29 de agosto de 2011

Pôster: Keoma

Responsável por ser um dos filmes que marca a era do fim do western spaghetti na história do cinema, Keoma apresenta uma narrativa bastante desenvolvida no gênero, principalmente porque o trabalho já havia sido alimentado pelos precursores e seus clássicos, como Sergio Leone e Era uma vez no Oeste ou também como Peckinpah e Meu Ódio Será sua Herança.

Com um personagem-título interpretado intensamente por Franco Nero, a película buscará o afamado tema "vingança" através da violência e estética própria, utilizando-se de flashbacks e câmeras lentas (uma das principais características dos diretores citados acima).

Dirigido de forma inovadora por Enzo G. Castellari e com uma trilha sonora de arrepiar por parte dos irmãos De Angelis, Keoma ganha muito de seu prestígio por conta de tais aspectos, fora ainda a maravilhosa e emocionante história e as atuações de deixar qualquer um de queixo caído.

Para um gênero que durou pouco mais de uma década - praticamente 13 anos -, a história que fez na sétima-arte não foi vaga. Portanto, a realização de Keoma faz uma despedida merecida, até servindo perfeitamente como um filme-homenagem a todos que participaram direta ou indiretamente do gênero. E por tudo isto, vale a pena conferir a crítica completa, de Bruno Barrenha... É só clicar AQUI, vai!

27 de agosto de 2011

Crítica: Keoma

KEOMA

Direção: Enzo G. Castellari

Roteiro: Enzo G. Castellari, Nico Ducci, Luigi Montefiori e Mino Roli

Produção: Manolo Bolognini

Ano: 1976

Elenco: Franco Nero, William Berger, Olga Karlatos...

Duração: 97 minutos

A despedida não oficial de um gênero com pouco mais de uma década de existência, porém com um brilho eterno em nossas mentes e corações cinéfilos.

Análise: O ano é de 1976 e estava sendo estampada o fim de uma das décadas mais contemplativas na história da sétima-arte, com uma volumosa quantidade dos maiores clássicos marcando sua presença por esta época. Um destes clássicos seria o último dos faroestes coesos, definitivos e concretos: estou falando de Keoma, do diretor e roteirista italiano Enzo G. Castellari.

Naquele determinado ano, o gênero cinematográfico inventado na Europa e popularizado como western spaghetti já tinha seus rumos diretamente traçados pelos seus principais nomes - Sergio Leone, Sam Peckinpah e Sergio Corbucci. Apesar disso, este novo caráter do cinema europeu teve de lutar muito para conquistar seu espaço, recebendo duras críticas ao excesso de violência contextualizado nos trabalhos e até sendo classificados como "lixos sangrentos". Foi então que há catorze anos do lançamento de Keoma o gênero teve seu estopim, com o “leônico” Por um Punhado de Dólares. Isto simplesmente conclui que, apesar do pouco tempo de duração do western spaghetti, ele foi suficiente para construir a belíssima história que construiu dentro do planeta cinematográfico!

Extras do DVD – Franco Nero fala de seu papel no filme Keoma.

Comum em muitos filmes do cinema em um modo geral, o título original de Keoma se deriva do personagem principal do trabalho. Além do próprio, outros exemplos desse clichê no faroeste são Django (1966) e Ringo e sua Pistola Dourada (1965), ambos de Sergio Corbucci. Coincidindo com tal afirmação, o personagem principal é Keoma, um mestiço desempenhado pelo formidável Franco Nero em uma de suas melhores interpretações. O jeito pelo qual o ator entra no personagem é exuberante, apesar de que a história dada a ele seja um tanto quanto ultrapassada de acordo com a época em que foi feito o último dos verdadeiros faroestes: ela se baseia na procura da insaciável e afamada vingança.

Anexando o agitado passado e o sangrento presente de Keoma, o uso de pequenos flashbacks se torna constante, acumulando cada vez mais os personagens na lista de vingança do anti-herói, onde já são marcados os primeiros nomes quando ele realiza seu retorno à sua cidade-natal, que passa pela infecção de uma peste. No caminho, Keoma salva a vida e se apaixona pela garota grávida de nome Lisa (interpretada por Olga Karlatos). Chegando à cidade, ele ainda se defronta diretamente com seus três meios-irmãos (Orso Maria Guerrini, Antonio Marsina e Joshua Sinclair) que fazem parte da gangue do ex-Confederado e perigoso Caldwell (Donald O’Brian). Neste contexto, o único objetivo de Keoma é ter a chance de fazer vingança com suas próprias mãos contra aqueles que o fizeram sofrer antigamente.

Já dispondo de mais tecnologias do que no início do gênero (quando as produções ainda eram consideradas do TIPO B) o filme chama a atenção pelo seu aspecto inovador, consagrando principalmente o diretor Enzo G. Castellari por seu uso de câmeras lentas e da constante violência brutal, além de planos completamente inusitados; logicamente a comparação entre ele e Sam Peckinpah não nos escapa à mente, sendo que com ambos sentimos o prazer em ver aquelas pessoas sendo mortas a partir de um elegante estilo. Outra diferente ênfase se deve à trilha sonora da dupla Guido e Maurizio De Angelis, a qual não é nada como os filmes do gênero estavam acostumados, chamando a atenção para algo mais rústico e deixando de lado o peculiar instrumental como fazia Ennio Morricone; aliás, uma das sequelas que o filme deixa em você é a música-tema, por ser tão marcante. Logo o roteiro criado pelo quarteto Castellari, Ducci, Montefiori e Roli é um dos elementos de mais destaque em Keoma, justamente pelo argumento de construção e desenvolvimento do personagem-título ser algo evidentemente irrepreensível. Por último e ao lado do roteiro, os temas dramáticos e o tiroteio final são elementos de impressionar, fazendo com que a mistura causada seja algo milimetricamente perfeito!

A abertura com a penetrante música-tema de Keoma.

Keoma é, portanto, uma despedida não oficial do western spaghetti na história da sétima-arte, até servindo como uma forma de filme-homenagem a todos os trabalhos realizados na pequena história do gênero. Prova disso são as diferentes perspectivas apontadas pelo diretor Castellari, que além de se preocupar com seu próprio estilo, ainda apresenta os close-ups de Leone e a violência de Peckinpah – os dois principais precursores do spaghetti. Como um adeus do gênero no cinema, a película funciona de maneira mais que especial, causando uma sensação primorosa!

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

26 de agosto de 2011

Pôster: Os Profissionais

Os Profissionais, de 1966, é um filme inteiramente de Richard Brooks, mas que apesar de quase todo seu elenco ser de nacionalidade norte-americana, é um dos únicos do gênero que contam com as características do western spaghetti. Prova disso são os elementos de perseguições, tiros e violência antes não contidos nos românticos faroestes do país.

A história gira em torno de um grupo de quatro pistoleiros contratados para salvar a esposa de J.W. Grant (Ralph Bellamy) - a bela Maria (Claudia Cardinale) - das mãos de um revolucionário mexicano, Jesus Raza (Jack Palance).

O trabalho em si é mais conhecido pelo seu magnífico elenco, o qual acaba por contar com Burt Lancaster, Lee Marvin, Jack Palance e Claudia Cardinale como os mais conhecidos. Além disso, é baseado no romance literário A Mule for the Marquesa, de Frank O’Rourke.

Se interessou por Os Profissionais? Clique AQUI e leia a crítica completa de Thierry Vasques sobre esta obra-prima meio estadunidense e meio spaghetti.

24 de agosto de 2011

Crítica: Os Profissionais

The Professionals

(Os Profissionais)

Direção: Richard Brooks

Roteiro: Richard Brooks

Produção: Richard Brooks

Ano: 1966

Elenco: Burt Lancaster, Lee Marvin, Claudia Cardinale…

Duração: 117 minutos

Um ótimo filme com as características do western italiano, contando ainda com grandes atuações de um elenco de peso.

Análise: Os Profissionais, inteiramente de Richard Brooks, é um filme norte-americano porém com características do western spaghetti, tanto que foi um grande clássico no auge do gênero. A película conta com um elenco de peso, e é baseado no romance A Mule for the Marquesa, de Frank O’Rourke.

A história é contada a partir de J.W Grant (Ralph Bellamy), o qual contrata um grupo com o objetivo de recuperar sua esposa Maria (Claudia Cardinale) que, segundo ele, fora raptada por um revolucionário mexicano, chamado Jesus Raza (Jack Palance). Como prêmio, ele oferece 10 mil dólares para cada um dos pistoleiros, sendo que estes são Henry Fardan (Lee Marvin), líder do grupo; Bill Dolworth (Burt Lancaster), especialista em dinamites; Hans Ehrengard (Robert Ryan), cuidador dos cavalos; e Jake Sharp (Woody Strode), especialista em arco-e-flecha. O grupo em questão vai em busca de Maria, mas Henry e Bill - que chegaram a trabalhar para Raza por muitos anos e por isso o admiravam ainda - estranham o fato de seu antigo chefe ter raptado a mulher. De qualquer jeito, o quarteto precisa atravessar o deserto, enfrentar alguns bandidos e traçar um plano para recuperar Maria, que tenta resistir ao resgate.

A película tem um elenco altamente qualificado, e conta com a belíssima atriz italiana Claudia Cardinale, famosa pelo papel de Jill McBain em Era uma Vez no Oeste, de Sergio Leone. Fora ela, o filme ainda possuía muitos qualificados atores norte-americanos, como Woody Strode (também de Era uma vez no Oeste, e que ficou muito conhecido por ser um dos primeiros negros a se tornar ator de faroeste nos Estados Unidos) e Lee Marvin (que interpretou o papel de Liberty Valance em um dos clássicos de John Ford, O Homem que Matou o Facínora). O roteiro e direção por parte de Richard Brooks ainda conseguem chamar a atenção, mas o que mais se destaca mesmo é a ótima fotografia de Conrad Hall (indicado ao Oscar de "Melhor Fotografia" por dez vezes e saindo vencedor de três), com belas paisagens.

Apesar de tudo, este é mais um dos filmes com a essência americana, porém que contém muitas influências dos westerns spaghettis; os principais fatores que explicam isso são a grande parte de perseguições, tiros e violência que os demais westerns americanos não possuíam. Mesmo assim, Brooks ainda mantém aquelas pegadas românticas peculiares dos estadunidenses. Uma boa maneira de conclusão para Os Profissionais seria: um ótimo elenco, gerando atuações estupendas que se equivalem à direção de Richard Bronks e a fotografia de Conrad Hall.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

21 de agosto de 2011

Pôster: Árvore dos Enforcados

Aproveitando a riquíssima história de Dorothy M. Johnson - a mesma de O Homem que Matou o Facínora - é criado um dos mais desconhecidos e subestimados filmes de um dos mais importantes gêneros: em Árvore dos Enforcados, tudo se comporta perfeitamente para ser criado um propício drama ambientado nas colinas do oeste norte-americano!

A história segue os passos de um estranho médico (Gary Cooper) que chega à cidade de Montana em plena Corrida do Ouro, buscando simplesmente um emprego. Ele acaba fazendo mais que isso e se apaixona pela bela donzela Elizabeth Mahler (Maria Schell), o que desencadeará novas aventuras contra novos personagens.

A direção do desconhecido Delmer Daves é uma experiência impagável, totalmente revolucionária e a frente de seu tempo; as atuações se mostram muito maduras e Gary Cooper novamente dá um show diante de todo elenco; a trilha sonora possui uma feição aventureira e deixa de lado aquelas músicas marcantes dos westerns estadunidenses; por último, uma das melhores histórias já criadas para um filme do gênero.

Quer saber um pouco mais desta obra-prima injustamente desconhecida nos dias de hoje? Veja a crítica de Bruno Barrenha clicando AQUI.

20 de agosto de 2011

Crítica: Árvore dos Enforcados

THE HANGING TREE

(ÁRVORE DOS ENFORCADOS)

Direção: Delmer Daves

Roteiro: Wendell Mayes e Halsted Welles

Produção: Martin Jurow e Richard Sheperd

Ano: 1959

Elenco: Gary Cooper, Maria Schell, Karl Malden…

Duração: 106 minutos

Um dos mais ignorados westerns realizados na história da sétima-arte presenteia os fãs do gênero com um drama rico em história.


Análise: De acordo com a maioria das pessoas que conhecem pelo menos um bocadinho do cinema western, o maior ícone do gênero é o ator norte-americano John Wayne: isto é fato! O que poucos sabem é que ele venceu somente um prêmio da Academia de Cinema em toda sua vida (pela atuação magistral no faroeste Bravura Indômita). Mas, apesar disso, foi ele o responsável por popularizar e divulgar a figura caracterizada do cowboy no cinema. É, então, por tal motivo que ele garante seu imperialismo diante de outros atores do mesmo contexto, como o russo Yul Brynner e os estadunidenses James Stewart, Henry Fonda e Gary Cooper. O último é, inclusive, o protagonista da trama de Árvore dos Enforcados, inexplicavelmente um filme desconhecido nos dias de hoje, sendo dirigido pelo também inexplorado diretor Delmer Daves.

Como de costume nos filmes de faroestes norte-americanos, as histórias são baseadas em livros ou contos de escritores. Em Árvore dos Enforcados isso não apresenta mudança: o longa-metragem é baseado no conto homônimo de Dorothy M. Johnson, a mesma responsável pela criação do clássico que posteriormente viraria um dos mais famosos filmes de John Ford: O Homem que matou o Facínora (1962).

Mergulhando mais profundamente na dramática e emocionante história de Árvore dos Enforcados, a película tem seu estopim no afastado século XIX – mais exatamente no ano de 1873 – com a chegada do misterioso doutor, jogador e pistoleiro Joseph Frail (Cooper) na cidade de Montana, em plena época da Corrida do Ouro. Ele adentra a cidade que faz divisão a um acampamento de mineiros portando um único objetivo: arrumar um emprego. Todavia, acaba cumprindo mais do que isso e, como outra peculiaridade no cinema norte-americano da época, ele demonstra um afeto pela donzela Elizabeth Mahler (Maria Schell), a qual passou por um terrível ataque de bandidos e ficou temporariamente cega; ademais, ele também cria conflitos com o oportunista Frenchy Plante (Karl Malden) e, mesmo que em escala menor, salva a vida de algumas pessoas. Em toda esta história contada resumidamente, o curioso e relevante nome da película vem justamente pela existência destas chamadas “árvores de enforcamento” nos acampamentos de mineiros que, segundo o próprio filme, os impõe mais respeito.

Sem precisar se esforçar devido à sua extensa experiência neste gênero de filmes, Gary Cooper é o principal e um dos mais requeridos atores dentro de todo o elenco ao lado de Karl Malden; isto acaba por tirar um pouco do brilho de terceiros. A trilha sonora de Max Steiner chega a ser interessante e consegue preencher muitos espaços deixados de lado, além de também adicionar ao trabalho uma feição aventureira e não aquela comum aos westerns clássicos, com ritmos marcantes e corridos. Em questões fotográficas, este elemento consegue ser um dos mais enfáticos do projeto e, ainda por cima, seguir os passos dos maiores faroestes do país, os quais eram completamente evidenciados pelas paisagens encantadoras e indispensáveis ao estilo fílmico. Por último, a impressionante direção de Delmer Daves: algo inteiramente à frente de seu tempo, com planos exuberantes e completamente inteligentes; confesso que, por ser um western estadunidense, este aspecto não seria tão presente e marcante como está aqui, mas me enganei. Sem dúvida, é um dos mais venerados detalhes deste filme!

Aproveitando a riquíssima história de Dorothy M. Johnson, é criado um dos mais desconhecidos e subestimados filmes de um dos mais importantes gêneros. Em Árvore dos Enforcados, tudo se comporta perfeitamente para ser criado um propício drama ambientado nas colinas do oeste norte-americano!

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

18 de agosto de 2011

Notícias: Tony Scott dirigirá remake do clássico de Peckinpah

MEU ÓDIO SERÁ SUA HERANÇA | Remake já está nos planos da Warner Bros. desde o início do ano e somente agora consegue um diretor.


Por Bruno Barrenha

Sam Peckinpah sempre foi um diretor polêmico. Ele deixou clara esta afirmação logo em seu maior clássico cinematográfico e que, coincidentemente, está em 4º lugar no TOP FIVE do blog: o longa em questão é Meu Ódio Será sua Herança (The Wild Bunch, 1969). Dentre os prêmios, apenas concorreu ao Oscar de "Melhor Roteiro Original", escrito pelo próprio cineasta. Agora, infelizmente o cachaceiro irresponsável já se foi e deixou milhões de fãs com saudades de seus violentos filmes, nos quais até sentíamos um prazer ao ver todas aquelas pessoas sendo mortas em uma câmera lenta totalmente dramática. Como uma forma de relembrar os bons tempos do cinema, a Warner Bros. conseguiu a contratação do diretor Tony Scott, irmão do também realizador Ridley Scott - mais conhecido pelo clássico Blade Runner, de 1982 e que hoje pensa em retomar este projeto.


Apesar da controvérsia por estar refazendo um dos maiores clássicos do cinema western, a Warner Bros. pensa em ser rápida e não desperdiçar mais tempo. Não há uma aposta concreta para se fazer, principalmente porque a produção ainda está engatinhando e como um começo, a contratação de Scott foi uma bela escolha! Tomara que, pelo menos, não estraguem o clássico de Peckinpah! Sorte...

Via Omelete.

Pôster: O Atalho

Dirigido pela figura feminina de Kelly Reichardt e com uma lista de atores bastante notáveis, O Atalho mostra ser um dos melhores westerns atuais - foi lançado este ano, inclusive. Sem luzes artificiais e muitos diálogos, o longa cria uma estética própria, até se parecendo com algo bastante caseiro. Pelo fato de existir uma pouca quantidade de diálogos, a aplicação de sons naturais caiu perfeitamente e, além disso, a trilha sonora angustiante por parte de Jeff Grace ficou por acumular a tensão já existente no filme.

Passado em pleno ano de 1885 e contando a história de um grupo de colonos perdidos no Estado de Oregon, eles começam a desconfiar que o guia Stephen Meek (Bruce Greenwood) esteja perdido ao passar por um atalho no deserto. Lidando com a falta de comida, água e muitos outros bens necessários para viver, o grupo encontra um índio (Rod Rondeaux), mas que não é bem aceito por Meek. Na tentativa de buscar civilização, a tensão só aumenta, o que aumenta os pontos positivos do filme.

Livre das grandes produções atuais, o velho-oeste representado em O Atalho ficou por fazer da simplicidade o seu principal aliado, e isso é o que mais se destaca. Então, quer ver mais um pouco a respeito desta grande surpresa? Clique AQUI e confira a análise de Thierry Vasques.

17 de agosto de 2011

Crítica: O Atalho

Meek's Cutoff

(O Atalho)

Direção: Kelly Reichardt

Roteiro: Jonathan Raymond

Produção: Elizabeth Cuthrell, Neil Kopp, Anish Savjani, David Urrutia

Ano: 2011

Elenco: Michelle Wiliams, Paul Dano, Bruce Greenwood…

Duração: 104 minutos

Uma história de sobrevivência filmada da forma mais simples possível gera um dos grandes westerns atuais.

Análise: O Atalho é um longa-metragem que já começa com algo não tão comum visto nas películas: o responsável pela direção é uma mulher, Kelly Reichardt. Fora isso, ela não faz uso uso de tiroteios e duelos, como a maioria de westerns, sendo que no filme inteiro escutamos apenas dois tiros e ambos são direcionados para o nada. Possui um bom elenco, sendo que alguns atores até já realizaram filmes mais conhecidos.

A história se passa em 1845, no Estado de Oregon, quando um grupo de colonos começa a desconfiar de que o guia contratados por eles (de nome Stephen Meek, interpretado por Bruce Greenwood) estava perdido após pegar um atalho no deserto. Depois de diversos problemas como a falta de água, comida e de confiança uns nos outros, o grupo começa a ficar tenso. Por sorte, encontram um índio (Rod Rondeaux), o qual diz poder ajudá-los, porém ele não é bem visto, principalmente por Meek. Então, os colonos acabam prendendo o índio para que ele os ajude a encontrar água e também civilização. A tensão é constante e só aumenta, o que dá ao filme seus sinais positivos, até chegar ao final do filme e, juntamente com isso, uma árvore cheia de vida.

A estética de O Atalho é muito comumente associada a uma forma bem "caseira", sem uso de luz artificial, apenas luz do sol nas cenas de manhã e o brilho das fogueiras e lampiões nas cenas de noite, deixando um ar bem sombrio. Os planos de câmera são bastante simples e o longa fica marcado por ter pouco uso de diálogos; prova disso é que as primeiras falas ocorrem apenas com mais de seis minutos e o uso de sons naturais é constante, junto à trilha sonora bastante sobrecarregada. O filme nos enche os olhos com belas paisagens desérticas, principalmente ao pôr-do-sol.

Algo que realmente caiu bem foi o uso dos sons naturais já citados, principalmente para quebrar aquela tensão presente em quase todo o filme, além também do silêncio criado. Pelo fato de as cenas não se utilizaram da luz artificial na noite, temos um resultado mal-iluminado, contando apenas com a iluminação natural. Portanto, é possível perceber que O Atalho está livre das grandes produções de hoje em dia, fazendo da simplicidade o seu principal aliado.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

13 de agosto de 2011

Download dos filmes 7

Sim, forasteiros, demorou... mas chegou! A diligência estava danificada pelos tiros sofridos no caminho contra os índios, mas já consertamos e por isso estou aqui confirmando - com satisfação - a sétima parte de download dos filmes já analisados pelo blog.

Para quem já até esqueceu da última parte dos downloads, é só clicar AQUI e conferir a nossa antiga vitrine de filmes analisados para baixar diretamente em seu computador. Só para lembrar, é necessário ter o programa uTorrent para que se possa baixar os filmes abaixo:


Vocês puderam perceber que nem todas as nossas análises estão colocadas para download acima, já que muitos dos filmes são desconhecidos e não encontramos para baixar na internet. Também não é possível colocar o download dos jogos analisados até agora, visto que não saíram para o computador. Mesmo assim, agora só resta vocês tirarem suas conclusões de acordo com as análises, pois nossa missão está cumprida... Apenas com um atraso!

Notícias: Disney confirma cancelamento de Lone Ranger

THE LONE RANGER | Uma das grandes apostas dos estúdios Walt Disney foi cancelada.

Por Bruno Barrenha

Lembram-se da notícia de que a consagrada série de rádio e televisão conhecida no Brasil como Zorro estaria sendo adaptada às telonas?! Pois é, às vésperas do início das gravações de Lone Ranger, o estúdio da Disney surpreendeu a todos os fãs do faroeste (inclusive eu!) ao comunicar que estaria cancelando o filme devido seu alto orçamento, os quais indicavam muito mais de 200 milhões de dólares - um preço caríssimo se tratando de um western. Mas, mesmo assim, poderíamos considerar este tipo de ação da Disney uma ingratidão aos participantes do longa, principalmente porque as filmagens já iriam se iniciar e, alguns dos integrantes (Johnny Depp e Gore Verbinski) não trouxeram apenas milhões ao estúdio, mas sim BILHÕES, com a trilogia de Piratas do Caribe.


Infelizmente, os atores envolvidos (Armie Hammer, Helena Bonham Carter, Ruth Wilson, Barry Pepper, etc...) foram liberados de seus contratos com a Disney e, portanto, agora é esperar e ter um fio de esperança para que o estúdio retome este trabalho que, com certeza, seria um belo presente aos amantes do gênero western!


Via Omelete.

Crítica: Red Dead Redemption

RED DEAD REDEMPTION

Distribuidora: Rockstar Games

Diretores: Ted Carson (técnico), Josh Bass (arte) e Daren Bader (arte)

Escritores: Dan Houser, Michael Unsworth e Christian Cantamessa

Ano: 2010

Plataformas: XBOX 360 e PS3

A divina ressurreição de um gigantesco tesouro enterrado nas areias poeirentas do Oeste...

Análise: Reverenciado em muitas outras áreas culturais – nas quais se destacam em maior escala a literatura e o audiovisual –, o período histórico popularmente conhecido como “velho-oeste” durou pouco tempo para fazer tanta história como fez: iniciou-se aproximadamente em meados de 1840, terminando juntamente com a Revolução Mexicana, em 1920. O motivo para o fim deste “espírito totalmente norte-americano” foi justamente que, ao fim da Revolução, iniciou-se o chamado processo de desenvolvimento, onde os desertos poeirentos davam espaço ao asfalto, os cowboys aos homens-de-terno, as armas de seis-tiros às metralhadoras e, sem contar com a ajuda das máquinas no processo de trabalho.

Com toda esta extensão da tecnologia, muito foi aproveitado pelos estúdios de cinema e escritores, realizando obras sobre o estilo de vida naquela época ou então sobre simples histórias, sejam verídicas ou somente contos fantásticos. Mas, apesar de tal sucesso em seu princípio, o gênero hoje em dia já é considerado ultrapassado e até mesmo substituído por outros, como os vampiros um tanto quanto diferentes adorados pelos jovens. Talvez por uma tentativa de ressurreição do velho-oeste, o jogo Red Dead Redemption foi lançado pela grandiosa Rockstar e, sem dúvida alguma, a espera constante por algo inabalável vem recompensada com muitos tiros e sede de vingança na pele do pistoleiro John Marston!

Em Red Dead Redemption, os principais personagens do faroeste norte-americano se encontram em uma aventura ofegante: o principal é o pistoleiro aposentado John Marston que, ao sair da prisão e abandonar seu passado obscuro, será utilizado pela lei para capturar os seus antigos amigos de gangue, agora separados um dos outros, mas nem assim deixando de ser perigosos. O mais interessante é que a trama levará o jogador a diferentes locações, já que cada um dos procurados estará em um lugar diferente: a caçada pelo assassino Bill Williamson se estenderá dos Estados Unidos até o México, onde também será possível encarar o mexicano Javier Escuella. De uma região decadente e mais poeirenta impossível, Marston cavalgará até o norte de sua nação, onde tudo é desenvolvido, asfaltado e até conta com carros; lá também será possível realizar missões com o presidente do BOI (Bureau of Investigation), Edgar Ross. Depois de capturar ou então matar seus dois antigos parceiros, agora apenas restaria o mais cruel: Dutch van der Linde. Sua morte não poderia ser mais trágica e emocionante, já que com ele é como descobrimos o verdadeiro passado de Marston: nascido em 1873, filho de uma mãe prostituta morta no parto e de um pai cego durante uma briga de bar, John foi mandado ao orfanato com apenas oito anos, crescendo e aos 17 conhecendo Abigail, com quem teve o filho nomeado Jack; nesse mesmo período, entra para a gangue de van der Linde, com quem aprende as coisas da vida. Por estar preso durante um determinado período, Marston não recebe mais notícias da família e, inteligentemente, Ross traça um plano para que John cumpra suas missões em troca da localização da esposa e filho.

Já ganhando pela escolha de um mundo aberto, o game ainda possui dois tipos de missões: as que fazem o jogo andar (principais) e as que fazem o jogador ganhar dinheiro e honra (secundárias). Além disso, há os variados tipos de entretenimento dentro do próprio jogo, como a possibilidade de ida ao cinema, de caçar animais e posteriormente vender sua pele, de arriscar em jogos de azar, beber até cair, de comprar armas e suprimentos a seu cavalo, perseguir pistoleiros procurados, ser um procurado ao assaltar bancos e matar pessoas, e muitas outras possibilidades de diversão. Também vale lembrar que tudo isto tem algum tipo de recompensa, seja em dinheiro ou então em fama ou honra.

Com uma jogabilidade de tirar o fôlego, nela é possível destacar o uso da mira Dead Eye (já usada no antecessor Red Dead Revolver ao apresentar lentos movimentos de câmera); ainda assim, é impossível esquecer os cenários semelhantes aos de filmes do gênero, nos fazendo recordar dos mestres Sergio Leone, John Ford e Howard Hawks. Aproveitando esta entrada no assunto de referências e homenagens à época-de-ouro no cinema, ainda está a magnífica trilha sonora de Bill Elm e Woody Jackson, servindo como um ápice do game: assobios, guitarras distorcidas, violinhas, lobos uivando, batidas fortes... Ah, sem contar quando os tiros passam raspando à tela e você se sente verdadeiramente em um universo próprio! Isto só quer dizer uma coisa: tudo se completa na formação de uma obra-prima dentro do universo dos videogames!

Logo nos teasers divulgados antes de seu lançamento, o game até mesmo passou a ser descrito como “uma espécie de GTA situado no interior do velho-oeste”, o que aumentava a expectativa em colocar as mãos em seu controle e se aventurar sem parar nesta aventura deveras infinita e emocionante. Quando finalmente puderam realizar tal façanha, nenhuma ficha de suas apostas foi jogada em vão!

Ao lado de Red Dead Revolver, é responsável por formar a série de jogos apelidada de Red Dead, desenvolvida pela mesma Rockstar. Pela grande repercussão causada por esta obra-prima, foram criadas quatro DLC’s (Downloadable Contents), nas quais se inclui a famosa Undead Nightmare, com a participação especial de zumbis. E, para aumentar ainda mais a divulgação de Red Dead Redemption, o cineasta australiano John Hillcoat (A Estrada, 2009) fez um curta de quase 30 minutos com imagens do jogo responsáveis por criar uma história básica (ver vídeo anterior). Foi simplesmente mais um truque para aumentar a popularidade e a vontade de ter o jogo em mãos!

MINHA NOTA PARA ESTE JOGO:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

10 de agosto de 2011

Crítica do jogo: Red Dead Revolver

“Com certa influência no cinema western, os jogos de diferentes consoles também passarão a fazer parte de nosso cotidiano no blog ANALISANDO O OESTE. Isso mesmo, forasteiros! A partir de hoje estaremos realizando análises de jogos ambientados no velho-oeste, além das peculiares críticas cinematográficas que se passam nesta época. A decisão foi tomada devido a nossa relação com tal área do entretenimento, sendo que grande parcela de nosso amor ao cinema veio através dos jogos!”

Red Dead Revolver

Plataformas: PS2 e XBOX

Desenvolvedora: Rockstar San Diego

Distribuidora: Rockstar Games

Projetista: Josh Needlmean

Escritores: Robert Bancon, Casey Fah e David Ferris

Artistas: Carlos Pedroza, Joseph Pilseki

Ano: 2004

O primeiro jogo do gênero faroeste para Playstation 2 e XBOX, sendo considerado por muitos como o melhor para ambos os consoles.

Análise: Red Dead Revolver é um jogo de tiro em terceira pessoa ambientado no velho-oeste estadunidense. O jogo é o primeiro da franquia Red Dead, tendo uma continuação muito conhecida e não extremamente direta, o recente Red Dead Redemption. O jogo contém um enredo típico de filmes do gênero italiano eternizado por Sergio Leone – o western spaghetti – com uma história de vingança e cheia de tiros. O protagonista é Red Harlow, um caçador-de-recompensa.

Logo no início, o game começa com um tutorial – como de costume – para que o jogador aprenda os movimentos mais simples e necessários em sua diversão no faroeste; mais tarde, é apresentado o jovem Red Harlow, que precisa matar alguns inimigos e, infelizmente, ver seus pais serem mortos na casa rodeada por chamas. Ele consegue matar os autores de tal catástrofe, porém logo depois de crescer e virar um caçador-de-recompensa, vai enfim buscar a gloriosa e clichê vingança, para achar o responsável de quem mandou matar seus pais. Após completar várias missões, Red acha o Governador Griff (a pessoa responsável por dar a localidade de sua casa) e o enfrenta em uma batalha épica nos telhados de uma mansão.

Com movimentos bastante simples e gráficos razoáveis, Red Dead Revolver ainda apresenta uma história envolvente. O principal ponto da jogabilidade é o uso do Dead Eye – um sistema também presente e com mais destaque em Red Dead Redemption – que permite acertar vários inimigos em vários pontos de seu corpo, sendo que cada parte tem uma utilidade. Por exemplo: com um tiro na mão, ele irá largar a arma, enquanto que um na cabeça irá mata-lo diretamente.

Apesar de suas características, infelizmente o jogo é limitado em missões, porém essas podem ser realizadas nos mais variados lugares, como em vilas, desertos e trens. Em raros momentos podemos explorar um mundo livre, mas compensando tal erro em uma cidade, onde se pode comprar armas, munições e alguns outros atributos para carregar seu personagem até os dentes. Os modos de jogo são apenas dois: o Story (o mais comum, para completar a história do jogo) e o Showdown (é possível jogar contra até quatro amigos e também contra o próprio computador). Fora isso, pode-se escolher qualquer personagem e qualquer lugar, além de ganhar cartas com poderes especiais conforme mata seus inimigos.

Em uma conclusão final, podemos dizer que o jogo é bom, porém é demasiadamente fácil e tem uma jogabilidade bastante simples. O pior ponto do jogo é o já citado “mundo livre inexistente” e uma certa limitação ao decorrer das missões. Podemos ver grandes influências do gênero cinematográfico western spaghetti, principalmente na história e trilha sonora, a qual conta com músicas de vários compositores, inclusive o famoso maestro Ennio Morricone. As vestimentas dos personagens se parecem muito com os faroestes italianos, principalmente a do protagonista, que usa um chapéu e roupas sujas.

MINHA NOTA PARA ESTE JOGO:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

8 de agosto de 2011

Pôster: Paixão dos fortes

Considerado por muitos como "o pior dos melhores filmes de John Ford", este Paixão dos fortes tem como grande forte o célebre tiroteio ocorrido na região de Tombstone - mais especificamente no O.K. Corral - entre os amigos Doc Holliday e Wyatt Earp contra a fria família dos Clanton. Com muitas doses de romance e de aventura, a história verídica contada pelo próprio ex-delegado Earp antes de morrer para Ford, é retratada de forma mitológica pelo diretor norte-americano, com ajuda de seu talentoso elenco, o qual contava com a sensação Henry Fonda (Wyatt Earp), Victor Mature (Doc Holliday), Cathy Downs (Clementine) e Linda Darnell (Chihuahua). Talvez ele tenha recebido o título citado no início por ser um tanto quanto parado ao seu decorrer (diferente dos outros filmes de John Ford), demorando para dar partida e ir longe como é de se esperar em um faroeste. É por este motivo ainda que não podemos o classificar como um clássico, já que não há muitos tiroteios e, portanto, muito sossego - ao contrário dos chamados clássicos do western estadunidense. Fora isso, um dos detalhes mais importantes de toda a produção é seu ano de realização: 1946. Um ano após o fim da Segunda Guerral Mundial... Além de bom, este tal de John Ford ainda era corajoso! E você, consegue encarar a crítica desta obra-prima? Então, clique AQUI.

6 de agosto de 2011

Crítica: Paixão dos fortes

MY DARLING CLEMENTINE

(PAIXÃO DOS FORTES)

Direção: John Ford

Roteiro: Samuel G. Engel e Winston Miller

Produção: Samuel G. Engel

Ano: 1946

Elenco: Henry Fonda, Linda Darnell, Victor Mature...

Duração: 97 minutos

Célebre tiroteio ocasionado no “O.K. Corral” é retratado mitologicamente em forma de romance e aventura pelo audacioso diretor John Ford.

Análise: Ao tomar como pauta cinematográfica o afamado tiroteio ocorrido na região de Tombstone (ou no famoso O.K. Corral) entre os amigos Wyatt Earp e Doc Holliday contra a família Clanton no longínquo ano de 1881, logo temos em mente balas voando para todos os lados, rápidos cortes de câmera, uma música eletrizante ao fundo, pessoas sendo atingidas, etc... Mas também vale relembrar que isso poderia ser filmado tempos depois: naquela época, nem pensar! Até porque o filme foi realizado justamente depois do término da Segunda Guerra Mundial. Fora isso, o cinema hollywoodiano nem sequer permitia a gravação sem corte de um plano com a arma sendo tirada do coldre de um pistoleiro e atingindo o adversário. É por estas e outras que na versão do diretor John Ford predomina aquele charme do romantismo norte-americano, mas sem esquecer as épicas cenas de ação idolatradas no país, é claro. O que realmente quero dizer com tudo isto é que não nos focamos apenas no duelo final entre as gangues e sim que estamos diante do outro lado da moeda neste importante capítulo na história dos Estados Unidos e, mais especificamente, do faroeste!

Inacreditável vídeo encontrado no Youtube, mostrando a relação da equipe de Paixão dos Fortes atrás das câmeras durante a gravação. E mesmo o filme sendo em preto-e-branco, acima temos registros coloridos!

Sem John Wayne – o eterno parceiro de Ford – infiltrado no projeto de Paixão dos Fortes, quem dá conta do recado no papel principal é um dos mais conhecidos e fantásticos atores da época: o lendário Henry Fonda. A escolha de um ao invés de outro pode ser facilmente explicada no rótulo eternizado por Wayne como aquele cowboy durão e sem um espaço reservado ao romance, diferentemente de Fonda, o qual variava de bandido até mocinho em cada filme que fazia, e sem a preocupação de ficar marcado por ter atuado em um único posto dentro do mundo cinematográfico!

Baseado no livro de Stuart N. Lake, o filme basicamente conta sobre a vida adulta do delegado “Earp, Wyatt Earp” (como diz o próprio Henry Fonda em seu papel) que, após ter um de seus três irmãos assassinados por alguém desconhecido, se encontra na cidade de Tombstone como xerife, até que encontre o verdadeiro e cruel assassino. Unindo-se a ele, outros personagens reais que figuraram no período do velho-oeste aparecem, como seu amigo de idas e vindas John “Doc” Holliday (Victor Mature), a sua paixão Clementine (Cathy Downs), a prostituta Chihuahua (Linda Darnell), e os membros da família Clanton (Walter Breenan, John Ireland, Grant Withers, Fred Libby e Mickey Simpson). E é importante dizer que, além deste, muitos outros filmes já fizeram referência ao famoso tiroteio no O.K. Corral, como: Wichita (1955), Sem Lei e Sem Alma (1957), Tombstone – A Justiça está chegando (1993), Wyatt Earp (1994), e muitos outros.

Entre os três outros clássicos de John Ford – Stagecoach (1936), Rastros de Ódio (1956) e O Homem que matou o Facínora (1962) – este talvez seja considerado o pior. Entretanto, não leve isto como uma crítica negativa, pois, sem dúvida alguma, ainda consegue estar ao lado deles na questão sobre “os melhores westerns já feitos”. Fora a ótima direção de Ford, a fotografia de Joseph MacDonald também se destaca e é responsável por transcender belas imagens no maravilhoso preto-e-branco da época, novamente tomando como pano de fundo o extenso terreno de Monument Valley, o qual até se torna pequeno em suas tomadas devido à tamanha beleza do local. Enquanto isso, a trilha sonora de Cyril Mockridge não passa de regular, principalmente porque perde bastante espaço para a música-tema que leva o nome da película (My Darling Clementine). E então, por último, as atuações: nenhum dos atores deixa a desejar, já que conta com um elenco de bastante peso e isto é fundamental para que se tenha atuações concretas, destacando o papel principal com a presença de Fonda. Apesar disso, muitos outros personagens da película não foram muito bem explorados e desenvolvidos, só servindo ali na tela como parte da história e nada mais! Relativamente, une-se a um erro de roteiro...

Após muitas tentativas, o filme finalmente consegue dar partida de seu lugar e ir longe, mas até este ponto ele não passava de algo um tanto quanto demorado e cansativo; talvez este tenha sido o seu “maior” erro, e que mesmo sendo o “maior”, não tira nada de seu brilho espetacular. Já finalizando o filme, percebi que Paixão dos Fortes não pode ser considerado aquele inquietante clássico norte-americano, onde os tiroteios são constantes e o sossego não paira sobre a grande tela do cinema: ele é maior do que isso! Ele é mais do que uma história sobre o glorioso tiroteio de O.K. Corral que, segundo Ford, foi contada em uma conversa no ano de 1927 pelo próprio Wyatt Earp antes de morrer! E é então que vemos o propósito de John Ford, buscando demonstrar como realmente era a vida dos cidadãos estadunidenses naquela época em que tudo parecia ser tão devagar; e mais superior a este objetivo, temos sua exposição de maneira corajosa pelo fato de ter realizado um filme muito próximo ao fim da Segunda Guerra, onde tudo estava começando a se recolocar nos trilhos novamente...

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

4 de agosto de 2011

Pôster: Pequeno Grande Homem

Dirigido por Arthun Penn e sem se apegar aos clichês comumente aparecidos no western, o filme Pequeno Grande Homem - realizado incrivelmente no ano de 1970 - consegue passar por diversas fases da vida de um homem com 121 anos de idade (Dustin Hoffman), fazendo com que o espectador se aventure juntamente nas histórias contadas por ele. Ainda estrelando Chief Dan George como um índio cheyenne, tais histórias se desenvolvem à medida que também se desenvolve o Estados Unidos, mostrando personagens reais e como realmente morreram (Wild Bill Hickok e Geoge Armstrong Custer são os homenageados). Com certeza, o que melhor define o filme é a maneira de como a interessantíssima história é contada, desenvolvendo uma surpreendente narração, além também dos emocionantes encontros e desencontros que acontecem por meio dele. E então, interessado nas incríveis aventuras do Pequeno Grande Homem?! Se surpreenda ainda mais na crítica de Thierry Vasques, clicando AQUI.