29 de setembro de 2011

Crítica: Um dólar entre os dentes

UN DOLLARO TRA I DENTI

(UM DÓLAR ENTRE OS DENTES)

Direção: Luigi Vanzi

Roteiro: Giuseppe Magione e Warren Garfield

Produção: Massimo Gualdi, Allan Klein, Carlo e Roberto Infascelli

Ano: 1967

Elenco: Tony Anthony, Frank Wolff, Gia Sandri...

Duração: 86 minutos

Uma orquestra musical dentro do velho-oeste europeu.

Análise: O assunto “trilha sonora” sempre foi relacionado ao cinema. De fato... Por dentro de todo o contexto entendido como sétima-arte, ela é a principal responsável por sustentá-lo em seus mais fortes pilares e até funcionar como diferentes formas de narrativa. Embora as soundtracks sejam importantíssimas e quase mesmo indispensáveis em todo e qualquer gênero cinematográfico, existe um entre os muitos estilos em que seu uso é requerido: estou falando justamente do western... Nada como o bom e velho faroeste!

Desde os primordiais compositores da idade dourada estadunidense – como Victor Young (de Shane, 1953) e Elmer Bernstein (de Magnificent Seven, 1960) – até os mais inovadores do spaghetti – como Ennio Morricone (da Trilogia dos Dólares) e Luis Bacalov (de Django, 1966) – a aplicação das trilhas sonoras no western vem sofrendo com cada vez mais novidades: estalos de chicote, guitarras pungentes, uivos de lobos, gritos de índios, vocais em níveis de ópera, etc... Pois, em Um Dólar entre os Dentes, de Luigi Vanzi, é criada uma orquestra musical dentro do velho-oeste e assim conseguimos perceber toda esta “revolução sonora”, já que o filme estava no auge criativo do faroeste europeu, mesmo sendo um tanto quanto desconhecido pelos espectadores.

Como se já não tivesse se tornado um tremendo clichê dos spaghettis, novamente temos a presença do Homem Sem-Nome no papel principal: a única diferença deste personagem com o que consolidou a figura do herói no gênero é somente o ator, sendo que no caso temos um enigmático Tony Anthony e não um glorioso Clint Eastwood. Caso fosse apenas por este detalhe, o filme estaria livre de ser comparado com outros, porém não é o que acontece: a história segue uma linha completamente idêntica à de Por um Punhado de Dólares (Sergio Leone, 1964). Prova disso são os vários elementos que se coincidem entre os dois filmes, como a chegada do Estranho em uma cidadezinha, seu trabalho para os mexicanos de Aguilar (Frank Wolff), seu espancamento e fuga para um lugar abandonado e, enfim, sua vingança triunfante contra os bandoleiros. É então que, olhando mais de perto, tudo se assemelha ao primeiro clássico da vida de Leone e do western spaghetti...

Depois dos acontecimentos relatados acima, acredito que toda trama já fica subentendida. Apesar disto, ainda é possível fazer algumas objeções: o Estranho vai até o povoado comandado por Aguilar apenas para satisfazer-se roubando uma fortuna em ouro (sempre ele!) do exército norte-americano, em um trato juntamente com o mexicano. Com o sucesso de tal missão, Aguilar ligeiramente tira o Estranho da jogada, espancando-o de forma brutal; então, ele foge para uma zona afastada onde a maravilhosa sequência final estará sendo aguardada por todos que assistem à película. Nela, o Estranho elimina cada pessoa do bando mexicano de uma maneira diferente, assemelhando-se como o próprio Por um punhado de Dólares, o mais posterior O Cavaleiro Solitário (Clint Eastwood, 1985) e o clássico Matar ou Morrer (Fred Zinnemann, 1952).

E, após tudo o que já foi dito até então, nem é preciso comentar que o ápice do trabalho está centrado na trilha sonora, de autoria do subestimado Benedetto Ghiglia, o mesmo compositor do regular Adeus Gringo. Ao seu lado, a quadrilha de atores também se fortalece e ganha um espaço ao sol, sobretudo pelos aspectos dos personagens serem bem explorados; chega a ser possível até fazermos comparações que levam diretamente aos mais empolgantes papéis já protagonizados na sétima-arte. O responsável por esta exímia exploração é o diretor Luigi Vanzi que, mesmo sem tanta inspiração, consegue fazer um convincente trabalho atrás das câmeras e separar algum dos ingredientes para um apreciável bang-bang à italiana.

Cercado de referências inspiradoras e ainda apresentando uma trilha sonora indiscutível e sempre presente durante o filme, Um Dólar entre os Dentes chega a nos surpreender com a vingança da monumental cena final. Mesmo sem tanto sucesso comercial na época de seu lançamento, ainda foram realizadas mais duas sequências para ele, com o mesmo Luigi Vanzi na direção e o mesmo Tony Anthony no papel principal: Um homem, um cavalo e uma pistola (1967) e O Estranho no Japão (1968). Sendo também mais um entre os bons trabalhos obscuros dentro do faroeste, a ação de se realizar tal Trilogia do Estranho – se assim podemos dizer – é outra alusão a Sergio Leone e sua primeira trindade na história cinematográfica...

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

27 de setembro de 2011

Presentes de aniversário...

Mesmo sendo o ANALISANDO O OESTE responsável por completar seu primeiro aniversário na rede, pelo último domingo (25/09), quem ganha os presentes são vocês, forasteiros!

Abaixo seguem os links de três brindes oferecidos pelo blog, nos quais se incluem todas as críticas já feitas pelos integrantes desde o início, todos os filmes já disponibilizados para download em formato uTorrent e até os pôsteres dos trabalhos analisados.

Então, quer ganhar todo este arsenal de armas e ainda um punhado de dólares, pistoleiro? É só clicar nos links disponíveis a seguir...


E aí, gostaram da surpresa? Espero que sim... Que venha mais um ano cheio delas. Muito sucesso pela vida do ANALISANDO O OESTE, forasteiros!

26 de setembro de 2011

Pôster: Adeus Gringo

Logo ao surgir o aclamado western spaghetti na Europa - ainda classificado como um subgênero do faroeste -, a diferenciação entre ele e o peculiar norte-americano era muito difícil de se realizar. Desde os figurinos até a construção dos personagens... ambos se confundiam; a fotografia nem se diz, então! Apesar de serem filmados em diferentes locações, a comparação entre os dois era inevitável. Pois será esta a incógnita deixada pelo filme Adeus Gringo, de 1965, estrelado por Giuliano Gemma e dirigido por Giorgio Stegani.

Para aumentar ainda mais o impasse entre “norte-americano ou europeu?”, o trabalho é baseado na novela Adios, do escritor estadunidense Harry Whittington. A história contada é sobre o jovem cowboy Brent Landers (Gemma), responsável por entrar em uma emboscada bastante acirrada após comprar gados roubados do desonesto Gil Clawson (Nello Pazzafini).

Já chegando ao fim, a conclusão é lógica: de europeu o filme só tem as locações! Todo o resto é pertencente ao estilo norte-americano de filmagens...

Para ler o parecer de Adeus Gringo, segundo Bruno Barrenha, é só clicar AQUI e aproveitar.

OBS.: Ah, você sabia que o blog completou seu primeiro ano na rede? Não?! Veja a retrospectiva, então, forasteiro.

25 de setembro de 2011

Primeiro ano na rede: Duelo vencido...

Foi mais rápido do que um tiro certeiro de Clint Eastwood ou John Wayne... Até mesmo mais veloz que as diligências de John Ford... Mais bonito que as paisagens do bom e velho faroeste, tanto do original norte-americano quanto do superficial e não menos incrível europeu!

Com toda essa nuvem carregada de exagero escrita acima, basta agora parabenizar ao ANALISANDO O OESTE, completando seu primeiro ano de vida na internet. Foi um ano inteiro cheio de críticas aos mais variados filmes do gênero, desde os clássicos-épicos até os menos conhecidos e sem alma para o negócio. Foi o crescimento de uma nação que nos acompanha e aprendeu a reconhecer grandes mestres da sétima-arte. Também foi nosso crescimento... Sim, nós crescemos muito com o blog: aprendemos, ensinamos e fizemos contatos com pessoas maravilhosas e até mesmo importantes, nos estabelecendo em um patamar muito alto! Formamos, acima de tudo, um dos únicos blogs do Brasil – senão o único – em que a dedicação das críticas era baseada somente nos filmes do western, não importando seu subgênero.

E então, há um ano eu estava aqui, na mesma confortável cadeira em frente ao mesmo computador, no mesmo quarto. Ao som do tec-tec de meu teclado eu nem imaginava de onde poderia surgir tanta inspiração para escrever as minhas melhores críticas, tanta vontade para ouvir tantos tiros, falas e ruídos e também ver as imagens do maior gênero cinematográfico. Foi assim que iniciei, sem objetivo algum de chegar ao sucesso imediato e inesperado como cheguei: no dia 25 de setembro de 2010, eu escrevia minha primeira “crítica” a respeito do meu primeiro western assistido, um tal de Butch Cassidy & Sundance Kid. Depois dessa, foram mais de 40 vezes em que o Microsoft Word foi aberto para que eu escrevesse sobre outros filmes; fora isso, não posso esquecer da tremenda ajuda do Thierry, cooperando de forma importante para a manutenção do blog, com mais de 20 análises escritas. Por último, um dos primeiros integrantes do ANALISANDO O OESTE: Camilo Bicudo, o qual foi de extrema importância para os nossos primeiros passos. Totalizando: foram mais de 80 críticas escritas até hoje, desde filmes em si até a vida de diretores, atores, games e tudo mais...

Dentre nossas diversas realizações durante o ano, há muitas coisas: a Marcha para o Oeste (foto acima) foi uma das principais delas. Através da utilização do nome dado ao processo em que colonizadores e cidadãos estadunidenses se dirigiam rumo ao oeste dos Estados Unidos para aumentar as fronteiras do país norte-americano, nosso blog tentou desempenhar um processo um tanto quanto parecido ao deles: expandir nossos limites! Isto aconteceu como uma forma de se aproveitar outras coisas além das análises de filmes, partindo para homenagens a diretores e atores do meio western, comentários de trilhas sonoras e pôsteres dos trabalhos, notícias e também o download dos filmes já analisados. O resultado de todo este movimento: até hoje foram postados mais de 32 pôsteres, oito notícias sobre o que acontece no mundo do bang-bang, sete postagens diferentes com o link para o download das películas (que se totalizam em quase 70) e três comentários sobre diretores, sendo que um destes rendeu um vídeo de 21 minutos sobre a vida e obra do italiano Sergio Leone...

Outra das grandes façanhas realizadas pelo ANALISANDO O OESTE foi o chamado Por um punhado de Análises, um festival não competitivo em que o interesse e participação de nossos leitores seriam uma peça muito importante para que ele fosse executado. Apesar de um resultado incômodo – nada mais nada menos do que duas análises enviadas –, foi possível conhecer pessoas de diversas partes de nosso país das quais nem poderíamos imaginar que conheciam o nosso espaço virtual. De uma maneira para que a participação dos leitores seja decisiva, abrimos um espaço exclusivo para as críticas enviadas por vocês. Entretanto, o concurso tende a aumentar a cada ano que se passa, indicando que estaremos o realizando de forma constante no blog!

Já a imagem acima não deixa enganar: a elaboração de curtas-metragens foi uma das mais notáveis produções do ANALISANDO O OESTE. Desde a microssérie totalmente caseira e prestigiada Poncho até os não menos caseiros e conceituados Faccia a Faccia e O Bom, O Mau e O Sujo, o apoio e divulgação do blog tiveram importante papel. O último dos curtas citados acima, aliás, foi apresentado na última quarta-feira (21/09) para cerca de 50 pessoas no SENAC da cidade de São Carlos-SP, durante o programa do Núcleo de Produção Digital (NPD) do município, responsável por dar apoio à produção independente.

Por último, aqui vão todos os meus francos agradecimentos a todos os forasteiros e forasteiras que nos ajudaram a chegar aonde chegamos, seja de um modo direto ou indireto. É claro que muitos nomes ainda estarão faltando na lista, visto que em um processo tão intenso como este – em que a relação com os mais diversos contatos tem de ser amigável – o número de pessoas se multiplica cada vez mais nos tambores de um revólver onde só cabem seis balas. Mesmo assim, tentarei compactar os mais fundamentais durante a conquista de um novo oeste, como minha irmã (www.duasoutrescoisasqueeuseidele.wordpress.com), a maior responsável por dilatar minha paixão pela sétima-arte. Depois, minha mãe e o Japão, ambos por terem dado apoio desde o início, cedendo a casa para gravações e ajudando no transporte. Ao grupo de cinema Kino-Olho, pelas oportunidades e por oferecer um desenvolvimento técnico de minha pessoa como cineasta. Aos gajos portugueses Emanuel Neto e Pedro Pereira do excepcional Por um punhado de Euros, pelos comentários indispensáveis em nossas análises. À professora de artes do Colégio Objetivo, Sandra, pelo fanatismo e apoio concedido durante a realização de curtas-metragens. A toda massa de leitores, na qual se incluem acima de tudo Larissa Monfardini, Júlio Pereira, Wilton Cavalcanti, Josias Filho, Thiago Leão, Russo T. Santos, etc etc etc...

Portanto, depois de tantos adversários difíceis de encarar e os vários obstáculos encontrados pelo meio do deserto, conseguimos vencer o primeiro de muitos duelos que ainda enfrentaremos em nossa vida. Para simples garotos do interior paulista, com somente 14 anos de idade e muito talento na bagagem, estamos com nossas miras mais do que apuradas!

MINHA NOTA PARA ESTE BLOG:

COMENTÁRIOS POR BRUNO BARRENHA.

24 de setembro de 2011

Crítica: Adeus Gringo

ADEUS GRINGO

Direção: Giorgio Stegani

Roteiro: Giorgio Stegani, José Luiz Jerez e Michelle Villerot

Produção: Bruno Turchetto

Ano: 1965

Elenco: Giuliano Gemma, Ida Galli, Pierre Cressoy...

Duração: 100 minutos

Um western spaghetti com ares de norte-americano.

Análise: Não há como negar que, ao serem lançados para o mundo cinematográfico, os faroestes europeus tinham de tudo para serem considerados como estadunidenses. Desde a fotografia e figurinos até a história, os dois se equivaliam e nos confundiam a cabeça... Isto é um fato do western! A distinção entre um e outro era realmente complicada para se fazer, e caso não houvesse algum tipo de elemento que mostrasse as características do spaghetti, provavelmente passaríamos despercebidos por um faroeste europeu, chamando-o logo de cara como algo norte-americano. Senão fosse às locações e a linguagem dos atores, estaríamos presos em um belo equívoco! Para esta fase do início dos anos 60 damos o nome de pré-spaghetti, já que a fase concreta do gênero foi mesmo colocada em prática pelos consumidores de Sergio Leone – os xarás Corbucci e Sollima – e pelo próprio diretor.

Para aumentar ainda mais o impasse entre “norte-americano ou europeu?”, o filme é baseado na novela Adios, do escritor estadunidense Harry Whittington. Na história – um tanto quanto clichê, diga-se de passagem – o personagem de Giuliano Gemma é o jovem cowboy Brent Landers, o qual logo dá os passos iniciais do filme: de uma forma bem misteriosa, ele cavalga por umas bandas desconhecidas até que encontra o desonesto fazendeiro Gil Clawson (Nello Pazzafini), responsável por lhe vender alguns gados roubados e como em um passe de mágica, ele aceitar a oferta. Justamente ao chegar à cidade se depara com o verdadeiro dono dos gados, causando conflitos que o perseguiriam como culpado pelo todo resto de toda sua vida.

A entrada do papel feminino – uma das características mais marcantes do western norte-americano – se dá quando Landers encontra Lucy Tillson (Ida Galli) nua e amarrada no meio do deserto pelo grupo do mesmo homem que vendeu o gado e o pôs em toda a confusão. Como de praxe, eles se apaixonam e no final desaparecem em meio ao pôr-do-sol para, quem sabe, viverem felizes para sempre...

Com a sinopse acima, imediatamente temos uma impressão de que algo soaria como superficial... E é o que acontece! Todas as situações dão tão certas para sair erradas (ou vice-versa) que o resultado final se transforma em uma circunstância transparente, sendo algo já esperado pelos espectadores depois de tantas reviravoltas previsíveis. Fora isso, o roteiro ainda dá espaços errôneos para que o filme se torne arrastado mesmo com seus poucos 100 minutos: todas as ações interessantes se concentram no início e umas poucas no fim, portanto os fatos que deveriam ser rápidos passam a possuir uma extrema duração. E pelo último dos erros mais notáveis, está a história clichê: o homem culpado por uma ação que não fez de verdade. A mesma trama é também narrada em outro filme com Giuliano Gemma no papel principal, só que na ocasião dirigido por Giorgio Ferroni, em 1967: Minha Lei é Matar ou Morrer chega a lembrar de muitas maneiras o trabalho feito há dois anos.

Agora já dando espaço aos acertos, a mistificação de Brett Landers talvez seja um dos principais neste quesito: o agrado do espectador com sua pessoa é imediato, já que ele faz o sujeito rápido no gatilho e difícil de ser atingido pelos adversários em um eventual tiroteio. A torcida que lhe oferecemos é demasiada para que no final de tudo ele retire a máscara em que todos não confiavam!

De um estilo mais sóbrio e simplório, a direção de Giorgio Stegani não apresenta nada de fantástico, podendo até ser classificada como “incomparável e inocente em relação aos grandes gênios do spaghetti”. As atuações também não são de deixar nosso queixo caído, apesar de ter em vista um elenco recheado de posteriores estrelas do bang-bang italiano. O roteiro do trio Stegani-Jerez-Villerot, como discutido anteriormente, apresenta falhas incontentáveis para um filme que poderia sem contradições ir direto ao ponto.

Em uma conclusão lógica, Adeus Gringo é uma opção de entretenimento para ser assistido em um domingo ou feriado com alguém que goste do bom, do velho e do simples faroeste. E, respondendo à principal incógnita deixada por meio desta análise, o filme passa por algo mais norte-americano do que europeu, confirmando isto desde seus créditos em que os atores tiveram seus nomes “americanizados” para dar um toque a mais e parecer com que tenha sido feito no país onde o faroeste é a maior peculiaridade da sétima-arte, segundo o crítico francês André Bazin.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

19 de setembro de 2011

Pôster: Eu quero ele morto

Lo Voglio Morto (título original) é um dos clássicos mais ocultos dentro do western spaghetti, sendo também um verdadeiro show de imagens exuberantes do deserto de Almeria, na Espanha. Justamente por isto, é gerada uma fotografia exuberante e sem igual, além de também uma qualidade técnica invejável para películas de grande porte... Também foi por causa destes trabalhos de grande porte que Eu Quero ele Morto não ficou tão conhecido: realizado no ano de 1968, outros filmes tomaram seu espaço, como o inexplicável Era uma vez no Oeste e o revolucionário Vingador Silencioso, de Leone e Corbucci, respectivamente.

E, com a famosa história da vingança, o pistoleiro Clayton (Craig Hill) vai em busca de uma gangue de ladrões que matou sua irmã em um hotel enquanto ele não estava. Apesar de seu desejo, vários obstáculos aparecem à sua frente, como um poderoso homem da região (Andrea Bosic) e o xerife da cidade.

Quer ler mais sobre este belíssimo clássico do western spaghetti, atualmente enterrado nas areias do deserto europeu? Clique AQUI e desvende tudo sobre ele na crítica escrita por Bruno Barrenha...

17 de setembro de 2011

Crítica: Eu quero ele morto

LO VOGLIO MORTO

(EU QUERO ELE MORTO)

Direção: Paolo Bianchini

Roteiro: Carlos Sarabia

Produção: Ricardo Merino

Ano: 1968

Elenco: Craig Hill, Lea Massari, José Manuel Martín...

Duração: 82 minutos

Fotografia surpreendente e qualidade técnica invejável para as grandes produções marcam um dos clássicos ocultos do western spaghetti.

Análise: Talvez os deslumbrantes desertos europeus nunca estivessem tão explícitos em algum western spaghetti do que em Eu quero ele morto. Realizado no auge criativo do gênero, o filme é um dos mais injustamente desconhecidos dentro do cinema, já que seu brilho foi ocultado por obras muito maiores e notáveis lançadas na mesma época, como Era uma vez no Oeste, de Sergio Leone e O Vingador Silencioso, de Sergio Corbucci. Apesar de tudo, o trabalho do também desconhecido diretor Paolo Bianchini não deixa a desejar em termos de qualidade e história...

Gerada completamente por conta do acaso – fato que acontece sem motivo ou explicação aparente –, a trama principal do filme se estabelece logo em seus primeiros instantes: não há tempo para enrolação nem blábláblá, até porque os 82 minutos do projeto são muito curtos para envolver tudo isto e ainda acrescentar a Guerra da Secessão, período em que o filme se passa!

Portanto, como uma forma de não perder o tempo que quase nem existe, o acaso mencionado acima acontece após a primeira cena e é ele o responsável por dar o empurrão no filme: o pistoleiro Clayton (Craig Hill) e sua irmã (Cristina Businari) fazem uma parada em uma pequena cidade; enquanto o homem ruma para o encontro com um velho conhecido, sua irmã é deixada em um hotel. Ao voltar do encontro, o pistoleiro fica sabendo que dois cruéis assassinos a mataram, porém um deles deixa uma pista e rapidamente é identificado. Sendo assim, o desejo de Clayton a partir daquele momento era simplesmente lavar sua vingança com o sangue dos bandidos, mesmo tendo em frente diversos obstáculos, como um poderoso homem da região nomeado Mallek (Andrea Bosic) e também o xerife da cidade...

E toda esta história deriva de um roteiro, o qual foi escrito por Carlos Sarabia e é o responsável por proporcionar tais situações simples, porém essenciais; até chega a ser um dos pontos mais altos de Eu quero ele morto e, além de serem circunstâncias comuns como as que os personagens deixam seus adversários viverem ao invés de acabar com tudo, são necessárias para que a história tenha continuação e aumente seu nível de emoção para o gran finale. Acompanhado do roteiro, as atuações também levam uma grande pontuação no fim de tudo: elenco afiado e atuações seguras por parte dos atores e atrizes, com destaque para o vilão inofensivo Jack Blood (José Manuel Martín). Mas, apesar de estes dois serem bons concorrentes, o que leva a melhor no fim de tudo é mesmo a fotografia, de Ricardo Andreu: paisagens maravilhosas do deserto de Almería, talvez nunca mostradas de forma tão bela como neste filme. Correndo por fora, ainda há a direção consistente de Paolo Bianchini e a trilha sonora saliente de Nico Fidenco, compensada pelo vocal de Lida Lú no tema principal, denominado Clayton.

Mesmo não pertencendo à classe daquelas obras-primas sem iguais do western spaghetti, o segundo faroeste realizado pelo diretor Paolo Bianchini se abriga em uma conveniente posição em relação aos outros trabalhos do gênero. A causa disto é justamente a maneira oportuna de como ele soube utilizar os elementos mais importantes para se realizar um spaghetti, fazendo com que película se torne indispensável para qualquer fã de um bang-bang direto na lata e sem frescuras! Então, sem dúvida alguma, Eu quero ele morto é um prato cheio para quem tem a ambição de se defrontar com pistoleiros justiceiros, facínoras covardes, donzelas em apuros e finais felizes por um lado e tristes por outro...

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

16 de setembro de 2011

Pôster: O dólar furado

Deveras afamado no Brasil durante a década de 60, este filme de Giorgio Ferroni é um dos grandes clássicos do western spaghetti. Com a presença de Giuliano Gemma - um dos maiores ícones do gênero -, o desenrolar vingativo de O Dólar Furado fica por conta de uma história envolvente, sendo decorrente de outros roteiros do faroeste.

Acabando de voltar da Guerra, o soldado sulista Gary O'Hara (Gemma) vai em direção à cidade de Yellowstone em busca de emprego. McCory (Pierre Cressoy) acaba lhe dando a oportunidade de capturar um famoso bandido, de nome Black Jack (Nazzareno Zamperla). Mais tarde, Gary O'Hara acaba tendo uma surpresa em relação ao facínora...

Mesmo com uma boa direção de Ferroni e o destaque para Gemma em meio a alguns atores desconhecidos no meio do western, o que mesmo impressiona é a trilha sonora, de Gianni Ferrio. Além de estar presente no filme, é possível encontrá-la no game Red Dead Revolver e no filme Bastardos Inglórios.

Para saber mais de O Dólar Furado, clique AQUI e leia a opinião de Thierry Vasques sobre o filme.

14 de setembro de 2011

Crítica: O Dólar Furado

OBS.: durante o mês do primeiro aniversário do ANALISANDO O OESTE, aqui nesta postagem está o remake da análise mais vista do blog durante sua vida inteira até agora.

Un dollaro bucato

(O Dólar Furado)

Direção: Giorgio Ferroni

Roteiro: Giorgio Ferroni e Giorgio Stegani

Produção: Bruno Turchetto

Ano: 1965

Elenco: Giuliano Gemma, Ida Gali, Pierre Cressoy…

Duração: 98 minutos

Idolatrado no Brasil pelo fato de ter uma boa história e um elenco mediano, surge mais um western spaghetti com desenrolar vingativo.

Análise: O dólar furado, de Giorgio Ferroni, é um western spaghetti do ano de 1965. Sua história é muito interessante e conta com um dos maiores ícones do bang-bang à italiana: Giuliano Gemma se destaca em meio aos atores não muito conhecidos, como por exemplo, Giuseppe Addobbati e Pierre Cressoy.

Gemma, inclusive, faz desta vez o papel de um soldado sulista chamado Gary O’Hara, o qual acabou retornar da guerra e vai para Yellowstone em busca de emprego. McCory (Cressoy) dá a missão para Gary de capturar um bandido, conhecido como Black Jack (Nazzareno Zamperla). Gary acaba descobrindo, então, que Black Jack era na verdade seu irmão, originalmente chamado Phil O’Hara. Entretanto, Gary acaba levando um tiro de Phil, fazendo este perceber que acabara de atirar em seu próprio irmão; por fim, Phil é baleado por McCory e mais alguns de seus homens. Os dois irmãos, portanto, são levados por um casal para serem enterrados, mas antes de tal ação se realizar percebem que Gary está vivo, e tudo graças ao tiro de McCory ter acertado em uma moeda que seu irmão havia o dado anteriormente. Concluindo, Gary O’Hara descobre que era tudo uma armação e McCory sabia que Gary e Black Jack eram irmãos. A vingança estava armada...

O filme conta, em geral, com uma ótima trilha sonora feita por Gianni Ferrio, compositor responsável por compor a música-tema no game Red Dead Revolver e na película Bastardos Ingórios, de Quentin Tarantino; além disso, também é possível visualizar uma boa direção. O roteiro do filme é recorrente de outros westerns spaghettis, ou seja, possui a habitual busca de vingança por parte do personagem principal que, neste caso, é de Giuliano Gemma. Ao fim de tudo, nos damos de cara com um bom resultado apesar de um elenco mediano, com destaque para Giuliano Gemma em uma excelente atuação.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

12 de setembro de 2011

Pôster: O Retorno de Ringo

Inspirado por "Odisseia", a clássico-épica obra literária do escritor Homero, Duccio Tessari é responsável pela continuação da jornada de mais um anti-herói no western: antes mesmo do surgimento do afamado Django, aparece para o mundo RINGO, ou neste caso... Montgomery Brown!

Estrelado pelo grande nome do bang-bang à italiana Giuliano Gemma e pelo carrancudo Fernando Sancho, o filme é a continuação de Uma pistola para Ringo - realizado um ano antes. Com uma das trilhas mais regulares do maestro Morricone, pouco se tem de ação neste trabalho onde prevalecem momentos de drama e suspense.

Após uma violenta Guerra Civil, o até então Capitão Montgomery Brown (Gemma) volta à sua cidade de forma irreconhecível e se depara com muitas coisas indesejáveis: a principal delas era a aproximação do casamento de sua mulher (Lorella de Luca) com um dos facínoras da região. Tramando sua ressurreição como Ringo, ele dá passos lentos até a vingança desejada!

Quer saber mais sobre o retorno triunfal de Ringo, o pistoleiro vingador? Clique AQUI e leia a crítica completa, escrita por Bruno Barrenha.

10 de setembro de 2011

Crítica: O Retorno de Ringo

IL RITORNO DI RINGO

(O RETORNO DE RINGO)

Direção: Duccio Tessari

Roteiro: Duccio Tessari e Fernando Di Leo

Produção: Luciano Ercoli e Alberto Pugliese

Ano: 1965

Elenco: Giuliano Gemma, Fernando Sancho, Lorella de Luca...

Duração: 97 minutos

Ventania, violência crua, risadas irônicas e um retorno triunfal: as principais características do western spaghetti em um único filme...

Análise: Como já se sabe, o herói mais imitado em toda a história do western é o idolatrado Django, de Sergio Corbucci. Além dele, outros personagens tomaram um destino parecido, porém não tão exagerado: são os casos do Homem-sem-nome, de Sergio Leone e de Ringo, de Duccio Tessari. O último, aliás, foi um dos precursores deste conceito heroico-vingador, até mesmo antes do próprio Django (1966) e ao lado do Homem-sem-nome (1964). Foi, então, no mesmo período do primeiro spaghetti realizado que se deu o lançamento do também primeiro filme de Ringo: Uma Pistola para Ringo. Passado o primeiro ano do gênero, eis que surge o mais bem elaborado e emocionante O Retorno de Ringo, responsável por suceder e dar continuação à jornada do herói.

Voltando completamente arrasado de uma violenta Guerra Civil, o até então Capitão Montgomery Brown (Giuliano Gemma) se depara com sua cidade de forma irreconhecível, justamente como sua própria pessoa. Tomada pelos bandidos mexicanos e com sua esposa Helen (Lorella de Luca) prestes a se casar com um destes marginais, ninguém desconfiara de quem pudesse ser o verdadeiro Capitão Brown, o qual escondia sua verdadeira identidade para bolar planos e reconquistar seu antigo território, juntamente à sua autêntica família.

Com todo este argumento, pouco se pode esperar de um trabalho repleto de aventura e ação, como acontece em muitos westerns: desta vez, o filme centra-se nos pequenos passos dados pelo Capitão até sua devida ressurreição, acrescentando uma dose de drama e mais umas poucas de suspense, porém ficando um resultado com cara de “arrastado”. Apesar de tal falta de ação em seu início, isto é refletido no final com muitos tiros, poeira e o melhor do cinema spaghetti: a violência crua, sem aquela elegância para representar as mortes.

No entanto, o que faltou na elegância da matança veio pelas mãos de Duccio Tessari nos momentos mais psicológicos e reflexivos, nos momentos pelos quais Giuliano Gemma ressuscitava seu personagem que voltaria a se chamar Ringo e completaria o ciclo oferecido pelo título da película. O diretor ainda foi um dos poucos que conseguiu utilizar uma das maiores peculiaridades técnicas do western spaghetti – os chamados close-ups – de forma positiva, após o pioneiro Sergio Leone: realmente conseguimos ser levados pelos sentimentos mostrados nos olhos dos atores, seja de raiva, ódio, comoção ou amor; além desta, outra utilização de tal plano era mostrar a decadência dos cidadãos do oeste, bem como sua sujeira, barbas estranhas e seu suor. Neste caso, tais pessoas seriam representadas pelos atores ainda desconhecidos: Giuliano Gemma em começo de carreira é o melhor dentre todo o elenco, apesar das atuações no geral serem um tanto quanto caricatas. Por fim, a trilha sonora é de autoria do maestro Ennio Morricone que, apesar de sua genialidade, faz uma das trilhas mais regulares de sua carreira; isto acontece pelo fato do filme ser centrado em um tema-principal (vídeo abaixo), fazendo com que os sons se repitam de forma exagerada.

Como os destaques de O Retorno de Ringo, aparecem as cenas de batalha até com certa vantagem na frente de outros aspectos que mereçam ser falados, como a direção de Tessari: os socos e pontapés chegam a parecer reais, com movimentos rápidos e muita agilidade por parte dos atores; vendo estas cenas, elas podem até ser consideradas iguais tecnicamente com a cena do espancamento em Três Homens em Conflito. Assim como também era pastiche de Sergio Leone, os ruídos naturais aparecem exageradamente e os cenários são muito bem construídos, mas com um destaque para detalhes adicionais como as palhas voando pelas cidades devido ao forte vento.

Porém, também há baixos e um dos principais deles é a demora com que o filme tem para engrenar: apesar de Tessari usar sua genialidade em tais cenas, elas soam como forçadas e arrastadas. Além disso, os figurinos são coerentes, contudo aparecem simples demais e sem tantos detalhes necessários para causar uma boa impressão da época.

Tema de “O Retorno de Ringo”, cantado por Maurizio Graf.

O segundo filme da série de um dos primeiros heróis do western é, portanto, superior ao primeiro, porém não chega a ser algo esplendoroso nem magnífico. É aquele tipo filme para se recordar e, caso haja interesse, rever com um olhar mais detalhado o possível, pois os elementos empregados por Tessari fazem do trabalho algo maior. A linha tênue entre os acertos e erros é bem grande, já que os pontos mais altos são os detalhes mais importantes para que seja feito um bom filme, enquanto que as falhas derivam de coisas simples, porém que pesam no resultado final.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

9 de setembro de 2011

Pôster: Tex e o Senhor dos Abismos

Baseado nos fumettis de TEX WILLER, o filme do herói contra o Senhor dos Abismos carrega a história das edições de número 40, 41 e 42 do famoso gibi italiano. Inicialmente, era para ser o piloto de uma série, porém o projeto não avançou...

Cheio de explosões, tiros, ação e sendo muito fiel aos quadrinhos (desde figurinos até falas), o trabalho deixa os fãs de TEX com água na boca, intensificando esta sensação pelo fato de possuir um elenco de peso (Giuliano Gemma e William Berger juntinhos).

Acompanhado de seu amigo Kit Carson (William Berger) e do índio Jack Tigre (Carlo Mucari), Tex (Gemma) é acionado para investigar o misterioso roubo de rifles ocorridos ultimamente no território mexicano.

Curioso para saber mais sobre o herói TEX? Clique AQUI e leia a crítica inteira do filme, escrita por Thierry Vasques.

7 de setembro de 2011

Crítica: Tex e o Senhor dos Abismos

Tex e il Signore degli Abissi

(Tex e o Senhor dos Abismos)

Direção: Duccio Tessari

Roteiro: Giorgio Bonelli, Giovanni L. Bonelli, Gianfranco Clerici, Marcello Coscia e Duccio Tessari

Produção: Enzo Procelli

Ano: 1985

Elenco: Giuliano Gemma, William Berger, Carlo Mucari…

Duração: 103 minutos

Uma película razoável, baseando-se nas HQ’s do aventureiro Tex Willer: cheia de ação, explosões e tiroteios.

Análise: Tex e o Senhor dos Abismos, de Duccio Tessari, é um western spaghetti de 1985, baseado nas edições de números 40, 41 e 42 da história em quadrinhos Tex Willer, os famosos fumetti – o nome dado ao estilo das HQ’s na Itália. Inicialmente, a película, seria o piloto de uma série, mas devido ao insucesso de bilheterias esta foi cancelada.

Na história, o rancheiro Tex Willer (Giuliano Gemma) é acompanhado por um índio navajo, chamado de Jack Tigre (Carlo Mucari) e outro rancheiro, nomeado Kit Carson (William Berger). Eles são designados a investigar o roubo de rifles ocorrido em territórios mexicanos. Primeiramente, o grupo desconfia de bandidos mexicanos, mas ao achar algumas pistas (como os corpos petrificados dos guardas do comboio que transportava os rifles, e uma corrente típica de índios), começam a desconfiar de alguma tribo do país. Durante o desenrolar da trama, os tiroteios e explosões se tornam constantes, até que Tex, Carson e Tigre descobrem quem estava atrás de tudo.

A película é relativamente mediana, possuindo seus altos e baixos. Tem um elenco razoável, com destaque para William Berger e Giuliano Gemma, sendo que o último realiza mais um bom trabalho em sua carreira. Outro revés do filme foi o ano de lançamento: em 1985, uma época onde o western não estava mais em seu auge. Apesar de o filme não contar com uma boa direção, a situação é revertida com uma elegante trilha sonora. Além disso, conta com muitos tiros, explosões e até alguns elementos mágicos; para quem gosta dos quadrinhos do herói, certamente é uma ótima pedida.

Por último, as cenas de ação são as mais destacáveis, onde os efeitos especiais se prevalecem com as cenas de explosões. Mesmo podendo ter um desenvolvimento melhor a película é razoável e nela se destacam a atuação de Giuliano Gemma, o roteiro e a trilha sonora.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

5 de setembro de 2011

Pôster: Django - Bastardo

"Ele voltou do Inferno... E está com sede de Vingança!"

Este é um pequeno prólogo para Django - O Bastardo, filme dirigido por Sergio Garrone e estrelado pelo ator ítalo-brasileiro Anthony Steffen, o qual também assina o roteiro e toma as rédeas da produção. Além deste, foram produzidos mais de 30 títulos com a alcunha do anti-herói vingador, por qual ainda passaram cerca de 15 atores, com destaques para o próprio Steffen, o precursor Franco Nero e o cômico Terence Hill.

Passando 16 anos após o fim da Guerra Civil, o então místico e fantasmagórico Django (Anthony Steffen) quer vingança de seus três oficiais (Paolo Gozlino, Jean Louis e Teodoro Corrà) que o deixaram para morrer contra os soldados adversários.

A caracterização dos personagens é o maior destaque da película, enquanto a utilização de cenários e figurinos pobres desgastam o brilho de Django - O Bastardo.

Hoje em dia, a influência causada por Django é enorme, inspirando em maior escala o renomado cineasta Quentin Tarantino, fã incondicional de Franco Nero. Ele, inclusive, está realizando Django Unchained, outro dos trabalhos que levam o nome do anti-herói; seu lançamento está previsto para o ano de 2012.

Interessado na história de Django? Clique AQUI e veja mais sobre este clássico do western spaghetti, por Bruno Barrenha...

3 de setembro de 2011

Crítica: Django - O Bastardo

THE STRANGER’S GUNDOWN

(DJANGO – O BASTARDO)

Direção: Sergio Garrone

Roteiro: Anthony Steffen e Sergio Garrone

Produção: Herman Cohen e Anthony Steffen

Ano: 1969

Elenco: Anthony Steffen, Paolo Gozlino, Luciano Rossi…

Duração: 107 minutos

A volta fantasmagórica do anti-herói mais copiado do cinema western.

Análise: A história de um dos anti-heróis mais populares na história do cinema western – Django – se iniciou no ano de 1966, em um filme que levava propriamente seu nome e era dirigido pelo então desconhecido diretor Sergio Corbucci, o qual colheu a fama e, juntamente a si, o seu personagem foi levado mundo afora por muitos outros realizadores. A partir de então, os trabalhos que levavam a alcunha do personagem se proliferaram, dando a ele enorme popularidade. Para que se tenha noção desta afirmação, além do primeiro projeto, foram lançados mais 30 títulos com o nome de Django, sendo que 27 habitaram entre os anos de 1966 e 1972; o resto passou por 1987 (com a volta de Sergio Corbucci), por 2007 (com o nipônico Sukiyaki Western Django) e passará por 2012 (no ainda não lançado Django Unchained, de Quentin Tarantino). Também passaram pelo papel do vingador 15 atores, nos quais mais se destacaram Franco Nero, Terence Hill, Tomas Milian e o ítalo-brasileiro Anthony Steffen. Apesar de tudo, pouquíssimos destes incríveis 31 títulos se tornaram sucesso e, dentre os poucos, um destes é justamente Django – O Bastardo, dirigido por Sergio Garrone no ano de 1969.

Como se sabe, a sensação de punição por um passado desconhecido (ou simplesmente descrito como vingança) é o principal tema abordado em toda a série de Django. Apesar de clichê em muitos outros filmes, este foi um dos únicos temas que se encaixaram de forma tão perfeita para o gênero do western spaghetti; se pararmos para pensar, eles até soam como sinônimos em determinadas ocasiões. Sendo assim, podemos dizer que Django é o grande mestre da vingança no cinema só pelo fato de ser um dos maiores influenciadores do já citado Quentin Tarantino. De acordo com o Spaghetti Western Database – site especializado em faroeste europeu – o primeiro filme do anti-herói é o terceiro spaghetti predileto do cineasta.

Partindo disto, o único câmbio ocorrido neste filme de Django foi a mudança do elenco, substituindo o personagem-título antes interpretado por Franco Nero pelo único ator de origem brasileira a ter um espaço importante reservado no western spaghetti: seu nome é Antonio Luiz De Teffè, aqui grafado como Anthony Steffen. O mais impressionante é que, além de atuar fazendo o papel principal, ele também assina o roteiro e toma as rédeas da produção!

Sendo assim, a aventura se passa 16 anos após o fim do famoso cenário da Guerra Civil Americana, com Django buscando uma interessante vingança: ele não quer vingar a morte de algum familiar ou amigo, mas sim a sua própria. E vou logo avisando que não adianta manipulá-lo com o dinheiro que for! Isso porque, durante o conflito nos Estados Unidos, seus três oficiais (Paolo Gozlino, Jean Louis e Teodoro Corrà) o abandonaram no acampamento contra os soldados adversários, safando-se por pouco de sua extinção...

Com atuações regulares por parte de todo o elenco, o destaque vai mesmo é para a direção de mais um Sergio na história do western spaghetti, só que desta vez não falo de Leone, Corbucci ou Sollima, mas sim de Garrone; sua direção se alterna entre planos raramente vistos antes em um filme do gênero, como demasiados plongées e contra-plongées, além também de uma veemência de planos em primeira pessoa para causar um amplo nível de tensão nos espectadores; fora isso, o intenso uso de zoom chega a ser cansativo e o mais proveitoso de Garrone é tirado de seus close-ups, com os atores mirando diretamente à câmera, parecendo nos dizer algo . Por último, a trilha sonora de Vasco & Mancuso consegue se adequar em cada momento do filme, como por exemplo, nos flashbacks da guerra onde os tambores rufam em referência às músicas de conflitos ocorridos em campos de batalha.

A aposta em um figurino e cenários pobres talvez tenha sido o único erro crucial do trabalho inteiro, já que estes importantes detalhes para retratar uma época passada não ganham nenhum toque especial nem nada marcante, sendo que o personagem Django simplesmente utiliza uma mísera capa preta com alguns rasgos. Para compensar, o roteiro consegue preenche muito dos espaços vagos, sobretudo na caracterização marcante dos personagens, na qual trataram o mortal Django em um ser divino e sobrenatural, desaparecendo de frente das telonas em um passe de mágica. Exemplo disto é o próprio final da película, onde Alida (Rada Rassimov) desvia o olhar de Django e, ao olhar novamente, ele some entre os corpos estirados no chão. Além dele, outra pessoa que se define de outra forma é Jack Murdock (Luciano Rossi), que é transformado em uma espécie de psicopata e, com o rosto excessivamente pálido, foge definitivamente do clichê nos quais outros filmes com a mesma temática da vingança se apegariam.

Incluído entre os 30 títulos já executados sobre o personagem, Django – O Bastardo é um dos melhores e mais objetivos, principalmente por contar com uma direção autoritária e por uma soberba caracterização dos personagens. E, hoje em dia, a influência causada pelo anti-herói mais copiado na história do western é mais que imediata, inspirando Quentin Tarantino e muitos outros realizadores, como Alex Cox e até o japonês Takashi Miike. O último, inclusive, reinventou de sua própria forma a história do personagem no ano de 2007, filmando uma espécie de homenagem denominada Sukiyaki Western Django; em 2012, outro filme inspirado na obra de Django é Django Unchained, de Tarantino, fã incondicional do ator Franco Nero.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.