Abaixo podem ser encontradas as críticas armazenadas no blog e seus respectivos filmes para baixar, através do programa uTorrent.
Além desta seção de downloads, também podem ser encontradas mais outras sete, nas quais se incluem muitas películas para assistir em sua casa. Caso haja interesse em vê-las e baixar algum arquivo, basta clicar AQUI.
Em plena década de fracassos no western, surge Barbarosa na tentativa de reerguer o antes muito respeitável gênero.
Análise: Barbarosa é um faroeste norte-americano lançado no ano de 1982 ao lado de outros filmes do mesmo patamar, com o objetivo de tentar reabilitar o gênero que vinha em uma série de fracassos a partir do épico e derradeiro O Portal do Paraíso (Michael Cimino, 1980). Porém, mesmo caindo no esquecimento, o filme do diretor Fred Schepisi acaba passando por um completo extremismo através de seus nomes: enquanto seu elenco apresenta alguns atores reconhecidos – como o ícone da musica country Willie Nelson e o ator nomeado ao Oscar em 1975, Gary Busey – a produção nem sequer relaciona alguém com determinada reputação cinematográfica.
Deveras diferente em relação aos clássicos westerns estadunidenses, Barbarosa se foca mais na relação entre o mestre e o aprendiz (como no italiano O Dia da Ira) e nas cenas de violência, ao invés do romance e das cenas de cunho heroico.
Barbarosa (Willie Nelson) mostra a vida de um temido pistoleiro que vaga por territórios mexicanos e acaba encontrando Karl Westove (Gary Busey), um jovem fazendeiro do Texas que está fugindo no meio do escaldante deserto depois de ter matado sem querer o seu irmão. Barbarosa, então com pena do pobre rapaz, ensina-o a encontrar água e a caçar tatu, mas o abandona na noite. Ao acordar, Karl tenta retomar sua vida normal, mas é visto pelos irmãos em um vilarejo; a pedido do pai com sede de vingança, tentam matá-lo e é salvo por Barbarosa. É a partir daí que o vinculo entre os dois fica cada vez mais forte, envolvendo em inúmeras aventuras e algumas discussões.
A direção, de Fred Schepisi, sabe aproveitar muito bem a paisagem e também planos presentes em westerns anteriores, inclusive alguns reconhecidos de Sergio Leone. Os planos detalhes também dão às caras e adentram profundamente ao filme, dando ares mais característicos ao trabalho de Schepisi. Outro dos elementos mais bem prestados pelo diretor é a forte relação entre o mentor e o principiante, mostrado no início como uma simples amizade entre Barbarosa e Karl, porém aumentando tal sentimento ao decorrer do filme.
Concluindo, Barbarosa é um bom filme, porém não tão grandioso se compararmos com os grandes clássicos do gênero. Apresenta uma interessante direção, uma cativante história e razoáveis atuações.
Primordial ator do western spaghetti é retratado através de uma fotografia quase inexistente no gênero: o preto-e-branco.
Análise: Talvez um dos maiores atributos de diretores do cinema italiano seja sua categoria em realizar enquadramentos fantásticos, tendo uma visão que só eles próprios conseguem ter daquilo que está preparado em cenário. Portanto, em L’Ultimo Pistolero, de Alessandro Dominici, tal fundamento é captado com exatidão por seu realizador: apesar de seus planos serem desprovidos de um propósito narrativo, são gravados de acordo com um nível estético, confortando também a dominante fotografia, do mesmo Dominici.
E, prestando homenagem ao western spaghetti, não poderiam faltar referências aos maiores filmes e personalidades do gênero, o qual foi responsável por atuar dentro de países europeus como Itália, Espanha, Alemanha, França e Portugal. Assim, o grau de detalhes – desde os olhos verdes de Nero até a fumaça de seu cigarro – relembra principalmente Sergio Leone. Já os travellings de câmera não poderiam funcionar melhor, assim como acontece em trabalhos de Sergio Corbucci (como Compañeros) ou de Enzo G. Castellari (como Keoma). Voltando a Leone, porém, os efeitos sonoros também não poderiam ser mais deslumbrantes!
Elenco: Jesse Johnston, Amber Goulding, Lyn Tripp, Ryan Wickland e Isaac Johnston
Duração: 7 minutos
Gravado em plataforma celular, roteiro é ocultado para que sua estética adentre em primeiro plano.
Análise: Classificado como “finalista” do festivalNokia Shorts, o curta-metragem The Rider teve seu desenvolvimento através das lentes do celular Nokia N8 e, apesar disto, apresenta uma qualidade de imagem de deixar inveja em qualquer outra câmera. Escrito e dirigido por Josh Brooks e com produção de sua esposa Emily Brooks, o casal trabalha junto para criar uma atmosfera de pura seriedade e magnificência através de um western.
Montana, 1900. Um cavaleiro solitário (Jesse Johnston) cavalga sem um rumo decidido por dentre o oeste, até encontrar uma dependência abandonada. Com certo sentimento de culpa, ele pretende liquidar sua existência ali, naquele exato momento. Entretanto, ao encontrar uma nova perspectiva de redenção, suas cinzas dão forma novamente ao Cavaleiro Solitário.
Além de ser creditado pelo roteiro e direção, Josh também assina a fotografia: as cenas internas utilizam-se de muitos elementos que acabam distorcendo a imagem, adquirindo um ar deveras artificial e forçado. Isto faz com que o interesse do filme se vire mais para a estética e não para o roteiro, sendo que este também contém falhas, como um desenvolvimento impontual, deixando brechas e perguntas a serem respondidas: “por que ele quer se matar?”, “será que seu passado foi obscuro, assim como o de muitos outros?”. Apesar de tais falhas, ainda há acertos ao tentar remeter falas clássicas, como de Era uma Vez no Oeste (Sergio Leone, 1968).
NOTA:
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LITTLE TOMBSTONE
Realizado por: Frederic Azaïs, Theo di Malta, Benjamin Leymonerie e Adrien Quillet
Ano: 2011
Duração: 5 minutos
De uma beleza gráfica e técnica incomparáveis, estereótipos do velho-oeste americano são personalizados por discípulos franceses.
Análise: Ao todo, quatro personagens dividem a mágica tela de Little Tombstone: os típicos mocinho e bandido, um suposto padre e um índio bêbado. O duelo ao meio da cidade entre “O Bom” e “O Mau” dá belos tons ao filme, impondo informações extras e acrescentando tensão para a parte final.
A sonoridade do filme é elementar: desde uma trilha sonora bem trabalhada por Alexandre Scuri, até ruídos executados por toda e qualquer ação dos personagens em tela. Contudo, mesmo se destacando profundamente em outras áreas, é o roteiro quem ganha maior ênfase na ficha técnica: imprevisível, ele guarda uma surpresa final de deixar o queixo caído.
Em português, a tradução para “Little Tombstone” seria de “Pequena Sepultura”. Porém, me perdoem, pois eu prefiro chamar este curta-metragem de “Beirando a Perfeição”.
Roteiro: Lucio Battistrada, Andrew Baxter, Adriano Bolzoni, Armando Crispino, Denis Greene e Edward Williams
Produção:Carlo Lizzani e Ernst R. von Theumer
Ano:1967
Elenco:Lou Castel, Mark Damon, Barbara Frey...
Duração:92minutos
Mais um desconhecido e pobre faroeste responsável por agregar um guião falho e uma edição que não faz jus aos bons momentos.
Análise: Réquiem para Matar é um western produzido por dois importantes países no mapa do gênero: a Itália (berço dos principais faroestes europeus) e a Alemanha (um dos países da Europa que, na época, mais apostaram em filmes de velho-oeste). Apesar de incógnito e feito com poucos recursos, o também inexplorado diretor italiano Carlo Lizzani realiza um admirável trabalho sobre uma razoável história escrita por uma grande equipe de roteiristas – ao total, foram mais de nove nomes que ajudaram no desenvolvimento da história e na grafia do roteiro.
Deixando de lado detalhes como os citados, o filme logo se inicia com um massacre que envolve todos os protagonistas; o tiroteio acontece devido à tentativa dos americanos em ocupar terras e, com isto, enganam os mexicanos fingindo não haver mais guerra por territórios. Os pobres latinos caem em tal papo furado e acabam fuzilados por ordem do comandante sulista George Bellow Ferguson (Mark Damon).
Uma criança é atingida na cabeça e começa a vaguear no meio do nada, até ser encontrado por uma religiosa família, que cuida dele como filho, mesmo sem este saber seu nome; é então que cresce e vira um adulto, o qual desconhece até seu próprio passado e, assim, ele se vê obrigado a entrar em ação quando Princy (Barbara Frey) – a filha de seus pais adotivos – foge com a companhia de teatro. No começo de sua missão ele aprende a manejar uma arma, dando dois tiros certeiros nas costas de um assaltante após o revólver cair acidentalmente em suas mãos. Seu nome, a partir daí, seria Requiescant – palavra originada do latim, que vem da frase requiescant in peace (abreviada para R.I.P) e significa “descanse em paz”.
Mesmo com uma regular direção de Carlo Lizzani, o projeto é afetado diretamente pela edição de Franco Fraticelli, na qual muitas vezes aparecem grosseiros erros de sequência. O filme também nos apresenta cenas um tanto intrigantes, como quando o protagonista religioso mata os seus inimigos e então lê passagens da Bíblia misturadas com algumas palavras em latim.
O roteiro igualmente lida com suas falhas, mas é razoavelmente bem escrito e até aproveita momentos cômicos. Há alguns furos, é claro, como a não explicação sobre a incrível habilidade do personagem com a arma, sendo que na primeira vez que ele pega em uma, já consegue matar um criminoso com dois tiros acidentais.
Por último, temos aqui razoáveis atuações de um elenco em partes desconhecido, com destaque para Lou Castel e com a participação do polêmico cineasta italiano Pier Paolo Pasolini interpretando um padre. Além disto, ele ainda ajudou com o roteiro, mas não foi creditado!
Conclusão: Requiescant é um projeto de baixo orçamento, sem os recursos necessários, um elenco sem tanto conhecimento da mídia e do público e, justamente por isto, acaba arcando com muitas consequências que prejudicam seu resultado final, apesar de também manter os seus bons momentos.
Em determinada ocasião, o inovador cineasta estadunidense Orson Welles foi surpreendido ao lhe questionarem seus três diretores favoritos, porém a resposta foi desferida com a melhor pontaria possível: “John Ford, John Ford, e... John Ford”. Realmente, além de tal circunstância, Welles jamais escondeu seu apreço pelo diretor de ascendência irlandesa, assegurando ainda o fato de ter assistido No Tempo das Diligências (Stagecoach, 1939) pelo menos 40 vezes antes de realizar sua obra-prima, Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941).
A importância de Ford, inclusive, ultrapassa com certa vantagem os limites de Orson Welles, tornando-se também uma influência para todo e qualquer artista que migre diretamente às bandas da sétima-arte.
“Meu nome é John Ford, eu faço westerns!”
Descendente de irlandeses, John Ford nasceu no dia 01 de fevereiro de 1894 em Maine/USA sob o nome de John Martin Feeney, demorando a ser chamado como é hoje devido às suas diversas designações: apesar de conter o nome de batismo citado logo acima, durante toda sua adolescência substituiu “Martin” por “Augustine”, para então adotar Sean Aloysius O’Fearna em seu passaporte.
Antes um vendedor de peixes e lanterninha em alguns teatros de Portland, John rumou pelo mesmo caminho de seu irmão – o ator e diretor Francis Ford – ao ingressar em Hollywood no ano de 1914 e se autonomear Jack Ford até 1923, adicionando mais uma alcunha para sua coleção. A partir daí, seu nome foi alterado pela última vez: John Ford se tornou definitivo!
Creditado pela primeira vez ainda atuando sob o título de Jack Ford, suas participações em trabalhos do irmão eram constantes, fazendo com que ganhasse experiência e pudesse estrear na cadeira de diretor em 1917, com o curta-metragem de faroeste The Tornado (O Furacão, 30 minutos).
Durante um período de dois anos (1917-1919), Ford acabou dirigindo 31 westerns somente para a Universal Studios. Alguns destes filmes, aliás, enunciava seu primeiro parceiro das telonas: Harry Carey, com quem filmou 29 projetos em uma estação de quatro anos.
Apesar disto, John Ford é de fato conhecido mundialmente por sua duradoura e afetiva associação com o ator John Wayne. A ligação entre ambos teve seu desabrocho em 1939, com o clássico No Tempo das Diligências, um filme responsável por criar dois mitos a partir de uma só cajadada: o próprio Wayne e o típico cenário de Monument Valley.
As maiores criações de Ford: Wayne na pele de um cowboy solitário e o Monument Valley servindo como um perfeito pano de fundo.
Assim sendo, a mira da conexão entre Wayne e Ford não poderia ser mais certeira: foram 22 filmes realizados lado-a-lado, quase todos expondo os terrenos do Monument Valley e um favorável sucesso de crítica.
A separação de dois memoráveis nomes através de uma comédia-romântica.
Já partindo para a década de 70 – mais especificamente em 1971, dois anos antes da morte do lendário diretor – foi lançado um documentário biográfico com direção e roteiro de Peter Bogdanovich, apresentando figuras notáveis na filmografia de Ford, bem como seu queridinho John Wayne e outros rostos não menos importantes: James Stewart, Henry Fonda, Maureen O’Hara e Katharine Hepburn. E como narrador, é claro, não poderia faltar Orson Welles...