira. Façam uma visita por lá, forasteiros!

Os spaghettis da minha vida | Bruno Barrenha @ Analisando o Oeste

Já não é a primeira vez que contamos com um fã do western-spaghetti de tenra idade nesta rubrica. De facto é com um prazer especial que publicamos os dizeres dos novos fãs. E é sobretudo bom saber que apesar das overdoses de CGI que o cinema contemporâneo nos quer impingir, existem ainda aqueles que se encantam com as artimanhas da velha escola de cinema popular. Saibam que o Bruno, que hoje partilha connosco as suas preferências dentro do western-spaghetti mantém desde há um ano o blogue Analisando o Oeste, que como o nome diz, vai dissecando obras do chamado faroeste, sejam elas americanas ou europeias. Passem por lá!

Primeiramente, gostaria de mandar um extremo “muito obrigado!” aos gajos deste incrível blog pela atenção que vem dado a um garoto de 14 anos tentando entrar para um mundo de gigantes.

Pois é... Minha relação com o western iniciou-se em uma tarde de sábado: havia feito o download de "Butch Cassidy & Sundance Kid", o qual foi meu primeiro faroeste assistido. A partir dele, as portas do gênero se escancararam para mim... De súbito fui apresentado ao mestre italiano Sergio Leone e me apaixonei por seu cinema: desde Clint Eastwood até Ennio Morricone, desde o visual do velho-oeste europeu até o punhado de dólares.

Virei um fanático pelo velho-oeste e, acima de tudo, pelo cinema. Como consequência, criei meu blog (Analisando o Oeste) há um ano. Até hoje ele continua vivo e todas as semanas o abasteço em parceria com meu amigo Thierry Vasques, realizando críticas destinadas somente ao gênero do western, independente se ele é norte-americano ou spaghetti.

Só gostaria de acrescentar que ainda não vi muitos dos filmes desconhecidos dentro do gênero; por isso minha lista terá bastantes obras clássicas e, se pararmos para pensar, é um tanto quanto óbvia para qualquer cinéfilo que se interessa pelo faroeste italiano. Ainda assim, me faltam assistir alguns baita épicos, como "Preparati la bara!", "I giorni dell'ira" e alguns da série Sartana.

Por último, meu respeito ao faroeste vai além dos limites, já que foi através dele em que eu fui laçado pelas rédeas dos mais diversos cowboys e arrastado por seus cavalos até a maior das maiores recompensas possíveis: o reconhecimento.


Os 10 favoritos:

01 | Il buono, il brutto, il cattivo | Sergio Leone | 1966

É muito difícil – digamos que seja praticamente impossível - conversar com alguém que já tenha assistido a esta obra-prima e não tenha gostado. É o auge do western spaghetti, é aquele estilo de filme em que não queremos o seu fim, onde rezamos para que tenha alguma coisa a mais. As atuações são de tirar o fôlego de qualquer um, porém o que mais merece atenção é a trilha sonora: ela é uma das razões pelo qual o elejo como um dos melhores filmes da sétima-arte e, consequentemente, o meu predileto em todos os tempos.


02 | Giù la testa | Sergio Leone | 1971

Enquanto uns dizem ser o pior trabalho de Leone, meu carinho por este filme é inexplicável. A parte dramática é, sem dúvida alguma, uma revolução no gênero onde normalmente só se ouviam tiros. Ninguém imaginaria a comoção de um revolucionário no meio de uma sangrenta revolução. Tal motivo é então um dos principais para este filme assegurar seu segundo lugar na minha lista, sem contar ainda com outra belíssima trilha de Ennio Morricone.


03 | Il grande silenzio | Sergio Corbucci | 1968

Para o espectador que estava acostumado em ver o mar de cores áridas do deserto europeu, aqui o baque será grande: a imensa branquidão da neve, do gelo e do frio tomará conta da telona, sendo quase imperceptível a presença do personagem Silêncio (Jean-Louis Trintignant). A partir disto, novas fronteiras para o western spaghetti foram descobertas: a fotografia mais que inovadora, um vilão se dando bem no final das contas, um personagem principal mudo durante todo o filme... Todos os parâmetros milimetricamente perfeitos para um clássico do gênero!


04 | Keoma | Enzo G. Castellari | 1976

O triste adeus não oficial do western spaghetti se baseia neste maravilhoso trabalho do diretor Enzo G. Castellari. Com seu toque provido de muito talento, o filme até serve como uma espécie de homenagem ao gênero que durou somente 14 anos na teoria, mas que até hoje vive em nossas mentes e corações. Admirável pela penetrante e engenhosa trilha sonora dos irmãos De Angelis, a película ainda conta com a atuação magnífica de Franco Nero e com a mistura de perspectivas criadas por Castellari, apresentando os close-ups de Leone e as câmeras lentas de Peckinpah.


05 | La resa dei conti | Sergio Sollima | 1966

No mesmo ano de clássicos como "O Bom, O Mau e O Feio" e "Django", surge "O Dia da Desforra". É a revelação de mais um diretor com o nome Sergio dentro do western spaghetti: Leone já havia se idolatrado e Corbucci ia pela mesma rota, enquanto que Sollima também aparece para lhes fazer companhia. O trio é contemplado na produção de obras-primas e, como sua maior, Sollima adquire O Dia da Desforra, com Tomas Milian e Lee Van Cleef.


06 | C'era una volta il West | Sergio Leone | 1968

O maior western já realizado, tanto por parte do norte-americano quanto do próprio europeu. Mais uma vez a trilha de Morricone é de arrepiar os cabelos, juntamente com as atuações de gala por parte de todo o elenco. A lindeza de Claudia Cardinale faz tudo ficar mais alinhado, porém o detalhe que mais engrandece o trabalho é seu roteiro irreprochável, escrito pelo próprio Leone em parceria com seu xará Donati. Também há a presença do antes mocinho de olhos azuis, Henry Fonda, no papel de vilão. Apesar de tudo não é o meu filme predileto, mas com certeza é uma coisa de outro mundo...


07 | Lo voglio morto | Paolo Bianchini | 1968

Uma grata surpresa! Apesar de suas diversas falhas, é um dos trabalhos onde as características paisagens de Almería-Espanha estão mais explícitas. Ainda apresenta uma qualidade técnica invejável para as grandes produções do gênero.



08 | Per qualche dollaro in più | Sergio Leone | 1965

O encerramento deste filme é uma das cenas mais belas de todo o gênero, com o Coronel Mortimer (Lee Van Cleef) desaparecendo na bela paisagem do pôr-do-sol indo em direção ao nada. É um dos filmes que mais expõem os ideais do western spaghetti, com os olhares avassaladores nos close-ups de Leone, a trilha exaltada de Morricone e a dupla formada por Eastwood-Van Cleef arrematando qualquer comentário. Com todos estes aspectos, a metade da "Trilogia dos Dólares" refletiria no que viria ao seu final.


09 | Un dollaro tra i denti | Luigi Vanzi | 1967

É praticamente um musical dentro do velho-oeste, justamente pela trilha sonora estar presente em quase toda a obra, fortalecendo-a; poucos são os momentos onde ela não se encontra. Além disso, me faz recordar de grandes filmes nos quais o pistoleiro encontra – já nos momentos finais – seus adversários e os mata um por um, sendo que está sozinho.


10 | Per un pugno di dollari | Sergio Leone | 1964

Esse não poderia estar de fora: é o estopim do western spaghetti, apesar de ser uma cópia descarada de "Yojimbo". E, assim como foi o início para o gênero, também foi para mim pelo fato de ter se tornado o primeiro trabalho que assisti de Sergio Leone. Não é aquele tipo de coisa extremamente magnífica, mas podemos considera-lo como um ensaio para o que viria depois em toda a filmografia de Leone...


Joker: Comicidade de boa qualidade no velho-oeste!


Il mio nome ès Nessuno | Tonino Valerii | 1973

Como uma forma de descontrair a seriedade dos outros filmes de faroeste, o ex-assistente de Leone acerta ao realizar "Meu Nome é Ninguém", criando um daqueles filmes pastelões que conseguem nos sacar algumas risadas e nos apresentar uma história sem o mínimo de conteúdo clichê. Com dois atores completamente divergentes (Henry Fonda e Terence Hill) é formada uma lenda poética na história do western.


A evitar:
Desculpem, pois não achei mais do que... Superestimado!

Django | Sergio Corbucci | 1966

Talvez o título para este clássico não fosse “A EVITAR”, porém é um filme que não me agradou e então o coloquei aqui. O motivo para isto talvez seja a grande expectativa que criei sobre ele e, no geral, apenas o final acaba por surpreender. Apesar de tudo,"Django" é um dos maiores símbolos do western spaghetti, mas que, infelizmente, não me agradou!