30 de novembro de 2011

Crítica: O Preço de um Homem

THE NAKED SPUR

(O PREÇO DE UM HOMEM)

Direção: Anthony Mann

Roteiro: Sam Rolfe e Harold Jack Bloom

Produção: William H. Wright

Ano: 1953

Elenco: James Stewart, Janet Leigh, Robert Ryan…

Duração: 91 minutos

Um western que conta com um apurado roteiro, destemidas atuações e a sempre admirável parceria entre Anthony Mann e James Stewart.

Análise: The Naked Spur (intitulado no Brasil como O Preço de um Homem) é um faroeste clássico norte-americano, no qual se registra mais uma das famosas duplas no vasto interior do mundo western: Anthony Mann destaca-se na direção, enquanto James Stewart atua como o protagonista. Quando permaneceram unidos, estes dois grandes nomes do gênero já foram capazes de realizar cinco filmes somente durante a década de 50.

Howard Kemp (Stewart) é um caçador de recompensa e, como de praxe, está em busca de um assassino, tal qual tem por sua cabeça um prêmio de cinco mil dólares – seu nome é Ben Vandergroat (Robert Ryan). Durante seu caminho, Kemp encontra um velho garimpeiro, cujo nome é Jesse Tate (Millard Mitchell); perto de uma montanha, ele finge ser um xerife para convencer Tate a ajudá-lo por apenas vinte dólares.

No caminho da montanha onde está localizado o assassino, a dupla se depara com Roy Anderson (Ralph Meeker), um ex-soldado da Cavalaria Americana, que acaba se intrometendo no caso e ajuda Kemp e Tate a capturar Vandergroat, sendo que este se acompanha de Lina Patch (Janet Leigh), uma jovem órfã. O assassino procurado acaba colocando mais lenha na fogueira ao insinuar que Kemp não era um xerife; o falso delegado, então, que queria o dinheiro só para si, se vê obrigado a ter que compartilhar o dinheiro com Tate e Anderson.

Entretanto, já na estrada de volta para a cidade, Vandergroat tenta o seu melhor para colocar o trio um contra o outro, utilizando-se de vários truques: entre suas peripécias, falava que “seria melhor dividir a recompensa em dois” e até usava Lina Patch para atrair Kemp, o qual estava ligeiramente apaixonado pela garota.

A fascinante direção de Anthony Mann é cheia de detalhes, fazendo com que em uma única cena sem corte possamos ver excessivas características do local e da história, belas paisagens e bons efeitos reais, tais como pedras rolando de um penhasco ou um enorme tronco de árvore descendo rio abaixo. Além dela, o belo roteiro da dupla Rolfe-Jack Bloom concorreu ao Oscar naquela ocasião, porém o vencedor do ano foi o trio Brackett-Reisch-Breen, de Titanic (Jean Negulesco, 1953).

Assim, a estupenda história é o grande trunfo do filme, tendo muitas intrigas, reviravoltas e o peculiar romance americano; exemplo deste último é que Kemp acaba abandonando a recompensa para ir até a Califórnia com Lina Patch. Também há a adequada trilha sonora conduzida por Bronislau Kaper, ajudando a aumentar a tensão em algumas cenas.

Concluindo, O Preço de um Homem conta com um elenco bastante entrosado, o qual têm basicamente cinco atores – tirando os índios que aparecem em apenas umas pequenas partes. Dentre os intérpretes, podemos acompanhar ótimas atuações, sobretudo por parte de James Stewart. Além disto, o romance que envolve a atmosfera do filme é muito bem representado, apresentando um homem interessado apenas por dinheiro – caso de Kemp – estar também apaixonado a ponto de abandonar uma grande quantia dinheiro para mudar com o seu amor para a Califórnia.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

26 de novembro de 2011

Crítica: Duas vidas para Antonio Espinosa (curta-metragem)

*DUAS VIDAS PARA ANTONIO ESPINOSA*

Direção e Roteiro: Caio D’Andrea e Rodrigo Fonseca

Produção: Poeira Filmes

Ano: 2010

Elenco: Guilherme Lopes, Ângelo Coimbra, Gessy Fonseca...

Duração: 16 minutos

Falta de singularidade por parte dos realizadores faz o curta funcionar mais como um “filme-homenagem” a algo próprio.

Análise: Caipiras, índios sem-terra, conflito entre irmãos, violência sutil, tenebrosidade, tributos... Nada poderia definir melhor do que tais palavras-chaves o curta-metragem Duas Vidas para Antonio Espinosa, de Caio D’Andrea e Rodrigo Fonseca, produzido no ano de 2010, pela Poeira Filmes.

A relação dos diretores, aliás, já vem de tempos atrás, quando Rodrigo Fonseca produziu o primeiro trabalho de Caio atrás das câmeras: o resultado da parceria pode ser observado através de O Solitário Ataque de Vorgon (6 min, 2010).

E a partir desta ficção científica de D’Andrea é que também já podemos ter em vista as características dos companheiros, quando estão juntos: tanto Vorgon quanto Duas Vidas são projetos que buscam homenagear diferentes e marcantes gêneros da sétima-arte, sendo que o primeiro é baseado nos filmes de monstros (com respingos de sci-fi) e o segundo nos westerns, principalmente os spaghettis de Leone & Cia.

Uma trama argumentada para ter sua utilização em filmes de faroestes não apresentam tantas diferenças substanciais, aparentando ser sempre as histórias mais básicas e clichês do gênero. Assim, como de pastiche, somos apresentados a um mundo de pistoleiros, de tribos indígenas, de vingança pródiga, de religiosidade, de fantasia e, por fim, de muitos outros elementos.

A história não é de difícil compreensão, porém suas influências ultrapassam os limites do western: durante o ano de 1949, os irmãos Alberto (Guilherme Lopes) e Antonio (Ângelo Coimbra) atacam – ao lado de mais dois amigos – uma tribo indígena indefesa e sem moradia, apenas pelo prazer da farra. Entretanto, o resultado não é o esperado e Antonio desmaia ao se deparar com o místico chefe dos índios (Índio Lopes). Sem conseguir acordar, ele é deixado para trás e, 27 anos depois do acontecido, retorna como uma figura implacável para se vingar do irmão.

Dentre as maiores referências que podem ser vistas através do trecho acima, o fato de Antonio ser cuidado por tribos indígenas nos remete, de prontidão, aos enredos de Um Homem Chamado Cavalo (Elliot Silverstein, 1970) e Pequeno Grande Homem (Arthur Penn, 1970). Fora tais alusões, temos ainda as pequenas lembranças pela história de O Dólar Furado (Giorgio Ferroni, 1965), na qual também há um choque entre irmãos.

Ainda em meio às homenagens, o duelo é um dos grandes momentos de Duas vidas para Antonio Espinosa onde mais se explicitam os detalhes que influenciaram os diretores do curta.

Um exemplo disto é quando Antonio coloca sua faca sobre o ombro, nos fazendo remeter a dois grandes filmes de faroeste: Sete Homens e Um Destino (John Sturges, 1960) e O Dia da Desforra (Sergio Sollima, 1966). No primeiro dos citados, temos James Coburn no papel de Britt, um especialista em facas, fazendo dela seu principal armamento; já no segundo, Tomas Milián interpreta Cuchillo (em português, significa “faca”), já demonstrando tudo sobre o personagem.

Além disto, os close-ups nem precisam ser esclarecidos como menções ao mestre do eurowestern, Sergio Leone. Os olhares tensos, os planos americanos e as tomadas por entre as pernas nos lembram diretamente de Três Homens em Conflito (1966) e Era uma vez no Oeste (1968), ambos do diretor italiano.

Por último, o duelo também referencia o “segundo dos Sergio’s”, como era chamado Sergio Corbucci, autor de obras como Django (1966) e Il Mercenario (1968). Porém, aqui, o longa mais lembrado do diretor é Compañeros (1970), onde os travellings rondam as cabeças de Antonio e de seu irmão, Alberto.

Assim, com tantas conexões ao western, a ausência de uma direção própria é o principal erro da dupla de realizadores. Mesmo com isto, não deixa de ser interessante ver as novas – ou velhas – facetas do cinema nacional circundadas por close-ups do cinema italiano das décadas de 60 e 70. O roteiro, também elaborado por Caio e Rodrigo, conta com inúmeras citações aos antigos faroestes, sejam eles norte-americanos ou europeus.

O elenco, marcado pelo semblante do veterano Índio Lopes, proporciona atuações regulares, sem nos passar tanta confiança. Ainda por cima, dois dos atores – Rodrigo Fonseca e Luiz Fernando Resende – trabalharam com Rodrigo Fonseca no curta-metragem Mundo Cão (18 min, 2009).

As locações interioranas puxam o filme para um resultado mais abrasileirado, visto que as paisagens de pouco lembram os desertos do velho-oeste estadunidense ou europeu.

Apesar de tudo, o que mais fez falta para Duas Vidas foi uma trilha sonora de maior consistência. O trabalho de Renato Galozzi no quesito chega a proporcionar boas situações de nostalgia ao relembrar clássicos do gênero, mas mesmo com isto, um grande impacto é causado sobre o filme. No duelo, principalmente, onde os diretores tentaram criar um clima de tensão sem a música, mas não resultou em apenas “algumas trocas de olhares”. Em outro caso, as cenas de ação – como os tiroteios – perdem sua autonomia sem a banda sonora e se restringem a um clima fake.

Pistoleiros com ares sertanejos, tribos indígenas que se misturam aos componentes estadunidenses e bolivianos, a vingança pródiga entre irmãos, a religiosidade da idosa mãe, o sobrenatural de um índio que não tem seu corpo penetrado por balas... A tradução de todo o curta-metragem é “uma mistura extravagante de diferentes elementos de diferentes diretores e de diferentes culturas”.

Conclusão: de uma qualidade técnica inquestionável, a falta de personalidade por parte dos diretores resulta em um projeto sem espírito próprio, funcionando mais como um “filme-homenagem” ou então um treinamento para cinéfilos. Apesar disto, o curta serve para despertar o interesse em cidadãos brasileiros afastados do gênero, o qual hoje anda deveras desaparecido da mídia.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

* O curta-metragem em questão foi visto durante o III FIIK – Festival Internacional de Cinema Independente Kino-Olho.

25 de novembro de 2011

Pôster: Yankee

Yankee

Direção: Tinto Brass

Roteiro: Alberto Silvestri, Gian Carlo Fusco e Tinto Brass

Produção: Antonio Lucatelli e Francesco Giorgi

Ano: 1966

Elenco: Philippe Leroy, Adolfo Celi, Mirella Martin…

Duração: 92 minutos

Uma diferente visão de filme apresentada por Tinto Brass, contando com alguns grotescos erros, cometidos principalmente devido ao baixo orçamento.

Para ver a crítica, de Thierry Vasques, clique aqui.

24 de novembro de 2011

Crítica: Yankee

Yankee

Direção: Tinto Brass

Roteiro: Alberto Silvestri, Gian Carlo Fusco e Tinto Brass

Produção: Antonio Lucatelli e Francesco Giorgi

Ano: 1966

Elenco: Philippe Leroy, Adolfo Celi, Mirella Martin…

Duração: 92 minutos

Uma diferente visão de filme apresentada por Tinto Brass, contando com alguns grotescos erros, cometidos principalmente devido ao baixo orçamento.

Análise: Yankee, western spaghetti do ano de 1966, é o único filme do gênero europeu dirigido por Tinto Brass, realizador famoso por sua carreira em filmes eróticos. Sendo um trabalho desempenhado ainda no princípio do eurowestern, a visão um tanto quanto inovadora por parte do diretor é bastante diferente dos faroestes mais clássicos da época.

O personagem que dá nome ao filme é Yankee (Philippe Leroy), um pistoleiro de origem norte-americana e com estereótipo de arrumadinho; ele chega a uma cidade e percebe que nesta há uma gangue com vários integrantes procurados pela Lei. O líder da gangue é o Grande Concho (Adolfo Celi), o qual é o senhor de toda aquela região. Cruel, ele pune qualquer um que cruze o seu caminho!

Assim sendo, a gangue vai atrás de um carregamento de ouro e Yankee – deveras interessado – percorre seu caminho para a captura não só da gangue, mas também do ouro. O final de Yankee é, portanto, marcado pela intensa existência de tiros, traição e logicamente, de ouro.

Com a direção de Tinto Brass desvairada e própria para o filme, somos diretamente acomodados diante de vários planos contra o sol, muitos close-ups e tomadas com ótimos detalhes. Entretanto, há alguns erros grotescos, como as sequências em que as cenas possuem iluminação diferente, sendo que algumas cenas são feitas pela noite e outra parte da mesma cena, feitas de dia.

Tendo em seu interior atuações razoáveis de um elenco desconhecido e nem tão adequado, Philippe Leroy e Adolfo Celi se tornam as referências entre os papéis. Além disso, conta com uma ótima trilha sonora de Puccio Roelens, que nas melhores partes relembra os trabalhos do maestro italiano Ennio Morricone.

Talvez Tinto Brass tenha sido influenciado – mesmo que de maneira supérflua – nas duas primeiras obras da Trilogia dos Dólares: Por um Punhado de Dólares (Sergio Leone, 1964) e Por uns Dólares a Mais (Leone, 1965). Mesmo contando com pouquíssimos recursos para a época, Yankee não deixa de ser um projeto muito bem filmado.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.


21 de novembro de 2011

Pôster: Appaloosa - Uma Cidade Sem Lei

APPALOOSA

Direção: Ed Harris

Roteiro: Robert Knott e Ed Harris

Produção: Ginger Sledge, Ed Harris e Robert Knott

Ano: 2008

Elenco: Viggo Mortensen, Ed Harris, Renée Zellweger...

Duração: 115 minutos

Uma sedutora tentativa de resgate do brilho dos antigos e charmosos westerns norte-americanos.

Para ler a crítica, de Bruno Barrenha, clique aqui.

19 de novembro de 2011

Crítica: Appaloosa - Uma Cidade Sem Lei

APPALOOSA

(APPALOOSA – UMA CIDADE SEM LEI)

Direção: Ed Harris

Roteiro: Robert Knott e Ed Harris

Produção: Ginger Sledge, Ed Harris e Robert Knott

Ano: 2008

Elenco: Viggo Mortensen, Ed Harris, Renée Zellweger...

Duração: 115 minutos

Uma sedutora tentativa de resgate do brilho dos antigos e charmosos westerns norte-americanos.

Análise: Não há como negar que, através de décadas e mais décadas passadas nas profundezas da sétima-arte, o papel exercido pelo western foi-se enfraquecendo e perdendo sua propícia estadia no ramo dos maiores gêneros cinematográficos. Mesmo com as mirabolantes experiências do mais tardio – porém não menos brilhante – faroeste europeu, a autorização para o “cessar fogo” entre mocinhos e bandidos parece que foi concedida: a partir da década de 80 até os dias de hoje, dá para se contar nos dedos os filmes que tiveram seu certo valor, merecendo o sucesso que lhes foi concedido e, consequentemente, agora sobrevivendo à custa de tais agradáveis lembranças.

Inclusive, o frustrante desempenho – comercial e técnico – do ilustre bang-bang no decorrer dos anos de 1980 acabou se tornando o principal motivo para explicar a recaída das produções, evitando cada vez mais os trabalhos no gênero. E, como se não bastasse, todo este efeito devastador teve sua origem em O Portal do Paraíso (Heaven’s Gate, 1980), do consagrado realizador Michael Cimino, responsável por vencer o Oscar dois anos atrás, com sua obra-prima de O Franco Atirador.

Entretanto, os anos 90 surgiram para o mundo e o western (re)floresceu dentro do cinema, apesar de sua divina essência estar um tanto quanto aniquilada. E durante o princípio da década, logo tínhamos um esboço do que seria do gênero depois de uma significativa queda de rendimento: eram realizados sucessos de bilheteria e de crítica como Dança com Lobos (Kevin Costner, 1990), Contratado para Matar (Simon Wincer, 1990), El Mariachi (Robert Rodriguez, 1992), Os Imperdoáveis (Clint Eastwood, 1992), Wyatt Earp (Lawrence Kasdan, 1994), entre muitos outros.

A entrada ao terceiro milênio, todavia, não conseguiu manter os harmônicos anos 90. Somente em distantes espaços de tempo é possível acompanhar o enraizamento de um novo western, sendo que seu resultado final às vezes nem chega a ser completamente satisfatório!

Pois foi em 2008 que uma das oportunidades em reviver os tempos gloriosos do velho-oeste nos dias atuais caiu nas mãos do dedicado cineasta norte-americano Ed Harris que, só contando com uma participação no gênero, resolveu tomar todas as responsabilidades possíveis na realização do fascinante Appaloosa, relevando-se prepotentemente nas figuras de ator, diretor, produtor e até mesmo de roteirista, papel no qual teve como base a novela do escritor de crimes Robert B. Parker.

Dentre os mais destacáveis do período considerado “moderno” estão Três Enterros (Tommy Lee Jones, 2005), Os Indomáveis (James Mangold, 2007), Onde os Fracos não têm vez (Joel e Ethan Coen, 2007), O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (Andrew Dominik, 2007), Os Invencíveis (Kim Ji-woon, 2008), Bravura Indômita (Joel e Ethan Coen, 2010), fora ainda o então analisado, Appaloosa.

“Vínhamos mantendo a paz juntos há doze anos ou coisa assim. E quando avistamos uma cidade chamada Appaloosa, não tinha razão para duvidar que faríamos o mesmo, como previsto”.

A partir deste prelúdio reportando a amizade inseparável vivida entre Everett Hitch (Viggo Mortensen) e Virgil Cole (Ed Harris), de prontidão somos encaminhados aos pilares nos quais se apoiaria todo o enredo do filme, o qual leva justamente o nome da cidade donde se passa a trama, e ainda a complementa com grande propriedade: Appaloosa é uma cidade sem lei.

A ocorrência que nos leva a crer que Appaloosa (localizada no Novo México) realmente seja um território em falta de ordens é a hegemonia de um poderoso rancheiro e seus pistoleiros contratados: Randall Bragg (Jeremy Irons) deixa esposas viúvas e sai ileso, de um momento para outro. Sem qualquer tipo de punição, claramente teríamos um horrendo prolongamento de seu derramamento de sangue, sendo a vítima da vez o então xerife da urbe, de nome Jack Bell (Bobby Jauregui). Ah, fora seus dois assistentes...

Decorrida todas as ações necessárias para criar a atmosfera que levaria a importância de Appaloosa do início ao fim, os protagonistas passam a aparecer de forma mais intensa: Hitch e Cole tornam-se xerifes e impõem a lei – com certa dificuldade – na cidade. Após conseguir o que já era difícil, agora a principal missão dos companheiros seria caçar Bragg, por tudo já feito pelo fora-da-lei inescrupuloso.

E, enquanto se preocupam com a perseguição pelo rancheiro causador de problemas, mais conflitos aparecem para reger a história dos xerifes da lei: a beleza de Allison French (Renée Zellweger) chega para tirar a concentração de todos, reservando seu lugar na cidade sem lei. Porém, quem acredita no conflito entre os amigos Cole e Hitch para ficar com Allie, isto não acontecerá... Eles são demasiadamente ligados para brigar por tamanha besteira!

Tomando como base a novela de mesmo nome, escrita por Robert B. Parker três anos antes da realização do filme, os roteiristas Robert Knott e Ed Harris são responsáveis por transcrever no papel uma bela fusão de aventura, romance e sem dúvida, de faroeste. Através de conflitos psicológicos e os habituais duelos, somos cercados por belas paisagens que remontam os eurowesterns e também por límpidas referências a clássicos estadunidenses.

Inclusive, a crucial das alusões são exatamente as circunstâncias em que os xerifes se sentam em frente à prisão e conversam em tom descontraído, relembrando celebradas cenas de Paixão dos Fortes (John Ford, 1946). Outras menções vão para Os Imperdoáveis: o momento da captura de Bragg, onde o rancheiro está no banheiro e é surpreendido pelos delegados, ou então com a cidade de Appaloosa sendo refletida contra o belíssimo pôr-do-sol.

A mirabolante fotografia do veterano em faroestes Dean Semler chega a beirar a perfeição, com tantas maravilhas do oeste a seu dispor; além do próprio Appaloosa, ele também foi responsável por tal importante quesito em Dança com Lobos e O Álamo (John Lee Hancock, 2004).

A presença de homens de postura (e de fama) deixa o elenco bastante fortalecido, até nos dando a impressão de que os atores foram selecionados justamente para interpretar os homens durões e emotivos do velho-oeste. Em consequência disto, as atuações não deixariam a desejar...

Apesar de tudo, uma das maiores ênfases deve ser dada para os figurinos, de David Robinson, e para os cenários, de Waldemar Kalinowski. No primeiro, temos uma grande variedade de roupas, todas responsáveis por nos fazer relembrar a era do Oeste. Já em relação ao segundo, percebemos uma maravilhosa construção da cidade de Appaloosa, construída de maneira minuciosa e com valor inestimável, dando realce desde os vidros das casas até suas arquiteturas históricas.

Finalmente, o mais destacável é o fato de que cada personagem – mesmo que este seja um mero cidadão e não tenha fala alguma – possui sua história. As pessoas que simplesmente passam na rua tem alguma marca registrada de sua personalidade ou de seu passado. O barbeiro, por exemplo, desfruta de quadros de touradas em seu salão, o que remete ao passo dele apreciar tal atividade.

Partindo para um dos mais indagadores e sedutores faroestes modernos – ao lado de Três Enterros e O Assassinato de Jesse James –, Appaloosa é um filme para se assistir sem compromisso, esperando grandes reviravoltas e um tipo de romance um tanto quanto inusitado. A tentativa de resgate dos antigos e charmosos westerns me pareceu válida, mesmo que os tiroteios daqui não se assemelhassem aos de seus antecessores, nos quais sentíamos um nível de tensão muito maior.

Conclusão: um resultado eficaz, apesar de seus erros. Os muitos diálogos que regem toda a trama acabam por confrontar os personagens da forma mais psicológica possível, afastando o filme de velhos faroestes nos quais se resolviam os problemas na base das “balas”. Mas, o que realmente podemos tirar de Appaloosa é: as mulheres também podem ser perigosas no Oeste!

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR BRUNO BARRENHA.

18 de novembro de 2011

Pôster: Sem Lei e Sem Alma

GUNFIGHT AT THE O.K. CORRAL

Direção: John Sturges

Roteiro: Leon Uris

Produção: Hal B. Wallis

Ano: 1957

Elenco: Burt Lancaster, Kirk Douglas, Rhonda Fleming…

Duração: 122 minutos

Aqui, o notório tiroteio em O.K Corral é representado através de diferenças históricas, porém compensa na boa edição e na suave sonoridade.

Clique aqui para ler a crítica, de Thierry Vasques.

16 de novembro de 2011

Crítica: Sem Lei e Sem Alma

GUNFIGHT AT THE O.K. CORRAL

(SEM LEI E SEM ALMA)

Direção: John Sturges

Roteiro: Leon Uris

Produção: Hal B. Wallis

Ano: 1957

Elenco: Burt Lancaster, Kirk Douglas, Rhonda Fleming…

Duração: 122 minutos

Aqui, o notório tiroteio em O.K Corral é representado através de diferenças históricas, porém compensa na boa edição e na suave sonoridade.

Análise: Sem Lei e Sem Alma é um western estadunidense realizado no ano de 1957, pelo diretor já consagrado no gênero, John Sturges (Sete Homens e Um Destino, 1960). O filme é baseado no famoso duelo que se deu na cidade norte-americana de Tombstone, durante o fim do século XIX. Além deste trabalho de Sturges, o famoso fato do “tiroteio no O.K. Corral” também é narrado em mais outros tantos projetos cinematográficos, nos quais mais se destacam Paixão dos Fortes, de John Ford, em 1946.

Enquanto Wyatt Earp (Burt Lancaster) é o xerife de Dodge City, Doc Holliday (Kirk Douglas) se estabelece entre a profissão de dentista e jogador de cartas, sendo bastante conhecido por sua habilidade com armas. O encontro entre ambos acontece quando Earp salva Holliday de uma multidão em fúria, a qual queria linchá-lo. Portanto, após terem um breve conhecimento um do outro, a dupla que mais tarde se tornaria um sucesso no mundo inteiro une forças para livrar a região da gangue de Ike Clanton (Lyle Bettger).

O ápice de toda a história, contudo, apenas ocorre no final, quando sentimos o enfrentamento se apertar pelos dois lados no O.K. Corral, após Wyatt receber um telegrama de um de seus irmãos – este também xerife – pedindo ajuda.

O mais interessante é que, todas estas ações se dão sem deixar de lado as partes românticas dos faroestes criados nos Estados Unidos, expondo ao público tanto às paixões de Wyatt Earp quanto às de Doc Holliday.

Com a participação de Burt Lancaster e Kirk Douglas nos papéis principais, logo nos vem a mente um elenco arrasador. Sim, é verdade. Mas, como um bom revelador de talentos, o diretor John Sturges ainda dá espaço para os futuros vilões do western: Lee van Cleef e Dennis Hopper que, mesmo fazendo pequenas participações, já nos dão um prefácio do que seriam seus futuros na sétima-arte. Além disto, ainda há uma conveniente trilha sonora, destacando-se pela marcante e grudenta música-tema composta por Dimitri Tiomkin – o mesmo de Matar ou Morrer e Onde Começa o Inferno.

Acima de tudo, um dos mais notáveis destaques de Sem Lei e Sem Alma é em relação à presença de algumas contradições históricas e as diferenças entre o que aconteceu na realidade e o que se passou no filme: primeiramente, Wyatt ainda não era xerife, e seu irmão era um perseguido da Lei. Em segundo lugar, a batalha na realidade durou somente 30 segundos, tempo prolongado no filme para uma longa e duradoura batalha. Entre outras, estas são apenas algumas das diferenças entre a realidade e a ficção.

Finalizando, o trabalho conta com a agradável e leve direção do estadunidense John Sturges, a qual é ajudada pela ótima edição de Warren Low. O último dos elementos, inclusive, concorreu ao Oscar de Melhor Montagem pelo ano de 1958.

Além de ser um forte concorrente unicamente por esta categoria, o filme de quebra também concorreu ao prêmio de Melhor Som, sobretudo pelos incríveis ruídos que iam desde o embaralhar das cartas, o arrastar das cadeiras e o abrir das portas até os mais triviais disparos de revólveres e espingardas do velho-oeste.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.

14 de novembro de 2011

Pôster: Tempo de Massacre

MASSACRE TIME

Direção: Lucio Fulci

Roteiro: Fernando Di Leo

Produção: Oreste Coltellaci

Ano: 1966

Elenco: Franco Nero, George Hilton, Lynn Shayny…

Duração: 90 minutos

Franco Nero, com figurino idêntico ao de Clint Eastwood, faz mais uma boa atuação em um western que se destaca na soberba trilha sonora.

Para ler a crítica, de Thierry Vasques, clique aqui.

12 de novembro de 2011

Crítica: Tempo de Massacre

MASSACRE TIME

(TEMPO DE MASSACRE)

Direção: Lucio Fulci

Roteiro: Fernando Di Leo

Produção: Oreste Coltellaci

Ano: 1966

Elenco: Franco Nero, George Hilton, Lynn Shayny…

Duração: 90 minutos

Franco Nero, com figurino idêntico ao de Clint Eastwood, faz mais uma boa atuação em um western que se destaca na soberba trilha sonora.

Análise: Tempo de Massacre, é um western spaghetti do ano de 1966, dirigido por Lucio Fulci, realizador conhecido principalmente por seus trabalhos em filmes de terror. O ator Franco Nero é o grande destaque do elenco não tão conhecido, o qual ainda conta com as participações do uruguaio George Hilton e o italiano Nino Castelnuovo.

O personagem de Nero é, simplesmente, um mero trabalhador nomeado Tom Cobert e responsável pela extração do ouro; em um dia comum, ele recebe um singelo bilhete de seu amigo, Carradine, para que volte à sua terra natal. Ao realizar tal desejo do companheiro, porém, Tom percebe que o local está tomado pela família Scott, culpada por controlar totalmente a pequena cidade. O violento domínio dos Scott acontece principalmente por causa da insanidade de Jason Scott (Nino Castelnuovo), filho do poderoso Sr. Scott (Giuseppe Addobbati) e que, de grão em grão, começava a suceder o pai.

Logo sabendo que seu amigo havia morrido, Tom se revolta e, com a ajuda de seu irmão Slim Cobert (George Hilton), ele tenta lutar e se vingar contra Scott e seu bando de pistoleiros.

Os irmãos Cobert, então depois de muitos conflitos, conseguem invadir o Rancho Scott, onde uma incrível batalha se sucede, com muitas quedas, tiroteios e tudo que o faroeste tem de melhor. No final de tudo, Tom acaba por descobrir um incrível segredo sobre o Sr. Scott e ainda trava uma ótima luta com Jason Scott, o herdeiro da família.

Em relação aos detalhes técnicos, o principal elemento de Tempo de Massacre é a excelente trilha sonora, a qual nos presenteia com uma bela música-tema na voz afinada de Sergio Endrigo, também compositor da canção A Holy Man. Lucio Fulci faz um bom faroeste, com uns poucos tons de suspense, principalmente ao colocar em prova o segredo do Sr. Scott, depois descoberto por Tom Corbett.

Com base no elenco, como já era de se esperar, os maiores destaques são para Franco Nero e George Hilton; entretanto, o chinês Tchang Yu acaba por desviar alguns olhares e roubar um pouco da atenção do público espectador, ao interpretar um velho e carismático coveiro oriundo da China. Seu personagem mantém bastante importância por sempre estar ajudando o protagonista Tom Corbet.

Chegando ao fim, vemos em Franco Nero uma transcrição de Clint Eastwood: a roupa do eterno Django – criado por Corbucci – é inteiramente semelhante a utilizada por baixo do poncho do inalterável Homem Sem-Nome – de Sergio Leone. Para se ter noção da semelhança, o figurino aqui é composto por um chapéu e uma camisa sobreposta por um colete; a única e mera diferença entre suas roupas é que o personagem de Nero não usa o famoso poncho e a cor de seu chapéu é preto, ao invés de marrom, como era o de Eastwood.

Concluindo: o filme em si é um tanto quanto violento, e justamente por isto ele foi lançado em duas versões. Dentre as cenas mais violentas estão a que Jason Scott dá chicotadas em Tom Corbett. Outro fato muito interessante são as inúmeras quedas muito bem protagonizadas pelos dublês durante mais este ótimo western spaghetti.

MINHA NOTA PARA ESTE FILME:

ANÁLISE FEITA POR THIERRY VASQUES.